Peter Burke (n. 1937) iniciou sua carreira acadêmica na Universidade de Sussex (Inglaterra), e logo se tornaria amplamente conhecido no Brasil não apenas em função da tradução de diversos de seus livros para o português, como também em virtude de sua breve estadia entre nós como professor-visitante na Universidade de São Paulo (1994-1995)[1]. Atualmente é professor na Universidade de Cambridge, na qual atua com disciplinas ligadas à História da Cultura – área historiográfica dentro da qual tem realizado boa parte de sua contribuição autoral, a par das igualmente significativas obras de reflexão historiográfica às quais também se dedicará com afinco.

 

Estamos aqui, arriscaríamos dizer, diante de um historiador com grande capacidade de síntese e clareza. Especializado nos estudos sobre a Europa Moderna, mas também na história contemporânea, talvez a sua maior contribuição à historiografia seja, por outro lado, a própria reflexão que tem desenvolvido sobre a Historiografia e a Teoria da História. Sua pequena mas extremamente lúcida síntese sobre a Escola dos Annales (1990), e seus panoramas historiográficos sobre a História Cultural – O que é História Cultural e Variedades de História Cultural – são alguns exemplos disto que se expressa em alguns dos melhores momentos de sua produção: a capacidade de refletir sintética e criticamente sobre a própria história da historiografia, percebendo com clareza os caminhos até então percorridos e assinalando as futuras tendências. De igual maneira, as obras sobre temáticas especificamente historiográficas, de Itália Renascentista (1972) a obras mais recentes como A Fabricação do Rei (1992) ou A Renascença Européia – centros e periferias (1998), revelam a acurada análise de um historiador cultural que estende sobre a modernidade européia seu principal campo de estudos, um olhar problematizador e atento à interdisciplinaridade.

 

Neste artigo, em virtude da limitação de espaço, utilizar-nos-emos de algumas das obras de Peter Burke para a identificação das linhas mestras de sua historiografia, além de problematizar alguns aspectos de especial interesse que podem ser notados na obra de Peter Burke, tal como a assimilação interdisciplinar de alguns conceitos e aportes teórico-metodológicos oriundos da Sociologia, da Ciência Política e da Antropologia, além do hábil uso do método comparativo como um instrumento importante de pesquisa. Enfatizaremos a importância de Peter Burke como um historiador que, nos quadros de uma nova História Social que se reafirma nos anos 1970, tenderá cada vez mais a construir a sua identidade historiográfica no âmbito de uma História Cultural que se refundará nas décadas seguintes sob o signo de uma História Social da Cultura, ou mesmo de uma História Cultural do Social, tal como proporá Roger Chartier (CHARTIER, 2002, p.67). Para além disto, uma ênfase especial será dada à importância de Peter Burke como historiador da historiografia e como teórico e metodólogo atento à renovação constante dos rumos da historiografia ocidental.

 

 

 

Do Renascimento às Monarquias Absolutas

 

A primeira obra significativa de Peter Burke foi publicada em 1972, abordando O Renascimento Italiano. O impulso interdisciplinar, que a partir daí sempre acompanharia o historiador inglês, revela-se desde já nesta obra que procura oferecer uma explicação sociológica sobre o Renascimento Italiano. Aqui já se expressam algumas das preocupações que acompanharão Burke no decorrer de sua produção historiográfica: em primeiro lugar, a forte preocupação de estabelecer, através da análise historiográfica, uma conexão entre Sociedade e Cultura; em segundo lugar, o enriquecimento conceitual trazido pelo diálogo interdisciplinar com a Sociologia, com a antropologia social e outros campos de conhecimento; e, por fim, a especial preocupação com a Linguagem simultaneamente como forma de estruturação de visões de mundo e como meio para o estabelecimento da sociabilidade.

 

Impressiona em particular, já nessa primeira obra, a extraordinária capacidade do historiador inglês para mobilizar um vasto universo de focos de pesquisa – de modo a alimentar uma hábil abordagem comparativa – a começar pela investigação em torno de seiscentos humanistas que se distribuíam através de uma vasta produção renascentista, entre pinturas, produções arquitetônicas, esculturas e literatura. Nesse aspecto em particular, a contribuição metodológica de Peter Burke é especialmente relevante, uma vez que ele encaminha com habilidade um método prosopográfico que se responsabilizará pela elaboração de uma biografia coletiva de seiscentos humanistas. As influências teóricas mais perceptíveis, no âmbito do diálogo interdisciplinar com a sociologia, apontam para Max Weber e Émile Durkheim.

 

A ultrapassagem de abordagens culturais do período renascentista que são meramente construídas em torno da análise individual dos intelectuais e artistas humanistas será, nesse ensaio, uma das principais contribuições do historiador inglês, que deste modo inscreverá as suas análises definitivamente em uma perspectiva contemporânea de História Social. Empreendendo uma autêntica história social do cultural, e mobilizando uma bem articulada abordagem comparativa, o historiador inglês ocupar-se-á não apenas de verificar quem eram aqueles humanistas renascentistas, mas também em investigar todos os detalhes de sua formação artística, assim como as relações sociais que os constrangiam, a começar pela mais óbvia para o período em questão: as relações de patronato. Examinar, nesta sociedade, como se dão as escolhas propriamente artísticas, de modo a identificar a interação entre os diversos grupos sociais e aspectos vários da arte renascentista, tais como a própria diversidade de gêneros artísticos, mostra-se aqui o signo mais visível de uma historiografia que traz para o centro da análise as relações entre sociedade e cultura, evitando aquilo que em um de seus estudos historiográficos posteriores ele chamaria de “uma história cultural desencarnada”, descolada das dimensões sociais que na verdade seriam indissociáveis de qualquer produção cultural.

 

Mostra-se ainda uma contribuição importante de Burke a ultrapassagem das habituais análises que se centram exclusivamente na ruptura entre o Moderno Renascentista e o Medieval. Dessa maneira, Burke irá examinar a rica tensão que se pode perceber, nas próprias obras de artistas e intelectuais renascentistas, entre os elementos que confirmam o discurso renascentista de rompimento com o medieval e de concomitante recuperação dos valores clássicos, e os elementos que permitem inscrever a produção de cada um deles também em uma continuidade que remete ao mundo medieval. Desse modo, o mundo renascentista surge como produto de dois passados em interação – a antiguidade clássica e a medievalidade gótica – o que também permite problematizar o seu vínculo em relação ao futuro, isto é, a modernidade que nas análises mais habituais é por vezes apresentada como produto da própria renascença. Para além disso, a preocupação de Peter Burke com um novo modelo de história social da cultura o leva a atentar para a plena interação entre a emergência do mundo renascentista e diversos dos contextos que o tornarão possível, tais como a dimensão urbana.

 

Será útil ainda perceber como, nessa e em outras obras sobre o Renascimento, Peter Burke busca distanciar-se francamente daquele que consideraria – em Variedades de História Cultural – como um modelo clássico de História Cultural. Além da já mencionada crítica à “história cultural desencarnada” que aparece em tantas análises que enxergam o Renascimento a partir de obras dos gênios criadores, Burke realizará aqui, com sua própria análise do Renascimento, uma segunda crítica ao modelo clássico de História Cultural: aquela que se refere ao que ele mesmo chamou, em boa parte da produção historiográfica sobre o Renascimento, de “ilusão da unidade”. É com vistas a confrontar-se com as leituras historiográficas que pressupõem a idéia de que existiria uma “Cultura do Renascimento” extensiva a todas as classes e ambientes sociais do início da modernidade, quando na verdade o movimento do chamado Renascimento seria apenas relacionado a uma certa cultura de elite, que o historiador inglês decide-se a examinar a Cultura Popular na Europa Moderna (1978), título de sua terceira obra importante sobre o período moderno da história ocidental.

 

Antes dessa obra, porém, Peter Burke fará uma primeira incursão no século XVII, o outro século de sua eleição em seus trabalhos voltados para a História Moderna. Em um ensaio publicado em 1974 com o título Veneza e Amsterdam, tratar-se á de dar novo encaminhamento ao método prosopográfico que Burke já havia utilizado em sua primeira obra sobre o Renascimento. No caso, seu objetivo recairá na investigação sobre as elites dominantes destas duas cidades. Novamente aparecerá um importante diálogo com a sociologia, agora se percebendo o diálogo com o sistema de oposições proposto por Pareto para a contraposição de dois tipos sociais voltados respectivamente para o impulso à mudança e para a tendência à estabilidade.

 

Mas será a segunda obra de Burke sobre o início da Modernidade – Cultura Popular na Europa Moderna (1978) – que demarcará um novo redirecionamento historiográfico na produção do historiador inglês, uma vez que este livro assinala o deslocamento do interesse historiográfico pelas elites para uma “história vista de baixo”, o que constitui, aliás, uma tendência da historiografia inglesa deste período, bastante influenciada pelas perspectivas difundidas por Edward Thompson e que, no caso de Burke, também denuncia a forte inspiração nas obras de Robert Mandrou. Esta obra também introduzirá o historiador inglês em outro circuito de preocupações que seria bastante recorrente em obras posteriores: a discussão problematizada dos conceitos a serem trabalhados historiograficamente. A dicotomia entre “alta cultura” e “cultura popular”, remetendo a um importante diálogo com os trabalhos de Mikhail Bakhtin, é aqui abordada pelo historiador inglês como algo que deve ser problematizado, assim como o próprio conceito de “povo”. A partir desse estudo historiográfico específico, mas também em obras teóricas posteriores – tais como o ensaio O que é História Cultural (2004) e o texto “Cultura erudita e cultura popular na Itália renascentista”, incluído na coletânea Variedades de história cultural (1997) – Burke irá lançar indagações decisivas: quem seria afinal o “povo”? O conjunto social que, como um bloco, se destaca da elite, ou a totalidade social que inclui a elite? Certos extratos sociais específicos, e não outros? O homem que se vê inserido em determinados ambientes, ou em certas situações específicas? Seria possível participar do povo em alguns momentos, e dele se destacar em outros? Circular entre níveis de cultura e sociabilização diferenciados?

 

A partir de uma compreensão sobre o polissemismo implícito no conceito de “povo”, a tradicional dicotomia entre uma “cultura erudita” e uma “cultura popular” – tal como trabalhada anteriormente por autores diversos – deve ser ela mesma problematizada, uma vez que Peter Burke procura mostrar que naquele, como em outros períodos históricos, podem ser percebidas muitas “culturas populares ou muitas variedades de cultura popular”, para além da dificuldade de se estabelecer os limites entre zonas de alta cultura e zonas de cultura popular, já que “uma cultura é um sistema de limites indistintos, de modo que [no quadro de referências dicotômicas entre cultura popular e cultura erudita] mostra-se impossível dizer onde termina uma e começa outra” (BURKE, 1989, p.56).

 

Por fim, o historiador inglês será hábil, nessa mesma obra, em mostrar que mesmo as produções qualificadas como relacionadas à cultura popular podiam ser partilhadas por grupos sociais distintos, cada qual as decifrando a partir de seus próprios valores e assimilando-as de acordo com seus próprios parâmetros e necessidades, de modo que aqui já se toca de alguma maneira em questões que logo seriam tratadas por historiadores e antropólogos interessados na compreensão plural dos fenômenos da recepção, como o Michel de Certeau de a Invenção do Cotidiano (1980). Eis aqui, portanto, uma abordagem da cultura que, já com Peter Burke, mostra-se dinâmica, centrada nas várias estratégias de apropriação cultural e na circulação dos atores sociais por mundos culturais diferenciados, mas de todo modo não cindidos uns em relação aos outros, de modo que a abordagem historiográfica recomendada é aquela que se dirige não para a polarização e divisão entre circuitos culturais, mas sim para as formas de interação entre as “culturas do povo” oriundas de ambientes sociais diversos e a “alta cultura” que podia ser aprendida na corte e instituições de ensino (BURKE, 1989, p.17).

 

O interesse de Peter Burke pelo estudo do Renascimento seguirá adiante, com uma obra de 1987 intitulada O Renascimento. Com essa obra, Burke encerrará a sua tríade inicial de estudos renascentistas (mais tarde, em 1998, ele ainda publicará A Europa Renascentista: centros e periferias). O diferencial desse livro de 1987 é que aqui, ao contrário de suas outras duas obras, o Renascimento será descrito essencialmente como um “movimento”, e não como um período (BURKE, 2008, p.95). Em função disto, abre-se a oportunidade de entendê-lo como um fenômeno circunscrito a um determinado circuito de ambientes, sábios, artistas, mecenas e faixas de público receptor, e não como um fenômeno abrangente que se possa generalizar à totalidade social. Ademais, uma leitura diacrônica mais ampla permitirá que o historiador inglês insira o Renascimento no interior de um grande processo de “ocidentalização do Ocidente” que teria ocorrido entre 1000 e 1800, e que irá dotar gradualmente os europeus relacionados às classes socialmente privilegiadas de uma cultura específica. O Renascimento, nesta perspectiva, será visto como acontecimento inserido em um processo bem mais amplo, o que permite retomar o sempre presente diálogo com o Norbert Elias de O Processo Civilizador (1939).

 

A obra apresenta o interesse adicional de iniciar-se através de uma oportuna discussão do Renascimento como “mito”, examinando a idéia mais comum que se faz sobre a Renascença Européia como produto de uma construção que tem um de seus momentos mais importantes no século XIX, particularmente com Jacob Burckhardt (1860), que redefine o Renascimento em termos da emergência do “individualismo” e da “modernidade”. Desconstruindo o mito renascentista, Peter Burke irá criticar os exageros de Burckhardt e de outros autores no que se refere aos contrastes em relação à Idade Média, seja para depreciá-la ou para enaltecê-la.

 

No encaminhamento dessa análise, Burke chamará atenção para a medievalidade de diversos artistas e intelectuais renascentistas. Mesmo um livro como “O Príncipe” de Maquiavel (1513), a obra-prima do realismo político italiano, poderá ser então examinado como acontecimento literário que se insere em uma longa série de “espelhos de príncipe” que remetem à Idade Média no que se refere à sua correspondência com um gênero tipicamente medieval voltado para a educação e esclarecimento de reis. De igual maneira, Burke irá mostrar como se aproxima das tradições medievais de comportamento e do Amor Cortês o livro O Cortesão, de Baldassare Castiglione (1528) – obra à qual o historiador voltará em uma análise específica em um livro que publicará em 1996 com o título As Fortunas do Cortesão [edição brasileira: 1997].

 

Para além da medievalidade do Renascimento do início da Idade Moderna, Burke também irá examinar um outro ponto de complexidade. Enfatizando as então recentes discussões de medievalistas, o historiador inglês também chamará atenção, nessa obra, para outros renascimentos que teriam ocorrido já na Idade Média, notadamente o “Renascimento do século XII” e o, mais discreto, “Renascimento Carolíngio”. Desta maneira, a retomada de valores clássicos através de um movimento literário e artístico consciente, as ênfases no humanismo, as recolocações da Razão no sentido clássico, não teriam sido um acontecimento isolado que se restringiria ao Renascimento da Idade Moderna, mas sim uma recorrência na história da cultura européia, de modo que o Renascimento Europeu da Idade Moderna reinsere-se aqui em um processo mais amplo de continuidades e descontinuidades.

 

Por fim, valerá ressaltar ainda que na sua obra O Renascimento, de 1987, Peter Burke também estará apto a discutir o fenômeno da Renascença no contexto das polêmicas discussões historiográficas sobre a “Crise das Grandes Narrativas” – e lembraremos aqui que, em 1987, já tinha se desenrolado o principal do debate sobre a Pós-Modernidade que teve dois marcos importantes com o Lyotard de A Condição Pós-Moderna (1979), anunciador da “morte das meta-narrativas”, e com a brilhante resposta de Fredric Jameson em seu livro Pós-Modernismo: a Lógica Cultural do Capitalismo Tardio (1984). A análise de Peter Burke sobre o Renascimento, neste novo momento, pôde portanto se beneficiar de um novo debate, que permite compreender um aspecto a mais da construção do mito renascentista.

 

Gostaríamos de abordar, em seguida, uma obra que, não muito distante deste último trabalho sobre o Renascimento, abrirá novas perspectivas nas linhas de análise propostas pelo historiador inglês. O livro em questão recebeu o título de A Fabricação do Rei – a construção da imagem pública de Luís XIV (1992, edição brasileira em 1994). Entre outros aspectos, o historiador inglês dirigirá sua atenção agora para o “Teatro do Poder”, uma questão que, pela mesma época, já começava a ser discutida por ele mesmo, no âmbito teórico, em um dos ensaios que seriam incluídos naquele mesmo ano na coletânea O Mundo como Teatro – ensaios de antropologia política (1992)[2].

 

O novo recorte de pesquisa a ocupar o historiador inglês em A Fabricação do Rei será o século XVII, e a espacialidade privilegiada a França. Mas, na verdade, o que estará interessando a Peter Burke neste novo ensaio, publicado em 1992, será a Monarquia Absoluta, em sua tríplice dimensão social, cultural e política, e, mais especificamente, a Representação Iconográfica e Dramatizada da Realeza, assim como os discursos que se estabelecem em torno da figura do rei e os rituais que se constroem em torno do monarca de modo a se projetar como estratégias de controle sobre o mundo político, social e cultural – isto sem deixar de gerar, é preciso lembrar, também as inevitáveis resistências e imaginários reversos. Interessará ao historiador inglês, em especial, a identificação e análise daquilo que, de algum modo, pode até mesmo ser considerado um colossal sistema de propaganda – a prenunciar o “marketing político” que mais tarde seria tão comum no mundo contemporâneo – e também um sistema de estratégias destinadas a produzir e controlar, através da Corte, uma sofisticada rede de interdependências em torno do rei. A Etiqueta, os Rituais, as Festas públicas, a espetacularização da vida privada do Rei, a circulação de imagens reais através da arte, das efígies de moedas, da estatuária, da arquitetura, da tapeçaria ... tudo se investirá de especial importância nesse complexo sistema que reaparece também em outras monarquias européias, mas que na França do século XVII adquirirá particular significação.

 

O escolhido, de fato, não poderia ser outro: Luís XIV, o Rei-Sol, que a partir de 1643 governou a França por 72 anos e que produziria, com a articulação de sua longevidade à eficiente administração de sua própria imagem, um longo período de intensa eficácia no exercício do poder régio. Luís XIV, de fato, ao lado de todo um complexo sistema imaginário e político que se constrói em torno de sua figura, será ele mesmo um ator central nesta bem elaborada trama – um ator que se obrigará a uma contínua e diária performance destinada a praticamente eliminar os seus espaços de real privacidade, já que o cotidiano régio e a Corte, ao lado do mundo político, estarão a partir daqui configurados em um grande Teatro dirigido a uma platéia de 20 milhões de franceses, sem contar um correspondente circuito receptor externo, no âmbito das relações internacionais, que também será examinado a certa altura por Peter Burke (1994, p.170).

 

A ampla utilização da iconografia como fonte histórica, nesta obra, e a análise imagística que acompanha toda uma concomitante abordagem de documentos escritos que vão da correspondência régia aos discursos do rei e sobre o rei, constituem a grande novidade metodológica que aqui surge na trajetória historiográfica de Peter Burke. Mais tarde, em uma obra intitulada Testemunha Ocular, Burke se dedicará a outro investimento, desta vez teórico, relacionado ao uso da Imagem pela historiografia, estendendo ali seus interesses iconográficos também para a fotografia e filmografia. De igual maneira, em A Fabricação do Rei o objeto de estudo do historiador inglês redesenha-se: não lhe estará interessando, aqui, estudar propriamente o Rei, mas sim as representações que se tecem em torno do Rei, a nebulosa de imagens e discursos que partem do próprio sistema monárquico, mas que também se desdobram de novas maneiras por toda a sociedade e que também são devolvidas sem excluir o negativo – uma vez que Burke também estará preocupado a examinar, em um dos capítulos da obra, a contra-imagem, aquilo que denominou “o reverso da medalha” (1994, p.147).

 

O sinal mais evidente de que aqui estamos não diante de uma história do poder régio, e muito menos da história de um rei, mas sim de uma história das representações da realeza, é o fato de que – para além do capítulo que, sob o poético título de “O Por do Sol”, irá pontuar a morte de Luís XIV e sua apropriação política – se estenderão alguns dos mais importantes capítulos do livro, estes dedicados sucessivamente ao estudo do confronto de representações, da guerra de imagens que tem também o seu reverso da medalha, da recepção da Imagem do Rei-Sol, da busca de precedentes em outras monarquias, esse último capítulo mostrando particularmente a preocupação em identificar o complexo sistema imagístico e representacional que se estabelece em torno de Luís XIV não como algo isolado, mas como o exemplo mais monumental de um fenômeno que estará relacionado às monarquias do período moderno[3].

 

O cuidadoso trabalho desenvolvido por Burke nesta obra de maturidade dedica-se a mostrar como, ao lado da intencionalidade que corresponde aos objetivos do projeto monárquico, será também construída a muitas mãos esta sofisticada imagem de Luís XIV – simultaneamente um símbolo de Deus na Terra e enfática imagem do Poder, da Glória e da Grandeza do Poder Régio. Assim, dos alfaiates que tecem sob medida a ostentatória indumentária régia aos artistas plásticos que irão retratá-lo visualmente e aos biógrafos, poetas e historiadores que serão conclamados a descrever o monarca e suas façanhas, todos contribuirão para a construção da imagem do Rei-Sol, o que não excluirá, por outro lado, aquilo que Peter Burke denominará uma “crise de representações”, já que também existiam claras “discrepâncias entre a imagem oficial do rei e a realidade cotidiana tal como percebida por seus contemporâneos, mesmo simpatizantes” (BURKE, 1994, p.137). Dessa maneira, na análise de Peter Burke, o Imaginário construído pelos ditames do poder régio é examinado em sua interação com o Imaginário vivo e dinâmico que se gesta no próprio plano das sociabilidades, da vida cotidiana, do vivido que pode ser captado pelo historiador a partir de múltiplas fontes históricas. Este confronto da intencionalidade de um projeto régio com a espontaneidade das relações sociais, mas também com a internalização nas pessoas comuns de um certo modo de reverenciar a realeza e da assimilação interindividual de um rigoroso controle que emana do poder central remete, respectivamente, a diálogos com autores como o Marc Bloch de Os Reis Taumaturgos (1922) e o Norbert Elias de O Processo Civilizador (1939). O imaginário do Poder Monárquico surge, então, como um fenômeno complexo, de muitas facetas e com repercussões diversas na vida dos homens pertencentes aos diversos grupos sociais. A historiografia que o examinará em toda esta complexidade será necessariamente interdisciplinar, aberta a diálogos com a antropologia, com a sociologia, com a psicologia social.

 

A Fabricação do Rei (1992) pode ser tomada como um sinal significativo do deslocamento da produção historiográfica de Peter Burke da História Social mais tradicional – nas primeiras obras sobre o Renascimento ainda uma História Social da Cultura no sentido mais habitual – em direção a uma História Cultural propriamente dita, já sintonizada com as tendências que começam a se expressar a partir dos anos 80, chegando aqui a tocar em questões que já seriam consideradas por Roger Chartier como uma “História Cultural do Social” (2002, p.61). Articula-se já às novas tendências da História Cultural o empenho de Peter Burke em verificar não apenas “como” e “porque” uma determinada imagem do Rei irá ser fabricada e se transformar de acordo com o contexto social e os interesses políticos, mas também as maneiras consoante as quais os vários públicos reagirão a esta imagem do rei (BURKE, 1994, p.176). Deste modo, revela-se também aqui um dos traços que têm dimensionado a historiografia de Peter Burke como um todo: a atenção à Interdisciplinaridade, no caso desta obra particularmente voltada para o atento diálogo com as ciências da Comunicação. Este diálogo, e também a interdisciplinaridade com a lingüística, será particularmente importante na mais recente fase da produção historiográfica de Burke, a começar em 1992 pelo ensaio A Arte da Conversação, e chegando a uma série de obras organizadas com Roy Porter, entre as quais História Social da Linguagem, Línguas e Jargões, e Linguagem, Indivíduo e Sociedade.

 

A notável habilidade de Peter Burke em lidar com abordagens comparativas é outro traço que, bem presente em A Fabricação do Rei, constitui de fato um aspecto bem característico na produção historiográfica de Burke como um todo. Comparações diacrônicas, envolvendo períodos diferenciados, e sincrônicas, abarcando as releituras de um mesmo fenômeno nos diversos extratos e ambientes sociais de um mesmo período, são comuns na prática historiográfica de Peter Burke. De igual maneira, o cotejamento de fontes diversificadas, que em Fabricação do Rei remete a modalidades iconográficas várias e também a discursos escritos, é uma constante na ação do Peter Burke historiador. No próximo item, estaremos voltados para trazer à tona outro lado deste historiador inglês: o Peter Burke historiógrafo. Estaremos nos referindo aqui aos trabalhos em que Burke empreendeu grandes balanços e análises historiográficas.

 

 

 

As obras de análises historiográficas

 

Uma das contribuições mais significativas de Peter Burke à literatura historiográfica tem sido a análise da própria historiografia, bem como as discussões sobre Teoria e Metodologia da História. Como se disse no início deste texto, a Interdisciplinaridade cedo constituiu um de seus principais interesses teóricos, o que poderemos verificar com um curso que Peter Burke havia ministrado ainda no início dos anos 1960, na Universidade de Sussex, e que se converteria no ensaio Sociologia e História, publicado em 1980. A obra seria revista e ampliada onze anos mais tarde, com o novo título de History and Social Theory (1991). Aqui se trata de estabelecer conexões possíveis entre a sociologia e a história, um dos diálogos interdisciplinares dos quais Peter Burke mostra-se mais entusiasta, além da interação com a antropologia. A discussão de aportes teóricos e metodológicos mostra-se particularmente profícua, e o ponto alto da obra é a discussão pormenorizada sobre as possibilidades de usos historiográficos de conceitos vários que também fazem parte do universo teórico da sociologia e da ciência política, sendo que na versão revista de 1991 o quadro conceitual foi também ampliado de modo a abarcar também a geografia, a antropologia e a psicologia social. “Poder”, “função”, “centro e periferia”, “comunicação e recepção”, veremos aqui estes e inúmeras outras noções que na verdade já faziam parte do sistema conceitual empregado por Peter Burke nas obras atrás discutidas, mas que nesse trabalho ele generosamente discute sob a forma de um conjunto de reflexões teóricas certamente voltado para os vários níveis de formação historiográfica. Esta preocupação didática de Peter Burke aparecerá, com bastante eficácia, em alguns de seus textos de discussão historiográfica.

 

Já mencionamos as obras mais panorâmicas, destinadas a mapear a historiografia, particularmente aquelas que se voltaram para a História Cultural. O Que é a História Cultural (2004) e Variedades de História Cultural (1997), a segunda reunindo ensaios historiográficos diversos, constituem marcos no mapeamento historiográfico desta modalidade que adquire especial expressão a partir dos anos 1980. Da mesma forma, encontraremos em outras coletâneas teórico-historiográficas de Peter Burke, entre as quais O Mundo como Teatro (1992), ensaios de igual valor no que se refere aos mapeamentos historiográficos, bem como outros de grande importância pelo caráter propositivo de novos caminhos historiográficos, tal como o seu “História Social dos Sonhos” – um antigo artigo que havia sido publicado na Revista dos Annales – ou ainda “A História como Memória Social”, este último discutindo “as diferentes atitudes em relação ao passado que podem ser encontradas nas diversas culturas”, o que introduz Peter Burke em um campo de discussões que já havia sido percorrido por Koselleck em seu famoso livro Futuro Passado (1979)[4].

 

O papel de Peter Burke como organizador de coletâneas de textos importantes para o mapeamento e discussão historiográficos também é extremamente relevante, sendo o exemplo mais eloqüente a coletânea por ele organizada sob o título A Escrita da História – novas perspectivas (1991). Nesta obra, particularmente o próprio ensaio de Peter Burke sobre “A história dos acontecimentos e o renascimento da narrativa” revela um historiador profundamente interessado na renovação dos modos de escrever a História, nas novas possibilidades de tratamento da temporalidade pela historiografia, nos novos modos narrativos que incluam uma necessária polifonia de vozes que seja capaz de trazer uma maior representatividade social para uma historiografia que ainda não conseguiu se libertar, através do uso do ponto de vista narrativo unificado, da contaminação de um ponto de vista de cima, que se faz passar por imparcial através do narrador ausente ou que se oculta na terceira pessoa do singular. A revolução historiográfica também deve passar, postulará Burke, por uma maior audácia na renovação nos modos de escritura da História propriamente ditos.

 

Entre as obras de análise historiográfica, talvez não exista uma obra de Peter Burke com maior sucesso do que seu ensaio A Escola dos Annales – a revolução francesa da historiografia (1991). Burke pretenderá, nesta obra, historiar o célebre movimento dos Annales, desde a instalação de uma nova e combativa historiografia por Marc Bloch e Lucien Febvre nas primeiras décadas do século XX, quando começa a ser enfaticamente questionada uma “história historizante” que era bem representada pela antiga Escola Metódica Francesa, até as últimas gerações de historiadores franceses que se colocam como herdeiros dos Annales, e que em 1989, às vésperas da elaboração do ensaio de Burke, anunciavam novos encaminhamentos para a Nouvelle Histoire a partir de dois editoriais para a Revista dos Annales, publicação que sempre trouxe o elemento de identidade para o grupo.

 

A posição de Burke com relação ao movimento dos Annales, por ele reconhecido como uma “Escola” a partir do título da obra, aponta na direção contrária do célebre ensaio que François Dosse havia publicado três anos antes com o impactante título de A História em Migalhas (1987). Dosse pretendeu mostrar que existiria uma clara ruptura entre o tipo de historiografia praticada pelos historiadores franceses da geração da Nouvelle Histoire posterior a 1969, que passa a controlar a Revista dos Annales em substituição ao domínio que até então fora exercido por Fernando Braudel, e as duas gerações precedentes de historiadores, considerando a fase de instalação do movimento com Bloch e Febvre e a fase de amplo domínio institucional dos Annales, que se consolidará sob a liderança de Fernando Braudel. Ao projeto dos Annales que atingirá com Braudel a máxima expressão através da perspectiva de uma História Total, poderia ser contraposta a historiografia fragmentada da Nouvelle Histoire a partir de 1969, constituindo aquilo que Dosse chamaria de “História em Migalhas”.

 

Ao contrário de François Dosse, a perspectiva de Peter Burke sobre o movimento dos Annales aponta para uma unidade do movimento, o que inclui aquele a que ele chamou de “Terceira Geração dos Annales”. Não haveria uma ruptura, e sim uma transformação na continuidade, e o grande elemento de continuidade indicado por Peter Burke em sua análise seria precisamente a Interdisciplinaridade. Aqui encontraremos a chave para a simpatia que Peter Burke expressa em relação ao movimento dos historiadores franceses. Ele mesmo, em sua produção histórica e historiográfica, sempre fora um grande entusiasta da Interdisciplinaridade, de modo que irá se encontrar bastante à vontade para relatar a história dos Annales a partir de uma fluente narrativa na qual, de alguma maneira, o grande personagem é o Diálogo Interdisciplinar, envolvendo a História em uma rica interação com a geografia, a sociologia, a antropologia, a economia, a psicologia social, a lingüística e outras modalidades de conhecimento que teriam permitido a renovação da historiografia no decorrer do século XX. O pequeno ensaio tornou-se uma das obras de maior sucesso de Peter Burke, constituindo-se referência fundamental para a introdução ao estudo deste movimento.

 

 

 

Interdisciplinaridade: a grande tônica de uma diversificada obra histórica e historiográfica

 

A avaliação em perspectiva sobre a obra de Peter Burke, ainda em curso e prometendo novos e importantes trabalhos, permite situar a questão interdisciplinar como um aspecto central de seu trabalho. É por exemplo a Interdisciplinaridade que estará por trás de A Arte da Conversação (1993), obra na qual o historiador inglês busca estabelecer diálogos e liames entre os historiadores e os diversos cientistas humanos e sociais, entre os quais os antropólogos, lingüistas, psicólogos, geógrafos, e especialistas em comunicações.

 

Podemos identificar na produção de Peter Burke três grandes fases interdisciplinares. Em que pese a importância que em suas reflexões historiográficas sempre tiveram todos os tipos de diálogos com as ciências sociais e humanas, podemos encontrar no período que se inicia com os anos 1960 uma atenção sistemática aos diálogos da história com a sociologia. A partir do final dos anos 1970, é perceptível uma especial preocupação do historiador inglês em trabalhar os diversos diálogos possíveis com a antropologia. Por fim, os anos recentes têm levado Peter Burke a atentar mais enfaticamente para o diálogo com as ciências da Comunicação e com a lingüística.

 

Um claro indício desta nova orientação de interesses de Peter Burke é o livro História Social da Mídia (2004) em parceria com Asa Briggs. Desenvolve-se aqui uma meticulosa análise historiográfica e interdisciplinar em torno dos diversos meios de comunicação, na qual se recupera de maneira problematizada e em relação com os diferentes contextos sociais e políticos a fascinante história das diferentes mídias e dos novos problemas e potencialidades que as novas linguagens por elas trazidas – da retórica à escrita virtual e ao ciberespaço – têm sucessivamente oferecido à civilização ocidental, contribuindo para a sua própria transformação, em um arco histórico que vai da invenção da imprensa à Internet. Os três primeiros capítulos correspondem mais especificamente à contribuição de Peter Burke, que aborda a história das comunicações e das novas linguagens na Europa do início da era moderna, por ocasião da difusão generalizada da imprensa, até a revolução industrial.

 

São também indícios da nova fase de interesses interdisciplinares e temáticos de Peter Burke as coletâneas que organiza em parceria com Roy Porter, e que começam a aparecer a partir de meados dos anos 1990, entre os quais a coletânea História Social da Linguagem (1997). Em particular, destacar-se-ão aqui os diálogos com a sociolingüística e com a etnografia da comunicação, para mencionar uma avaliação do próprio Peter Burke sobre este novo momento de sua produção historiográfica. Extremamente significativa, porque retomando o liame entre História Social e História Cultural através da temática da Linguagem, é a coletânea Línguas e Jargões, que busca examinar nos seus diversos contextos sociais os dialetos e jargões criados e difundidos por diversos grupos sociais e profissionais, entre os quais os médicos, advogados e professores, mas também as sociedades secretas como a dos maçons, bem como grupos sociais marginalizados, tais como os dos ciganos e dos mendigos.

 

A produção historiográfica de Peter Burke, de todo modo, segue adiante, adentrando o novo milênio como uma relevante contribuição, percebendo-se em seu autor não apenas a invejável clareza de exposição, a capacidade de lidar com amplos e diversificados interesses, mas, sobretudo, um esforço de inovação trazido por cada nova obra, signo de uma historiografia em permanente mutação.

 

__________________________________________________________________________________________________

 

Tenha acesso a este artigo, completo, em: http://ning.it/kELQxy

[BARROS, José D'Assunção. "Peter Burke: Trajetória de um Historiador" in História Unisinos, vol.15, n°1, jan/abr 2011. p.31-39]

 

Um ensaio análogo sobre Peter Burke pode ser encontrado em:  BARROS, José D'Assunção. "Peter Burke" in LOPES, Marcos Antonio. Historiadores do Nosso Tempo. São Paulo: Alameda, 2010, p.233-250.

 

 

REFERÊNCIAS

 

Obras de Peter Burke citadas neste ensaio

 

BURKE, Peter. 1999. O Renascimento italiano: cultura e sociedade na Itália. São Paulo, Nova Alexandria, 344 p. [original: 1972]

BURKE, Peter. 1991. Veneza e Amsterdã: um estudo das elites do século XVII. São Paulo, Brasiliense, 192p. [original: 1974]

BURKE, Peter. 1989. Cultura popular na Idade Moderna. São Paulo, Companhia das Letras, 385 p. [original: 1978].

BURKE, Peter. 2008. O Renascimento. Lisboa, Texto e Grafia, 126 p. [original: 1987]

BURKE, Peter. 1990. A Escola dos Annales – a revolução francesa da historiografia. São Paulo, UNESP, 156 p. [original: 1990]

BURKE, Peter. 1992. A história dos acontecimentos e o renascimento da narrativa In BURKE, Peter (org.). A Escrita da História – novas perspectivas. São Paulo, UNESP, p. 327-348. [orig: 1991]

BURKE, Peter. 1992. História e Teoria Social. São Paulo, UNESP, 275 p. [original: 1991]

BURKE, Peter. 1994. A Fabricação do Rei – a construção da imagem pública de Luís XIV. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 254p. [original: 1992]

BURKE, Peter. 1992. O Mundo como Teatro – Estudos de Antropologia Histórica. São Paulo, Difel, 251 p. [original: 1992].

BURKE, Peter. 1995. A Arte da Conversação. São Paulo, EDUSP, 219 p. [original: 1993]

BURKE, Peter. 1997. As Fortunas do Cortesão. São Paulo, UNESP, 232 p. [original: 1996].

BURKE, Peter. 2000. Cultura erudita e cultura popular na Itália renascentista In BURKE, Peter. Variedades de história cultural. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, p. 177-193. [original: 1997]

BURKE, Peter. 2000. Unidade e Variedade na História Cultural (1997) In Variedades da História Cultural. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira,. p.233-267.

BURKE, Peter. 1998. The European Renaissance: Centres and Peripheries. Oxford: Blackwell, 284 p.

BURKE, Peter. Uma História Social do Conhecimento – de Gutenberg a Diderot. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003 [original: 2000]

BURKE, Peter. 2005. O Que é História Cultural? Rio de Janeiro, Zahar, 192 p. [original: 2004]

BURKE, Peter. Testemunha Ocular – História e Imagem. Bauru: EDUSC, 2004.

BURKE, Peter. 2006. Montaigne. São Paulo, Edições Loyola, 116 p.

BURKE, Peter (org.). 1992. A Escrita da História – novas perspectivas. São Paulo, UNESP, 354 p. [original: 1991]

BURKE, Peter e PORTER, Roy (orgs). 1997. História Social da Linguagem. São Paulo, UNESP, 266 p.

BURKE, Peter e PORTER, Roy (orgs). 1997. Línguas e Jargões. São Paulo, UNESP, 284 p.

BURKE, Peter e BRIGGS, Asa. 2004. Uma História Social da Mídia – de Gutenberg à Internet. Rio de Janeiro, Zahar, 377 p. [original: 2005]

 

 

Obras citadas de outros autores

 

BLOCH, Marc. 1993. Os Reis Taumaturgos – o caráter sobrenatural do Poder Régio. França e Inglaterra. São Paulo, Companhia das Letras, 440 p. [original: 1924]

BURCKHARDT, Jacob. 1990. Civilization of the Renaissance in Italy London: Harmonsworth, 389 p. [original: 1860].

CASTIGLIONE, Baldassare. 1964. Il Libro del cortegiano. Torino: UTET,.642 p. [original: 1528]

CERTEAU, Michel de 1980. L’invention du quotidien. Paris, Union Générales d’Editions, 352p.

CHARTIER, Roger. 2002. O Mundo como Representação In À Beira da Falésia: a história entre incertezas e inquietudes. Porto Alegre, UFRGS, p.61-78.

DOSSE, François. 1992. A História em Migalhas – dos Annales à Nova História. São Paulo, Editora Ensaio, 394p. [original: 1987].

ELIAS, Norbert. 1990. O Processo Civilizador. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 308p. [original: 1939].

JAMESON, Fredric. 2006. Pós-Modernismo: a Lógica Cultural do Capitalismo Tardio In Pós-Modernismo: a Lógica Cultural do Capitalismo Tardio. São Paulo, Ática, p.27-79 [original: 1984]

KOSELLECK, Reinhart. 2006. Futuro Passado – contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto, 368p. [original: 1979].

LYOTARD, Jean-François. 1998. A Condição Pós-Moderna. Rio de Janeiro, José Olímpio, 132 p. [original: 1979]

MAQUIAVEL, Nicolau. 2008. O Príncipe. São Paulo: DPL, 256 p. [original: 1513]

SORIA, José Manuel Nieto. 2003. Las Monarquías Castellana y Portuguesa a fines del Medievo: Algunas perspectivas para una historia comparativa. História: Questões & Debates, 37(1): 11-36.

SORIA, José Manuel Nieto. 1993. Cerimônias de la realeza – Propaganda e legitimación em la Castilla Trastámara. Madrid: NEREA, 290p.

 



[1] A intimidade de Peter Burke com o público brasileiro acha-se também reforçada pelo fato de ser ele casado com a historiadora brasileira Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke. De igual maneira, os contatos de Burke com os meios editoriais e acadêmicos brasileiros favorecem a difusão de seus livros entre nós. Particularmente nas últimas décadas, as obras de Burke publicadas em inglês são logo traduzidas para o português, com intervalo no máximo de um ano ou dois, o que tem permitido que o público acadêmico brasileiro tenha acesso a uma produção constantemente atualizada de Peter Burke.

[2] O Mundo com Teatro reúne ensaios de períodos diversificados na produção de Peter Burke. Como curiosidade, está presente nesta coletânea um texto que corresponde ao primeiro trabalho de pesquisa histórica realizado por Peter Burke em Oxford, sob a orientação de Trevor-Roper, e que recebeu o título de “Da popularidade dos historiadores antigos (1450-1700)”, o que já revela sintomaticamente o interesse de Peter Burke pela história da historiografia e pela reflexão sobre seus desenvolvimentos teórico-metodológicos.

[3] Um autor que se dedicou ao estudo da imagística régia, dos rituais públicos e do teatro do poder nas Monarquias do final da Idade Média e do início do período moderno foi José Manuel Nieto Soria. Ali, veremos que as monarquias ibéricas certamente precedem as dos demais países europeus na montagem de um cuidadoso sistema de representações e de dramatizações régias. Ver SORIA, 1993 e 2003.

[4] Quanto a “História Social dos Sonhos”, o artigo também será particularmente rico em diálogos interdisciplinares com a Psicologia, a Sociologia e a Antropologia, discutindo a hipótese de que indivíduos de diferentes culturas e épocas desenvolvem diferentes maneiras de sonhar e tendem a produzir diferentes temáticas oníricas, relacionadas aos seus próprios contextos.

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Tags: Burke, Historiografia

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Comentário de Mércia Alves em 8 março 2012 às 18:25
Muito bom!

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