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Hoje é feriado estadual em São Paulo: foi em 9 de julho de 1932 que os paulistas pegaram em armas contra a ditadura de Getúlio Vargas.

A desigualdade de forças era acentuada, com 35 mil legalistas confrontando 100 mil defensores da tirania - aos quais, claro, não foi explicado o verdadeiro papel que desempenhavam.

Exortaram-nos a lutar contra o "separatismo" paulista e outras invencionices, explorando o preconceito que os estados mais pobres nutriam em relação a São Paulo, o mais industrializado do País. Em tempo de guerra, mentira como terra.

A esquerda também não associou-se à chamada Revolução Constitucionalista, por considerá-la uma mera disputa de poder econômico entre setores da burguesia. Para os discípulos de Stalin, direitos constitucionais não passavam de perfumaria.

O certo é que a liberdade nunca deu muito ibope no Brasil. Não fosse uma lei que facultou a criação de feriados estaduais, nem mesmo em São Paulo seria reverenciado esse episódio da eterna luta contra o despotismo, que move os melhores seres humanos através dos tempos. Restariam apenas as comemorações melancólicas dos velhinhos remanescentes de 1932.

Pior: os feriados com menos clima de feriado em São Paulo são os da deflagração da Revolução Constitucionalista, o da morte de Tiradentes e o Dia da Consciência Negra, três que têm conteúdo político libertário. As pessoas só se lembram deles como oportunidade para uma esticada até o litoral.

Há quem diga que faltou por aqui uma revolução burguesa. Não chegamos ao capitalismo mediante um enfrentamento com o feudalismo, mas sim com o lento deslocamento da primazia para o polo mais avançado da economia, sem que o atraso fosse combatido. Os estágios diferentes de desenvolvimento ficaram superpostos e amalgamados.

Ou seja, conciliaram-se os interesses com a partilha de territórios, à maneira dos gangstêres: o capitalismo vicejou no Sul e os resquícios feudais sobreviveram no Norte -- tanto que o último coronel da política brasileira continua ocupando (e conspurcando) a presidência do Senado e, volta e meia, pipocam no noticiário casos de escravidão ainda flagrados no Brasil, em pleno século XXI!

Nem sequer a independência política conquistamos pela via altaneira de um Bolivar, mas sim trocando de amo e senhor: subjugamo-nos economicamente à Inglaterra, que tratou de dissuadir Portugal de qualquer tentativa de restabelecer o jugo colonial. Tiradentes deve ter revirado na cova.

Então, 1932 nada significa para a grande maioria dos brasileiros.

Idem a Força Expedicionária Brasileira, quando nossos compatriotas morreram nos campos de batalha da Europa para ajudarem a dar um fim ao nazifascismo.

E a resistência à ditadura militar de 1964/85 só é reverenciada por alguns contingentes mais esclarecidos da classe média, incluindo formadores de opinião.

A obtusidade dos militares comprometidos com os genocídios e atrocidades dos anos de chumbo, paradoxalmente, ajuda a manter aqueles episódios deprimentes no noticiário. Se disponibilizassem todas as informações e indicassem onde estão os cadáveres sonegados às famílias, reconhecendo seus crimes e pedindo civilizadamente desculpas, a tendência seria o gradual esquecimento.

Isto é o Brasil, que aos dignos, aos justos e aos idealistas sempre traiu...

Tags: 1932, constitucionalista, ditadura, getúlio, mmdc, sarney, stalin, tiradentes

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1 Comentário

suzete krupenski Comentário de suzete krupenski em 24 julho 2009 às 21:05
Com certeza, a revolução burgueza já!!!
Lembro-me bem da Revolução francesa!!
Na verdade o que observo são pessoas alienadas, qdo cito a situação atual deste País!!!
Mais ainda tenho fé que um dia quem sabe, alguem acorde como na década de 60, 70 e que voltem os grandes idealistas praticantes que davam o pp sangue por uma causa nobre, ou seja o Lugar no qual vivem e a vida deste lugar o que lhes ofereçe, ou seja pensando no hoje nada!!
Espero que o Brasil se torne um dia um País sério, pois capacitados existem, o que faltam são pesoas de sangue!!!

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SANGUE NEGRO

Virada do século XIX para o século XX, na fronteira da Califórnia. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um mineiro de minas de prata derrotado, que divide seu tempo com a tarefa de ser pai solteiro. Um dia ele descobre a existência de uma pequena cidade no oeste onde um mar de petróleo está transbordando do solo. Daniel decide partir para o local com seu filho, H.W. (Dillon Freasier). O nome da cidade é Little Boston, sendo que a única diversão do local é a igreja do carismático pastor Eli Sunday (Paul Dano). Daniel e H.W. se arriscam e logo encontram um poço de petróleo, que lhes traz riqueza mas também uma série de conflitos.

Livremente inspirado no romance "Oil!", escrito em 1927 por Upton Sinclair (1878-1968), Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007) foi muito bem aceito pela crítica, sendo comparado, inclusive, com o clássico "Cidadão Kane". Dirigido por Paul Thomas Anderson, um dos mais cultuados diretores americanos dos últimos anos. Trata-se de um filme épico, que discute temas como poder, fé, família e o paradoxo de ter tudo e nada, ao mesmo tempo.

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