"Não se honra a cultura comemorando o genocídio" (Martin Luther King)

Considerado o mais grave entre todos os crimes, o genocídio marcou o século 20 e viabilizou projetos de extermínio da Alemanha a Ruanda, da Armênia ao Camboja

Sérgio Gwercman | 01/03/2004 00h00

As atrocidades nazistas deixaram o mundo sem palavras. Literalmente. Quando o tipo de crime que estava sendo cometido pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial ficou evidente, foi necessário encontrar um novo termo para explicar a aberração. Em 1944, o jurista judeu Raphael Lemkin escreveu pela primeira vez a palavra genocídio – o assassínio de uma “raça” (genos, em grego). Acabou cunhando um conceito que a humanidade conhecia, mas nunca havia diagnosticado: a intenção de destruir um grupo étnico, racial ou religioso. Não foi só a linguagem que precisou ser modernizada. Logo após a guerra, uma convenção da recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em 1948, deu contornos finais ao termo jurídico, que até então não era previsto no direito internacional. O genocídio passou a ser considerado um crime gravíssimo contra a humanidade – o mais sério de toda a esfera legal. (Foram os critérios da ONU que serviram de guia para incluirmos os casos que contaremos a seguir.)

Longe de ser uma exclusividade nazista, a intenção de eliminar pessoas e povos diferentes tornou-se uma das características mais assustadoras do século 20. Comparando as estatísticas desses massacres com o século 19, o historiador britânico Eric Hobsbawn escreveu: “Os mortos se contavam às dezenas, não às centenas, jamais aos milhões. Voltamos aos padrões do que, no mundo antigo, seria chamado de barbárie” (Era dos Extremos). Na Primeira Guerra Mundial, cerca de 1,5 milhão de armênios foram mortos pelos turcos, que até hoje negam o genocídio. Pol Pot deixou 1,7 milhão de mortos no Camboja. Hutus trucidaram tútsis com golpes de facas e pauladas em Ruanda. Milosevic e seus companheiros nacionalistas da Croácia e Bósnia conduziram carnificinas, incluindo os infames estupros étnicos. E uma grande polêmica: Stálin, que pode ter matado 20 milhões na União Soviética, entra ou não na lista? Os especialistas (e a ONU) dizem que não. “No regime stalinista, o que existiu foi a eliminação de adversários políticos, não importando se eram judeus, ciganos ou chineses”, afirma a historiadora Márcia D’Alessio, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Hoje, pesquisadores estão mostrando como esses crimes têm muito em comum. Ainda há mais perguntas que respostas, mas em alguns pontos as análises parecem convergir. Um deles é que o genocídio está diretamente ligado ao nosso tempo. É verdade que existiram massacres de índios na América do Norte e negros escravizados, mas a implantação de projetos de eliminação racial parece ser dependente de Estados organizados, como os que conhecemos atualmente. Outras semelhanças são a truculência estatal, as ameaças de redução territorial e, nunca é demais lembrar, um latente racismo.

Nas escolas judaicas toda criança aprende que sua missão é não deixar o holocausto ser esquecido. É uma lição levada a sério, daí tantos filmes, livros e estudos sobre o assunto. Não esquecer, na verdade, deveria ser um lema para todos nós. Um dos maiores clichês sobre a história – e não por isso menos verdadeiro – é que estudá-la serve para entender o presente. Assim, recordar os genocídios é fazer uma força, mínima que seja, para eles não se repetirem, além de respeitar a memória das pessoas que morreram no mais mesquinho dos crimes.

Saiba mais

Livros

The Specter of Genocide, Robert Gellately e Ben Kiernan, Cambridge, 2003, Sociólogos e historiadores debatem os principais assassinatos em massa do século 20.

Gostaríamos de Informá-lo de que Amanhã Seremos Mortos com Nossas Famílias, Philip Gourevitch, Companhia das Letras, 1998, O título dá a dimensão da insanidade em Ruanda. Uma das melhores reportagens sobre o tema.

Sites

www.un.org./icty e www.un.org./ictr, Sites do Tribunal Penal Internacional da ONU para a ex-Iugoslávia e Ruanda reúnem os documentos de acusações contra os envolvidos.

 

Mão sujas

Quando: 1941 a 1945

Vítimas: judeus

Motivação: "limpar" a Alemanha de raças inferiores

Modus Operandi: câmaras de gás e assassinato a bala

Nº de mortos: 6 milhões

Hitler era racista, não há duvidas. Mas a maioria dos historiadores concorda que em 1933 ele ainda não tinha o projeto para eliminar os judeus. Uma década depois, no entanto, havia convencido a Alemanha da necessidade de extingui-los. A adesão civil foi vital para o sucesso da empreitada. Na Bulgária, onde a Igreja Ortodoxa e os intelectuais defenderam os judeus, 50 mil pessoas foram salvas. É um caso único. No restante da Europa, onde as tropas alemãs passavam poucos judeus sobreviviam. “Na Alemanha, quanto mais radical ficava o regime, mais a população aceitava medidas extremas”, escreveu Robert Gellately, em The Specter of Genocide (“O Espectro do Genocídio”, inédito no Brasil). Acredita-se que mais judeus morreram fora dos campos de concentração que dentro deles. Foram assassinados a bala e à luz do dia. Ao mesmo tempo, os nazistas instituíam uma máquina de homicídios com eficiência jamais equiparada. Engenheiros, arquitetos e médicos se reuniam para discutir como melhorar a relação mortos por hora ou então se a malha ferroviária daria conta de transportar judeus em número suficiente para alimentar as câmaras de gás. Em março de 1942, quando a chamada “solução final” foi colocada em prática, cerca de 80% de todas as pessoas que morreriam no Holocausto estavam vivas. Um ano depois, essa proporção fora invertida. Os nazistas eliminaram ainda homossexuais, ciganos e 3 milhões de poloneses católicos. Se Hitler não fosse detido, é provável que outros povos fossem vitimados pelo que julgava ser a “natural expansão da raça ariana”.

 

Cortejo fatal

Quando: 1915

Vítimas: armênios

Motivação: garantir a "segurança interna"

Modus Operandi: deportação para regiões inóspitas

Nº de mortos: 1, 5 milhão

Na noite de 24 de abril de 1915, tropas inglesas, francesas e australianas atacaram a cidade de Galípoli, no estreito de Dardanelos, para forçar a saída prematura da Turquia da Primeira Guerra Mundial. No dia seguinte, soldados turcos retiraram cerca de 600 líderes armênios de suas casas na região da Anatólia. Poucas horas depois, o grupo todo estava morto. A ameaça de invasão criou a desculpa de que os nacionalistas turcos precisavam para justificar o combate ao que chamavam de”inimigo interno”. O governo alegava que havia uma ameaça militar causada pelos habitantes de origem armênia (a Armênia estava sob o controle da vizinha e inimiga Rússia). Mais ameaçadora ainda era a questão econômica: conhecidos pela facilidade para o comércio e o ótimo nível intelectual, os armênios eram abertamente acusados de enriquecer à custa da miséria turca. A solução para o problema? Expulsá-los. A ordem era transferir todos para o leste, uma região onde há pouco além de desertos. Homens raramente faziam a viagem – quando uma cidade recebia ordem de despejo, eles eram executados. Sobravam mulheres, velhos e crianças para jornadas a pé que duravam até dois meses. Extenuados e famintos, encontravam pelo caminho soldados estupradores e saqueadores curdos. Os cortejos que deixavam as cidades logo se transformavam em filas de cadáveres abandonados. Na região de Van, os turcos aniquilaram cidades e aldeias. “O genocídio armênio serviu de ponte entre os séculos I9 e 20, demonstrando o que pode acontecer quando ambição étnica e ódio são mobilizados por elites inescrupulosas num contexto de guerra total”, diz o historiador Jay Winter, da Universidade de Yale, Estados Unidos. A história conhecera duas novidades assustadoras: a guerra industrializada em escala mundial e o assassinato em massa por motivos de intolerância étnica.

 

Horror africano

Quando: 1994

Vítimas: tútsis

Motivação: guerra civil e racismo

Modus Operandi: civis armados de facões e porretes

Nº de mortos: 800 mil

Julho de 1994 foi um mês inesquecível em Ruanda, no coração da África. Depois de pouco mais de três meses de histéricos combates nas ruas, 800 mil integrantes da minoria tútsi foram mortos por hordas de hutus, principal grupo étnico do país. Historiadores apontam o episódio como resultado direto do fracassado colonialismo europeu. Quando chegaram ao país, os belgas encontraram uma sociedade em que hutus eram camponeses pobres e tútsis, pastores prósperos. Valeram-se desse cenário para garantir a dominação: fizeram dos tútsis a aristocracia ruandesa. Para ajudar, desenvolveram uma nunca comprovada teoria antropológica conhecida como “hipótese hamítica”, que colocava os tútsis como uma raça oriunda da Etiópia e intelectualmente superior aos hutus. Em 1959, hutus se rebelaram contra o sistema. Guy Logiest, então comandante das tropas belgas, afirmou que o movimento resultava do “desejo das pessoas de derrubar a arrogância e expor a duplicidade de uma aristocracia injusta e opressora”. O resultado foi que na proclamação da República, em 1962, uma etnocracia substituiu a outra: hutus simplesmente tomaram o lugar dos tútsis. A violência tornou-se freqüente, até se agravar em 1990 com a formação da tútsi Frente Patriótica Ruandesa (FPR), organizada em Uganda para derrubar o governo ruandês. Quando a queda de um avião matou o presidente Jouvenal Habyarimana, em 1994, o cenário para o início do genocídio estava traçado. Habyarimana foi substituído por um grupo político conhecido como o “Poder Hutu”, que rapidamente tratou de culpar a FPR pelo acidente aéreo. A população passou a ser bombardeada com informações de que um complô tútsi preparava-se para o ataque. Valendo-se do hamitismo, hutus afirmavam que era preciso expulsar do país os “invasores” tútsis. Esquadrões de civis foram formados para os assassinatos. Congregações matavam padres, professores degolavam alunos, enquanto vizinhos invadiam a casa ao lado para destruir antigos amigos. A mídia colaborava não só propagando falsas informações sobre ataques da FPR, mas informando a respeito de lugares onde havia tútsis para serem mortos. O genocídio terminou quando a FPR invadiu a capital Kigale. Enquanto a ONU e as grandes potências debatiam e adiavam o envio de ajuda, 75% dos tútsis que viviam em Ruanda foram executados, assim como boa parte dos hutus “moderados” – como eram conhecidos aqueles que não viam muito sentido na orgia de sangue.

 

O terror vermelho

Quando: 1975 a 1979

Vítimas: chineses, muçulmanos e vietnamitas, entre outras minorias

Motivação: eliminar raças "incompatíveis" com a revolução comunista

Modus Operandi: execuções a bala e mortes por fome e excesso de trabalho

Nº de mortos: 215 mil chineses, 90 mil muçulmanos e 20 mil vietnamitas

“Preferimos matar dez amigos a deixar vivo um só inimigo", dizia o líder comunista do Camboja, Pol Pot. Com um comandante desses, não é de se surpreender que o regime cambojano tenha matado, em quatro anos, 1,7 milhão de seus 8 milhões de habitantes. O Khmer Vermelho, ala mais radical do Partido Comunista local, tomou o poder em 1975 e a capital, Phnom Penh, foi evacuada. O objetivo era levar toda a população para o campo e riscar do mapa qualquer vestígio de cultura. Intelectuais foram assassinados. Os profissionais técnicos também. O país transformou-se num enorme campo de prisioneiros e o governo implantou um plano de extermínio de minorias. Apesar de alguns historiadores defenderem que os assassinatos tinham apenas objetivos políticos, uma comissão da ONU concluiu, em 1999, que o governo de Pol Pot era culpado do crime de genocídio. “O Khmer considerava determinados grupos criminosos por natureza. Os chineses, por exemplo, tiveram a existência no país proibida e o idioma oficialmente banido. Os muçulmanos eram forçados a comer carne de porco. E, dos 20 mil vietnamitas que moravam no Camboja, nenhum ficou vivo”, diz Ben Kiernan, historiador da Universidade de Yale e autor de The Pol Pot Regime (“O Regime de Pol Pot”, inédito em português). A maior parte dos 1,7 milhão de mortos, no entanto, era da mesma etnia khmer que a liderança comunista. Muitos, inclusive, apoiavam a revolução e só morreram por conta do estado de paranóia e eliminação sistemática dos adversários implantado pelo regime cambojano. Na dúvida entre amigos e inimigos, Pol Pot mandava matar os dois.

 

O poder do medo

Quando: 1991 a 1999

Vítimas: bósnios, sérvios, croatas e kossovares

Motivação: conflitos nacionalistas e movimentos separatistas

Modus Operandi: ataques militares e estupros

Nº de mortos: 300 mil

“O medo tem papel fundamental na história dos Bálcãs”, afirma Jacques Semelin, professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade de Paris. Nos Bálcãs, todos os povos têm motivos para temer seus vizinhos. Mas todos também têm razões para serem temidos. São mais de 200 anos de guerras e massacres entre muçulmanos e católicos, sérvios e croatas, sérvios e albaneses. Houve apenas um momento de aparente tranqüilidade: as quatro décadas em que a Iugoslávia foi comandada pelo general Tito. Com sua morte, em 1980, o sistema começou a rachar. Quando os países do Leste Europeu substituíram o comunismo pelo capitalismo, na Iugoslávia a mudança era movida pelo nacionalismo: Eslovênia, Croácia e Bósnia declararam independência. Slobodan Milosevic, um nacionalista de origem sérvia eleito presidente em 1990, além de não aceitar a separação, partiu para a guerra sob o pretexto de “defender minorias sérvias”. Mas o que seu exército fazia não era isso: em julho de 1991, começaram as primeiras ações de “limpeza étnica” na Croácia. O objetivo era eliminar qualquer vestígio croata na região, valendo-se de expulsões e assassinatos. No ano seguinte, os croatas, também comandados por um nacionalista – Franjo Trudjman –, estavam fazendo o mesmo na Sérvia e na Bósnia. Muçulmanos bósnios atacavam croatas e sérvios. O medo mais uma vez desempenhou função central. Manipulados pela propaganda nacionalista, croatas, sérvios e muçulmanos acreditaram estar apenas respondendo à ameaça inimiga. O genocídio nos Bálcãs, que ainda atingiu os albaneses do Kossovo, deixou cerca de 300 mil mortos. Em Srebrenica, 7 mil civis bósnios foram assassinados por forças sérvias na maior matança do gênero desde a Segunda Guerra. Para Florence Hartman, jornalista e autora de Milosevic, la Diagonale du Fou (“Milosevic, a Diagonal do Insano”, inédito em português), a exacerbação da violência e a limpeza étnica tinham objetivos a longo prazo. “Foram cometidas atrocidades suficientes para alimentar mais um século de ódio”, afirma.

 

Eu sobrevivi

Denese Joy Becker era uma típica adolescente americana. Filha adotiva de um pastor batista, ela freqüentava a escola e a igreja e ajudava em trabalhos com a comunidade. Em 1990, casou-se e em seguida teve dois filhos. Mas Denese guardava um segredo que, desde criança, aprendera a manter só para ela. ”Quando eu contava para os professores, eles diziam que eu era uma garota de imaginação fértil”, diz. Denese, na verdade, é Dominga Sic Ruiz, filha de índios achi, que, como outras tantas tribos descendentes dos maias, habitam a Guatemala. E esse é o segredo de Dominga. “Era noite e minha mãe me acordou de repente. Falou que eu me vestisse rápido. Com uma tira de pano amarrou minha irmã nas minhas costas e mandou que eu me escondesse na mata. Quando eu saí, ainda vi meu pai com as mãos amarradas nas costas. Eu corri. Eu tinha 9 anos e corri uma noite inteira. De manhã eu dei suco de frutas para minha irmãzinha. Nós ficamos mais o dia todo na floresta e eu me perdi. No outro dia minha irmã parou de chorar. Ela morreu e eu a enterrei debaixo de uma árvore, perto de um rio”, diz. Dominga foi encontrada 13 dias depois. Seu pai, sua mãe e mais 207 pessoas foram mortas no que ficou conhecido como o “Massacre de Xococ”. Mas o assassínio em massa não parou por aí. Naquele mesmo ano, 1982, houve diversos outros ataques contra as comunidades indígenas da região, sempre liderados por tropas do Exército e grupos paramilitares. No caso de Xococ, eles estavam interessados em desocupar a região que seria inundada por uma represa. Em outros casos, era simplesmente uma questão de eliminar os ocupantes das terras. Os crimes foram encobertos pela ditadura militar que governou a Guatemala por quase 20 anos, mas em 1999, depois de uma grande pressão internacional, as Nações Unidas julgaram o caso como crime de genocídio. Segundo o Comissariado do Direitos Humanos da ONU, em 1982 e 1983, durante o governo do ex-ditador Rios Montt, acusado de ordenar os massacres, cerca de 100 mil indígenas morreram e outros 50 mil estão desaparecidos. Um milhão de pessoas foram desterradas. Hoje, Dominga busca os ossos de seus pais e a punição para os culpados. Já foram localizados 200 cemitérios clandestinos e mais de 3 mil corpos. Mas nenhum processo ainda foi levado a julgamento.

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Tags: Genocídio, Guerras, Holocausto, Massacre

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Comentário de Paulo Henrique Santos da Silva em 26 agosto 2012 às 11:37

Imaginem como seria a cidade do Rio de Janeiro, se em um recurso extremo resolvessem murar as comunidades, com o soberbo pretexto de que não há como saber quem é traficante e quem não é. Parece absurdo, mas se observarmos não é nada diferente da discriminação do zoneamento em Israel.

É claro que há partes do território de maioria palestina, que precisa ser emancipado de Israel, um território que já eram deles desde antes a fundação do Estado em 1948. Um território que não fará falta aos Israelenses por conterem ampla maioria palestina. Pelo contrario, uma solução diplomática pode ser o início de uma trégua que hoje vemos tão distante.

Responder terrorismo com terrorismo exarcebado é o que tem feito Israel, trocando carros bomba por artilharia cerrada, ceifando a vida de milhares de inocentes de ambos os lados. Um povo que tem por sua base a religião e a temência a Deus não deveria idolatrar a Guerra de tal forma, mas sim buscar a Paz.

Comentário de jucemir rodrigues da silva em 23 agosto 2012 às 20:35

Réplica ao comentário de Amanda.

Os palestinos não têm problemas com os judeus e cristãos, mas com os israelenses que desejam expulsar os palestinos da Palestina e “refundar” o suposto Eretz Israel. O estado israelense faz terrorismo e usa a religião e a memória do holocausto como pretextos para legitimar dominação e repressão indiscriminada.

Os palestinos são obrigados a morar em bantustões isolados por muros, cercas, barreiras e guaritas guarnecidas pela FDI para que a juventude israelense tenha sempre um sorriso tão despreocupado e cativante quanto o de Amanda Schmidt.

Amanda, a fundação do Estado de Israel foi sobretudo uma solução – bem no espírito de Yalta, apesar da questão não ter sido lá discutida – de remediar o massacre de judeus e afagar a má-consciência européia à custa dos árabes.

Segundo Tony Judt – ver “Pós-Guerra. História da Europa desde 1945” - , no imediato pós-guerra, milhares de judeus foram mortos tentando voltar aos seus países de origem – Polônia, Alemanha, Hungria, Áustria etc. A migração para a Palestina – malgrado o imbróglio inicial – acabou se revelando uma solução politicamente cômoda. (Melhor que as antigas propostas: fundar Israel no Quênia, em Madagascar ou num pedaço comprado ao governo boliviano. Tal como se fez no caso dos negros norte-americanos e a “invenção” da Libéria.)

Conheces a carta do  rei Abdullah ibn Hussein ao povo norte-americano?

Dá uma lida e me diz como responderias.

http://grupobeatrice.blogspot.com.br/2010/06/aos-cidadaos-norte-ame...

Quanto ao sangrento terrorismo palestino – real mas reativo – sugiro que assistas a um filme chamado “Batalha de Argel”, um clássico do cinema político , dirigido por Gillo Pontecorvo. Se aceitares a sugestão filmográfica, presta atenção à réplica do argelino Ben M'hidi – líder da FLN -  a um repórter francês que questiona o uso de bombas  - escondidas em cestas - nos atentados contra civis de origem francesa.

Para uma discussão histórica do processo de legitimação ideológica do Estado de Israel, recomendo “A Invenção do Povo Judeu”, do historiador israelense Shlomo Sand.

Comentário de Amanda Schmidt em 23 agosto 2012 às 18:01

os judeus não tem problemas com os muçulmanos e cristãos, mas com os palestinos que desejam expulsar os judeus de Israel (que na verdade é uma parte da Palestina). Estes palestinos fazem terrorismo e usam a religião como pretexto para outros muçulmanos de outras nações se aliem na causa deles.

Os judeus de Israel foram obrigados a fazerem zonas de segurança contra o povo palestino pois eles não sabem quem é terrorista.

Comentário de Paulo Henrique Santos da Silva em 23 agosto 2012 às 13:34

Amanda, no final do texto você se refere ao sistema educacional judaico especialmente voltado para o holocausto com o intuito de jamais haver seu repetimento. Em visita a Israel em 2005, percebi um enorme sentimento anti-islã, bem como normas de zoneamento já conhecidas mundialmente.

Será que embora repetitivamente abordado o tema, este não tem sido globalizado em esferas diferentes do anti-semitismo?

Comentário de Aparecida Irene Barbosa Abreu em 23 agosto 2012 às 12:23
EXCELENTES INFORMAÇÕES!

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Somos tão jovens

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