Aquilo que os europeus chamavam de pregar a justiça de Deus aos povos bárbaros; ou seja, povos não europeus; nos dias de hoje o dicionário denomina de genocídio. Atos comuns dessa missão européia, como assassinatos em massa, tortura, estupro e sequestro, agora é academicamente chamado de diáspora africana pelos intelectuais renomados.
As diversas comunidades africanas violentadas, depois de manipuladas a venderem seus próprios irmãos como escravos, e colocadas juntas e denominados de acordo com a região em que foram sequestrados e transportados para as Américas. A nação Gêge, os Nagôs, enfim, os povos de cultura Iorubás desembarcaram no nordeste brasileiro, enquanto os povos bantos desembarcaram no sudeste.
A cultura iorubana é extremamente visual, se traduzindo através de suas roupas coloridíssimas, sua arte, escultura, seus orixás, etc. Enquanto os bantos tem sua cultura baseada na oralidade e corporeidade, traduzida em suas danças rituais, sua música e suas histórias.
Não foi por acaso que a Capoeira, assim como o Samba tiveram seu berço no Rio de Janeiro e o candomblé na Bahia. Mais quando se fala em negritude a primeira lembrança que se tem, limita-se a religião de um povo que representa cerca de 20% dos povos da África onde se concentra os Orixás.
É através da evocação desse pensamento que as religiões ocidentais, em especial as neo-evangélicas, tentam desqualificar os povos que eles classificam de bárbaros, usando como outrora, a bíblia. Assim, qualquer violência contra a população melanodérmica passa a ser sagradamente justificada e naturalmente aceita pela sociedade passiva e pela sociedade dominante, e por aqueles que se vêem privilegiados pela perversidade desse contexto.
No Rio antigo, capoeiristas como Prata Preta e Manduca da praia estavam enfrentando a polícia enquanto ainda não se falava em M. Pastinha e muito menos em M. Bimba que surgiria no cenário na década de trinta, no governo do ditador Vargas, quando Besouro de Mangangá havia se tornado lenda. O tráfico interno de peças (escravizados) no Brazil, passou a ser fato comum, com a interferência inglesa no comércio de gente, portanto, a Umbanda se fez presente o Rio Janeiro através dessa assimilação Banta.
A população melanodérmica do Rio de Janeiro, assim como seus antepassados, os imigrantes nus, que trouxeram sua história no corpo e no coração, transformando sua essência em capoeira que terminava com Samba e Sorriso; hoje faz seu corpo falar funk e sua boca entoar Rap, traduzindo sua herança que não se calou pela coerção da escrita eugênica tupiniquim. Portanto, essa essência é passível de ser desqualificada pela aristocracia reinante, descendentes da princesa portuguesa e donos da terra invadida e apropriada indebitamente; e que agora expulsam os Negros chamando-os de invasores.
assim, nosso governo oficializa o gueto, os preconceitos e o racismo, institucionalizando-os, após a "histórica" justificativa religiosa e a legitimação da mídia, o 4º poder; como dizia Kafka: "Primeiro matamos a sua história, depois impingimos a nossa mentira".
"...A história se repete, mas a força deixa a história mal contada"...Mesmo Rui Barbosa tendo tentado apagar a memória dessa população marginalizada, o Brasil continua sendo o maior detentor de documentos que fariam da história da África uma história completa. Mas o receio da oligarquia e dos religiosos de reconhecer publicamente o negro como o arquiteto e engenheiro das Américas, fez preferir transformá-lo numa dogmática ameaça virtual permanente, já que se mostrou comercialmente mais e lucrativo. Assim a escravidão mental, perpetrada pelas Tecnologias de informação e comunicação através da mídia, tornou-se a principal aliada na manutenção dessa condição sine qua nom, para a manutenção continuação do escravismo contemporâneo.
Nossa história está contida nos documentos sobre os cuidados da igreja e dos militares, especialmente da Marinha do Brazil. Mais mesmo ocultada essa história o corpo não se cala; ele que fala, que grita para não "dançar" é história viva que não se apaga, escrevendo com gestos e atos que plasmam seus caminhos nesse descaminho, sem nega-se nem enganar a si mesmo, o corpo resiste a escravidão imposta à mente imposta pela mídia, pelo branco dominador e pela perversidade criminosa de uma sociedade hipócrita, que usa e se apropria da força criadora da população melanodérmica.
Uma pequena mostra dessa criatividade foi a invenção do linho, da cerveja, do sabonete, do café, da máquina de escrever, caneta esferográfica, o regador, a caixa de correios, o motor a combustão, o cortador de grama, o semáforo, o carimbo, a lanterna, a lixeira, o cortador de grama, o interruptor, o sapato, tábua de passar, a geladeira... Enfim, sem mencionar a agricultura, a matemática, a filosofia, a astronomia, a medicina, a metalurgia, etc. Ou seja, 90% das invenções existentes atualmente, até o princípio da informática é fruto da cultura do povo melanodérmico.
O europeu se apropriou desse conhecimento e não satisfeito, usurpou a dignidade do negro roubando sua memória. Mas a presença desse corpo através do Samba, da Capoeira, do Funk e do Rap que tanto afronta e assombra os criminosos racistas, são lembranças vivas que não deixam essa história se apagar.
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Comentário de israel de oliveira em 24 outubro 2012 às 22:38 O texto é de minha autoria sim... meu blog é o fala crioullo...www.profisrael.blogspot.com caso tenha curiosidade a respeito de pensamentos e reflexões a respeito...
Comentário de Carlos em 24 outubro 2012 às 22:33
Comentário de Bruno Leal em 28 março 2012 às 11:00 Intressante.
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