O DISCURSO QUE DETONOU O AI-5

O Presidente da República era Costa e Silva. O discurso proferido na câmara dos deputados foi feito pelo parlamentar Marcio Moreira Alves. Inicia-se a fase mais dura da repressão militar no Brasil.
Abaixo, republicamos matéria descrevendo o ocorrido e uma pequena biografia do personagem que entrou, com um breve discurso, para a história da Nação e que faleceu nesta semana - semana da instauração do regime militar em nosso País- de falência múltipla dos órgãos, aos 80 anos.


Márcio Moreira Alves
Márcio Emanuel Moreira Alves nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 14 de julho de 1936, filho de Márcio de Melo Franco Alves e de Branca de Melo Franco Alves.

Aos 17 anos começou a trabalhar como repórter do Correio da Manhã e, em 1956, foi correspondente de guerra do jornal durante o conflito anglo-egípcio, que resultou na nacionalização do canal de Suez.

Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 1958. Em 1960 participou da comitiva do então candidato à presidência da República, Jânio Quadros, em uma visita a Cuba a convite do Primeiro-Ministro Fidel Castro. Como jornalista, apoiou a candidatura de José Magalhães Pinto, que se elegeu governador de Minas Gerais.

Inicialmente apoiou o movimento político-militar de 31 de março de 1964, voltando-se contra o regime por ele instituído a partir da edição, em abril, do Ato Institucional nº 1, do qual foi um dos primeiros opositores.

Elegeu-se deputado federal pelo antigo Estado da Guanabara na legenda do Movimento Democrático Brasileiro — MDB.

No dia 2 de setembro de 1968, dois dias após a invasão da UnB, Universidade de Brasília, pela Polícia Militar, fez um pronunciamento na Câmara conclamando o povo a realizar um “boicote ao militarismo” não participando dos festejos comemorativos da Independência do Brasil no dia 7 de setembro.

Em 30 de dezembro de 1968, logo após a edição do AI-5, foi divulgada a primeira lista de cassações, encabeçada por Márcio Moreira Alves; dela faziam parte onze deputados, e todos tiveram seus mandatos cassados. Márcio Moreira Alves deixou o País clandestinamente e permaneceu no Chile até 1971. Seguiu então para a França, onde se doutorou pela Fundação Nacional de Ciências Políticas de Paris. Em 1974 foi para Lisboa, tornando-se professor do Instituto Superior de Economia.

Retornou ao Brasil em setembro de 1979, beneficiado pela Lei da Anistia, promulgada pelo Presidente João Figueiredo em 28 de agosto do mesmo ano. Com a extinção do bipartidarismo, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro — PMDB, e concorreu a uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Estado do Rio de Janeiro em novembro de 1982, obtendo uma suplência.

Casou-se com Marie de Preaulx Moreira Alves, de nacionalidade francesa, com quem teve três filhos.

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