AGORA...UMA SÓ ALMA!

 

 

Sua presença é forte em minha vida

E se acordo e não a vejo do meu lado

Não sei o que fazer, onde irei buscar

Eu que converso com pássaros e flores

Conclamo que saiam como combinado

As aves batem asas depressa a procurar

 

As flores têm mais dificuldade

Se esforçam, amigas, mas demoram

Elas dependem  do vento pra andar

Entro em decadência, não sei como vai ser

As rosas, mais sensíveis, até choram

Vejo pétalas multicores bailando pelo ar.

 

Chamo os relâmpagos, também as trovoadas

Respondem baixo, meu grito é bem maior

Resoluto começo às montanhas recorrer

Mas eis que de repente ouço a resposta

Me abraça a natureza e fica a meu redor

Dizendo – uma só voz – que vai me socorrer

  

Algumas caminhadas... “não a encontramos”

Meu coração bate, mas está quase morto

Meus olhos já não enxergam mais

Digo, então, percorra vales e Campinas

Passe pelos jardins, pomares, parques, horto

Quão bom chegar aqui uma gota de paz

  

Ó desespero cruel que vem se aproximando

Encurte seus passos, imploro por favor

Pois necessito é de calma pra viver

Rogo até que me ajude a encontrá-la

Ao invés de me ferir com seu pavor

Clamo, clamo... me impeça de morrer

  

Retornaram as aves e também as flores

Os relâmpagos, as montanhas, trovoadas

Até mesmo o desespero... todos pra dizer

Foram infrutíferas as buscas que fizemos

Não foram sequer marcas encontradas

Inexiste qualquer outro lugar pra percorrer

 

Quando ouvi estas falas quase desfaleci

Com grande e forte dor no peito a latejar

Não tenho a quem mais pedir socorro

Pensei nas nuvens, na chuva, são amigas

De mãos dadas, juntas, água pra jogar

Sobre as ruas, casas, praças... ou eu morro

 

Voltei meus olhos pro céu, estava azul

Constatei de pronto chuva não vai ter

Só me resta agora uma última opção

Dobrar os meus joelhos sobre a terra

Clamar a quem sempre veio me valer

 Com fé, ao santo Deus, fazer uma oração

 

Os fundamentos do universo se abalaram

Grandes estrondos... o solo se abrindo

Chuva, muita água correndo pelo chão

O que será isso? O mundo ‘stá acabando

Mas veio a luz. Silêncio. Ela ali sorrindo

Ó Deus meu, grato sou, ouviste a petição

 

Ela me disse “estou aqui a procurar-te”

Combalido não entendo este mistério

Mas respondeu-me “vou dar explicação

E certamente entenderás o acontecido”

Não quero ouvir – retruquei – e falo sério

São delírios meus, são frutos da emoção

 

Agora estamos juntos em todos os lugares

Acordar é sempre ao mesmo tempo

Se não sinto sono ela também não sente

É evidente que houve a união de almas

Juntos sentimos o sopro de um só vento

Eu e ela, o mesmo dom.. onipresente

 

 

AUTOR: MOYSÉS BARBOSA (1971)

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