Definição de História

José D'Assunção Barros

"A História é a ciência que estuda o Homem no Tempo". Com esta definição, proposta por Marc Bloch em seu livro Apologia da História ou o Ofício do Historiador (1941-1942), a historiografia do século XX começa a se apresentar como uma proposta mais sofisticada para os seus tradicionais âmbitos de pesquisa. Ao invés de se limitar apenas ao estudo do passado, o próprio Tempo Presente podia agora ser apresentado como um dos campos de interesse dos historiadores. De igual maneira, outras formas de relação do homem com a temporalidade, e também outros tipos de "tempo", tais como o tempo virtual, o tempo literário, o tempo psicológico, apresentavam-se agora como possibilidades para o estudo do historiador. As pequenas definições de um conceito - e neste caso temos um conceito que define todo um campo de saber - podem ser particularmente reveladoras de trasnformações que ocorreram ou que estão por ocorrer.

 

Naturalmente que uma definição ou outra a respeito de um campo de saber, é sempre ela mesma histórica (isto é, sujeita a se modificar no decorrer da história). Com Heródoto, a História tinha já como seu ‘centro de interesses’ o “homem” na sua vida concreta e específica, “sublunar” (isto em uma época em que ainda não existiam outros campos de saber dedicados a investigar este tipo de especificidade do mundo humano, e contra o pano de fundo da Filosofia, que se ocupava das questões gerais, “supra-lunares”, acima da vida sublunar dos homens específicos). A História, então, remetia etimologicamente à “investigação”, mas não ainda explicitamente ao estudo do homem “no tempo” (por exemplo, o “passado humano”), a não ser por considerar que as ações “sublunares” do homem se dão no tempo. Mais tarde, a História vai assumindo um caráter de “estudo do passado”, e seus objetos (os temas que constituem o seu ‘campo de interesses’) acompanham este movimento concentrando-se mais nos períodos que se afastam ou se distinguem do Presente. Mas com os Annales e outros movimentos do século XX, ou mesmo com os fundamentos do Materialismo Histórico em meados do século XIX, ficará claro que a delimitação da História foi se afinando e se enriquecendo na direção de considerar que o seu ‘campo de interesses’ se refere aos objetos que remetem ao “homem envolvido pela temporalidade”, de modo que a definição proposta por Marc Bloch em Apologia da História é mais do que sinalizadora.  / De resto, vale lembrar também que outra ‘singularidade’ importante da História enquanto campo de conhecimento refere-se ao seu necessário apoio em fontes (documentos, textos, imagens, objetos, e outros indícios que nos chegam das sociedades passadas). Os aspectos definidores da “singularidade” da História – ou de qualquer outro campo disciplinar – corresponderão ao núcleo do que, até o final deste capítulo, estaremos entendendo como uma “matriz disciplinar” do campo de conhecimento em questão, e correspondem aos princípios com os quais estão de acordo todos os historiadores.

 

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Este trecho foi extraído do primeiro capítulo do 'Volume I' de Teoria da História. (item: "A Constituição de um Campo Disciplinar")

 

A série Teoria da História foi publicada recentemente pela Editora Vozes, constituindo-se de quatro volumes. Aqueles que quiserem conhecer a obra, basta pedir para o e-mail jose.d.assun@globomail.com que serão enviados alguns capítulos de cada um dos quatro volumes obra. Ou então, deixe o e-mail com um comentário neste scrap, e alguns capítulos do livro serão enviados em seguida.

 

 

 

Uma apresentação da série Teoria da História pode ser encontrada em: http://ning.it/ec3iGH. O sumário dos quatro capítulos da obra pode ser encontrado em:  http://ning.it/gFg3Pu. Síntese de cada um dos quatro volumes podem ser encontradas em: http://ning.it/emygs0

 

Referências:

BARROS, José D'Assunção. Teoria da História, volume I: Princípios e Conceitos Fundamentais. Petrópolis: Editora Vozes, 2011.

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Tags: Campo, Definição, História, Saber

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