A Revolução Mexicana (1910-1917) liderada por homens como Emiliano Zapata e Francisco Pancho Villa, contou também, com a participação das mulheres, em diferentes momentos do processo revolucionário. No entanto, essa participação não é devidamente respeitada pela historiografia. As mulheres revolucionárias sempre são retratadas dentro de um estereótipo, com armas, carabinas e posturas masculinizadas. Muitas delas agiram realmente como soldados, combatiam e substituíam seus homens durante os conflitos e até chegaram a cargos de comando como no caso de Dolores Gimenez Y Muro, que serviu como coronel do exército zapatista até seu assassinato em 1919.
A presença de mulheres na Revolução não foi somente como seguidoras de acampamento, como quase sempre é demonstrado nos livros. O papel dessas mulheres foi muito mais abrangente. Atuavam como enfermeiras, como espiãs e até mesmo como contrabandistas de armas vindas dos Estados Unidos, entre outras tarefas, saqueavam casas e lojas para arrecadar alimentos e provisões, inclusive pilhavam os cadáveres de soldados mortos com a intenção de arrecadar algum tipo de bem.
Embora a Revolução Mexicana tenha sido um marco na “emancipação” da mulher, elas iniciaram sua luta pela igualdade social antes desse acontecimento. O período de industrialização iniciado no Porfiriato é um dos momentos chave para a saída das mulheres do ambiente doméstico, tornando-se operárias das fábricas, oficinas, trabalhadoras no comércio, etc.
Em 1888, com a criação da Escola Normal, as mulheres mexicanas perceberam a oportunidade de se inserir no mercado de trabalho e também reivindicar seus direitos políticos e sociais a partir de sua formação como docente. O que antes era de domínio masculino, agora, em poucos anos (1888 a 1907), passava para o domínio feminino, elas representavam setenta por cento do quadro geral de professores.
Saídas do espaço restrito do lar, elas embarcam em lutas sociais e feministas, influenciadas por movimentos externos como os da Europa e Estados Unidos. Organizadas começaram a escrever para revistas e jornais da época sobre a necessidade de lutarem pela emancipação feminina e igualdade de direitos, exigiam uma educação de qualidade para que pudessem de forma igualitária disputar os espaços políticos e culturais.
Desta forma, começaram a surgir mulheres intelectuais que aderiam à revolução e contra o regime, como aconteceu com a já citada professora e poetisa, Dolores Gimenez Y Muro. Muitas dessas mulheres foram perseguidas, presas e mortas, mas seus trabalhos foram mantidos e representaram papel importante na elaboração da Constituição de 1917.
Já as mulheres soldados, as soldaderas ou Adelitas, estiveram presentes na Revolução desde seu inicio (exército rebelde ou federal), muitas delas partiam com os revolucionários por vontade própria e outras eram submetidas através de raptos e conseqüentemente sofriam abusos sexuais típicos de guerra. Havia também mulheres que viam a Revolução como alternativa de liberdade e emancipação sexual, imaginavam que, como participantes do conflito armado seriam mais “donas de si mesmas”.
Elas continuavam no acampamento suas tarefas domésticas, cuidavam da cozinha, dos doentes e feridos, lavavam as roupas e criavam seus filhos e também lutavam nos campos de batalhas. Percorriam longas distâncias a pé, pois o cavalo era exclusividade masculina, dormiam em acampamentos improvisados e muitas vezes ficavam sem comida e até mesmo quando estavam grávidas ou depois do nascimento de seus filhos. Continuavam a acompanhar os soldados com todas as dificuldades. Muitas vezes
ficavam para trás e eram assassinadas pelos soldados adversários, que viam nas soldaderas, uma das forças necessárias para a manutenção dos exércitos, então sua eliminação sistemática era imprescindível.
Mulheres sofridas e destemidas, as mulheres soldados participaram ativamente da Revolução.Sua participação surtiu efeito quando algumas de suas reivindicações foram atendidas pela nova legislação, leis como a Lei do Divórcio (1914), Lei do Casamento (Zapata, 1915) e Lei sobre Relações Familiares (Carranza,1917). A situação trabalhista também foi revista, possibilitando uma igualdade de salários, diminuição da jornada de trabalho, licença maternidade, exclusão das mulheres diante de trabalhos perigosos e insalubres, entre outros.
Embora tenham alcançado alguns direitos, a solicitação de pena de morte para o crime de estupro, não foi aceita e a negação do direito ao voto, reforça um discurso patriarcal, que as colocava restritas ao ambiente doméstico, ignorando sua participação na luta revolucionária e excluindo-as do cenário político.
Por vontade própria ou não (na maioria das vezes não!), as mulheres mexicanas foram participantes ativas da Revolução, tanto no exército rebelde quanto no federal. Eram elas que mantinham o funcionamento dos acampamentos, desde afazeres domésticos até cargos administrativos e de comando. Todas essas mulheres defendiam suas famílias e lutavam contra um poder maior, a fome e a miséria. Vítimas de abusos sexuais e exploração, acompanharam esses revolucionários e apoiaram sua causa. Retiradas de seus locais de origem, seguiam com seus pais, maridos, filhos e amantes por longas jornadas sacrificantes. Pegaram em armas e combateram bravamente, o que para algumas rendeu postos de comando e até notoriedade, por exemplo, Petra Herrera, que lutou disfarçada de homem, chegando a comandar duzentos soldados, só revelando sua condição feminina após, adquirir respeito e confiança de seus pares. Ela demonstrou a capacidade da mulher em combate e que mulheres eram tão eficazes quanto os homens.
Mesmo assim, ainda hoje o reconhecimento dessas mulheres e seus feitos são ínfimos.Sempre lembradas como figuras masculinizadas ou idealizadas as "Adelitas", não foram reconhecidas como mulheres que lutavam por uma esperança e por uma liberdade na sua mais honrosa condição: como mulheres!
* Baseado em artigo publicado na Revista da LIT-QI, por Alicia Sagra (ARG), Correio Internacional (Nova Época), n°4, março de 2011.
** Roberta Cardoso- Historiadora:trabalho apresentado para a disciplina de América Contemporânea do Curso de História do IPA, 2011/1.
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Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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