A LÍNGUA BRASILEIRA

Eni P. Orlandi

Por Ricardo Tiné

INTRODUÇÃO

A questão da língua que se fala, a necessidade de nomeá-la, é uma questão necessária e que se coloca impreterivelmente aos sujeitos de uma dada sociedade de uma dada nação. Porque a questão da língua que se fala toca os sujeitos em sua autonomia, em sua identidade, em sua autodeterminação. E assim é com a língua que falamos: falamos a língua portuguesa ou a língua brasileira? (1)

Esta é uma questão que se coloca desde os princípios da colonização no Brasil, mas que adquire uma força e um sentido especiais ao longo do século XIX. Durante todo o tempo, naquele período, o imaginário da língua oscilou entre a autonomia e o legado de Portugal.

De um lado, o Visconde de Pedra Branca, Varnhagen, Paranhos da Silva e os românticos como Gonçalves Dias, José de Alencar alinhavam-se entre os que defendiam nossa autonomia propugnando por uma língua nossa, a língua brasileira. De outro, os gramáticos e eruditos consideravam que só podíamos falar uma língua, a língua portuguesa, sendo o resto apenas brasileirismos, tupinismos, escolhos ao lado da língua verdadeira. Temos assim, em termos de uma língua imaginária, uma língua padrão, apagando-se, silenciando-se o que era mais nosso e que não seguia os padrões: nossa língua brasileira. Assim nos contam B. S. Mariani e T. C. de Souza (Organon 21, Questões de Lusofonia) que, em 1823, por ocasião da Assembléia Constituinte, tínhamos pelo menos três formações discursivas: a dos que propugnavam por uma língua brasileira, a dos que se alinhavam do lado de uma língua (padrão) portuguesa e a formação discursiva jurídica, que, professando a lei, decidia pela língua legitimada, a língua portuguesa. Embora no início do século XIX muito se tenha falado da língua brasileira, como a Constituição não foi votada, mas outorgada por D. Pedro, em 1823, decidiu-se que a língua que falamos é a língua portuguesa. E os efeitos desse jogo político, que nos acompanha desde a aurora do Brasil, nos faz oscilar sempre entre uma língua outorgada, legado de Portugal, intocável, e uma língua nossa, que falamos em nosso dia-a-dia, a língua brasileira. É assim que distingo entre língua fluida (o brasileiro) e a língua imaginária (o português), cuja tensão não pára de produzir os seus efeitos.

Assim é que, em 1826, o projeto apresentado ao parlamento brasileiro pelo deputado José Clemente propõe que os diplomas dos médicos seja redigido em "linguagem brasileira". Em 1827 temos a aprovação de lei que estabelece que os professores deveriam ensinar a gramática da língua nacional. Nem português, nem brasileiro, estrategicamente, nomeamos de língua nacional. Em 1870, procurando argumentar sobre a língua que falamos, temos a polêmica entre o romancista brasileiro José de Alencar e o português Pinheiro Chagas, um falando de nossas diferenças e autonomia, o outro, sobre o legado que recebemos de Portugal, a língua portuguesa. Essas referências podem ser encontradas em um quadro apresentado no início do livro História da semântica (2004) de Eduardo Guimarães, entre outros. Já no século XX, na década de 1930 há uma discussão na Câmara do Distrito Federal sobre o nome da língua do Brasil: língua portuguesa ou brasileira? Novamente se decide pelo indefinido: falamos a língua nacional. Sobre essa discussão pode-se consultar o livro (tese) de Luis Francisco Dias (1996), que conclui que, na perspectiva daqueles que se posicionaram contrários aos projetos de mudança do nome da língua falada no Brasil, o nome língua brasileira é percebido como algo que viria desestabilizar um eixo social que tem nos percursos da escrita, sob os auspícios da língua portuguesa, o seu suporte, a sua referência, e, na perspectiva daqueles que defendem os projetos de mudança do nome de nosso idioma, língua brasileira tem a sua referência constituída a partir de uma imagem romântica do país, imagem fundada no positivismo e no ufanismo que, ao longo da segunda metade do século XIX e da primeira metade do século XX marcaram nossa história. Finalmente, assim como D. Pedro outorgou uma Constituição em 1823, também em 1946, a comissão encarregada pelo governo brasileiro, em atendimento ao estabelecido pela Constituição de 1946, decide que o nome da língua falada no Brasil é língua portuguesa (2).

Esta questão, no entanto, não deixa de nos importunar, e há sempre alguma razão, um pretexto, ou alguém que a levanta em momentos diferentes de nossa história. Isso quer dizer que até hoje não decidimos se falamos português ou brasileiro. Embora a cultura escolar se queira, muitas vezes, esclarecedora em sua racionalidade e moderna em sua abertura, acaba sempre se curvando à legitimidade da língua portuguesa que herdamos e, segundo dizem, adaptamos às nossas conveniências, mas que permanece em sua forma dominante inalterada, intocada: a língua portuguesa. E quem não a fala, ainda que esteja no Brasil, que seja brasileiro, erra, é um mal falante, um marginal da língua.

É, pois, impressionante como a ideologia da língua pura, a verdadeira, faz manter o imaginário da língua portuguesa.

A QUESTÃO DE FATO No entanto, podemos ver isto mais de perto e tomamos como medida a língua que falamos em seu aspecto histórico, social, cultural.

Desde o princípio da colonização, instala-se um acontecimento lingüístico de grande importância no Brasil: o que constitui a língua brasileira.

Ao mesmo tempo em que aqui desembarca, a língua portuguesa, ao deslocar-se de Portugal para o país nascente – o Brasil – institui um movimento de memória, deslizamentos lingüísticos por meio dos quais uma outra língua – a brasileira – faz-se presente.

O novo espaço de comunicação resiste com sua materialidade à língua que chega com os portugueses em sua memória já falada, já dita. Desdobram-se, transmudam-se os modos de dizer. A relação palavra/coisa faz ruído, relação não coincidente entre si e nem perfeitamente ajustada. Outras formas vão estabelecer-se fazendo intervir, e ao mesmo tempo constituindo, a memória local.

Retomo aqui os movimentos da enunciação que já tive a oportunidade de expor (1998): em um primeiro momento – situação enunciativa I – a partir de sua memória, o colonizador português reconhece as coisas, os seres, os acontecimentos e os nomeia. Mas ele o faz, transportando elementos de sua memória lingüística. Há um investimento na relação palavra/coisa, a questão incidindo sobre o referente: na presença de um nome, estamos diante da mesma coisa (a do Brasil e a de Portugal)? Como estamos no Brasil, há um deslocamento (transporte) que força contornos enunciativos diferenciados. Essa diferença se torna cada vez mais uma diferença de línguas (relação palavra/palavra, e não da palavra com a coisa). Daí resulta todo um trabalho sobre a língua, de classificação, organização, definições em listas de palavras, dicionários. O português, assim transportado, acaba por estabelecer em seu próprio sítio de enunciação outra relação palavra/coisa, cuja ambivalência pode ser lida nas remissões: no Brasil, em Portugal. Tem início, então, a produção de um espaço de interpretação com deslizamentos, efeitos metafóricos que historicizam a língua. Produzem-se transferências, deslizamentos de memória, metáforas, pois estamos diante de materialidades discursivas que produzem efeitos de sentidos diferentes. Configura-se uma nova situação enunciativa – situação enunciativa II. As palavras, estas, já recobrem outra realidade.

A língua praticada nesse outro regime enunciativo realiza, deste lado do Atlântico, a relação unidade/variedade: a unidade já não refere o português do Brasil ao de Portugal, mas à unidade e às variedades existentes no Brasil. E a unidade do português do Brasil, referido a seu funcionamento historicamente determinado, é marca de sua singularidade. Há um giro no regime de universalidade da língua portuguesa que passa a ter sua própria referência no Brasil. A variação não tem como referência Portugal, mas a diversidade concreta produzida no Brasil, na convivência de povos de línguas diferentes (línguas indígenas, africanas, de imigração etc).

Nessa perspectiva, então, falamos decididamente a língua brasileira, pois é isto que atesta a materialidade lingüístico-histórica. Se, empiricamente, podemos dizer que as diferenças são algumas, de sotaque, de contornos sintáticos, de uma lista lexical, no entanto, do ponto de vista discursivo, no modo como a língua se historiciza, as diferenças são incomensuráveis: falamos diferente, produzimos diferentes discursividades.

HETEROGENEIDADE LINGÜÍSTICA

J. Authier (1987) estabelece o conceito de heterogeneidade enunciativa para descrever o fato de linguagem que consiste em que todo dizer tem necessariamente em si a presença do outro. Aproveito o impulso desse conceito, embora ele ganhe em nosso uso outras determinações, para falar em heterogeneidade lingüística toda vez que, no campo dos países colonizados, temos línguas como o português, ou o espanhol, na América Latina, que funcionam em uma identidade que chamaria dupla. Estamos diante de línguas que são consideradas as mesmas – as que se falam na América Latina e na Europa – porém que se marcam por se historicizarem de maneiras totalmente distintas em suas relações com a história de formação dos países. É o caso do português do Brasil e o de Portugal. Falamos a "mesma" língua, mas falamos diferente. Consideramos, pois, a heterogeneidade lingüística no sentido de que joga em nossa língua um fundo falso em que o "mesmo" abriga, no entanto, um "outro", um diferente histórico que o constitui ainda que na aparência do "mesmo": o português brasileiro e o português português se recobrem como se fossem a mesma língua mas não são. Produzem discursos distintos, significam diferentemente. Discursivamente é possível se vislumbrar esse jogo, pelo qual no mesmo lugar há uma presença dupla, de pelo menos dois discursos distintos, efeitos de uma clivagem de duas histórias na relação com a língua portuguesa: a de Portugal e a do Brasil. Ao falarmos o português, nós, brasileiros, estamos sempre nesse ponto de disjunção obrigada: nossa língua significa em uma filiação de memória heterogênea. Essas línguas, o português e o brasileiro, filiam-se a discursividades distintas. O efeito de homogeneidade é o efeito produzido pela história da colonização.

Quando, mais acima, falei da disjunção obrigada referia-me a uma certa indistinção, mas também à polissemia. Há uma composição de sentidos em nossa memória lingüística que funcionam, simultaneamente, em movimentos simbólicos distintos, quando falamos a língua brasileira. Isto significa que há uma marca de distinção na materialidade histórica desses sistemas simbólicos que carrega a língua brasileira dessa composição de sentidos. Eis a duplicidade, a heterogeneidade, a polissemia no próprio exercício da língua: o português e o brasileiro não têm o mesmo sentido. São línguas materialmente diferentes.

Dados esse fatos, a história da identidade da língua nacional se alongará por meio de acontecimentos múltiplos, como acordos, fundação de academias, regulamentos escolares, constituintes e outros. É essa história que começamos a conhecer, e este artigo é apenas um pequeno passo em direção a esta forma de conhecimento que é também uma tomada de posição face ao conhecimento da língua e da constituição da língua nacional no Brasil. Considerações acerca da língua materna, do idioma pátrio, da língua nacional são outras tantas que nos levam a novas reflexões igualmente esclarecedoras a respeito da língua nacional que falamos no Brasil e do modo como a nomeamos.

Eni P. Orlandi é professora titular de análise de discurso do Departamento de Lingüística do Instituto de Estudos da Linguagem(IEL); coordenadora do Laboratório de Estudos Urbanos (Labeurb) da Unicamp; e pesquisadora 1A do CNPq.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Estes aspectos estão mais desenvolvidos em Orlandi (2002).

2. Uma análise do texto do parecer da comissão encarregada de decidir sobre o nome da língua está em Guimarães (2000)

BIBLIOGRAFIA CITADA

Auroux, S, Orlandi, E. e Mazière F. "L'hyperlangue brésilienne", in Langages, 130, Paris, Larousse. 1998.

Authier, J. "Hétérogénéités énonciatives" in Langages, Paris, Larousse. 1987. ]

Dias, L. F. Os sentidos do idioma nacional, Campinas, Pontes. 1996.

Guimarães, E. "Línguas de civilização e línguas de cultura. A língua nacional do Brasil". In Barros, D.L.P. Os discursos do descobrimento. São Paulo, Edusp/Fapesp. 2000.

Guimarães, E.R.J. História da semântica, Campinas, Pontes. 2003.

Mariani, B. e Souza, T. C.C. de "Questões de lusofonia", Organon, 21, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2000]

Orlandi, E. P. Língua e conhecimento lingüístico. São Paulo, Cortez. 2002.

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Comentário de Ricardo Augusto Bezerra Tiné em 5 agosto 2010 às 8:35
Sr. Mariano, Quanto à questão dos "alguns galegos que afirmam" o senhor está equivocado pois quem afirma isso é a Real Academia Galega de Letras. E ao contrario do que o senhor diz; eles afirmam com bases documentais que o Português é que é o desenvolvimento de um dialeto galego, missigenado com outras línguas. Por tanto, meu questionamento é o seguinte:
Se Portugal, Espanha e outras nações puderam nomear a evolução de suas línguas como bem quiseram, porque que os incompetentes governantes do Brasil não fazem o mesmo? Afinal, se tivermos que dar créditos a um povo por causa da evolução das línguas, todos os povos do planeta teriam que agradecer aos SUMÉRIOS, estes sim, foram responsáveis pelos registros escritos de todas as línguas, e tudo que veio depois deles foram apenas cópias e adaptações regionais do falar e escrever.
Quanto a questão de sugerir o Tupi-Guarani como língua do Brasil, quem estuda a evolução das línguas sabe que elas foram a proto-língua dos brasileiros. Ao mesmo passo, eu poderia também sugerir ao senhor que nomeasse a sua língua em homenagem aos primitivos povos que viveram poraí, tais como: Celtiberos, vandalos, suevos, fenícios e outros nomes de índios que sabemos, viveram na Península Ibérica?
E quando eu falo encher os bolsos, estou falando de políticos brasileiros que são muito bem pagos pelos políticos portugueses para aprovarem leis que respaudem essa mentira histórica de dizer que brasileiro fala português. As regras que respaudam as evoluções das línguas servem para todos e não apenas para Portugal e Espanha.
Portanto, senhor Mariano, não pense que eu estou menosprezando os seus comentários, pois essa troca de informações me é de grande valia, e agradeço muito a sua participação. Obrigado.
Comentário de MARIANO MENDES em 4 agosto 2010 às 18:17
Sr.Tiné, são alguns galegos que afirmam que o galego é portugues, eu sinceramente nao acho, tenho mais facilidade em entender o espanhol, pois tenho o ouvido mais treinado, galego soa aos ouvidos de qualquer portugues, como um espanhol fazendo um tremendo esforço para falar portugues, quanto a Arabe, já existe para nomear outra lingua da qual eu nao entendo rigorosamente nada. Eu apenas uso o nome que a lingua tem há seculos, lingua portuguesa=a lingua dos portugueses. Foi com esse nome que ficou conhecida, e , para falar a verdade nem pensava muito nisso, até tentar entender os motivos que levam alguem como o Sr. querer dar-lhe outro nome. Eu já me refiro a lingua brasileira bem como toda a gente que conheço, ao contrario do que acontece com o angolano ou o moçambicano ou até o timorense, mas existe uma exepção o criolo de Cabo Verde e Gine Bissau, essas linguas sim, merecem denominaçao propria, apesar do reduzido mumero de pessoas que a usa. (porque as diferenças são muito substanciais).
Não tenho a veleidade de pensar, que consigo influenciar a opinião duma pessoa com a sua idade e com a sua formaçao, mas sinceramente, não dou a importancia ao assunto que vejo que merece da sua parte. Apenas achei que devia aportar a nossa troca de ideias, argumentos que justifiquem precisamente uma união, um fortalecimento, uma tomada conjunta de decisões, e nao uma fragmentação, como o Sr. parece sugerir.
Se estou a entender o seu ponto de vista, no que diz respeito a encher os bolsos, relembro que as industrias que vivem do uso da lingua, o midia em geral, são uma industria muito mais desenvolvida e poderosa no seu pais que no meu, o cinema, a televisao, as editoras, tudo isso, independentemente no nome da lingua, isso é uma realidade incontornavel, e tem a ver com a dimensão do mercado, nós portugueses importamos conteudos do Brasil em numeros infinitamente maiores do que aqueles que conseguimos vender, então nesse aspecto acho que o balanço é claramente favoravel ao Brasil, ao contrario do que o Sr. parece sugerir.
Eu não acredito que exista algum complot no sentido de continuar a chamar portugues á lingua que se fala no Brasil, para satisfação de sonhos lusitanos, quem ganharia com isso ?
Mas nao posso deixar de me colocar outras questões:
Será que existiria a mesma reacção por parte do Sr. Tiné, caso a lingua fosse o Ingles ou o Holandes
ou o Italiano ou o Alemão, que apesar de ser minoritario no Brasil, é vezes demais referido com o maior orgulho, não é vero ?
Será que este homem tem vergonha das suas raizes ? o nome parece sugirir ascendencia portuguesa...
Será que ele chama Americano ou Canadense (canadiano) ao ingles da da America do Norte.
E com o Espanhol, usará tambem os nomes dos paises todos, inclusivamente dos mais pequenos e complicados como Belise, Republica Dominicana, Honduras. Faria sentido para ser coerente...
Porque será que não sugere Tupi-Guarani em homenagem aos primitivos habitantes do Brasil.
Será que ele conhece Portugal e as suas gentes, tem consciencia do tremendo esforço e sacrificios que este pequeno pais fez para a formaçao de um pais com a dimensão do Brasil ?
Eu acho que tudo na vida tem prós e contras, e nao vejo as vantagens de tal tomada de decisão, talvez a vaidade ou o orgulho sejam o seu verdeiro motivo, a satisfaçao de ser a primeira lingua no continente americano a seguir ás nativas, com nome proprio e com papel passado e tudo, está no seu direito.
Comentário de Ricardo Augusto Bezerra Tiné em 4 agosto 2010 às 10:16
Sr. Mariano, já que o senhor mesmo afirma o reconhecimento mundial da língua brasileira, porque então não oficializar em nossa constituição esse fato verdadeiro?
Quando me refiro ao Brasil como país de terceiro mundo, refiro-me à postura marginal e corrupta dos políticos brasileiros, pois bem sei do poder e do potencial mundial que o Brasil exerce.
O senhor bem sabe da importância da nomeclatura de uma língua, pois se não o soubesse, não se constrageria em dizer que fala galego ou árabe não é vero?
Nomear uma língua não significa apenas dar-lhe um nome, significa inseri-la em um contexto histórico, social e cultural. É lhe dar corpo que represente uma nação Soberana e um povo livre.
Não tenho nada contra os portugueses nem contra a sua língua, o que não aceito é a mentira histórica que se instaurou em meu país para dar margem aos sonhos lusitanos de serem donos do que nunca foram, pois todas as línguas se desenvolveram da mesma forma; através da missigenação das suas línguas nativas com a de outros povos que entraram em contato, forçados ou não.
Estudo a quinze anos a formação das línguas mundiais através de proto-línguas e, tanto a língua Portuguesa como a brasileira se originaram da mesma maneira, só que de proto-línguas diferentes.
O senhor se conformaria em dizer que fala GALEGO? eu também não me coformo em dizer que falo português, pois sei que essa aberração linguístico-hitórica só serve para encher os bolsos de políticos corruptos. Aliás, o senhor também não respondeu as minhas duas questões......
Comentário de MARIANO MENDES em 3 agosto 2010 às 17:12
Sr. Ricardo Tiné, não respondeu á minha pergunta, mas tudo bem. Sr. Tiné, qualquer portugues, refere-se a vossa lingua como brasileiro, qualquer portugues, qualquer um, seja de que idade for, ou tenha o grau academico que tiver, tem seguramente um grau de integibilidade superior a 98 % relativamente a vossa forma de falar, e é o povo que conta meu amigo, qualquer filme ou novela brasileira, passa na televisão em Portugal sem dobragem ou legendas e desconheço a existencia de dicionarios portugues-brasileiro. Relativamente a classificaçao de pais terceiro mundista, nao partilho da sua visão, pais terceiro mundista tembem existe na Europa e com lingua propria, não é uma questão de lingua, nem uma questao de ter sido colonia desta ou daquela potencia (Albania, Moldavia, Macedonia por exemplo), nenhum europeu olha para o Brasil da dessa forma, toda a gente, o povo claro, que é esse que interessa, olha para o Brasil, como um pais onde há esperança, olha com ademiração, com respeito. O Portugues é descendente do Galego, é verdade, por isso existe na Galiza gente que defende uma aproximaçao do Galego ao Portugues, e até a inclusão do galego na CPLP como membro de pleno direito. O galego tem orgulho na sua lingua, e um profundo reconhecimento ao povo portugues, por ter pegado na sua lingua e ter feito dela uma lingua universal, o galego é minoritario em Espanha, quase proibido, foi espanholizado durante seculos, ainda assim o galego pertencendo a uma comunidade ecomicamente mais forte, a sua ambição como povo é uma aproximaçao a outra comunidade menos numerosa e a um pais menos "rico", coisa incrivel, não acha ? Porque será ? É obvio que a força actual da nossa lingua chame-lhe o que quiser, portugues, brasileiro, muito se deve a dimensão quase continental e a força demografica do seu pais. Mas será inteligente um isolamento face aos demais paises, alguns com um potencial de crescimento incrivel, por uma questao de numenculatura da lingua ? a menos que proponha que a lingua no seu todo se passe a chamar brasileiro o que tambem me parece despropositado.
O Sr. sabia que existem paises que se querem juntar a nós na CPLP ? mesmo que para isso tenham que adoptar a lingua portuguesa como lingua oficial. grande esforço nao acha ?
Já viu bem o potencial que tem falarmos essa lingua a que o Sr. chama brasileiro ? é a lingua mais falada no hemisferio sul.
Existe uma corrente pela adopçao da lingua portuguesa como segunda lingua, em Espanha no sentido de abilitar a sua população a comunicar com uma comunidade (lusofona e hispanofalante) que conta actualmente com cerca de 700 milhões de pessoas, superior ao Ingles e superado apenas pelo Chines (mandarin), confinado a Asia, grande potencial, não acha ?
Até eles já perceberam que juntos somos mais fortes, e nao falam a nossa lingua embora a integibilidade entre o portugues e o espanhol seja de cerca de 80 %.
O espanhol não tem expressão na Africa nem na Asia, e no continente americano, por estar tão fragmentado em quintalinhos, tem pesso, mas está a perder influência.
O potencial da nossa lingua em Africa é enorme, tem servido como, factor de desenvolvimento, estabilidade e paz. a Africa sub-sariana tem perto de 200 milhões de almas, a sua maioria falando linguas autocnes. Angola e Moçambique á semelhança do Brasil actualmente, estão a tornar-se depressa potencias regionais, onde existe coesão, muito por "culpa" da lingua, e tambem uma elevada Auto-estima do seu povo.
Só queria acrescentar uma coisa Sr. Tiné, a lingua em que se fala é o elemento mais importante para defenir uma naçao, a Espanha, é um conjunto de nações aglotinadas num estado que foi criado no seculo XV, onde precisamente o castelhano que vulgarmente se chama "espanhol" se impos ditatorialmente ao Catalão ao Leones ao Galego e ao Euskara (as linguas mais importantes), e a semelhança de tudo o que é imposto dessa forma, está ferido de morte, estou convencido que, ainda durante o tempo de nossas vidas iremos assistir a dissuloçao da Espanha em pelo menos dois estados. O que é mais um factor que vem fortalecer a nossa lingua, tambem aqui neste espaço, que é a peninsula Iberica.
Eu já percebi que o Sr. tem um profundo amor pela sua lingua, e que a defende com unhas e dentes, tal como eu, e por isso luta por ela da maneira que lhe parece mais adquada. Eu só acho que escolheu mal o inimigo.
Antes de me despedir, gostava de o convidar a pensar no seguinte, a lingua, o país, o mundo, é aquilo que nos fizermos dele, nao adianta culpar ninguem pelo estado actual em que nos encontramos, normalmente a culpa e tambem a solução esta dentro de nós, é muito facil pensar "se eu fosse filho de TAL, eu era assim, eu faria isto eu faria aquilo", o dificil é pegar naquilo que nos legaram, e levar no sentido que nós queremos O da melhoria dos povos e nisso penso que estamos de acordo.
Pesso desculpa pela minha maneira de escrever, não tinha nada preparado e escrevo a medida que os pensamentos me vão chegando, sei que nem sempre é facil para quem está a ler acompanhar o meu raciocinio.
Comentário de Ricardo Augusto Bezerra Tiné em 3 agosto 2010 às 8:17
Por que será que a Espanha não fala castelhano?
Comentário de Ricardo Augusto Bezerra Tiné em 3 agosto 2010 às 8:13
Caro senhor Mariano mendes, apenas por curiosidade, por que será que Portugal não fala galego hein?
Por causa destas questões de falta de soberania é que todos os nossos vizinhos e nós mesmos somos considerados países de terceiro mundo. Você já prestou atenção nessa coinsidência?
Comentário de MARIANO MENDES em 2 agosto 2010 às 17:24
Caro Sr. Ricardo Tiné,
Gostava de saber, apenas por curiosidade, como nomeia, a lingua comum, utilizada por todos os seus vizinhos ??? No meu fraco entendimento é Espanhol, com caracteristicas proprias de cada região.

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Somos tão jovens

Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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