Materialismo histórico e determinismo: revisitando uma polêmica (1) Luta de Classes e Determinismo

Até que ponto os homens fazem a história, e até que ponto a história os faz? A noção de Determinismo tem produzido variadas polêmicas no âmbito do paradigma do Materialismo Histórico. Existe uma instância material e econômica que determina outras em relação direta e univetorial? Os modos de produção sucedem-se na história de acordo com uma ordem necessária e única, a tal ponto que se poderia prever um dia o destino da humanidade? Como se coloca a liberdade humana diante das grandes forças que movem a história?

 

Questões como estas tem produzido polêmicas e debates no âmbito teórico do Materialismo Histórico e fora dele. Nos textos que se sguem - que na totalidade constituem um artigo originalmente publicado na revista Crítica e Sociedade. [Materialismo Histórico e Determinismo - revisitando uma polêmica in Crítica e Sociedade. (Revista da Universidade Federal de Uberlândia – UFU). Vol. 1, n°1. jan-jun 2011. p.97-123].

 

O artigo também se baseia no primeiro capítulo do volume III da coleção Teoria da História [BARROS, José D'Assunção. Teoria da História - volume III: paradigmas revolucionários. Petrópolis: Editora Vozes, 2011].

O primeiro capítulo deste volume aborda o paradigma do Materialismo Histórico não apenas como ele foi compreendido e aplicado por Marx e Engels, mas também por historiadores, sociólogos, antropólogos e filósofos que posteriormente aperfeiçoaram o paradigma e nele introduziram variedades que podem ser compreendidas como novas correntes teóricas do Materialismo Histórico.

 

O primeiro capítulo do 'volume III' de Teoria da História (Paradigmas Revolucionários), parte de uma distinção inicial entre "materialismo histórico", "marxismo" e "pensamento marxiano", e em seguida passa a esclarecer os fundamentos deste paradigma social-ecoômico-historiográfico que surge em meados do século XIX a partir dos trabalhos de Marx e Engels. São discutidos sucessivamente os princípios e conceitos fundamentais do paradigma "Dialética", "Modo de Produção", "Luta de Classes", "Praxis", "Ideologia", entre outros. Busca-se trazer uma discussão complexa sobre aspectos mais polêmicos, como o "Determinismo", a definição de "Classe Social" ou o que seria efetivamente um "Modo de Produção", no entender de autores que vão de Marx e Engels a Gramsci, Lukács, Thompson, Hobsbawm, Godelier, Pierre Vilar, Perry Anderson, Walter Benjamin, entre outros. O texto aqui reproduzido faz parte do subcapítulo que examina a posição de diversos teóricos e intelectuais - sejam historiadores, sociólogos, antropólogos ou outros - com relação ao conceito de 'modo de produção'.

 

O segundo capítulo do volume aborda a contribuição de Friedrich Nietzsche para a História, discutindo o que foi denominado no livro como "Paradigma da Descontinuidade". As críticas de Nietzsche à noção mecanicista de Progresso, ao finalismo historiográfico, à escrita linear da história, e às insuficiências de certos setores historiográficos para desenvolver uma História que seja útil à Vida são apresentadas não apenas evocando a obra e proposição de Nietzsche, mas também de outros autores que retomaram estas mesmas críticas, tais como Michel Foucault, entre outros. Será a História uma Arte ou uma Ciência, como pensavam taxativamente os historiadores do século XIX? Como elaborar uma História que efetivamente sirva à Vida? Essas e outras questões são desenvolvidas no segundo capítulo do 'volume III'.

 

Capítulos da série Teoria da História podem ser pedidos para jose.d.assun@globomail.com  Uma Apresentação de Teoria da História e do conteúdo dos quatro volumes estão disponíveis.

 

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Materialismo histórico  e determinismo: revisitando uma polêmica (1)

Luta de Classes e Determinismo

 

José D'Assunção Barros

 

Modo de produção, luta de classes e determinismo

 

O conceito de modo de produção, como se sabe, é basilar para o materialismo histórico. Ainda não houve pensador marxista que o colocasse em xeque, pois dificilmente subsistiria algo que ainda pudesse ser chamado de materialismo histórico se o  modo de produção não estivesse em um ponto central da análise historiográfica ou sociológica. Na verdade, os dois conceitos fundamentais do materialismo histórico são  modo de produção e luta de classes. Isto porque, de um lado, a história é a história da sucessão de modos de produção (ou da transformação de formações sociais; e, de outro lado, a história é também a história da luta de classes – dos grupos sociais que se confrontam organizados por uma determinada consciência de classe e posicionados de alguma maneira em relação ao modo de produção em vigor.

 

Outro aspecto importante no processo de auto-recriação do materialismo histórico, a partir da contribuição coletiva que abrange inúmeros autores, é o fato de que, na história do materialismo histórico como um paradigma de análise histórica e social, o conceito de modo de produção foi adquirindo novas elaborações, particularmente à medida que os historiadores foram confrontando o modelo criado com situações históricas efetivas. Lukács, Gramsci, Pierre Vilar, Edward Thompson, Eric Hobsbawm são apenas alguns dos nomes que se integraram a esse grande esforço de reformulação teórica de um conceito que ocupa uma posição tão central na concepção do materialismo histórico. A questão-chave a ser enfrentada quando se fala em modo de produção é a do papel que deve desempenhar o “determinismo”, seja no que se refere às relações do modo de produção com outras instâncias da sociedade, seja no que se refere à transformação de um modo de produção em outro. Até que ponto a passagem de um modo de produção a outro, no decorrer da história, pode ser entendida como determinada – como algo que ocorrerá necessariamente em uma certa direção, e não em outra? Ao mesmo tempo, até que ponto a maneira como uma sociedade se estrutura nas suas condições mais imediatas de produção – na sua base fundamental, por assim dizer – impõe características que afetam o mundo humano em outras instâncias como a arte ou a religião? Estas questões, relacionadas à noção de “determinismo”, também foram amplamente discutidas por pensadores posteriores ligados ao pensamento marxista. São esses vários posicionamentos que examinaremos neste artigo, de modo a mostrar que também aqui o materialismo histórico tem se apresentado como concepção científica em permanente transformação.

 

 

A relativização da noção de determinismo nas diversas correntes marxistas

 

A relativização da idéia de determinismo econômico vem ocorrendo na verdade desde os próprios fundadores do materialismo histórico. Nas Cartas a Starkenburg, Bloch, Schmidt, já começam a aparecer as ressalvas e observações de Friedrich Engels com relação à impossibilidade de se considerar um determinismo econômico absoluto, que regesse todos os fatos da história[1]. De igual maneira, tal como observa Eric Hobsbawm (1984: 45), marxistas posteriores começaram a discutir o papel do acaso e do indivíduo na História, a exemplo de Plekhanov (1987: 72-112).

 

A idéia de determinismo – e existem diversos outros posicionamentos teóricos, para além do Materialismo Histórico, que também trabalham com esta formulação, e não apenas em referência à esfera econômica – sempre instiga preocupações relacionadas à reflexão sobre a liberdade humana. Daí as questões relativas à determinação na história estarem entre os temas mais visitados e revisitados no campo do materialismo histórico.

 

De modo geral, os historiadores e filósofos marxistas, e o próprio Engels na sua correspondência dos seus últimos anos de vida, foram criativos em imaginar algumas saídas para aquilo que poderia se tornar um estagnante modelo de determinação absoluta. Houve também os que embarcaram na estagnação do determinismo absoluto, muitas vezes impondo esta idéia e eliminando evidências relativizadoras a golpes de martelo, como foi o caso de Joseph Stalin, que na fase de seu exercício ditatorial mais férreo impôs à historiografia russa o modelo único e inquestionável da sucessão unilinear de cinco modos de produção. Por outro lado, as relativizações da noção de determinismo econômico foram mais ricas.  Devemos entender dois tipos de determinismo que são sugeridos pelo materialismo histórico, para analisar por partes esta questão. Há, de um lado, um  determinismo diacrônico, que seria aquele de acordo com o qual se diz que uma determinada estrutura social fatalmente resultará em outra (por exemplo, o  modo de produção feudal necessariamente conduz ao modo de produção capitalista, e o modo de produção capitalista necessariamente conduz ao modo de produção socialista, sem reversões possíveis, atalhos, ou variações).

 

E há, de outro lado, o que denominaremos  determinismo sincrônico, que corresponde à idéia de que existe certa base que condiciona ou determina uma certa superestrutura. As perguntas que se colocam relacionam-se à intensidade e à natureza da determinação que é imposta sobre a superestrutura pela base econômica (havendo, aliás, variações relacionadas ao que estaria de fato incluído na base). Também se colocam outras perguntas, que se referem a possíveis influências da superestrutura sobre a base, ou sobre a relativa autonomia de alguns aspectos da superestrutura.

 

Existem diversas passagens em Marx ou Engels que abordam o determinismo sincrônico, isto é, o determinismo que emana das bases materiais e econômico-sociais de uma sociedade e que resulta no surgimento de uma superestrutura correspondente, na qual se incluirão todas as maneiras de pensar e formas de expressão cultural como a arte, as concepções filosóficas, os padrões de sociabilidade, a ideologia, e assim por diante. Em certa passagem de O 18 Brumário de Luís Bonaparte (1852 e 2009), que é uma obra na qual Marx procura empreender uma análise histórica específica, encontraremos as seguintes palavras:

 

 

“Sobre as diversas formas de propriedade e sobre as condições sociais de existência, ergue-se toda uma superestrutura de sensações, ilusões, modos de pensar e de visões da vida diversos e formados de um modo peculiar. A classe inteira os cria forma-os a partir de sua bases materiais e das relações sociais correspondentes. O indivíduo isolado, a quem afluem por tradição e educação, pode imaginar que constituem os verdadeiros princípios determinantes e o ponto de partida do seu agir” (MARX, 2009: 242-2434).

 

 

Esta passagem sugere que a base da qual parte o condicionamento incorpora tanto as “condições materiais” como as “relações sociais” e as “formas de propriedade”. Trata-se de uma base econômico-social, e há algo que dela fica de fora, que é determinado por este núcleo socioeconômico, e que corresponde a uma superestrutura relativa ao âmbito das idéias e das formas de sensibilidade. Já em um texto publicado sete anos depois – este de natureza econômica (e não mais histórica) – aparece outra referência ao determinismo que posteriormente se tornou uma das mais citadas passagens de Marx para descrever o processo de condicionamento da vida social:

 

 

“Na produção social da própria existência, os homens entram em relações determinadas, necessárias, independentes de sua vontade; estas relações de produção correspondem a um grau determinado de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. A totalidade destas ‘relações de produção’ constitui a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência. O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e intelectual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; ao contrário, é o seu ser social que determina a sua consciência” (MARX, Contribuição à Crítica da Economia Política, 1859 e 1977: 24-25g. 3437-1 conta 94-9 598,00).

 

 

Neste texto, um prefácio que prepara um ensaio de Crítica da Economia Política, a base parece convergir para um modo de produção que corresponderia à maneira como os homens em sociedade se organizam para produzir a sua vida material. A totalidade dessas “relações de produção”, são palavras de Marx, constitui a “estrutura econômica da sociedade”, a base sobre a qual se eleva a “superestrutura”. São diferenças sutis entre uma passagem e outra, mas pode-se perceber que aqui a “base” é mais enfaticamente econômica que social. Marx fala agora em “relações de produção”, e não em “relações sociais”, quando pretende delimitar a base determinante, aqui já explicitada como a “estrutura econômica” da sociedade (sinônima, no texto, de “modo de produção da vida material”). O que fica de fora, agora, e que consiste na superestrutura determinada, corresponde ao “processo da vida social, política e intelectual”. Dito de outra forma, a base encurtou em relação à que era descrita no 18 Brumário, e a superestrutura ampliou-se concomitantemente. Essas oscilações entre as várias passagens de Marx e Engels que se referem às determinações sociais sincrônicas já apontavam para variações que iriam ser freqüentemente exploradas pelos marxismos subseqüentes. No limite, existirão autores que buscarão estender o modo de produção também aos aspectos culturais, de modo que as determinações e condicionamentos passarão a ser considerados por dentro do próprio modo de produção, em um universo mais complexo de interações, e não como originários de um setor específico – a economia – do qual as demais instâncias sociais constituirão meros reflexos.

 

De modo geral, os resultados das investigações empíricas da História tenderam a favorecer mais os modelos relativizados de determinismo, que oferecem aberturas para as complexidades históricas com as quais os historiadores vão se deparando nos seus processos efetivos de pesquisa, do que os modelos unilineares e redutores de determinismo. O quadro 1 procura indicar as saídas fundamentais que têm sido pensadas por historiadores, sociólogos e filósofos marxistas no sentido de relativizar a questão do determinismo. O ponto  zero corresponde ao problema, que é a idéia de que possa haver uma determinação absoluta de uma base sobre a superestrutura. O econômico teria aqui uma primazia, e as normas e cultura desdobrar-se-iam como meros reflexos secundários. Esta posição foi radicalizada por alguns marxistas chamados ortodoxos, mas a verdade é que nos próprios textos de Marx não está muito claro que o fundador do marxismo tenha sempre acreditado nesse tipo de determinação absoluta, ou,rico (como o golpe de Luis Bonaparte, por exemplo), para trabalhar como um historiador o faria pelo menos, existem oscilações entre uma proposta mais determinista e outras posturas mais flexíveis em relação a estas questões, sobretudo à medida que a história vivida foi oferecendo a Marx exemplos concretos, ou nas ocasiões em que ele precisou se debruçar sobre um problema histórico (como o golpe de Luis Bonaparte, por exemplo), para trabalhar como um historiador o faria.

 

Queremos chamar atenção para os momentos em que Marx e Engels foram levados a flexibilizar a questão do determinismo – ou em vista de surpreendentes eventos trazidos pela história-vivida de sua época, ou em função das imposições da tarefa de escrever alguma obra propriamente historiográfica, uma tarefa diante da qual a complexidade e flexibilidade terminam por se impor de um modo ou de outro. Mas reconhecer isto, é claro, não significa esquecer os inúmeros outros momentos em que Marx e Engels expressaram uma posição mais determinista. Exemplo importante pode ser encontrado na Sagrada Família, obra escrita pelos dois autores em 1844, particularmente na Glosa Marginal Crítica n°2 do Capítulo IV (“A Crítica crítica na condição de quietude do conhecer”). Ali veremos passagens diversas que ilustram posições deterministas bem demarcadas, entre as quais a que se segue, apenas como exemplo:

 

 

“Sua meta e sua ação histórica [do proletariado] acham-se clara e irrevogavelmente predeterminadas por sua própria situação de vida e por toda a organização da sociedade burguesa atual” (MARX e ENGELS, 2009: 49).

 

 

Nesta obra, e em outras, mostra-se como tangível e irrevogável o movimento do proletariado em direção a negar a sociedade burguesa de modo a cumprir a sua tarefa histórica de instituir a sociedade sem classes. De igual maneira, para citar uma obra específica de Engels, em 1884 este publicaria A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado (2002) – uma leitura da história que se mostra inegavelmente teleológica, com grande inspiração na antropologia evolucionista que já ia se desenvolvendo por aquela época, e que prossegue no projeto de demonstrar a inevitabilidade do desaparecimento da sociedade de classes e do Estado[2]. Isto posto, o próprio Engels (1820-1895), cuja vida ultrapassou à de Marx (1818-1883) em doze anos, já pôde se confrontar em 1890 com novos questionamentos que o levaram a rever ou aprimorar suas posições frente ao problema, inclusive considerando o desenvolvimento mais avançado de um movimento socialista que começara a gerar uma literatura crítica[3] a respeito. Daí as cartas a Bloch (1890) e Mehring (1893), nas quais apresenta suas novas posições[4]. Dessa época data a formulação do que registramos no quadro 1 como a primeira saída do impasse do determinismo absoluto: a idéia do “determinismo em última instância”. Uma passagem extraída de uma das cartas a Mehring ilustra bem a nova posição assumida por Engels em relação à questão do determinismo:

 

 

“No mais, falta apenas ainda um ponto que nas coisas de Marx e minhas não foi regularmente destacado de modo suficiente e em relação ao qual recai sobre todos nós a mesma culpa. Nós todos colocamos inicialmente – e tínhamos de fazê-lo – a ênfase principal, antes de mais nada, em derivar dos fatos econômicos básicos as concepções políticas, jurídicas, e demais concepções ideológicas, bem como os atos mediados através delas. Com isto, negligenciamos o lado formal em função do conteúdo: o modo e a maneira como essas concepções surgem. Isso deu aos adversários um belo pretexto para erros e deformações / [...] / Aqui [nos detratores do Materialismo Histórico] está subjacente a concepção vulgar, não-dialética, de causa e efeito como pólos opostos de modo rígido, com o esquecimento absoluto da interação. Esses Senhores esquecem com freqüência e quase deliberadamente que um elemento histórico, uma vez posto no mundo através de outras causas, econômicas, no final das contas, agora também reage sobre a sua circunstância e pode reatroagir até mesmo sobre as suas próprias causas” (ENGELS, Carta a Mehring, 1893 e 1984: 465-466)[5]

 

 

Posição antípoda em relação à de “determinação em última Instância” é a idéia de “superdeterminação” (ou sobredeterminação), sustentada pelo filósofo franco-argelino Louis Althusser (item 6). Althusser, em seu ensaio intitulado Contradição e Superdeterminação (1960 e 1967), havia introduzido no marxismo estruturalista francês o conceito de “superdeterminação” de modo a adotar um modelo mais complexo de casualidade múltipla, tal como o que já vinha sendo empregado na Psicanálise, mas agora pensado como também aplicável a situações históricas e políticas. Em tal modelo, os princípios fundamentais do Materialismo Histórico parecem se esboroar: as determinações se invadem a cena de todos os lados, um tanto desordenadamente, e “os problemas do materialismo histórico e cultural são deixados sem solução, assim como embaralhados e elididos” (THOMPSON, 2001: 256).

 

Por outro lado, Louis Althusser é acusado de ter difundido em outras obras uma concepção bastante mecanizada em torno da mesma metáfora sobre base (vista como infraestrutura) e superestrutura. Edward Thompson (1924-1993) dirige severas críticas às concepções de Althusser no ensaio “A Miséria da Teoria ou Um planetário de Erros” (1981), embora também desfeche contundentes críticas ao stalinismo, ao qual oporá à noção de “socialismo humanista” (1957). Para Thompson, ao dialogar de modo equivocado com o estruturalismo, Althusser teria negado o papel ativo dos homens na história, concebendo-os como meros reflexos ou desdobramentos da estrutura. Também contra Althusser partem vigorosas críticas de Pierre Vilar, em um artigo que escreveu em 1973 para a Revista dos Annales, intitulado “Histoire Marxiste, histoire em construction – Essai de dialogue avec Althusser”.

 
 
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Esse artigo continua no próximo post deste blog [].
 
Leia o artigo em sua versão integral.
 

O texto apresentado neste post também baseia-se no primeiro capítulo do ‘Volume III’ de Teoria da História [BARROS, José D’Assunção. Teoria da História, volume III – Paradigmas Revolucionários. Petrópolis: Editora Vozes, 2011]. No primeiro capítulo deste volume, é abordado o paradigma do Materialismo Histórico; no segundo capítulo, examina-se inicialmente a contribuição de Nietzsche à reflexão historiográfica, ao lado de sua crítica do conhecimento e de seus severos questionamentos contra a noção mecaniscista de progresso.
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Quem se interessar em receber alguns capítulos da obra Teoria da História, para conhecê-la melhor, basta deixar um comentário com seu e-mail neste tópico, ou então pedir para jose.d.assun@globomail.com.
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Uma apresentação da obra está disponível. 

Referência: BARROS, José D'Assunção. Teoria da História, volume III: Paradigmas Revolucionários. Petrópólis: Editora Vozes, 2011.

 

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Leia o sumário geral da obra.

 

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Notas:
 

 

[1] Algumas das correspondências que documentam estas preocupações podem ser indicadas. A Carta de Engels a Bloch, datada de 21 de setembro 1890; a Carta de Engels a Mehring, datada de 14 de julho de 1893, as Cartas a Schmidt, de 1890, e as Cartas a Starkenburg, de 5 de janeiro 1894. Ver FERNANDES (org.), 1984: 455-471.

[2] A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado busca estabelecer um profícuo diálogo com as pesquisas e reflexões de Lewis Henry Morgan (1818-1881), antropólogo norte-americano que desenvolveu pesquisas de campo entre os índios iroqueses e que publicou em 1877 um livro intitulado “Sociedade Antiga – ou: investigações sobre as linhas do progresso humano desde a selvageria, através da barbárie,até a civilização”.

[3] Sobre isso, ver o artigo de Eric Hobsbawm intitulado “O Doutor Marx e seus críticos vitorianos” (2000: 281-292).

[4] É verdade que as oscilações e hesitações de Engels em relação à questão do determinismo prosseguem, e em 1892 ele publicará uma nova edição de A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado.

[5] É importante refletir, igualmente, sobre o contexto que permeia estas idas e vindas de Marx e Engels em torno da questão do determinismo, suas hesitações, as contradições várias que aparecem no confronto entre seus escritos. Marx e Engels tinham se lançado, já nas suas primeiras obras, a um árduo combate contra as concepções idealistas, de modo que se viram diante da imposição de supervalorizar o papel desempenhado pelos fatores econômicos. Por outro lado, o último Engels já se coloca diante da tarefa de produzir e oferecer textos didáticos, e mesmo doutrinários, aos movimentos de trabalhadores socialistas do final do século, como é o caso, por exemplo, da obra Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico (1880). Esta dupla tarefa de combate ao idealismo e de liderança militante, mediada pelas variações contextuais de sua conturbada época e também por novas intertextualidades em relação ao trabalho dos historiadores e antropólogos, deixa entrever o sutil jogo de tensões que preside esta dinâmica de recrudescimento ou flexibilização da proposta determinista de Engels e Marx.

 

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Tags: Determinismo, Marxismo, Materialismo-Histórico

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Comentário de Jailson Cruz em 13 fevereiro 2014 às 20:29

 

eu li o seu livro o campo da historia para um debate essa semana é foi muito util o livro fez ver o historiador como um estudioso de toda a historia não so de um ponto

Comentário de Jailson Cruz em 13 fevereiro 2014 às 20:28

 

 eu li o seu livro o campo da historia para um debate essa semana é foi muito util como ver o historiador

Comentário de roberta souza de barros em 17 fevereiro 2012 às 8:30

A história atual não está muito diferente da antiguidade,veja bem, antigamente quem tinha mais poder escravizava os mais fracos, os mais fracos por não terem como se autosustentar praticamente trabalhava em troca de comida e moradia,hoje apesar de não existir mais escravidão o ser humano é escravo do capitalismo, somos escravos do dinheiro e quem tem mais poder ainda manda no resto da sociedade.Weber já acreditava que os seres humanos seriam autonomizados e perderiam sua conexão integral,os homens se transformariam em proletariados, ou seja, uma classe que vive da venda de sua força de trabalho em troca de salário.Isso não seria um tipo de escravismo moderno?O homem atual tendo que sujeitar-se as normas e leis que são criadas e votadas por aqueles que mandam no governo ,não seriam esses governantes escravistas?Sou aluna do curso de história e vejo que a sociedade hoje é tão ignorante em relação a um entendimento maior sobre a vida em que nos cerca, que muitas vezes penso que sou diferente dos meus demais, pois , me questiono muito sobre a raça humana, tento profundamente entender em que mundo vivemos.

 

Comentário de luiz carlos silva em 11 setembro 2011 às 16:44
Se tivessemos historiadores, em cada município do Brasil, pagos para o trabalho; ou por regiões, e que tivesse informações concretas baseadas em análises, poderiamos ter projeções matemáticas sobre a história. A probabilidade de erro é insignificante, porque se trata de revezamento de elementos da mesma classe social e com os mesmos interesses e fantasias. 
Agora, observe que estou falando de cidades pequenas do interior do país, não estou comentando dos impérios econômicos eu não tenho esta visão, não posso ter esta visão metido aqui na fronteira, tenho impressões, por exemplo, as farmacêutica são 100% estrangeiras, e trabalham com pó e que transformam em ouro, portanto seu produto é o ser humano e suas doenças e que podem ser provocadas. Neste caso caímos no mundo da ficção, não podemos provar, mas temos subsídios disso. 
Depois temos o império das armas, outra ficção maior e igualmente não podemos provar, mas armamos cada vez mais a 'polícia' e somos contra o 'militarismo', no sentido de regime militar, o stalinismo ou hitlerismo, fascismo, etc. Mas caminhamos prá isso, conforme a ficção. 
O Lula faz parte desta ficção de país dominado, de soberania dependente, ele incorporou este mundo de ficção, vive de 'trejeitos e realmente acredita ser a maior liderança do país, porque fizeram ele acreditar nisso." O assunto é extenso. A única possibilidade de se entender a história atual é criando sitios de cientistas em cada cidade e concentrando os dados em uma fundação, evidentemente livre, sem o que não faz sentido algum.
Estou interagindo junto aos sindicatos, e as categorias, o processo é lento e solitário, se houvesse respaldo, liberdade de ação, condições de distribuir documentos nos hotéis, no comércio, todos os meses, etc., isso poderia fazer a diferença e alterar a história desta cidade, isso é possível. E é possível, porque, veja, o sindicato fez a Convenção Coletiva de Trabalho, então, pediu a contribuição Assistencial, os patrões organizados decidiram por avisar os empregados de que eles não obrigados a contribuir. Isso mudou a situação do sindicato que vive em apuros. São ações, precisamos de ações...
Comentário de luiz carlos silva em 11 setembro 2011 às 16:22
Moro em uma cidade pequena 257 mil habitantes, Foz do Iguaçu. Tem Árabes, e Chineses e outros etnias. Tem como divisa o Paraguai e Argentina. O Paraguai existe pela muamba dos Chineses, antes dos Amercianos e Europeus. A burguesia local é comercial. A câmara dos vereadores é constituida pelos representantes desta classe. O Prefeito é conhecido como "Latifundiário Urbano", portanto representante "em chefe" da classe. Agora ja indicaram o novo prefeito para 2012, o Senhor Jorge Samek, diretor da Itaipu, 'filho da cidade', representante da burguesia. O proletariado vive com salário de 700 reais (atual, por conta do salário regional imposto pelo governandor Requião de 730,). Os sindicatos são fracos, os patrões, ainda, ameaçam os funcionários. O prefeito tem o 'espírito capitalista' e isso altera o Estado Municipal. Agora, imagine outras cidades iguais, imagine as cidade do norte e nordeste. Alem da luta de classes existem outras sombras, a condição de colônia, escravagismo e exploração da mão de obra e manipulação da liberdade.Fiz uma pequena experiência e coloquei um blog do rio "ricardogama.net" no face boke, o conflito de cultura foi marcante, porque ricardo é explosivo e chinga até o espírito... e quando isso encontra cordeiros passivos, choca muito. Acredito que nestes locais a luta de classes atingiu um patamar diferente, muito mais oculto e difícil. A globalização, a mídia da ficção (laboratorios de filmes), a pseudo liberdade do indíviuo criam ilusões, o fetiche esta no ar...

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