O Amor Cortês

José D'Assunção Barros

O Amor Cortês - uma nova forma de sentir e de se expressar que surge no período medieval - pode ser apontado como um momento particularmente inovador na complexa história humana dos modos de sentir e de suas formas de expressão. Sua emergência através da poesia trovadoresca deixou tão indeléveis marcas no repertório ocidental de possibilidades estéticas de expressar e vivenciar o amor, e na própria imaginação do homem ocidental no que concerne à temática amorosa, que freqüentemente se aponta o despontar dos trovadores medievais no século XII como o instante mesmo da invenção do amor romântico no Ocidente.

 

Em que consistia este Amor Cortês que tão rapidamente se difundiu na Europa a partir das cantigas dos trovadores do sul da França, das suas próprias “vidas”, ou dos romances que tiveram na história de Tristão e Isolda o seu exemplo mais extremado e no Lancelote de Chrétien de Troyes a sua exposição mais sistemática? Antes de tudo, conheçamos as personagens fundamentais do Amor Cortês. No centro de tudo, um “Amador” que se entrega de corpo e alma a uma paixão incontrolável e ao dedicado serviço amoroso da mulher amada. E ela: uma “Dama” que, aos olhos do amante apaixonado, é a mais bela e perfeita de todas as mulheres. Uma Dama, deveremos acrescentar, que é em geral inatingível – ou por estar espacialmente inacessível (talvez por morar em um país distante) ou, quem sabe neste caso um obstáculo ainda mais intransponível, por ser socialmente inacessível. Nesta última situação aparece eventualmente um terceiro personagem: o “marido da dama” – já que com alguma freqüência a mulher eleita pelo trovador provençal ou pelo herói do romance cortês é casada ou comprometida (via de regra com um poderoso senhor feudal). Por fim, os personagens coadjuvantes: em alguns casos um “confidente” da confiança do trovador apaixonado, e em outros casos os “delatores”, “os aduladores”, os “intrigantes”, os maledicentes da vida amorosa e os “bisbilhoteiros” – globalmente classificados como losengiers pelas cantigas trovadorescas – que estão sempre prontos a denunciar o caso de amor ou a difamar os seus envolvidos.

 

Envolvendo tudo, um Amor tão extremado quanto ambíguo, trazendo no mesmo movimento uma indisfarçável carga de erotização e uma dimensão idealizada, ao mesmo tempo em que carrega a mistura dramática que faz com que este “amor sutil” tanto enobreça e eduque aquele que ama, como o empurre tragicamente em direção ao sofrimento e até à morte. Completam o conjunto de sentimentos que o Amor Cortês envolve o desejo – maior do que tudo no mundo, mas irrealizável sob pena de que se acabe o próprio amor – e o perigo de que este amor seja descoberto, e que isto acarrete no fim da relação amorosa ou abale a reputação da dama.

 

Todos estes elementos habitam o plano da sensibilidade e – talvez pela primeira vez com tal intensidade – ameaçam trazer o sentimento amoroso para um lugar destacado no cenário medieval, acima mesmo da fé religiosa, da razão erudita, do utilitarismo cotidiano. Conclamar uma autonomia dos sentimentos implica naturalmente na possibilidade de uma nova proposta de leitura das relações entre os dois sexos – relações que, do ponto de vista da cortesia, não deveriam ser mais regidas exclusivamente pela força, pelo instinto, pelo interesse, pelo acomodamento entediante.

 

Não é de se estranhar que o Amor Cortês tenha apresentado, como se verá adiante, uma decisiva faceta antimatrimonial – já que o casamento era precisamente o território da sujeição do feminino pelo masculino, do acomodamento do indivíduo aos interesses sociais e familiares, da tutela religiosa através do sacramento. Daí o papel simbólico do marido ciumento, traído, ou desprezado secretamente pela esposa em favor do amante cortês. Este marido, entrincheirado de dentro do casamento oficial, representa o mundo da ordem contra o qual se insurge a primazia dos sentimentos proposta pelo Amor Cortês.

 

Mas também não se trata de apenas liberar os sentimentos livremente. Amar dentro dos parâmetros corteses pressupõe também um ritual, um sistema de normas e atitudes a serem observadas e aprendidas, uma determinada concepção acerca de como conduzir o sentimento amoroso que adquire viva expressão na poesia dos trovadores. Em primeiro lugar parte-se da valorização suprema da Dama, e da sujeição do poeta à Dama em nome do Amor. Esta sujeição aproveita aqueles ritos políticos e o imaginário feudo-vassálico que orientavam as relações entre os vários componentes da nobreza na Europa Ocidental do século XII. Assim, a relação de entrega do amador à Dama é traduzida em termos das instituições feudo-vassálicas, ocupando a Dama a posição da suserana a quem o poeta deve fidelidade. O já conhecido ritual da Homenagem, que sela o compromisso entre o vassalo e o suserano, é aqui transposto para o Serviço ou para a vassalagem amorosa que o poeta presta à sua Dama. Este conjunto de apropriações leva alguns historiadores a encararem o fenômeno da cortesia dentro de um rigoroso enquadramento feudo-vassálico.

 

Contudo, o sistema do Amor Cortês apresenta outros elementos singulares que são tão ou mais importantes do que aqueles mais propriamente associados às normas políticas da vassalidade. Condição integrante da cortesia é a manutenção do Segredo. O Amador deve manter secreta a sua relação amorosa com a Dama, mesmo sendo uma relação idealizada e que não envolve o contato sexual. Sendo a Dama em muitos casos casada, e em outros casos ocupando uma alta posição, postula-se que a inobservância deste aspecto poderia abalar de uma maneira ou de outra a reputação da Dama, ou então expô-la gratuitamente aos comentários e à curiosidade alheia. Por isso, freqüentemente o trovador que louva a sua Dama utiliza uma “senha”, e jamais enuncia publicamente o nome da Dama a quem dedica as suas canções e o seu serviço amoroso. Neste ponto, portanto, a fidelidade secreta do amor cortês contrasta com a fidelidade vassálica, já que esta é declarada publicamente.

 

A Mesura, virtude que torna o Amador capaz de comportar-se com temperança e com moderação diante desta relação amorosa que é por outro lado de completa entrega, deve ser cultivada, e na verdade aprendida pelo trovador ou pelo amante cortês que realiza através do amor o aprimoramento do seu espírito. Deve o Amador exercitar uma infinita capacidade de espera, aprimorando uma paciência que é a única virtude que o permitirá manter-se vivo diante deste desejo extremo que está fadado a não se realizar nunca. Neste sentido, desempenha uma função dialética imprescindível a virtude da Mesura, através da qual o Amador procura exercer algum controle sobre os seus próprios sentidos, exercitando-se tanto na capacidade de discrição como na de evitar que o conduza aos extremos da loucura e da morte o inevitável desespero diante do afastamento do objeto amado. É assim que o Amor Cortês, pleno deste e de outros paradoxos, apresenta-se simultaneamente como um extravasamento dos sentidos e como um sistema educativo para a contenção dos sentidos.

 

Outros paradoxos são ainda inevitáveis. Como manter rigorosamente o Segredo exigido pelo sistema cortês, se a função do próprio trovador é a de cantar o Amor? Como cumprir simultaneamente a fidelidade à Dama com uma estrita observância de silêncio a respeito da vassalagem amorosa, e a fidelidade ao próprio Deus do Amor, a quem o trovador também deve servir difundindo a doutrina do Amor Cortês a partir de exemplos concretos e de suas próprias experiências vividas?[1] Esta contradição também tem sido observada pelos estudiosos do Amor Cortês: ao falar de seus próprios casos amorosos, mesmo que de maneira cifrada, o trovador trai a sua própria Dama; ao falar dos casos alheios, destinados a ensinar os aprendizes do Amor a trilhar o caminho da cortesia, o trovador acaba se comportando como um daqueles losengiers ¾ fofoqueiros da vida amorosa que estão sempre prontos a tornar público um segredo de amor. Todo trovador parece estar irremediavelmente aprisionado pelo complexo circuito do dizer e do não-dizer, que é apenas um dos muitos paradoxos característicos do “amor sutil”.

 

Outro aspecto que reintroduz o Amor Cortês no mundo das intensas contradições medievais é a sua já mencionada incompatibilidade com o Casamento na sua forma tradicional - isto é, este casamento que será aqui compreendido como o matrimônio oficializado, tornado público, socialmente condicionado pelos interesses familiares e políticos, voltado para a produção do filho que irá herdar o patrimônio feudal, e, sobretudo, rebaixador da mulher medieval ao definir a sua rigorosa sujeição ao jugo do marido.

 

As contradições são óbvias: oficializar e tornar público trai o segredo amoroso; atrelar a escolha amorosa aos interesses sociais e materiais é uma traição aos ditames da paixão e aos impulsos soberanos do coração; realizar o ato amoroso com vistas à procriação atraiçoa a dimensão idealizante do amor cortês ao mesmo tempo em que o torna utilitário; submeter a mulher concreta e sujeitá-la a uma hierarquia concebida sob os signos do masculino opõe-se à exaltação e ao serviço à Dama idealizada. Não é à toa que uma famosa “corte de amor”[2] do século XII condena explicitamente o Casamento como não estando relacionado em nada ao Amor:

 

 

“pelo teor das presentes, afirmamos e sustentamos que o amor não pode estender seus direitos entre marido e mulher. Os amantes tudo se dão, recíproca e gratuitamente, sem nenhuma obrigação de necessidade, enquanto os esposos são obrigados, por dever, a aceitar as vontades um do outro. Que este julgamento que proferimos com extrema maturidade, após audiência de várias damas da nobreza, seja tido como verdade constante e irrefutável. Pronunciado no ano de 1174, terceiro das calendas de maio, indicação VII”[3]

 

 

As “cortes de amor”, aliás, mostram que o Amor Cortês desempenha ainda uma função social e lúdica nesta sociedade de corte que começa a emergir a partir da brutal sociedade feudal. Norbert Elias, particularmente, destaca o papel do Amor Cortês e do trovadorismo nestas “ilhas de civilização” que foram as cortes feudais ávidas por uma cultura mais refinada e que se erigiram em verdadeiros laboratórios para os novos modelos de civilidade (ELIAS, 1994).  Neste e em outros particulares, o Amor Cortês desempenha igualmente uma função educadora. Através das normas do ideário cortês, o Amador ou o jovem cavaleiro se auto-educa para um novo tipo de vida, que clama por novas regras de civilidade nestes novos tempos onde se tornam cada vez mais complexas as redes de interdependências entre os seres humanos.

 

Dentre os paradoxos do Amor Cortês, o da relação entre Morte e Amor é um dos mais intrigantes, e tem gerado interpretações que em alguns casos parecem confirmar os caminhos de reflexão já trilhados pela Psicanálise na sua busca de compreensão da enigmática relação que parecem manter entre si o Erotismo e a Morte. As complexas relações que conduzem freqüentemente o amor extremado à solução final da Morte, e que na poética cortês deu origem a fórmulas notabilizadas como a do “morrer de amor”, também aproxima o amor cortês de outros sistemas de entrega de si mesmo, como o do Amor Místico que em última instância aspira a uma fusão com o Criador ou a um mergulho no reino indiferenciado onde os sofrimentos da vida mundana já não mais existem. A Morte, em todos estes casos, é o caminho possível para superar definitivamente os limites que aprisionam o homem, e que no caso do Amor Cortês impedem ao amante a integração definitiva com a amada.

 

O mais instigante a respeito deste dramático universo do Amor Cortês é que, embora ele tenha sido na maior parte das vezes uma realidade muito mais literária e artística do que concreta, alguns homens excepcionais o viveram efetivamente. Estes homens foram os trovadores medievais, e é a partir deles que encontraremos algumas das mais ricas fontes de que hoje podem se servir os historiadores para compreender esta nova forma de pensar e de sentir que irrompe surpreendentemente no mundo medieval. O Amor Cortês encontra precisamente os seus principais veículos de expressão nas cantigas dos trovadores, nos romances corteses, nas “cortes de amor” e, em alguns casos, nas próprias “vidas” dos poetas-cantores que percorriam as cortes feudais da Europa Medieval e que acabavam por vezes em  transformar a sua própria existência errante em uma autêntica obra de arte. O século XII também nos legou o famoso Tratado do Amor Cortês, de André Capelão, que procura refletir sobre o Amor à maneira dos tratadistas medievais.

 

Quando a “Vida” de um trovador tornava-se notável e apta a servir de exemplum relacionado à cortesia ou a qualquer outro aspecto trovadoresco, ela transformava-se em uma narrativa que em alguns casos não tardava a adquirir dimensões lendárias. Outros trovadores e jograis passavam então a incluir estes relatos de “vidas” no seu repertório de peças de espetáculo ou de recitação, alternando-as com as cantigas de amor ou outros gêneros de canção. Já nos séculos trovadorescos começaram a surgir coletâneas de “vidas” dos principais poetas-cantores – espécie de biografias estilizadas onde podiam ser lidas as histórias de vida, as aventuras e desventuras destes ou daqueles trovadores.

 

Algumas destas “vidas” têm a aparência de verdadeiros romances corteses. É o caso, por exemplo, da “vida” de Guilhem de Capestanh.. Conta-se que o trovador era enamorado da esposa de um poderoso senhor feudal, que lhe correspondia a afeição permitindo que ele a louvasse através de suas canções. Tornado consciente da vassalagem clandestina por alguns aduladores e maledicentes, o Barão mandou que assassinassem o trovador e extraiu-lhe o coração. Em seguida, mandou prepará-lo com todos os requintes da arte culinária e depois o serviu à esposa durante uma refeição. Depois que ela já o havia comido, o Barão revelou a “procedência da caça”, indagando-a acerca da excelência do prato. Em um desfecho trágico, a dama respondeu que nunca havia comido nem haveria de comer um prato mais delicioso do que aquele, e em seguida apunhalou-se (SPINA, 1956: 182).

 

Nesta como em outras “vidas” de trovadores, aparecem admiravelmente condensados alguns dos principais elementos constitutivos do Amor Cortês. Os personagens fundamentais estão todos ali: o Amador devotado, a Dama idealizada e socialmente inatingível, o marido ciumento, e até mesmo os losengiers que denunciam a paixão clandestina. Da mesma forma, aparecem intrincados neste romance trágico alguns dos tradicionais paradoxos do Amor Cortês: a relação íntima entre Amor e Morte, o imbricamento entre Nobreza e Sofrimento, bem como o confronto entre o Casamento socialmente condicionado e o Verdadeiro amor, levado até as suas últimas conseqüências trágicas – eis aqui os ingredientes de uma história amorosa que realiza o amor extremo e que o concretiza na metáfora da mulher que sem o saber devora o coração do trovador, ao qual vai depois se juntar no abraço definitivo da própria Morte. A “vida” de Jaufre Rudel, trovador que ficou famoso por cantar como ninguém o amor distante, também é particularmente significativa:

 

 

“Jaufre Rudel de Blaye foi fidalgo de alta nobreza e príncipe de Blaye; enamorou-se da condessa de Trípoli, sem tê-la visto, só pelo que dela falavam os peregrinos vindos de Antioquia; e fez sobre ela muitas poesias com boa música e palavras nobres. E, por querer vê-la, tornou-se cruzado e se fez ao mar. E no navio ficou doente e foi conduzido a Trípoli, até um albergue, como morto. Avisaram a Condessa, e ela veio ter com ele, em seu leito, e o tomou em seus braços. E ele percebeu que era a Condessa e logo recobrou a visão, a audição e o olfato; e agradeceu a Deus por ter prolongado sua vida até que pudesse vê-la. E assim morreu em seus braços; e ela o fez enterrar com grande pompa no recinto do Templo. E depois, nesse mesmo dia, ela se fez monja pela dor que sentiu por sua morte” (“Vida de Rudel” in NELLI e LAVAUD, 1960: 261) [4].

 

 

A Dama, aqui, é conduzida ao máximo da idealização. O poeta a ama sem nunca tê-la contemplado. Apaixona-se apenas pelo que dela ouvira dizer, e é esta paixão que o conduz à aventura da Cruzada e da Morte. Neste caso, ainda mais marcadamente, Amor e Morte acham-se perfeitamente integrados na “vida” do trovador: a contemplação amorosa, primeira e única, acontece no mesmo instante da Morte - como se estas fossem as duas faces de um mesmo e único evento. A morte do trovador é também a morte simbólica da Dama, que se retira da vida para ingressar em um mosteiro. A vida de Jaufre Rudel é também um símbolo da fidelidade trovadoresca, uma vez que todas as suas canções foram dedicadas a este amor longínquo:

 

Em uma canção que integra mais uma vez Amor e Sofrimento, o trovador parece ter pressagiado o seu próprio destino. Apaixonado pela Dama que mora em um país distante, no Condado de Trípoli, a única esperança de o poeta contemplar um dia a Amada é ingressar em uma Cruzada. Somente convertendo-se em cruzado ou em peregrino, poderá o poeta um dia aproximar-se da mulher amada. E é assim que, “por intermédio de Deus, ele verá o amor distante”. Ingressar no serviço de Deus para prosseguir no serviço da Dama, e ingressar na Morte redentora para ingressar no Amor redimido – tal parece ser a mensagem deste poeta para quem todos os dias são longos, e que se compraz em ouvir o canto dos pássaros distantes.

 

 

"Em maio, quando os dias são longos,

acho belo o doce canto dos pássaros de longe,

e quando de lá me aparto,

recordo-me de um amor longínquo:

fico de tal forma pesaroso e pensativo,

que nem o canto nem a flor do branco-espinho

me agradam tanto quanto o frio inverno.

 

Tenho o Senhor como expressão da verdade,

Por cujo intermédio haverei de ver o meu amor distante;

Mas, porque ele está tão longe de mim,

Dois males terei de sofrer para alcançar um bem.

Ai! Quisera ser um peregrino,

Pois assim meu bordão e meu manto

Seriam fitados pelos seus olhos lindos!"

(Jaufre Rudel. Lanquan li jorn son lonc en may, 1a e 2a estrofes[5])

 

.

...
Leia o artigo completo em: http://ning.it/i6T732 [BARROS, José D'Assunção. "Os Trovadores Medievais e o Amor Cortês" in Aletheia,vol.1, n°1, 2008).
.

Notas:

 

[1] Em certo trecho do Tratado do Amor Cortês de André Capelão, provavelmente redigido em fins do século XII, o autor nos relata uma fábula onde é o próprio Deus do Amor quem parece incumbir um de seus vassalos, um cavaleiro que se perdera em uma floresta encantada, a divulgar os ideais da cortesia ¾ estes que, poderíamos acrescentar, só mesmo os trovadores poderiam ilustrar com a recitação de casos concretos a servir de exempla (seus ou de outros). Naturalmente que um dos preceitos do amor (o de número dez) é “não trair o segredo dos amantes” (CAPELÃO, Tratado do Amor Cortês, São Paulo: Martins Fontes, 2000, p.99).

[2] As “cortes de amor” constituíam uma espécie de atividade lúdica, embora revestidas da maior seriedade, onde as damas da corte julgavam questões de amatória ou situações amorosas propostas pelos trovadores ou por qualquer outra pessoa para esta finalidade. Simulava-se neste caso uma espécie de julgamento teatralizado, que deveria finalizar com o veredicto emitido pelo conjunto das damas que participavam desta atividade.

[3] Julgamento da Condessa de Champagne. apud Denis de ROUGEMONT, O Amor no Ocidente, Rio de Janeiro: Guanabara, 1988, p.229.

[4] Outra “vida” bastante conhecida no século XIII, a do Castelão de Coucy, realiza também a metáfora da Amada que devora inadvertidamente o coração do amante trovadoresco. Ao morrer em uma Cruzada, o trovador tem seu coração, conforme pedido anterior, enviado à Dama amada. Porém o marido ciumento o intercepta e, compreendendo tratar-se de um símbolo do amor ilícito, serve-o à esposa. Depois de comê-lo desavisadamente, a Dama se recusa a comer qualquer outra coisa dali em diante e acaba morrendo. Coerente com sua “vida”, um dos versos mais famosos do Castelão de Coucy já dizia: “Quando lembro das palavras doces que minha amada costuma dizer-me, como é possível que meu coração permaneça em meu corpo?”.

[5] Baseadas na tradução de Segismundo SPINA (1956: 111).

Exibições: 341

Tags: Amor, Cortesia, Medievais, Trovadores

Comentar

Você precisa ser um membro de Cafe Historia para adicionar comentários!

Entrar em Cafe Historia

Links Patrocinados

EVENTO EM DESTAQUE

Cine História

Saint Laurent

Acaba de chegar aos cinemas o filme "Saint Laurent", de 

Sinopse: Entre os anos 1967 e 1976, o estilista Yves Saint-Laurent (Gaspard Ulliel) reinou sozinho no mundo da alta costura francesa. Esta biografia mostra o seu processo criativo, as fotografias e entrevistas polêmicas, a relação com o marido e empresário Pierre Berger (Jérémie Renier), os casos amorosos extra-conjugais e a relação com o álcool e as drogas, que quase destruíram o império da marca YSL.O avô húngaro de Alex Levy Heller, diretor e roteirista deste documentário, teria escondido um relógio Patek Philippe com seu irmão mais velho antes de ser preso no campo de concentração de Auschwitz. Na busca por esse objeto, Alex faz duas viagens: Uma até a Polônia - atual Romênia e a Israel - usando o relógio como pretexto para descobrir mais sobre a história da sobrevivência de sua família. Na outra, ele entrevista sobreviventes do Holocausto que vieram morar no Brasil, resgatando as memórias dos sobreviventes desse período negro da história

café história acadêmico

Arte: Leia, na íntegra e gratuitamente, o livro “A Era de Caravaggio.

Parceiros


Política de Privacidade

Para ler nossa "Política de Privacidade", clique aqui.

Atenção!

O Café História respeita a opinião de todos nos mais diversos espaços da rede. Reserva-se, no entanto, o direito de suspender textos de teor ofensivo, agressivo ou que sustente preconceitos de qualquer ordem, que promovam a violência ou que estejam em desacordo com o bom senso e as leis brasileiras. Da mesma forma, o Café História poderá suspender membros que publiquem este tipo de conteúdo. Se identificar algum conteúdo ofensivo ou comportamentos inadequados, por favor notifique-nos: cafehistoria@gmail.com

© 2014   Criado por Bruno Leal.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

body, .xg_reset .xg_module_body { line-height: 1.3; }