É de suma importância estudar a origem dos cultos de matriz africana no Brasil, e todo o universo ritualístico que envolve a comunicação das divindades (orixás) com o mundo terreno. Existe uma diversidade ritualística do culto aos deuses negros entre as diferentes regiões do Brasil,embora toda a tradição provenha da África. Os Deuses iorubás atravessaram o Oceano Atlântico dentro do coração do negro escravizado. Tratados como animais,os escravos eram transportados nos tumbeiros (navios negreiros),onde se misturavam negros de diferentes locais da África, falando dialetos diversos. Esta era forma de dificultar a comunicação entre os mesmos, enfraquecer a identidade cultural ,enquanto grupo étnico, visando anular, desta forma, uma articulação de uma insurreição, durante o transporte, ou uma fuga em massa.
Aqui, no Brasil, seus orixás foram sincretizados com os santos católicos, travestindo-se para driblar a cultura dominante (branca). Este capítulo é do conhecimento da grande parte dos interessados no estudo da cultura negra;porém a questão à que se deve estar atento, nesse processo de aculturação imposta, é: o que foi feito com este legado? A resposta exige uma compreensão quanto à banalização destas tradições religiosas (sagrado), além do infame mercantilismo desrespeitoso e de má fé que se utiliza do universo magistico ou transcendente deste legado milenar.
A mistura de diversas Nações de Orixás,oriundas de diversos locais da África, torna este resgate difícil,ficando a cargo da oralidade a perpetuação do conhecimento religioso,pois o batuque, como é conhecido no meu Estado (RS), não possui um livro escrito de cunho sagrado que seja a referência, onde os orixás, através dos "dons espirituais" dos primeiros sacerdotes, teriam ditado as normas do culto e suas leis cósmicas aos "simples mortais" a exemplo da Bíblia ou do Alcorão.
Infelizmente, algo que representa uma fatia importante do legado de uma cultura,neste caso da africana , e a sua forma de comunicação com o Divino, vai se transformando em algo bizarro ou excêntrico em uma simulação de culto aos orixás para "Inglês ver". Resta-nos, ainda, a seguinte questão : este processo descrito acima, que envolve uma tradição milenar de uma cultura, é irreversível ? Os praticantes ("filhos de Santo") percebem a vulgarização desrespeitosa do axé (força do orixá) que é proporcional ao poder aquisitivo do cliente em prol do seu bem estar espiritual? Faz -se urgente refletir , reavaliando os verdadeiros valores espirituais e culturais...
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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