Milton Santos sobre a política racial brasileira

"Entrevista realizada no dia 4 de janeiro de 2001. Foi a última concedida pelo professor Milton Santos, precocemente abatido por um câncer em 24 de junho do mesmo ano. O geógrafo se foi, mas seus pensamentos ficaram. Seu ideário político inspiraram o debate sobre a sociedade brasileira e a construção de um novo mundo globalizado." Neste trecho, separado por mim, Milton Santos reflete sobre o processo de políticas raciais que até então se iniciava no Brasil. Uma reflexão bastante intuitiva, alertando sobre as conseqüências negativas do "crescimento separado" entre os grupos étnicos que compõem a nação brasileira. A sua oposição repousa na construção de um Brasil, que respeite a singularidade de suas raízes, e democrático na elaboração de políticas sociais que ampliem o acesso de todos os brasileiros, independente de sua "cor", da sua "raça". Milton Santos desejava que "os negros pudessem crescer para serem brasileiros como quaisquer outro brasileiro, e não, crescer e melhorar como negros em uma sociedade de grupos étnicos separados..."

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Comentário de Angelo Fernandes em 11 agosto 2012 às 18:03

Eu, Angelo Fernandes, Presidente do PDTE _ Partido de Todas Etnias, líder afrodescendente continuo sendo algemado, torturado, espancado e sequestrado dentro da sala 8058 na UERJ no dia 19/03/2012, às 2055 horas, por ter ousado abrir a boca na sala de economia de alunos brancos jovens. Ninguém me socorreu, passei por 3 delegacias numa viatura da PM onde um segurança da UERJ tentava matar-me apertando meu gogó junto com PM e me ameaçavam de colocar maconha e cocaína para aumentar minha pena. Se eu não fosse Pastor evangélico seria mais um afrodescendente morto pela UERJ e PM do Brasil do apartheid, racismo e corrupção. Até hoje não consegui registrar o emu sequestro. Coisa pouca para quem foi aposentado pela Marinha como inválido, após ter tido a sala de aula invadida no CIAGA em 2000. Fui obrigado a frequentar o Instituto de Saúde Mental da Marinha em Jacarepagua durante dois anos e como não consaeguiram provar minha "loucura" resolveram aposentar-me a revelia em 2007. Entrei na justiça branca e simplesmente deram como improcedente e minha advogada branca até hoje escondia de mim esse resultado adverso (descobri ontem, por advogado branco, que se recusou a que eu entrasse numa ação contra a FINPE por assédio moral, por recursar-me a dar pareceres falsos e aprovar prestação de contas na área de inovação e ciência irregulares. Estou suspenso desde o dia 20/03/2012, após ter sido agredido para não acessar o meu posto de trabalho sob a acusação de ter entrado na FINEP por concurso público sendo um inválido permanente pela Marinha. Tentei justificar isso e vou ser interrogado no dia 17/08/2012 no PAD aberto contra mim. Nem os nazistas fariam melhor do que o Brasil do apartheid, racismo e corrupção). Em 1997 a Petrobras manteve-me  em carcere privado e sequestrou-me do O/O Muriaé, desembarcando-me numa camisa de força em Nacala, Moçambique e depois trouxe-me dopado para o Brasil e internou-me contra a vontade na Clinica Saint Romain em Santa Tereza, RJ, para drogados e "malucos" ricos onde permaneci de 10 a 14/03 e depois lançado na rua como um cão danado. Até hoje o governo brasileiro de supremacia branca e a Petrobras não me indenizaram e tentam provar que sou "maluco". Quem quiser conhecer basta entrar na internet  e ver o processo de 1 bilhão de reais que corre na 54ª vara do trabalho, onde a Petrobras tenta desesperadamente lutar contra o SENHOR JEOVÁ e que a juíza já me deu a vitória e na última audiência disse para Petrobras fazer um acordo comigo ao invés de ficar usando subterfúgios. Sequestrar, maltratar e torturar afrodescendentes é crime apesar do Brasil do apartheid, racismo e corrupção recusar-se a considerar o povo afrodescendente brasileiro como cidadãos de acordo com a CRFB/88. Talvez, nada mais nos restará senão buscarmos a nossa vitória e formarmos um governo separado da etnia branca. Nós não queremos isto, mas se a minoria branca continuar nos oprimindo e negando a nossa liberdade não haverá outra alternativa. O tempo do Brasil do apartheid, racismo e corrupção está se esgotando. A partir de 01/01/2015, declararei, em nome de JEOVÁ, a liberdade, a emancipação e independência do povo afrodescendente brasileiro, com ou sem a etnia branca.

    Como acredito que o SENHOR JEOVÁ está conosco, apesar de toda perseguição, espancamentos, sequestros, torturas, continuo candidato afrodescendente cristão a Presidente do Brasil Unido em 2014 e na organização e legalização do PDTE _ Partido de Todas Etnias. Quem desejar participar desta luta conosco para construção do Brasil Multiétnico Cristão basta contatar-me: anlofee@hotmail.com

Que Jesus Cristo continue nos abençoando. Ontem, hoje e eternamente.

 

     Angelo Fernandes

 Presidente do PDTE _ Partido de Todas Etnias

  Candidato afrodescendente cristão a Presidente do Brasil Unido em 2014

  Pastor Presidente da Igreja Missionária Pentecostal Universal de Cristo

Ministério DEUS PROVERÁ

Comentário de CLAUDIO ROBERTO FERREIRA DA SILV em 10 agosto 2012 às 12:24

Grande entrevista com o Mestre Milton Santos, concordo quando ele fala que não se deve haver separação com nenhum grupo étnico. Infelizmemte no Brasil que vivemos existe um racismo mascárado onde todos dizem que não são racistas, mas na primeira oportunidade mostra essa vergonhosa história do nosso País tomara que um dia todos sejam vistos como iguais na nossa nação.

Comentário de arleide alves em 30 novembro 2011 às 14:43

a politica do imperialista é para detonar aqueles que  tentam lutar e organizar o povo,jogar pra o esquecimento.

 

Comentário de Angelo Fernandes em 30 novembro 2011 às 11:46

A política 50/50 por mim defendida junto com a tese de que o Brasil atual é escravocrata e racista (Brasil do

apartheid, racismo e corrupção - uma ditadura da corrupção continuação da ditadura militar já que Lulla e o PT foram criação de Golbery para impedir que a esquerda autêntica e/ou honesta pudesse governar o Brasil visando principalmente  Leonel de Moura Brizola, único líder branco capaz com coragem de unir o Brasil e lutar contra as desiguldades principalmente a racial e a econômica).

     Na realidade o Brasil hoje está do mesmo jeito que no período colonial só que extendido para a cidadania: existe um grupo de cidadãos brancos com todos os direitos e privilégios da cidadania enquanto existe os cidadãos de quinta categoria que inclui os afrodescendentes e brancos pobres, maioria do povo brasileiro, que só tem obrigações e nenhum direito ou privilégio. Um exemplo clássico é o da decisão do STF (Que é uma instituição racista e um dos maiores descumpridores da Constituição Brasileira e suas leis, com o exotismo de ser tido pelas elites brancas como "defensora" ou "garantidora" da Constituição) em que há dois tipos de cidadão: os que podem ser algemados e esculachados (pobres e afrodescendentes) e os que tem que ser tratados com toda dignidade humana (brancos, principalmente ricos e poderosos, sendo que esta decisão foi tomada devido a PF estar prendendo corruptos e ladrões brancos ricos utilizando algemas, o que foi considerado uma humilhação, isto num país em que os presos negros e brancos brasileiros são presos sem nenhum julgamento e ficam juntos em número de  centenas onde não caberia nem ao menos um preso em condições minimente humanas e que o STF fecha os olhos: ou será que eles no seu olimpo de ladrões em Brasília já visitaram uma cadeia brasileira, alguma vez na vida?).

     Assim falar que a política de 50/50 que é uma maneira das etnias branca e negra conviverem em harmonia e parceria, ou será que os membros da etnia branca esclarecida e não-racista imagina que os afrodescendentes permanecerão escravos para sempre?

     Qualquer dúvida contate-nos para explicarmos a luta pelo Brasil multiétnico justo, fraterno e desenvolvido: anlofee@hotmail.com. Angelo Fernandes - Presidente do PDTE - Partido de Todas Etnias e candidato a Presidente do Brasil em 2014. Conto com o voto de todos os cidadãos brasileiros, principalmente cidadãos afrodescentes e/ou brasileiros cristãos e brasileiros honestos. Teremos prazer em tirar todas as dúvidas sobre a política 50/50 por nós defendida desde 1974 quando estudava no Haroldinho na UERJ (ainda era um esqueleto) e havia somente cinco afrodescendentes (em mais de 3000 brancos)  e eu já dizia que um dia adentraríamos pela porta da UERJ para ocuparmos o nosso lugar que estava sendo usurpado pela etnia branca. O SENHOR JESUS CRISTO realizou as minhas profecias já que através do sistema de cotas (A UERJ foi a primeira do Brasil a adotar esse sistema afirmativo que foi por mim defendido com a assinatura da lei de cotas pela governadora Benedita (negra), uma das poucas que o Brasil já teve, os outros foram o governador do RS e do ES). Muitos negros e racistas brancos ficam falando besteira sobre cotas e ações afirmativas sem saber que esta é a única maneira pacífica do Brasil do apartheid, racismo e corrupção resolver o problema racial que traz em seu bojo as raízes da violência, corrupção e desigualdade social, política e econômica e o motivo do cidadão brasileiro ser tão fraco e oprimido por um governo branco incompetente, racista e corrupto em suas três esferas de poder impedindo que o Brasil se desenvolva e se torne um país do primeiro mundo, apesar de ser o país de maior riqueza natural do planeta terra e talvez do universo (caso jamais consigamos explorar os outros 100 bilhões de "Terras" existentes no Universo ou roubem de nós a nossa riquezas, principalmente amazônica e ambiental).

     

Comentário de André Silva Lima OLiveira em 30 novembro 2011 às 9:48

A produçaõ de direitos iguais deixa algo intrigante na discussão da igualdade racial entre os povos. Da impreção que de fato o que se busca é o equilíbrio dentre as sociedades, 50% para os brancos e 50% para os negros. Seria essa a solução correta para um país justo e igualitári? ou tal discurso nos leva a um futuro que havrá duas classes étnicas branca e preta com direitos iguais?

Comentário de michelle gomes siqueira em 4 setembro 2011 às 20:56

Ótima entrevista com Milton Santos.

 

Comentário de arleide alves em 25 maio 2011 às 22:56
MILTON GRANDE GEOLOGO E PENSADOR CONTENPORANEO ,SEUS COMENTÁRIO TORNA-SE TÃO ATUAL ,SOU SEU ETERNO FÃO ,POIS O QUE ELE DIZIA NOS SERVE COMO LIÇAÕ DE HOJE ,AMANHÃ E NO LONGO FUTURO.
Comentário de Angelo Fernandes em 25 maio 2011 às 11:45
A questão é política. Quem pode desejar a separação é a etnia branca que detém 98% do espaço político, social e econômico do Brasil. Nós afrodescendentes estamos lutando para construção do Brasil multiétnico derrubando o apartheid e racismo do Brasil. Somos maioria numérica e portanto, num país democrático temos que ter uma representatividade proporcional. Estamos construindo um partido PDTE - Partido de Todas Etnias para enfrentar esse desafio. Será difícil, mas cabe a etnia branca ser generosa e dividirmos a responsabilidade pela manutenção de uma nação brasileira multiétnica. A insistência da etnia branca considerar o nosso direito de ocupar o nosso espaço como pedido de esmola é um equívoco. Cotas e outras ações afirmativas (que são insuficientes) é uma maneira de resolver uma questão étnica de maneira pacífica. Vamos participar das eleições e queremos que tenhamos pelo menos 50% da vagas nos três poderes. Assim como nos EUA e na África do Sul nossa luta pela emancipação e liberdade será difícil, mas estamos dispostos a pagar o preço. A etnia branca vai querer pagar o preço de manter o apartheid e racismo no Brasil negando-nos os nossos direitos e nossa cidadania? Milton Campos foi um intelectual que pensava da maneira de nossos opressores, nós nunca deixamos de lutar pela nossa liberdade e emancipação nestes 500 anos de opressão e sofrimentos, avançamos com grande sacríficio e humilhação, mas agora em pleno século XXI cremos que chegou a nossa vez. E confiando em JESUS CRISTO seremos livres. Esperamos alcançar a Terra Prometida do Brasil multiétnico ainda nesta geração. E pacificamente. Só depende de todos nós brasileiros.
Comentário de Aloisio Menezes de Cantuaria em 20 maio 2011 às 12:22
Execelente a reflexão de Milton Santos. Lembrei de uma declaração de Luis Melodia sobre o assunto: "pra que cota, se nós temos a capacidade?". A política social, ao invés de incentivar o que ele denomina de "crescimento separado" deve ser, sim, no sentido de criar oportunidades para todos e, cada um receber o mérito conforme seus esforços, dedicação e iniciativa. Entendo que o orgulho que devemos sentir é o de sermos seres humanos que, independente de cor, credos e filosofias, respeitamos nossos semelhantes.
Comentário de Rodrigo em 20 maio 2011 às 9:18
Sem dúvidas, o alerta sobre o crescimento "separado", independente de quem seja, não leva a nada. Essa história de separação só serve para enfraquecer ainda mais a nossa sociedade.

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