Retalhos da História - A Inquisição Espanhola.

Os objetivos das inquisições eram combater as heresias, consideradas pelo catolicismo como males a serem aniquilados, iam de uma simples comemoração, dita pagã, até estudos científicos.

A espanhola não foi diferente. A Espanha livrou-se dos mouros muçulmanos, a orientação era converter judeus e islâmicos ao Cristianismo.

Iniciada no papado de Xistus IV, induzida pelo bispo de Valência, Rodrigo Bórgia, patrocinado pela Coroa Espanhola, com a promessa de torná-lo papa, e o foi, com o nome de Alexandre VI. O Pontífice Alexandre VI era uma espécie de Al Capone do clero, pai de Lucrécia Bórgia - Paris Hilton do Séc. XVI - e César Bórgia, inspiração para Dante Allighieri escrever O Príncipe. È nesse ambiente santificado, da Santa Sé, que as atrocidades eram decididas.

Para comandar a carnificina foi escolhido o beneditino Tomás de Torquemada, deu conta do recado, nunca se consumiu tanta lenha na Espanha, queimou judeus, mouros e todos que contestavam o domínio da Igreja sobre o Estado, o confessionário foi a arma de delação mais usada. A Inquisição Espanhola iniciou-se em 1478 e terminou 350 anos depois em 1834.

Entre as normas hipócritas impostas aos judeus, pelo Vaticano, há três pérolas do anti-semitismo. Os Judeus, condenados ao fogo do inferno, só poderão exercer as seguintes profissões:

1 – Ser médico. Ao bom cristão não lhe é dado o direito de curar, só Deus cura. Quando um cristão estava á morte com uma crise de apendicite, as promessas não davam jeito, rezas também não, se recorria ao médico judeu que o salvava, muitas vezes não cobrava pelo trabalho.

2 – Artífices. Carpinteiros, pedreiros, pintores, alfaiates, ourives, etc.,eram profissões de utilidade pública.

3- Exercer a Usura. Podiam ser banqueiros, agiotas, cobrar impostos .

Por conta da proibição da usura, os Reis Cristãos mantinham judeus como cobradores de impostos e ministros das finanças. Dinheiro é pecado, administrado por judeu e repassado para a Coroa, não é pecado. A Espanha tinha bancos com capitais judeus, Coroa, grandes comerciantes ibéricos e italianos (Gênova e Veneza), dirigidos por sefaraditas.

Um dos principais colaboradores da Corte Castellana era Isaac Yehuda Abravanel, português, Ministro das Finanças, indicado para o cargo pelo também judeu, D. Abraão Senior, nobre e influente. Isaac Abravanel era um estudioso da Torá (Lei), Velho Testamento, muito rico, filantropo e excelente administrador, gozava de grande prestígio junto á rainha Da. Izabel, morreu em 1508 em Veneza.

A hipocrisia da Igreja levou o mundo cristão a repudiar os judeus, um preconceito que precisa ser revisto, judeu é tão bom ou tão mau como qualquer ser humano.

As restrições impostas aos sefaraditas na Espanha e Portugal são revoltantes, porque tanta perseguição? Só muita fé para suportá-las.

As inquisições espanhola e portuguesa, menos cruel, deixaram marcas da opressão, terror, confisco de bens, morte e humilhações.

- As aljamas ou judiarias eram fechadas após o toque do Ângelus, quem chegasse atrasado pagava uma multa 5.000 cruzados.

- Se um cristão chamasse um médico judeu, á noite, era necessário que o cristão se identificasse usando uma lanterna. Caso contrário poderia ser confundido, seria multado.

- Judeus não podiam entrar em casa de cristão, só se estivesse prestando serviços.

- É proibido judeu tomar vinho em taberna de cristão.

- O judeu era obrigado a pagar a “judenga”, trinta cruzados por cabeça como lembrança pela venda de Cristo.

- Todo judeu tem que pagar o imposto corporal se quiser entrar em qualquer cidade portuguesa.

- Se o judeu for produtor de vinho será obrigado a pagar quatro soldos por pipa.

- Os judeus são obrigados a emprestar dinheiro a infantes empobrecidos, sem remuneração.

Finalmente descobri de onde vem nosso código tributário.

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