Qual o papel da Teoria na formação do historiador? Como se relaciona a Teoria e a chamada "história-problema"? Como se complementam teoria e método na realização da pesquisa e da obra historiográfica? Um dos capítulos do Volume I de Teoria da História, procura apresentar precisamente esta discussão, e mostrar que Teoria e Método são efetivamente os dois pilares para uma historiografia que se proponha ser um tipo de saber cientificamente conduzido. Abaixo, destacamos um pequeno trecho deste capítulo (Teoria da História, volume 1, p.98-101). O trecho precede o capítulo em que é discutida a diferença entre as "filosofias da história" e as "teorias da história".
Vale lembrar que o livro foi publicado pela Editora Vozes, e que, para aqueles que quiserem conhecê-lo, basta pedir para o e-mail jose.assun@globo.com que serão enviados alguns capítulos de cada um dos quatro volumes obra. Ou então, deixe o e-mail com um comentário neste scrap, e alguns capítulos do livro serão enviados em seguida.
Uma apresentação da série Teoria da História pode ser encontrada em: http://ning.it/ec3iGH. O sumário dos quatro capítulos da obra pode ser encontrado em: http://ning.it/gFg3Pu. Síntese de cada um dos quatro volumes podem ser encontradas em: http://ning.it/emygs0
Referências:
BARROS, José D'Assunção. Teoria da História, volume I: Princípios e Conceitos Fundamentais. Petrópolis: Editora Vozes, 2011.
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O papel da Teoria na formação do historiador: algumas palavras
O papel da Teoria da História na formação do historiador é fundamental, e convém também considerar que há também uma história envolvida no crescimento da valorização da Teoria pelos historiadores. O crescente descrédito da história exclusivamente narrativa, em favor de uma história analítica, reflexiva, problematizadora – o que se acentua notadamente a partir do século XX – contribuiu certamente para que a Teoria ocupasse cada vez mais um lugar privilegiado na História elaborada pelos historiadores profissionais. Se a Historiografia se constrói com Teoria e Método, se a Historiografia é nos dias de hoje vista como vinculada a “problemas” – e já vão longe os tempos em que se podia simplesmente propor ou escrever uma história meramente narrativa ou descritiva – é a Teoria o que dará um lastro essencial ao historiador em formação, de modo a que ele construa uma História realmente problematizada.
Seignobos, no apagar das luzes do século XIX, havia formulado uma frase que ficou célebre: “Sem Documento não há História”. Lucien Febvre, no contexto que presidiria a consolidação da Escola dos Annales na França, iria contrapor a esta frase uma outra: “Sem Problema não há História”[1]. Febvre estava alvejando, com este dito, uma historiografia que considerava factual, meramente descritiva, fetichizadora do documento e do fato histórico, sempre tratado como algo dado previamente e que caberia ao historiador apenas desvelar. A perspectiva de Febvre era a de que a História deveria sempre ser reconstruída a partir do Presente de acordo com um Problema e orientada pela formulação de hipóteses. Tratava-se, segundo o próprio termo por ele cunhado, de elaborar uma “História-Problema”.
O “Documento”, ou a “Fonte Histórica”, como se diz hoje mais habitualmente, está certamente na base do Método historiográfico. Sem fontes históricas, não há caminho possível para que um historiador atinja uma determinada realidade ou processo histórico que pretenda examinar, ou, tampouco, não surge a possibilidade de reformular uma certa visão do Passado em função de questões levantadas no Presente. Na base do Método historiográfico, encontra-se obviamente a fonte histórica, material do qual deverá partir o historiador.
O “Problema”, por outro lado, está na base do que pode ser referido a uma “Teoria da História”, a uma certa maneira de “ver” a historiografia de maneira geral ou a um certo modo de conceber certo processo histórico especificamente. Quando um determinado problema é formulado pelo historiador, quando ele propõe certas hipóteses, quando ele instrumentaliza certos conceitos, reconstrói-se a história de uma nova maneira. A “Teoria”, então, torna-se fundamental para que surja uma historiografia problematizada, correspondente à época e ao contexto em que foi produzido, capaz de sucessivas reformulações.
Teoria e Método, em vista disto, são os dois alicerces do trabalho historiográfico. “Problemas” e “Fontes” são imprescindíveis para uma historiografia que proponha a apresentar realmente um maior interesse científico. Desta maneira, é fundamental uma atenção especial aos modos de tratamento das fontes historiográficas, mas, sobretudo, às concepções e horizontes teóricos que podem orientar e reorientar a operação historiográfica. A Teoria, ao lado do Método, estará sempre na ordem do dia para uma historiografia que postule algum padrão de cientificidade ou de sistematização.
[1] A notória frase de Seignobos e Langlois, um jargão que ainda hoje é evocado eventualmente, foi registrada em 1898 no manual escrito por estes dois historiadores da Escola Metódica (Introdução aos Estudos Históricos). A frase de Lucien Febvre – um dos fundadores do movimento que ficaria conhecido como Escola dos Annales (Capítulo IV) – expressa uma idéia que aparece algumas vezes nos seus contundentes ensaios contidos no livro Combates pela História (1953). Vale lembrar ainda, conforme veremos oportunamente, que o manual de Seignobos e Langlois, que teve grande repercussão em sua época, seria depois enfaticamente criticado pelo próprio Lucien Febvre, e também por Marc Bloch.
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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