A História mundial foi radicalmente transformada pelo surgimento do marxismo, principalmente pela sua aplicação prática. A marca deixada pelo Comunismo é como um borrão de sangue. Os ‘‘povos civilizados’’ assistiram com horror, ou sofreram na própria carne e na própria dignidade, ao desencadeamento de uma onda de violência e obscuridade sem precedentes na longa e sombria crônica dos conflitos humanos.
O Comunismo tornou-se sinônimo de intolerância, prepotência, arbitrariedade doutrinária, e extermínio impiedoso de opositores. Seja como for, a imagem que ficou foi a da violência e da crueldade. Desde os anos de 1920, na Rússia e fora dela – comunistas, homens lúcidos, anticomunistas, compreenderam os equívocos, os desvios e os perigos, procurando impedir que crescessem e se multiplicassem. Tudo teria sido muito diferente se o poder, após a morte de Lênin, tivesse passado para algum outro líder soviético, tais como, Trotsky, Bukharin ou Zinoviev? Não há resposta para essa e tantas outras perguntas. Possivelmente nunca haja. ‘‘A essência da guerra é a violência’’, dizia o almirante inglês Lord Fisher. E uma corrente de historiadores explica essa violência como uma proposta para a abolição da sociedade de classes, sendo esta uma etapa transitória.
Deve-se ao impiedoso Joseph Stálin o progresso material da ex-U.R.S.S. - conseguido com insensibilidade humana, feroz e ao preço de sacrifícios imensos (só a coletivização forçada da terra provocou a morte pela fome de milhões de pessoas) – quanto ầ expansão territorial do país e, com ela, sua ideologia (os exércitos de Stálin ocuparam toda a Europa oriental, implantando o comunismo por onde passavam). Essa era a revolução possível, na ponta das baionetas...até porque Stálin era pouco afeito aos ideais marxistas e aos rigores doutrinários. A propósito de meios e fins, vale refletir sobre estas palavras do escritor inglês Aldous Huxley: ‘‘O fim não justifica os meios, pela simples e evidente razão de que os meios empregados determinam a própria essência dos fins obtidos.’’ No caso de Stálin: ‘‘Não se pode viver inteiramente sem piedade!’’ (Dostoievski).
OS PROCESSOS DE MOSCOU E O TERROR STALINISTA
Os grandes expurgos promovidos por Stalin representaram o início da fase do terror, em escala muito mais vasta do que o da Revolução Francesa, pois se esta devorou, triturou e chacinou seus adversários e no fim seus próprios chefes, a fase do terror stalinista, não somente eliminou impiedosamente os remanescentes da velha guarda bolchevista como ainda dezenas de milhares de cidadãos leais ao regime e de inocentes que jamais haviam tido qualquer participação político-partidária. O Stalinismo nada ficou a dever aos nazistas em termos de brutalidade e ferocidade, traduzida em termos de terror organizado.
De longe, Trotsky refutava todas as acusações que lhe tinham sido feitas no decorrer dos processos de Moscou, afirmava que as atas tinham sido preparadas pela GPU antes mesmo do assassínio de Kirov, que o organizador da grande e trágica farsa tinha sido Stalin.
‘‘Tenho plena consciência da gravidade de minhas palavras e da responsabilidade que assumo ao fazer estas declarações. Peso cada uma de minhas palavras...É impossível pretender que toda a velha guarda do partido se tenha tornado fascista...E não se compreende que necessidade tinha o governo soviético dessa fantasmagoria...
...Não é possível abordar os processos de Moscou com o critério habitual de simples bom senso...Não podemos esquecer que a Rússia passou por uma revolução social de enorme amplitude...O objetivo da revolução era estabelecer uma sociedade sem classes, isto é, sem privilegiados e sem deserdados. Uma sociedade desse estilo não teria necessidade de coação estatal...Mas uma burocracia absolutista foi erigida sobre o povo. Pode-se dizer, sem medo de exagerar, que a burocracia permeou com um espírito inquisitorial toda a atmosfera política da URSS. A realidade, porém, compromete a mentira oficial e reabilita a crítica da oposição. Daí a necessidade em que se vê a burocracia de recorrer a meios cada vez mais duros para demonstrar sua inabilidade...Só lhe restava acusar os oposicionistas da prática de crimes contra o povo, e não contra os privilégios da nova aristocracia. A cada página, os acusados, como que possuídos por uma espécie de histeria, denunciam seus próprios crimes, sem poder esclarecer coisa alguma precisamente. Não tem muito a dizer, na verdade, porque não cometeram crimes. Suas confissões deviam permitir à camarilha dirigente acabar com seus adversários, entre os quais estou...Eis aí toda a mecânica do stalinismo.’’
O ANTISSEMITISMO SOVIÉTICO
Milhares de judeus soviéticos, detidos no fim da década de 40, foram fuzilados em 1952. Entre eles estavam alguns dos mais conhecidos escritores judeus, assim como vários diplomatas de renome. No mesmo banho de sangue foi praticamente eliminada a liderança política de Leningrado, da qual faziam parte os principais responsáveis pela defesa e suprimento da antiga capital imperial.
Não se sabe, ao certo, qual teria sido o pretexto que Stalin usou para promover a liquidação dos judeus em 1952, assim como para os seus plano de deslocar os sobreviventes do expurgo que organizaria para regiões remotas da União Soviética.
Esse, de fato, foi o primeiro surto de antissemitismo soviético que contou com inspiração oficial, pois, a despeito de casos isolados e registrados nas áreas mais atrasadas da URSS, a hostilidade aos judeus praticamente desaparecera desde a Revolução de Outubro. Isso seria explicado pela presença de um grande número de líderes revolucionários de ascendência judaica – Trotsky é o exemplo clássico – que participaram da Revolução de Outubro e dos primeiros órgãos governamentais estabelecidos na União Soviética.
Entretanto, se os judeus soviéticos não eram alvo de uma perseguição oficial, como na Alemanha de Hitler, uma política discriminatória antissemita foi adotada a partir de 1930, por determinação ou pelo menos com a anuência de Stalin. Ele tentou constituir uma região autônoma , na qual deveriam viver todos os judeus soviéticos, na Sibéria Oriental, perto de Kabarovsk. O projeto nunca chegou a materializar-se e quando a invasão alemã começou, em 1941, todas as escolas, instituições culturais, editoras e jornais dos judeus tinham sido fechadas em Moscou, Karkov e Minsk. As atividades repressivas foram suspensas durante a guerra, quando as autoridades soviéticas não podiam dar-se ao luxo de dispensar a colaboração e cooperação dos judeus no esforço geral de defesa, e muitos deles ascenderam a altos postos, inclusive ao generalato.
Bibliografia
Arruda, José Jobson de A. e Piletti, Nelson. Toda a História.4 ed. São Paulo: Ática, 1996.
Digest, Reader's. Os Grandes Mistérios do Passado. 1 ed. Rio de Janeiro: Reader's Digest, 1996.
Biblioteca de História - GRANDES PERSONAGENS DE TODOS OS TEMPOS. Vol.7. Rio de Janeiro: Editora Três, 1973.
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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