José Anselmo dos Santos, ex-militar da Marinha, foi líder da revolta de marinheiros, por reformas sociais, na crise do governo JG, um dos estopim do histórico golpe militar de 1964.
Com o golpe cabo Anselmo é expulso e preso, por crime de motim e revolta militar, foge e exila-se no Uruguai e Cuba, retornando em 1970, como membro do movimento guerrilheiro, caindo nas mãos do DOPS do temivel delegado Sérgio Fleury.
Logo depois da sua prisão, misteriosamente, Anselmo muda de lado, atua com o regime, infiltrado nos grupos esquerdistas, passando a trair e entregar os companheiros e planos ás forças de segurança da ditadura, sendo envolvido em prisões, torturas e mortes de militantes comunistas.
Numa das emboscadas, morre sua esposa, com seu auxílio, a paraguaia Soledad Barret Viedma, que estava grávida do próprio há cinco meses e que Anselmo entregara aos órgãos repressivos.
Vindo a tona sua traição, Anselmo desaparece entre 1972/1973, então dado como morto, pelas forças de segurança da ditadura militar ou justiçado por guerrilheiros.
O misterioso cabo Anselmo reaparece, numa entrevista ao jornalista Octávio Ribeiro, publicada pela Revista Isto È - edição de 28/3/1984, e em outra ocasião pelo jornalista Percival de Souza, em 1999.
Atualmente, Anselmo pleiteia uma identidade formal, pois desde que foi cassado nunca mais conseguiu documentos que provassem ser ele o José Anselmo dos Santos. Requereu junto ao governo de São Paulo o pagamento de indenização pago aos que foram presos e torturados no estado, durante a ditadura militar. O ex-marinheiro reivindica ainda uma reforma militar, condizente com o posto que ocuparia hoje na Marinha. O argumento de Anselmo é que a indenização da Comissão de Anistia não deve beneficiar apenas os militantes de esquerda, ele alega que todos que foram de alguma forma prejudicados ou cassados em seus postos em razão do golpe militar deveriam ser beneficiados.
Seu paradeiro ainda é ignorado, permanece na clandestinidade há mais de 30 anos, que estará protegendo e dando segurança ao cabo Anselmo por todo este tempo? Os serviços de Inteligência da ditatura ou um mistério a ser desvendado?

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Comentário de RICARDO ROCHA AGUIEIRAS em 25 março 2010 às 9:43
Cabo Anselmo é uma farsa, um vilipêndio e o que há de pior na Humanidade. Foi delator, culpado pela morte de sua própria namorada na época, que estava grávida de um filho dele, fora outras mortes. Nunca assumiu sua homossexualidade nem seu caso com Onofre Pinto, que também ajudou a matar. Tudo nele é podridão e mentira. Eu defendo, sim, que todos os prejudicados por ditaduras sejam indenizados, pouco importa se eram militantes ou não. Mas não é o caso desse "senhor", ele sabia muito bem o que estava fazendo e aceitou plenamente o pacto proposto por outro famigerado assassino e torturador, o delegado Sérgio Fernando Paranhos Fleury, que foi responsável por bem mais que 60 mortes, torturas hediondas e, infelizmente, morreu impune. Anistia e indenizações para vítimas, sim, vítimas apenas. Nunca para os vilões . Vilões esses que estavam a serviço do poder imposto e que se locupletavam dele.
Comentário de Alcebíades de Lima Oliveira em 23 julho 2009 às 10:46
Como explicar sua constante mudança de domicílio, seu processo no MJ, uma sina vergonhosa, vitima ou vilão, certo que tem o direito à reparação e responder e desvendar crimes cometidos nos porões da ditadura, penso que o Anselmo era um agente do serviço de inteligência da Marinha (Cenimar) a serviço do golpe do 1964, infiltrado no movimento dos marinheiros, com intuito de atuar nas organizações revolucionárias, particular, sou ex-militar do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha, no período de 1981 a 1987, este assunto era muito comentado e controlado pelos serviços secretos do regime. abraços Alcebíades
Comentário de sandra c. em 23 julho 2009 às 6:20
Ele declarou recentemente no excelente 'Linha Direta', da Globo, que foi torturado pela ditadura militar e que detestou Cuba e o sistema dito 'socialista'. Numa democracia plena, ele tem este direito. Se tantos estão se locupletando com indenizações à custa de nosso dinheiro- até o rico Ziraldo, que nunca foi exilado ou perseguido-, por que não mais um injustiçado como ele? Até o Cony, um notório pela-saco da ditadura, através de artigos da editora Bloch, recebeu uma grana à nossa custa, por que não o Anselmo? Não creio que seu paradeiro seja ignorado. Eu mesma o vi no 'Linha Direta'.

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