Recebi um e-mail de um Professor amigo com estas imagens da Índia que o capitalismo ignora totalmente. Este país milenar do oriente é de contrastes chocantes e arrepia saber que o mundo dos negócios enfatizem tanto o potencial econômico deste povo e esconda do resto do mundo as graves consequências de sua desigualdade, fundamentada em grande parte, por sua principal tradição religiosa, o hinduísmo.
As imagens são muito fortes e algumas fiz questão de não publicar.


Para não ficar somente nas imagens, leia a análise econômica abaixo.


Índia:
Cresce o PIB e também a desigualdade
Paranjoy Guha Thakurta

Nova Délhi, 01/02/2006, (IPS) - Já se sabe que o primeiro, o segundo e o terceiro mundos coexistem na Índia. Especialistas agora advertem que também há o "quarto mundo", ainda mais relegado, neste país de um bilhão de habitantes que aspira ser potência econômica.

Em um período em que o produto interno bruto cresce em ritmo vertiginoso, depois da liberalização econômica decidida há 15 anos, a disparidade e a iniqüidade se agravaram a tal ponto que hoje constituem uma grave ameaça, segundo o primeiro Informe sobre Desenvolvimento Social realizado no país. O volume de 225 páginas, elaborado pelo independente Conselho para o Desenvolvimento Social e publicado pela britânica Universidade de Oxford, está dedicado especialmente a compilar os dados de aproximadamente 170 relatórios sobre pobreza e desemprego.

Porém, seus autores se concentraram em estatísticas oficiais sobre saúde, educação, serviços urbanos, condição das mulheres, relações entre comunidades religiosas, integração social, iniqüidade, mobilidade da população, descentralização e previdência social. A proporção da pobreza na população caiu de 55% em 1974 para 26% em 2001, mas os avanços foram impressionantes somente em três Estados: Punjab (de 28% para 6%), Haryana (de 35% para 9%) e Kerala (de 60% para 13%). Por outro lado, em três Estados a queda da pobreza foi muito mais lenta: de 66% para 47% em Orissa, de 63% para 42% em Bihar, e de 51% para 36% em Assam.

Paradoxalmente, em Punjab e Haryana, bem como em outro Estado próspero, Gujarat, foram registrados os piores índices de aborto seletivo em prejuízo das meninas, que é ilegal na Índia. Nasceram apenas 796 meninas para cada mil meninos em Punjab, 808 em Haryana e 837 em Gujarat. O relatório também revela uma distribuição da riqueza desigual contra os setores mais relegados da tradicionalmente hierárquica sociedade indiana, com a população tribal e os dalits (sem castas ou intocáveis, na divisão de castas segundo a religião hindu). Esses setores representaram 75% do total de pobres nos anos 1999 e 2000, segundo dados oficiais analisados no estudo.

Como na Índia reside 17% da população mundial, também vive ali 36% dos que sobrevivem com menos de um dólar por dia, 68% dos leprosos e 30% dos tuberculosos do planeta. Nesse país também são registradas 26% das mortes por doenças que podem ser prevenidas mediante vacinação infantil. "Os problemas sociais da Índia contemporânea são conseqüência da complexa ligação entre fatores de exclusão e inclusão arraigados na história, os valores e o ethos cultural do país?, disse o chefe dos editores do informe, o cientista social Amitabh Kundu. "Muitos desses problemas se baseiam em políticas de segregação que não foram atendidas pelas estratégias de desenvolvimento de sucessivos governos. Os índices de pobreza certamente melhoraram, mas não de maneira uniforme, e o mesmo ocorre com as melhorias em matéria de educação e serviço médico", acrescentou.

"As políticas de globalização e liberalização econômica prejudicaram o papel de grandes normas sociais e o aparato estatal que poderia ter contra-atacado as forças de exclusão social e as tensões", disse o ex-diplomata Muchkund Dubey, presidente do Conselho para o Desenvolvimento Social. "O governo começou deliberadamente a se livrar de responsabilidades constitucionais como educação, saúde, saneamento e habitação", acrescentou. A deterioração é aguda "nas condições dos mais pobres e marginalizados", acrescentou Dubey.

Os diferentes capítulos do estudo marcam uma sociedade indiana cada vez mais polarizada não só no tocante a classes sociais, mas também a respeito de regiões e Estados. "A brecha entre os Estados mais ricos e os mais pobres aumentou de um para três, na década passada, para um para cinco, atualmente", disse N. J. Kurian, membro da junta editorial do informe. As políticas do governo para os pobres foram alvo de uma "indiscriminada generalização" para toda a população, e estiveram caracterizadas pela "corrupção e má administração de recursos escassos", afirmou Neera Chandhoke, professora de ciências políticas da Universidade de Nova Délhi.

Os casos de Punjab e Haryana evidenciam que "o crescimento econômico não necessariamente leva ao desenvolvimento social", e que "o vínculo entre democracia e desenvolvimento social é bastante tênue", explicou Chandhoke á IPS. Para o cientista social Amit Bhaduri, "a Índia é um êxito político e um fracasso econômico, apesar de seu crescimento na economia de 8% ao ano, simplesmente porque entre 280 milhões e 300 milhões de pessoas vivem em condições de pobreza sub-humana neste país". Por outro lado, as elites urbanas continuam falando em transformar a Índia em uma "superpotência do conhecimento". Em outra flagrante contradição, as cédulas de dinheiro estão escritos em 17 idiomas diferentes.

"A idéia de contradição se exemplifica pelo fato de neste país viver um terço dos engenheiros da área de informática e a quarta parte dos desnutridos do mundo", afirmou em 2004 a empresa de consultoria financeira Goldman Sachs. Uma miríade de sistemas políticos econômicos convivem na Índia, com o feudalismo medieval, o capitalismo e o socialismo. Mas a boa notícia é que a Índia desafiou a noção de que tais divisões tornam inviável uma nação. Depois da independência em 1947, este país apenas permaneceu unido, apesar de ter surgido nos últimos anos como um dos de maior crescimento econômico do mundo. (IPS/Envolverde)

Fonte:http://www.mwglobal.org/ipsbrasil.net/nota.php?idnews=1438

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Comentário de soraya oliveira pires em 4 agosto 2009 às 16:29
Excelente matéria,como sempre a realidade nunca é mostrada ,a novela só mostra o lado rico e bom do país.
Comentário de simattos em 19 julho 2009 às 20:44
achei o maximo Como sempre a realidade é mesclada
Comentário de patricia cerqueira em 12 maio 2009 às 19:11
Triste realidade!!! essas imagens realmente nunca serão mostradas na novela!
Comentário de Alcebíades de Lima Oliveira em 17 março 2009 às 13:25
parabéns,
excelente fotos, uma realidade que a Globo não mostra.
a economia cresce como um bolo que não é depois repartido.
Abraços. Alcebíades.

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