O "Bota Abaixo" de Pereira Passos - Por Milton Teixeira

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Comentário de Anselmo Correia de Lima em 28 agosto 2011 às 13:52
por toda a História que se quer mostrar sempre tem o outro lado que deve, também ser revelado. Educar ´mostrar a verdade completa!
Comentário de SÉRGIO SERVA ROCHA em 28 agosto 2011 às 9:36
Parabéns, o Prof. Milton Teixeira, mostra como como os governantes que são responsáveis pelo bem estar da população, fazem o que bem entendem sem examinar e estudar os impactos que seus atos  podem causar.
Comentário de claudio gomes de oliveira em 27 agosto 2011 às 22:35
Excelente exibição, paabens.
Comentário de Anselmo Correia de Lima em 26 agosto 2011 às 16:10
Gostaria de ouvir e de ver, também um outro lado da História, com relação aos cortiços no Rio de Janeiro!
Comentário de sergio braga osorio em 25 agosto 2011 às 23:05
É sempre um prazer ouvir o Prof.  Milton Teixeira, é uma fonte segura  de conhecimentos , histórias e fatos narrados por ele , trazem  sempre mais alguma informação embutida em suas linhas.Bom , poder encontrá-lo no nosso Café História. Grande abraço a  todos os que bebem nesta fonte!
Comentário de Flâneur em 13 fevereiro 2009 às 13:41
O projeto de modernização do porto era parte do Plano de Melhoramentos da cidade do Rio de Janeiro de 1875, e envolvia não somente a área portuária. Na verdade, o plano se materializou com as intervenções urbanísitcas a partir de 1904, estando totalmente ligado as avenidas pela própria necessidade de circulação gerada pelas atividades portuárias. O embelezamento da capital também estava atrelado a idéia de atrair capital estrangeiro para desenvolvimento da indústria nacional (assim como hoje temos como alavanca para investimentos urbanísticos grandes eventos como Copa e Olimpiadas).
Embora polêmica, a avenida Central era um espelho de seu tempo e refletia um ideal de cidade presente no imaginário de seus contemporâneos.
Não creio na afirmação que sem a reforma de Passos o Rio teria a feição de Lisboa ou de Salvador, porque as intervenções urbanas estavam apenas começando e outras se sucederiam; o movimento de demolição e construção foi intenso ao longo do século XX.
Comentário de Lylia Brik . em 12 fevereiro 2009 às 23:36
As obras do Porto do Rio de Janeiro, conforme o modelo londrino de porto abrigado , era um projeto ainda do Império ( ver Sérgio Lamrão) e não dependia necessariamente das obras na Avenida Central: o tempo mostrou que a expansão do eixo portuário privilegiou a zona sul - por exemplo, a distribuição de energia elétrica e a especulação imobiliária no centro e na zona norte-, o que dificulta até hoje a circulação de mercadorias (a área industrial limitada a São Cristóvão foi um desses equívocos). Hoje até mesmo o aeroporto sofreu um esvaziamento por conta da passagem por áreas habitacionais fora de um ordenamento urbano e consideradas "perigosas".
É correto criticar a expressão afrancesamento, tanto para o Rio como para Buenos Aires, especialmente quanto ao "estilo", ainda que se entenda que o modelo era o "bota-abaixo" de Haussemann, que se encaixava com a projeção da cidade do Rio de Janeiro na modernidade para fixar a sua capitalidade, apagando os rastros de um passado colonial profundamente implicado no tráfico de escravos.
Como diz Benchimol, o Rio seria hoje semelhante a Lisboa ou até mesmo Salvador.
Quanto à fama de pestilência do Rio, compartilhada intensamente com a cidade de Santos, além dos méritos de Osvaldo Cruz (peste bubônica, varíola), é bom lembrar que relativamente à febre amarela e o sucesso da vacinação, os africanos e descendentes eram mais resistentes a ela do que os imigrantes europeus que vinham em levas para o Brasil.
A dengue, parente da febre amarela, parece que desafia não propriamente a História, mas a memória de uma cidade, cuja "identidade" foi marcada pela exclusão social, ainda que a céu aberto, do alto dos morros.
Comentário de Flâneur em 12 fevereiro 2009 às 13:30
Para quem deseja se aprofundar no panorama do Rio de Janeiro na época de Passos, fica a sugestão de leitura atual sobre o tema que foge do lugar comum, o livro: Cidade Rebelde, as revoltas populares no Rio de Janeiro no inicio do século XX, de Jane Santucci.
Comentário de Flâneur em 12 fevereiro 2009 às 13:20
E qual seria a cidade ideal para os cariocas Professor Teixeira? Seu depoimento cai no lugar comum, no velho discurso que vem se repetindo anos a fio sobre a reforma Passos por aqueles que se limitam a repassar idéias sem fazer uma reflexão sobre o tema.
Na verdade a reforma Passos foi um plano muito mais ambicioso que tinha como carro chefe à modernização do porto, na época o principal do país. No mundo todo os portos se modernizavam para permitir o desembarque de embarcações cada vez maiores e no Rio de Janeiro, os grandes navios ficavam fundeados no fundo da baía e as operações eram intermediadas por saveiros que as tornavam bem custosas.
A partir da remodelação do porto toda área central foi contemplada com avenidas, meticulosamente articuladas que permitiam a circulação por toda cidade: porto-centro; centro-zona-sul; centro-zona norte e porto-área industrial. Somente a visão de um grande urbanista poderia alcançar tal complexidade e neste caso o mérito não é somente de Passos, mas de sua equipe de grandes engenheiros: Francisco Bicalho, Lauro Muller e Paulo de Frontin.
A reforma de Passos lançou os mais pobres para as favelas. A população pobre da cidade já vinha se ajeitando em favelas desde o final da guerra do Paraguai, aguçada pelo crescimento vertiginoso da população provocado pela chegada de imigrantes estrangeiros e aumento da população livre com a Abolição. Passos não inventou a favela, pois em seu governo já estava bem consolidada. Curiosamente, a área atingida pelas obras de remodelação do centro não era a mais populosa, e envolveu a região próxima ao cais e a Freguesia da Candelária, que era formada, sobretudo por casas comerciais e pequenas manufaturas. Houve despejos, mas em número bem menor do que se repete, atingindo uma população que vivia em cortiços, ao sabor dos humores e desatinos de seu senhorio. Esqueceste de comentar que as reformas abriram cerca de oito mil vagas de empregos e foi apoiada por todos os sindicatos de trabalhadores da época. E junto com as reformas vieram também o saneamento e as vacinações que finalmente mudariam a imagem de uma cidade internacionalmente conhecida como cidade da peste.
Outro lugar comum: "o afrancesamento do Rio". As avenidas representam o paradigma da época, no caso ditado pela França e expresso em toda tecnologia usada, desde os materiais de construção, técnicas construtivas e a arquitetura da belle epoque, que se explica perfeitamente dentro da idéia de Zeitgeist.

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