História do Cangaço: verdades, lendas, narrativas sobre um fato histórico-social

O cangaço vem do tempo em que o sertão ainda não havia sido desbravado. Os jagunços eram boiadeiros que passavam a exercer um estilo de vida miliciano. Armas penduradas por todo o corpo, além do "gibão" e chapéu de couro, característicos dos vaqueiros, um só cangaceiro levava consigo, também, várias facas de ponta, peixeiras, facões, punhais, cartucheiras e espingardas.

O cangaço existe desde antes do início do século XVIII, tempo em que o sertão ainda não havia sido desbravado. Jagunço era o guarda-costas dos fazendeiros ou dos senhores-de-engenho. Havia jagunços no interior da região Nordeste que se constitui dos Estados de Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Território de Fernando de Noronha. Segundo refere Claudionor de Oliveira Queiroz¹ os jagunços deram origem ao cangaço. Um dos primeiros chefes famosos de cangaceiros  foi Jesuíno Alves de Melo Calado, "Jesuíno Brilhante".

O jagunço* é um produto tão mestiço no físico e na índole, que reproduz os caracteres antropológicos combinados das raças das quais provém: o índio e o negro escravizado.

Pelo lado etnológico, segundo Nina Rodrigues, não é jagunço todo e qualquer  mestiço brasileiro. Jagunço é o mestiço do sertão, que tem as características dos seus ascendentes selvagens – índios ou negros. No jagunço se revelam inteiros o caráter indomável do índio selvagem, o gosto pela vida errante e nômade, a resistência aos sofrimentos físicos, à fome, à sede, às intempéries...  (RODRIGUES, Nina. As Coletividades Anormais. Rio de janeiro; Civilização Brasileira; 1939)

Jagunço ou capanga era todo o indivíduo que empunhava uma arma para defender a si próprio, aos seus bens, à sua família, e que, a partir do primeiro crime cometido passava a ser usado, protegido, pelos chefes políticos "(...)que então, se tornavam mais respeitados pela gentalha e mais desejados pelos governantes". Os cabras são mestiços de 'mulato' ou moreno, esse que por sua vez é filho de pai branco e mãe negra ou vice-versa, sendo portanto, o mestiço 'cabra', o filho de moreno e negro. Jagunço, capanga, cangaceiro, guarda-costas, sobrevive ainda. São os pistoleiros, atuam no Nordeste, Norte e nas demais regiões, agora também nas capitais. O cangaço de Virgulino Ferreira foi exterminado pela ditadura de Getúlio Vargas, como fatores extremistas, mas, o fenômeno social continúa. ____________________________
Getúlio Dornelles Vargas (1883,RS - 1954) político, Presidente da República de 1930 a 1945, e de 1951 a 1954, quando se suicidou, ameaçado de ser deposto. Criou grandes obras como a Siderúrgica de Volta Redonda; a Petrobrás; a Eletrobrás, e sistematizou e dotou o Brasil de Legislação Trabalhista. O ESTADO NOVO:(1937 a 1945), regime implantado após o golpe de Estado de 1937, existiu durante a 2ª Guerra Mundial (1939 - 1945), contemporâneamente à Itália de Mussolini, a Alemanha de Hitler, a Espanha de Franco e a Portugal de Salazar. Caracterizou-se pela repressão, aceleração do desenvolvimento econômico e medidas de caráter social e o CONTROLE DA OPINIÃO PÚBLICA. O regime do Estado Novo tratou de se dirigir aos trabalhadores com o contexto ideológico de "pão e circo", e na construção da imagem do Presidente, bem como de formar ampla opinião pública a seu favor, para tanto impôs censura aos meios de comunicação e elaborou uma versão própria da fase histórica que o país vivia. Em 1939 constituiu o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP)diretamente subordinado ao Presidente da República, o qual escolhia seus dirigentes. Entre os escritores-intelectuais-artistas que trabalharam ou colaboraram com o governo Vargas estavam dentre outros, Cassiano Ricardo (1895,SP,1974),(poeta e ensaísta) Menotti del Picchia (1892,SP,1988)(poeta), José Lins do Rego (1901,Paraíba,1957),(romancista), Plínio Salgado (1895, SP,1975)(político, escritor e fundador do Partido Integralista Brasileiro), Vinícius de Morais (1913, RJ, 1980)("capitão-do-mato, poeta, diplomata, o branco mais preto do Brasil.Saravá") O próprio Dr. Getúlio em 1940, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Boris Fausto refere que "O DIP exerceu funções bastante extensas, incluindo cinema, rádio, teatro, imprensa, 'literatura social e política', e proibiu a entrada no país de 'publicações nocivas aos interesses brasileiros', agiu junto à imprensa estrangeira no sentido de evitar que fossem divulgadas 'informações nocivas ao crédito e à cultura do país', dirigiu a transmissão diária radiofônica "Hora do Brasil" que iria atravessar os anos como instrumento de propaganda e divulgação das obras do Governo. O Estado Novo perseguiu, prendeu, torturou, forçou ao exílio intelectuais e políticos (...)Mas, não adotou uma atitude de perseguições indiscriminadas. Percebeu a importância de atrair setores letrados a seu serviço: católicos, integralistas, autoritários, esquerdistas disfarçados, que ocuparam cargos e aceitaram as vantagens que o regime oferecia" - Boris Fausto. FONTE:Literatura Brasileira: das origens aos nossos dias. José de Nicola. 15ª Edição; São Paulo: Scipione, 2002
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Benjamin Abrahão Calil Botto, Virgulino Ferreira da Silva, Maria Bonita e parte do bando 

 



LAMPIÃO MORREU JUNTO AO SEU BANDO, INCLUINDO MARIA BONITA, COM 11 CANGACEIROS DOS 35 QUANDO REZAVAM O OFÍCIO DE NOSSA SENHORA, AO ACORDAREM ÀS 5 HORAS DA MANHÃ, SOB UMA CHUVA TORRENCIAL, POR TOCAIA DE METRALHADORA

VIRGOLINO FERREIRA DA SILVA vulgo LAMPEÃO foi metralhado pelas tropas da polícia aos 40 anos de idade no dia 27 de julho de 1938, durante a ditadura de Getúlio Vargas. Cangaceiro brasileiro nascido na cidade de Vila Bela, (atual Serra Talhada) no semiárido do estado brasileiro de Pernambuco no dia 4 de Junho de 1898, mas o seu nascimento só foi registrado no dia 7 de agosto de 1900. Foi o terceiro dos 8 filhos de José Ferreira da Silva e Maria Lopes de Oliveira. Até os 21 anos de idade ele trabalhava como artesão, era alfabetizado e usava óculos para leitura, características incomuns para a região sertaneja e pobre onde ele morava. Continuou a usar óculos já como cangaceiro quando teve o olho direito furado por um galho seco de arbusto ao fugir correndo pela caatinga. Por seu pai ter sido morto por um vizinho começou a desavença que culminou com a decisão de Virgolino de incorporar-se ao cangaço.

No dia 27 de julho de 1938, o bando acampou na grota de Angicos na localidade de Poço Redondo situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia torrencialmente e todos dormiam. A volante policial chegou tão silenciosamente em meio ao cair da chuva (a água neutraliza o faro dos cães) que nem os vários cachorros do bando pressentiram.

Por volta das 5 horas e 15 minutos do dia 28, horário incomum para o bando acordar, mas quase noite ainda devido o temporal, os cangaceiros levantaram para rezar o Oficio de Nossa Senhora, antes de se prepararem para fazer o café. Quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais. Nunca se soube ao certo quem os traiu. Entretanto, naquele lugar que parecia mais seguro, a contragosto de Maria Bonita que na ocasião pediu ao Capitão para o bando não ir se esconder lá, o bando foi pego totalmente desprevenido. Policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa de defesa.

O ataque durou cerca de vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte.
Dos 35 cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer e logo em seguida Maria Bonita foi metralhada e tombou ao lado de seu Rei do Cangaço. Onze cangaceiros, mesmo estonteados e transtornados pela morte do seu líder conseguiram escapar. O cangaço unido aos outros 300 bandos de Lampião tentou continuar através dos remanescentes, mas sem o chefe foi sendo abandonado pelos componentes, doentes ou sem capacidade de liderar. As cabeças do bando foram cortadas e exibidas pelo Nordeste por ordem das autoridades do governo do presidente Getúlio Vargas assumido após uma junta governativa. Depois ficaram por 30 anos para exibição no Museu Nina Rodrigues.



HISTORIADORES COLOCAM O CANGAÇO DOS SILVINOS E VIRGULINOS NA LISTA DAS “REBELDIAS SEM PROJETO”

As ações agressivas e saqueadoras dos jovens nordestinos do interior do nordeste brasileiro desde o começo do século XX impuseram-se pela falta absoluta de opções e alternativas dentro do quadro de miséria social e política. O isolamento social, a omissão e a violência do Estado, uma igreja distante e ausente, nesse tempo e lugar de fome propiciados pela seca fizeram a força e a agressão serem os únicos instrumentos de ação dos sertanejos, apoiados pelos que partilhavam a mesma miséria e desejavam que se fizesse dos bandos de cangaceiros a verdadeira polícia militar, e, legitimados pelo populismo. (in: Editorial “A Volta do Cangaço” do jornal O ESTADO de São Paulo, de 14 de maio de 1988)

POPULISMO
O populismo pode ser conceituado como produto de um longo processo de transformação da sociedade brasileira e que se manifesta de modo duplo: como forma de governo e como política de massas e envolve 3 atores básicos:

• Uma classe dirigente hegemônica;

• as classes populares em crises de “paternalismo”, no entanto fracas e desorganizadas;

• um líder carismático, cujo apelo transcende instituições (como partidos) e fronteiras sociais de classe e entre os meios urbano e rural.

FONTE: História: das cavernas ao 3º milênio. MOTA, Myriam Becho Mota & BRAICK, Patrícia Ramos, p:495, 2002


O gênero de vida dos bandoleiros ou bandidos do Nordeste brasileiro chefiados pelo Capitão Virgulino foi um acontecimento social que produziu uma cultura ímpar, com roupas, músicas, versos, danças e um jeito de ser bem característicos

Durante o início do Século XX no Agreste nordestino aconteceu o que ficou conhecido como o bando de Lampião, que foi o gênero de vida dos bandoleiros ou bandidos errantes do Nordeste brasileiro chefiados pelo capitão Virgulino. Foi um acontecimento social que produziu uma cultura ímpar, com indumentária, música, versos, dança e um jeito de ser bem característicos, espécie de ciganos nordestinos. Geralmente, os cangaceiros saíam da lida com o gado. Eram vaqueiros habilidosos, que faziam as próprias roupas, caçavam e cozinhavam, tocavam o pé-de-bode (sanfona de oito baixos) em dias de festa, trabalhavam com couro, amansavam animais, desenvolvendo um estilo de vida miliciano e, apesar da vida criminosa, eram muito religiosos. Devido a causas e sentimentos de injustiça ingressavam no cangaço.

A PASSADA DOS BANDOS DOS CANGACEIROS: UM SÓ RASTRO, PRA QUAL LADO?

Vestiam-se com roupas de tecido grosso, geralmente o tecido entrelaçado, cor ocre (cor de barro, argila), denominado Gabardina, semelhante ao tecido dos camponeses norte-americanos - o 'Jeans', ou em certas empreitadas dentro das caatingas, até com perneiras, calça e gibão de couro. Calçavam alpercatas (e meias grossas de algodão para proteger de gravetos e espinhos), nas alpercatas (ou "apragatas") há referências que haviam duas (2) virolas, altiplano dos solados, uma atrás e a outra na frente, para que o rastro não indicasse a direção que o bando seguia e pisando sempre na mesma pisada do que ia na frente, dessa forma também o rastro só mostrava uma pessoa andando, não se sabendo para qual lado. Os cangaceiros usavam chapéus de couro com abas largas e viradas para cima à moda do chapéu de Napoleão Bonaparte enfeitados com estrelas de Davi (5 pontas) e mandalas, gostavam de lenços no pescoço, de punhais compridos na cintura, cartucheiras atravessadas ao peito disputando espaço com as cangas, as bolsas, cabaças, manculões (sacos) e outros suportes, utilizados para transportar os objetos pessoais, incluindo pentes, espelhos, pós-de-arroz facial, revistas de moda e atualidades, artefatos de corte e costura, cuias (pratos feitos da cabaça) e perfumes Fleur d'Amour. O Capitão Vigulino tinha o chapéu idêntico aos chapéus dos seus "cabras", à moda Napoleônica e com mandalas, mas a estrela era a estrela do Rei Salomão, de 6 pontas.

 

A expressão cangaço está relacionada à palavra canga ou cangalho: uma junta de madeira que une os bois para o trabalho.

Assim como os bois carregam as cangas para realizar o trabalho de força, os homens que levam os rifles nas costas são chamados de cangaceiros.
O cangaço advém do século XVIII, tempo em que o sertão ainda não havia sido desbravado. Já naquela época, o cangaceiro Jesuíno Brilhante (vulgo Cabeleira) ataca o Recife, e é preso e enforcado em 1786. De Ribeira do Navio, estado de Pernambuco, surgem também os cangaceiros Cassemiro Honório e Márcula. O cangaço passa a se tornar, então, uma profissão lucrativa, surgindo vários grupos que roubam e matam nas caatingas. São eles: Zé Pereira, os irmãos Porcino, Sebastião Pereira e Antônio Quelé. No começo da história, contudo, eles representam grupos de homens armados a serviço de coronéis.


Em 1897, surge o primeiro cangaceiro importante: Antônio Silvino.

Com fama de bandido cavalheiresco, que respeita e ajuda muitos, ele atua, durante 17 anos, nos sertões de Alagoas, Pernambuco e Paraíba. É preso pela polícia pernambucana em 1914. Outro cangaceiro famoso é Sebastião Pereira (chamado de Sinhô Pereira), que forma o seu bando em 1916.

 

Nesse contexto surge a figura do padre Cícero Romão Batista, que concilia interesses opostos e amortece os conflitos entre as classes sociais

 

Padre Cícero Romão Batista (Crato, 1844 - Juazeiro do Norte, 1934)

A religiosidade praticada em torno do padre Cícero representava “aceitação” das regras políticas e sociais da República

Cícero Romão Batista* é cearense, o líder religioso do povo sertanejo oprimido pelo latifúndio, pelo Estado e por uma Igreja distante e ausente. Nasceu no Crato, em 1844 e faleceu em Juazeiro do Norte em 1934, aos 90 anos de idade. O “padroeiro do Nordeste”, pessoa influente na região, foi o  fundador de Juazeiro do Norte, em 1872. Além de orações e bençãos, “padim” aconselhava seus “afilhados” sobre atividades econômicas, doenças, questões familiares, desavenças, e sugeria nomes de candidatos para as eleições.  Participante ativo da política, envolveu-se nas disputas que envolviam mortes entre as oligarquias das famílias dos “coronéis” do sertão nordestino. Ligado aos “coronéis”, aos jagunços e aos cangaceiros.   Foi prefeito, deputado federal, e vice-governador. “Padim”, é lider, mediador, curador, aconselhador, padrinho e santo.

Ainda jovem, aos 28 anos, foi suspenso pelo Vaticano do cargo de vigário de Juazeiro, mas, construiu uma igreja em torno da qual se formou uma comunidade. Sua liderança foi ainda mais misturada ao intenso misticismo e fanatismo do seu povo, que padecia fome e sede no sertão do Ceará. No início do Século XX surgem bandos com o intuito de vingar injustiças e mortes de suas famílias. Para combater esse novo fenômeno social, o Poder Público cria as "volantes". Nestas forças policiais, os seus integrantes se disfarçavam de cangaceiros, tentando descobrir os seus esconderijos. Logo, ficava bem difícil saber ao certo quem era quem. Do ponto de vista dos cangaceiros, eles eram, simplesmente, os "macacos". E tais "macacos" atuavam com mais ferocidade do que os próprios cangaceiros, criando um clima de grande violência em todo o sertão nordestino. Nesse contexto, surge a figura do Padre Cícero Romão Batista, apelidado pelos fanáticos até hoje, de “Santo de Juazeiro”, que nele vêem o poder de realizar milagres. Endeusado nas zonas rurais nordestinas, o Padre Cícero conciliava interesses antagônicos e amortecia os conflitos entre as classes sociais. Em meio a crendices e superstições, os milagres (muitas vezes, resumidos a simples conselhos de higiene ou procedimentos diante da subnutrição) atraem grandes romarias para Juazeiro, ainda mais porque os seus conselhos erão gratuitos. O Santo de Juazeiro, contudo, a despeito de ser um bom conciliador e uma figura querida entre os cangaceiros, utilizava a sua influência religiosa para agir em favor dos "coronéis", desculpando-os pelas violências e injustiças cometidas. Teve como ferrenho inimigo o bispo Dom Joaquim, que o delatou a Roma, o que veio a causar o impedimento de padre Cícero ministrar os sacramentos, realizar missas, batizados e casamentos, e, até hoje ainda não estar reabilitado perante o clero romano. Padre Cícero encontrava soluções para tudo: Segundo referem alguns velhos que ouviram de seus ascendentes, a festa de Nossa Senhora das Candeias em Juazeiro se deve ao fato de um seu afilhado ir queixar-se de estar passando fome porque não estava vendendo nada na sua sucata, então o padre Cícero mandou que ele começasse a fabricar lamparinas de latas, o homem obedeceu e no domingo, na hora da missa o padim anunciou que doravante haveria uma procissão de Nossa Senhora das Luzes e que todos levassem não velas, mas lamparinas, então, todos passaram a se apegar a Nossa Senhora das Candeias. O sucateiro não dava vencimento e trabalhava: Abria as latas durante a noite e pela manhãzinha ia soldar, fato que lhe trouxe algumas reclamações “de incomodar o sono dos vizinhos”, mas que também foi resolvido pelo padim. Mas não foi só isso. Com o aviso da procissão toda a cidade (que andava meio parada), se mobilizou: chegavam e partiam caminhões para abastecer com o querosene e os caminhoneiros levavam a notícia, chegavam os caminhões pau-de-arara com romeiros, abriram-se mercadinhos, restaurantes, hospedarias, o povo apanhava latinhas nas ruas, as sucatas compravam e vendiam, os artesãos fabricavam terços, as gráficas catecismos e santinhos, os mascates se misturavam às multidões de romeiros de todos os lugares... A um ato do padim Ciço Juazeiro prosperava... Hoje a cidade de Juazeiro do Norte, do Ceará, é local de peregrinação e túmulo do padre Cícero. É centro comercial, centro de artesanato e centro turístico, para lá afluem durante todo o ano peregrinos para pagarem promessa de curas e milagres do "padim", visitarem a sua casa onde tem estátuas dele e seu cotidiano, comprarem fitas bentas e santinhos, assistirem missas, principalmente a missa do chapéu em que a multidão agita chapéus de palha de carnaúba, (contam que o corpo de padre Cícero foi exposto por um momento, aos fiéis na janela de sua casa, e, um de seus afilhados - como eram todos - rapidamente subiu atá a janela, tirou o chapéu e tapou o sol do rosto do "padim" impedindo que o sol lhe incomodasse) e subirem até o monte do horto onde está a sua gigantesca estátua. http://cearaemfotos.blogspot.com.br/2011/09/tres-lendas-sobre-padre...

 

 

As Balas e as Peixeiras  da Fé: o banditismo e a oração como expressões do descontentamento social

Além do cangaço*, o Nordeste dos anos 30 compartilhou do aparecimento de seitas místicas, em torno de beatos e carolas – as pessoas que vão excessivamente à igreja. Esses beatos percorriam o sertão acompanhados por dezenas de seguidoes que acreditavam nos  poderes milagrosos dos seus líderes religiosos.

Antonio Conselheiro (Quixeramobim, CE. - Canudos, BA.)

 

 


A religiosidade praticada em torno de Antonio Conselheiro cuja figura é conhecida no desenho de Acquarone publicado na revista Dom Casmurro (1946), representava o uso da crença como “contestação” política e social sobre o palco da peça do teatro do agreste em que um bom título seria: “mais fácil abrir as portas do céu do que as portas da terra para os esquecidos”.

Antonio Vicente Mendes Maciel ou “Antonio Conselheiro”,* nasceu em Quixeramobim, sertão do Ceará,  em 13 de março de 1830 e morreu de causas ignoradas em 22 de setembro de 1897, quando foi arrazado o arraial de Canudos pelas tropas do Exército, no governo de Prudente de Morais. Aos 44 anos, abandonado por sua mulher, tornou-se pregador. Peregrinou pelo Nordeste acompanhado de muitos adeptos. E sua figura despertou inquietação entre representantes da Igreja católica, que solicitaram ações por parte das autoridades contra o beato. Foi preso diversas vezes, acusado de perturbar a ordem pública e encorajar a desobediência às institiçoes civis e religiosas. Mas, sua fama se espalhava pelo Nordeste, era tido como um profeta, um homem de Deus, apesar de os conselheiristas não se considerarem eleitos à espera da salvação, mas, sim, como manifestantes de uma entrega total a Deus e buscando os recursos para a manutenção da vida e melhores condições para o povo do sertão abandonado e oprimido pelo latifúndio, pelo Estado e por uma Igreja distante e ausente.


Antonio Conselheiro e seus adeptos queimaram publicamente numa localidade baiana, os editais do governo. Foram então, mandados ao local 35 soldados da polícia para prendê-los, mas, os soldados foram derrotados pelos beatos. Alguns anos depois, Antonio Conselheiro decidiu deixar a vida de peregrinação e fundar uma comunidade que chegou a ser composta de 25 mil pessoas habitantes de 5 mil casas. Ergueu um arraial em um latifúndio (grande extensão de terras), abandonado no sertão da Bahia. Perto de lá havia um rio temporário chamado “Vaza-Barris”, (porque a lata furava batendo nas pedras do raso rio) onde moravam em humildes choças de palha, umas poucas famílias. A região era árida, o solo pedregoso e nas secas prolongadas o rio secava e a água só era obtida cavando profundamente o barro do leito ressecado do rio.  Mas, Antonio Conselheiro chamou o lugar de Belo Monte. No entanto, devido a abundância de uma vegetação chamada “canudo-de-pito”, o lugar ficou conhecido como Canudos. O maior perigo de Canudos às autoridades, residia no exemplo da comunidade religiosa que não se isolava, mas, sim, mantinha contatos com as outras vilas e arraiais, propagando assim, uma forma organizativa que colidia de frente com o Estado dos senhores de terras.




"O SERTÃO VAI VIRAR MAR E O MAR VAI VIRAR SERTÃO"

Uma profecia de Antonio Conselheiro diz que "O Sertão Vai Virar Mar e o Mar Vai Virar Sertão", hoje, passados mais de 100 anos da existência de Canudos (1896 a 05 e 06 de outubro de 1897), o arraial de Canudos está submerso nas águas do açude de Cocorobó. Outra região do sertão baiano também 'virou mar': No vale do rio São Francisco foi construída a imensa barragem de Sobradinho e deixou submersas várias cidades.

"Um problema comercial acerca de uma compra de madeira na cidade de Juazeiro deu motivo para que uma tropa de soldados da polícia baiana investisse contra os seguidores de Conselheiro em novembro de 1896.


A derrota dos policiais deu início a um conflito que ficou conhecido como Guerra de Canudos, que assumiu enormes proporções. Mobilizaram-se tropas do exército em três ou quatro expedições militares que, enfrentando enorme resistência da população de Canudos, promoveram um massacre no arraial. O confronto estendeu-se até 5 de outubro de 1897, quando o exército tomou definitivamente o arraial com 5 mil soldados. Segundo relatos do livro "OS Sertões" de Euclides da Cunha, no penúltimo capítulo ("Canudos Não Se Rendeu"), os últimos a se renderem foram 4 sertanejos: "1 velho; 2 homens feitos e 1 criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados". Antônio Conselheiro já havia morrido, não se sabe exatamente como". Seu corpo foi levado para exames antropométricos do crânio pelo Dr. Nina Rodrigues e ficou para estudos médicos por 8 anos. Em 03 de março de 1905 um incêndio na Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesús, em Salvador, Bahia, destruiu a cabeça de Antonio Conselheiro que ali estava desde outubro de 1897, final definitivo de Canudos.

 

 

Leia Mais Sobre Antonio Conselheiro: "

Acesse:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Conselheiro

 



BIOGRAFIA DE ANTONIO CONSELHEIRO:
Leia Aqui > > SAIBA TUDO SOBRE ANTONIO CONSELHEIRO
http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?t...




A ORIGEM DO TERMO "FAVELA"

Logo após a destruição do maior cortiço da cidade do Rio de Janeiro, o “Cabeça de Porco”, na sua vizinhança surgiu a “favela” apelido que foi dado ao Morro da Providência pelas tropas vindas de Canudos em 1897, as quais estacionaram ali e acabaram denominando o local desse nome “favela”, por associação a plantas com favas, comuns tanto no morro carioca quanto nas cercanias do arraial Belo Monte, de Antonio Conselheiro.

Fonte: MARTINS, P. C. G. “Habitação e Vizinhança: limites da privacidade no surgimento das metrópoles brasileiras”. In: SEVCENKO, Nicolau. (Org.): História da Vida Privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, v. 3 p. 141


EM 1921 LAMPIÃO INICIA O SEU GRUPO DE CABRAS VALENTES, CADA UM COM VONTADE DE VINGAR ALGUMA COISA Começa com 46 cangaceiros dos cerca de 300 que se formaria no total, de 1919 a 1938

Em meio a essa turbulência, surge o mais importante de todos os cangaceiros e quem mais tempo resiste (cerca de vinte anos) ao cerco policial: Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião.  

A figura de Virgulino Ferreira da Silva,  se destacou* na história do cangaço. Chamado de Lampião por causa do brilho da rajada dos tiros disparados na noite pela sua espingarda. Lampião liderou o cangaço no Nordeste do Brasil por cerca de  22 anos.  Nascido em Vila Bela, Pernambuco em 1897, virgulino tinha 8 irmãos: Levino; Antonio; Ezequiel; João; Anália; Angelina; Maria; Virtuosa. Foi empregado do coronel Delmiro Gouveia. Por volta de 1916, quando tinha 19 anos de idade,  resolveu entrar para o cangaço, depois de seu pai ser assasinado e sua família desmoronar, e em 1921 já formava seu próprio bando que com o passar do tempo chegou a cerca de 300 cangaceiros. Comprou fazendas, montou um “quartel-general” numa escondida grota de uma fazenda em Angicos, no Estado de Sergipe.

Foi metralhado e trucidado junto com parte do seu bando com 35 cangaceiros  e sua companheira Maria Bonita, emboscados na grota de Angicos, em Sergipe,  pela volante com 48 policiais comandados por Tenente João Bezerra e Sargento Aniceto Rodrigues da Silva , na  madrugada de 28 de junho de 1938. As cabeças do bando foram cortadas e exibidas pelo Nordeste por ordem das autoridades do governo do presidente Getúlio Vargas assumido após uma junta governativa. Depois ficaram por 30 anos para exibição no Museu Nina Rodrigues.

Pesquisa recentes apontam que Lampião não foi apenas um rude cangaceiro

Gostava de música, poesia, leitura, cinema, moda, dança, costura, bordado, jóias, ouro e adorava perfumes. Segundo dizem, o seu chapéu de couro era diferenciado dos chapéus de couro dos outros cangaceiros, todos tinham as abas reviradas como o chapéu de Napoleão e mandalas, mas, o do capitão Virgolino tinha uma estrela de Salomão (cinco  pontas) de ouro.  Tinha conhecimento profundo sobre os caminhos no mato, sobre as plantas curativas e nocivas,  e sabia táticas de defesa. Gostava de cachorros os quais eram úteis no bando, os cães do bando tinham uma forma peculiar de alarme, rosnar como como as gias e não, latir.

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Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, (Ipú, Ce. – 1863 – Alagoas, SE. 1917) Pioneiro da usina hidrelétrica de Paulo Afonso. Em Pedra, atual Delmiro Gouveia, aproveitou amplamente as águas do rio São Francisco, desenvolveu o lugarejo, dotou-o de melhores condições sociais, fundou uma fábrica de linhas. Construiu alojamentos para os seus empregados, e abriu estradas. É considerado pioneiro da indústria no Nordeste.

Os membros do bando de Lampião usavam cabelos compridos, lenço em volta do pescoço, grande quantidade de jóias e um perfume exagerado. Alguns de seus nomes e alcunhas são os seguintes: Antônio Pereira, Antônio Marinheiro, Ananias, Alagoano, Andorinha, Arvoredo, Ângelo Roque, Beleza, Beija-Flor, Bom de Veras, Cícero da Costa, Cajueiro, Cigano, Cravo Roxo, Cavanhaque, Chumbinho, Cambaio, Criança, Corisco, Delicadeza, Damião, Ezequiel, Português, Fogueira, Jararaca, Juriti, Luís Pedro, Linguarudo, Lagartixa, Moreno, Moita Braba, Mormaço, Ponto Fino, Porqueira, Pintado, Sete Léguas, Sabino, Trovão, Zé Baiano, Zé Venâncio, Volta Seca, Tripa Seca, Azulão, Riqueza, Vinte e Cinco, Canjica, Labareda, José Baiano, Galo, Moita Brava, José Sereno, Zabelê, Barreiras, Asa Branca, Candeeiro, Beija-Flor, Luís Padre, Maritaca, Incubadora, Baioneta, entre outros.

 



LAMPEÃO - CAPITÃO DO EXÉRCITO BRASILEIRO E APOIADO POR AUTORIDADES

Segundo matéria de 1948 constante no acervo digital do jornal cearense O Povo (fundado em 07 de janeiro de 1928) foi em Juazeiro do Norte que Lampeão foi convidado pelo deputado e médico Floro Bartolomeu para receber das mãos do padre Cícero, por intermédio do servidor público federal Pedro de Albuquerque Uchoa, a patente de Capitão do Exército Brasileiro, a fim de incorporar-se às forças legais que combatiam a Coluna Prestes. No seu bando Lampeão adotava a hierarquia militar e hábitos de caserna, há relatos que ele mesmo às vezes usava um apito de comando.

Jornal O POVO
http://www.opovo.com.br/app/acervo/noticiashistoricas/asfacanhasdor...



CORONEL, CAPITÃO: DISTINTIVOS DOS CHEFES POLÍTICOS DA REGIÃO

Na sua origem o título de ‘coronel’ era ocupado pelos principais proprietários rurais e que ingressaram na Guarda Nacional, criada no período imperial. A Guarda Nacional era uma força repressiva contra revoltas de grupos sociais subalternos. Aos poucos, a patente de coronel deixou de vincular-se ao exercício militar e passou a ser usada para distinguir os principais chefes políticos de cada região.
FONTE: A Escrita da História. CAMPOS, Flávio de & MIRANDA,Renan Garcia, p:429, 2005


O BANDO DE LAMPIÃO INVENTOU A DANÇA DO XAXADO

O xaxado é uma cantiga de trabalho dos tempos coloniais dos agricultores do nordeste do Brasil. Cuidando dos roçados, eles xaxavam a plantinha nova. Xaxar, também chamado "afofar" é aconchegar a terra com o pé para junto do caule fincado no chão para fortalecer o broto. Os cangaceiros eram agricultores e vaqueiros, lembraram-se dos rituais usados na manufatura no tempo das colheitas nos seus lugares de antiga morada. Para se divertirem quando não estavam em luta, eles dançavam homem com homem. O xaxado foi a dança que os libertou da dança entre um e o outro. A dança consiste em uma fila que circula um atrás do outro, ao rodar vão atirando a perna direita para frente, no ato de xaxar o chão. A graça da dança xaxado é o arrastado da alpercata no chão que faz o som sincronizado e alegre. Atualmente é apresentado com o gingado, mas originalmente era pé adiante e saracoteado como quem segurando uma espingarda ou fuzil estar a se esconder na moita.

Dançavam em fila indiana, o da frente, sempre o chefe do grupo ou o poeta, puxava os versos cantados e o restante do bando respondia em coro, com letras de insulto aos inimigos, lamentando mortes de companheiros ou enaltecendo suas aventuras e façanhas.

Saiba Mais: http://fundacaocasadacultura.com.br/site/?p=materias_ver&id=228

Assista a dança XAXADO:

http://www.youtube.com/watch?v=mIHhw3q1UrA



A partir de 1930, a mulher é inserida no cangaço

 

"Maria Bonita"?Tudo começa com Maria Bonita, companheira de Lampião, e depois vêm outras. A viúva quase menina, que alguns dizem ter sido "Maria Gomes de Oliveira", dita "Maria Bonita", a "Maria Didéa" do capitão Virgulino, "a morena da terra do Condor", e cujo nome verdadeiro é desconhecido. As coisas no cangaço andavam meio carentes, contam que o bando realizava bailes onde dançavam baião, xote e xaxado - homem com homem, e, que nas tardes calmas, o capitão Virgulino pedia cafuné (lhe coçar a cabeça, fingindo que esmaga piolho) ao cangaceiro Sereno - aquele que nos bailes se recusava a dançar com outro cangaceiro. O comportamento dele virou termo, e quem se recusa a dançar numa festa e fica somente olhando, está "no sereno da festa". Mas, tudo isso, sem outra intenção, a não ser a de dançarem, e sem nenhuma outra intenção, a não ser a de obter um chamego. Dizem que Maria por várias vezes entrava na caatinga e chegava até ao bando acampado, até  conseguir ser aceita pelo capitão. A viúva menina também "queria vingar alguma coisa?", teriam lhe morto o marido? Lhe destruído a família? Não se sabe. Muito embora não entrassem diretamente nos combates, as mulheres são preciosas colaboradoras, participando de forma indireta das brigadas e/ou empreitadas mais perigosas, cuidando dos feridos, cozinhando, lavando, e, principalmente, dando amor aos cangaceiros. Elas sempre portavam armas de cano curto (do tipo Mauser) e, em caso de defesa pessoal, estavam prontas para atirar. As cangaceiras mais famosas do bando de Lampião, juntamente com os seus companheiros, são: Dadá  dita "Suçuarana" que é o mesmo que onça preta, (de Corisco), Inacinha (de Galo), Sebastiana (de Moita Brava), Cila (de José Sereno), Maria (de Labareda), Lídia, (de José Baiano) e Neném do Ouro (de Luís Pedro).

Sérgia Ribeiro da Silva, "Dadá" e Cristino Gomes da Silva Cleto, "Corisco"

 

Na madrugada de 28 de junho de 1938 na grota de Angicos, em Sergipe, Lampião e seu bando de 35 cangaceiros foram metralhados pela volante de 48 policiais comandados pelo Capitão João Bezerra
Virgulino Ferreira da Silva dito Lampião nasceu em Pernambuco na localidade Serra Talhada em 1897 e foi morto na localidade Angicos em Sergipe na madrugada do dia 28 de julho de 1938 aos quarenta e um anos de idade, em que, segundo relatos, os cangaceiros acordaram tarde “já amanhecendo o dia”. Cangaceiro chefe de bandos que percorriam diversos Estados da região Nordeste do Brasil. O padre Cícero lhe concedeu a patente de capitão na época da Coluna Prestes. Vale a história de que Lampião foi traído por um coiteiro e surpreendido pelos "macacos", (como ele chamava os policiais, porque eles subiam nas árvores dos juazeiros para ver se avistavam o bando), comandados pelo capitão João Bezerra. O bando estava em um de seus coitos (esconderijos), na grota da Fazenda Angico, em Porto da Folha, Sergipe. Isso aconteceu na madrugada de 28 de julho de 1938. Um fator decisivo para o extermínio do bando de Lampião foi o uso da metralhadora pela polícia móvel e que os cangaceiros há muito tentavam ter, mas não obtêm sucesso. Os 30 homens e cinco mulheres começavam a se levantar e os 48 policiais da volante (polícia mobilizada que àquela época procurava bandidos), traziam uma metralhadora Hotchkis, (dizem que ele carregava 1000 contos de réis (um carro custava 8 contos) e uns 5 quilos de ouro) e que além dele e de Maria Bonita ( nome dado à sua companheira baiana, “ a morena da terra do condor”), foram mortos mais 9 cangaceiros, mas outra versão diz que ao todo, 11 cangaceiros morreram em Angicos. O restante conseguiu escapar pela brecha deixada por José Aniceto, aproveitando-se da semelhança dos trajes para dizer que era também da polícia. As cabeças dos mortos saíram em uma turnê macabra e foram expostas em várias cidades. As de Lampião e de Maria, que já jurara antes sempre permanecer ao lado de Lampião e que foi degolada viva, seguiram para o Museu Nina Rodrigues, em Salvador, e lá ficaram por trinta anos, ou seja, até 1968 quando então foram enterradas. Apesar de Corisco tentar continuar, com a figura de Lampião morre também a última liderança desse fenômeno social.

 

As cabeças dos cangaceiros ficaram em exposição ao público por 30 anos, ou seja, até 1968, no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, na Bahia

Por trinta anos as cabeças dos cangaceiros ficaram expostas no Museu Nina Rodrigues, em Salvador. Após décadas de protestos, por parte das famílias de Lampião, Maria Bonita e Corisco, no dia 6 de fevereiro de 1968, por ordem do governador Luís Viana Filho, e obedecendo ao código penal brasileiro que impõe o devido respeito aos mortos, as cabeças de Lampião e Maria Bonita são sepultadas no cemitério da Quinta dos Lázaros, em Salvador. Em 13 de fevereiro, do mesmo ano, o governador autoriza, ainda, o sepultamento da cabeça e do braço de Corisco, e das cabeças de Canjica, Zabelê, Azulão e Marinheiro.

O médico-legista de Maceió, professor Lages Filho, efetuou exames antropométricos nas cabeças de Lampião e de Maria Bonita. Sobre a mulher do chefe dos cangaceiros, Lages Filho afirmava, em seu relatório, de que a degradação não lhe permitiu “apreciar os traços fisionômicos, os quais, aliás, não pareciam desmentir o apelido que lhe deram”. Sobre Lampião, que teve o crânio destruído por um projétil que lhe desfigurou parte do rosto, o especialista apontava que não havia elementos que o incluíssem na galeria dos tipos criminosos especificados pelo italiano Cesare Lombroso a partir de estudos de crânios. Cinco dias depois do combate, Corisco, o diabo loiro, e que segundo se fala, era rapaz muito bonito, que não estava presente, mas sim em seu próprio bando, matou um coiteiro, (que imaginou ser o responsável pela denúncia do esconderijo do seu chefe e amigo), e mais outras cinco pessoas de sua família e cortou as cabeças e mandou para o capitão da volante policial João Bezerra como uma mostra de que as próximas cabeças seriam a dele e as de sua família. (Em 1940, Corisco foi morto e com ele, morreu o cangaço). Mas surgiu outra história: “o fotógrafo mineiro José Geraldo Aguiar causou considerável estardalhaço quando anunciou que Lampião não morreu em 1938, aos 41 anos, como está escrito nos livros de história. Ele teria morrido apenas em 1993, em Minas, com o nome de Antônio Maria da Conceição. O jornalista Aguiar pediu a exumação do corpo de Conceição, mas a Justiça negou (...)”

 

Museu Nina Rodrigues na Bahia por 30 anos, até 1968

 

Virgulino Ferreira da Silva entrou para o bando do "Seu" Pereira aos 19 anos, para vingar a morte do pai

Entrou para o cangaço aos 19 anos, no grupo de um homem chamado “Seu” Pereira. Foi ser cangaceiro para matar um vizinho chamado Saturnino, que mandou uma volante matar seu pai. Outra versão, bem oficial diz que o nome de quem matou seu pai era Zé Lucena e andava por esses tempos com a tal "esquadra volante", milícia que formou com a jagunçada que ia encontrando pelo sertão afora, conta-se ainda que Lampião, para atraí-lo enviou o Riqueza, que se fez passar por recruta e foi inclusive "promovido" a cabo pelo "tenente Lucena".

Virgulino era o terceiro de uma família de pai (José Ferreira da Silva), mãe (Maria Lopes) e nove filhos e ganhou a antonomásia “Lampião”, segundo contam cangaceiros do seu bando e dos bandos menores que permaneceram vivos, “ao iluminar a escuridão com uma rajada de tiros quando numa ocasião um cangaceiro procurava um cigarro perdido no chão”, ou outra versão conta que “ele fez uma modificação no seu fuzil, tornando-o mais rápido, de modo que o cano estava sempre aceso, como um lampião”! Os mais velhos contam que ouviram de seus pais, que seus avós contavam que certo dia ao almoçarem na casa de uma velhinha que os acolhia com muito gosto, um dos cangaceiros de repente sacudiu-se todo, escarrou e cuspiu e disse afobado:"Veiinha! O dicumê tá inssôso!" - ao que o capitão retrucou:"É mermo! Veiinha traga tudo o sal que a sinhora tem!" - e a pobre mulher apavorada trouxe prá mais de dois quilos. Então o capitão disse:" Eu num reclamei, intonce cabra, agora coma sal!"

 

Mas foi em 1921 que Lampião iniciou o seu grupo de cabras valentes, cada um com seu desejo de vingar alguma coisa, o grupo inicial contava com 46 cangaceiros dos cerca de trezentos que se formaria no total, no entanto, não se aglomeravam, eram divididos em vários bandos e comandados por um cabra, (mestiço de mulato e negro), de confiança do Capitão Virgulino 

A patente que lhe foi conferida pelo governo de Juazeiro do Norte no Ceará, que era o próprio padre Cícero. Percorrendo os sertões nordestinos, os justiceiros matavam coronéis e davam parte do lucro dos bens saqueados aos pobres, e, com o passar do tempo, alguns coronéis, que por medo ou até mesmo simpatia, já se aliavam ao grande bando e lhes propiciavam guarda e acolhida quando passavam nas localidades.Os protetores dos cangaceiros eram chamados acoitadores ou coiteiros.

 

Os Estudos Sobre o Cangaço


Dele e de seu bando existem verdades, lendas, narrativas orais e escritas, filmes, poemas, teatralizações músicas, seriados, exposições e estudos de universidades internacionais como 10 teses na Europa (três só na Sorbonne) e seis nos EUA relacionadas ao tema, em suas maiorias realizadas por estrangeiros. Em Aix-la-Chapelle (França) aconteceu uma exposição sobre o cangaço, promovida por uma instituição governamental da Suíça. Lampião era alfabetizado e inclusive foi fotografado apenas pelo fotógrafo e cineasta libanês Benjamin Abraão, que passa a morar no Brasil mais notadamente na região Nordeste, (segundo autorização do padre Cícero para fotografar), lendo o jornal O Globo. Desconfiado, Lampião ordena que Abrahão fique na frente do equipamento para o primeiro take, para se certificar de que não era uma armadilha. Em 27 de dezembro de 1936, o Diário de Pernambuco é o primeiro jornal do Brasil a publicar a façanha do libanês Benjamin Abrahão Calil Botto.



Estética e estratégias do cangaço

 

Cangaceiros gostavam de ouro, cachorros e perfumes

 

Estética do Cangaço – além de manifestações culturais, cantoria e dança, todos gostavam de moda. Maria Bonita era a costureira do bando, mas também Lampião e Dadá costuravam, faziam bordado e produziam os modelos das roupas. Compravam alguns produtos aos mascates. Dizem que por muitas vezes Lampião e Maria Bonita viajavam às capitais disfarçados em cidadãos comuns

1 - Chapéu - inspirado no modelo francês adotado pelo imperador Napoleão Bonaparte, (de quem Lampião leu a biografia), na frente de um dos seus chapéus Lampião tinha a estrela de Salomão (5 pontas) em ouro, em outros acompanhava o enfeite do resto do bando: várias mandalas em estrela

2 - Lenços - de tafetá francês ou seda pura inglesa; geralmente estampados e coloridos, quebravam a monotonia do tom ocre da roupa de tecido gabardine

3 - Brincos - ao contrário de outros sertanejos, os cangaceiros usavam brincos e outras jóias, tudo de ouro

4 - Casaco - desenhado e costurado em algodão ou couro por Lampião , que carregava uma máquina de costura Singer para todos os seus acampamentos; tinham também inspirações medievais

5 - Perfume - os cangaceiros costumavam ser reconhecidos pelo cheiro excessivo de perfume, inclusive pelas volantes; Lampião preferia o "Fleur d'Amour", considerado um dos melhores perfumes franceses entre os anos 20 e 40

6 - Calça - o modelo mais usado era com culote e cintura bem alta; usavam até três no inverno devido ao frio à noite

7 – Cabelos - Lampião deixou de cortar os cabelos como promessa, após a morte do irmão, sendo seguido pelos outros cangaceiros; às vezes, eles penduravam anéis no cabelo, (que eram geralmente longos nas mulheres e em alguns dos homens), depois de lotados todos os dedos das mãos

8 - Arma - como outros adereços, era cravejada de moedas de ouro, influência da marchetaria árabe no sertão nordestino; segundo vários historiadores a presença da cultura dos árabes ¹ são uma evidência na cultura nordestina

9 - Alpargatas - enfeitadas com desenhos costurados; tinham uma lingueta para proteger os dedos

10 - Saia - sempre acima do joelho, desrespeitando a convenção da saia rendada até o tornozelo

11 - Anéis - de ouro, mulheres e homens usavam até três anéis por dedo

12- Alpargatas - desenhadas e confeccionadas em couro por Dadá, mulher de Corisco

13 - Colares e rosários - colares e correntes também de ouro, misturados com terços bentos, usados em abundância

14 – Lampião usava óculos - tinha o olho direito “vazado”, segundo dizem, ao ser atingido por um galho quando fugia a pé por dentro da caatinga

15 - Proteção para as pernas e braços - as mulheres usavam meias grossas de algodão, 3/4 ou seja, até os joelhos e os homens usavam perneiras, de couro, isso para não arranhar nas caatingas, motivo também pelo qual todos usavam manga comprida

 

 

Os nomes eram imortais. Quando um cangaceiro morria outro assumia o mesmo nome

 

Táticas e Truques do Cangaço - O conhecimento do ambiente e o uso de algumas táticas davam vantagem ao cangaceiro.

1 - Rastros
Uma forma de escondê-los era andar em fila indiana, todos pisando na mesma pegada. O último ia de costas, apagando-a com plantas, Mandavam também fazer alpercatas com o salto na frente e não atrás, como é normal. A pegada parecia apontar para o outro lado, de modo que os perseguidores não sabiam se o bando ia ou se vinha

2 - Comunicações
Quando entrava numa cidade, o bando cortava o fio do telégrafo e tomava o posto telefônico, impedindo pedidos de socorro

3- Estradas
Eram evitadas. Os bandoleiros iam por dentro da caatinga. Quando não tinham outra opção, sequestravam todas as pessoas que encontravam e levavam os reféns ao menos por um tempo

4 - Psicologia
Não deixavam a polícia avaliar o resultado dos combates. Levavam os mortos e, quando não dava, cortavam-lhes as cabeças, dificultando a identificação

5 - Apelidos
Quando um integrante do grupo morria, seu apelido era adotado por um novato. Essa é uma das razões que faziam os cangaceiros parecerem invencíveis, pois os nomes eram imortais

6 - Alarmes
Sempre havia cães acompanhando o bando, (já crianças pequenas não havia, as cangaceiras davam ou deixavam os filhos aos cuidados geralmente de padres ou de mulheres de coiteiros de muita confiança do capitão Virgulino, no entanto havia garotos ingressantes no bando), os cães funcionavam como sentinelas ( mas não latiam, exprimiam um rosnado gutural e abafado, como o da gia e que era entendido pelos cangaceiros), dizem que o cão do Capitão se chamava guarani.  Havia também um sistema banal de alarme, consistia em cercar o acampamento com fios ligados a chocalhos (sinos, guizos)

6 – Para não serem vistos pelos inimigos rezavam “orações fortes”, ensinadas por beatos ou curandeiros que havia no sertão, tal como: Se encobrindo por uma árvore ou mesmo a palma da mão empatando ver o inimigo, rezar o Credo em cruz pelo avesso

Surpresa, esperteza, covardia?

Para conseguir bons resultados, Lampião evitava ao máximo os confrontos e abusava de uma tática conhecida como dueto. Ao ataque da polícia, simulava uma fuga, esperando o inimigo em outro local, de surpresa. Havia quem dissesse que isso era covardia. Ele preferia chamar de esperteza.


SAIBA MAIS! Clique:http://www.iar.unicamp.br/videoteca/criticas/106.htm

Alguns dos filmes sobre personagens e o cangaço

 

O Cabeleira - sobre "Jesuino Brilhante"

O Cangaceiro – 1953, Lima Barreto

Deus e o Diabo na Terra do Sol – 1964, Glauber Rocha

Lampião – o Rei do Cangaço

Corisco e Dadá – Rosemberg Cariry

Baile Perfumado - 1996, Paulo Caldas e Lírio Ferreira ( a saga do mascate que filmou os cangaceiros)

Filme de Benjamin Abrahão Botto – 1938

 

Cristino Gomes da Silva Cleto, "Corisco", ou "diabo louro", ainda tentou por 2 anos, mas teve o braço decepado, não teve condições de continuar e foi assassinado em 25 de maio de 1940. Sua companheira Sérgia Ribeiro da Silva, a "Dadá", "Suçuarana", sobreviveu e faleceu somente em 1994 com problemas de saúde inclusive diabetes, que lhe causou amputação de uma das pernas, mesmo assim, em precárias condições de saúde, assistiu em 1972 a exumação dos ossos de Corisco. Com Lampião, em 1938, havia morrido o cangaço, fato social que se tornou fato histórico e revelou qual a cultura do povo Nordestino do Brasil

Dos cangaceiros que sobreviveram, muitos ficaram mutilados, alguns a mídia os procurava para entrevistas, uma das vezes ao ser convidado pelo diretor a assitir cenas do filme sobre o cangaço, Volta Seca não gostou quando um "polícia" bateu na cara do cangaceiro, então indignado Volta Seca disse: "Home num se bate na cara, se mata!"

Em 1936 o Diário de Pernambuco publicou fotos tiradas das filmagens feitas pelo libanês Benjamin Abrahão. Se mais ninguém estranho havia no grupo, o amigo libanês também sai nas fimagens, e portanto,  cangaceiro também sabia  manipular os equipamentos de filmagem.

 

No dia 2 de junho de 1938 o Cine Moderno, em Fortaleza, exibiu o filme de Benjamin Abrahão, o que de certo modo, atiçou a perseguição ao bando

O Cine Moderno, em Fortaleza, abrigou, no dia 2 de julho de 1938, a única exibição pública do filme de Benjamin Abrahão. Na platéia, o chefe de Polícia, Cordeiro Neto, jornalistas e convidados para uma sessão privada. As cenas mostravam os cangaceiros rezando, lendo, sorrindo, encarando a câmera, simulando combates, dançando e despreocupados, o rei da caatinga, dando ordens ao seu bando, costurando, lendo e rezando o ofício. Lampião rezava a Oração da Pedra Cristalina. Mas depois das fotos publicadas o país todo agora exigia providências para se acabar com o cangaço no interior do Nordeste. Boa parte das 78 fotografias tiradas por Abrahão foi usada pelos jornais e revistas da época, como o Cruzeiro. Deste material original, meia dúzia teve os negativos originais perdidos ao longo do tempo e outros 12 não podem ser manuseados, sob o risco de virarem pó. As 60 fotos restantes passaram por uma recente restauração, incluindo 24 inéditas. O trabalho foi coordenado por Ricardo Albuquerque, neto do fundador da Aba Film, Adhemar. O projeto de resgate da obra de Abrahão, batizado de Memorial do Cangaço, tem ainda a participação de Vera Ferreira, neta de Lampião, e do pesquisador Amaury Correia de Araújo. Como fez com o Padre Cícero, que posou com o libanês segurando um exemplar de O Globo, do Rio de Janeiro, Benjamin Abrahão convenceu Lampião a segurar o jornal e também uma edição do A Noite Ilustrada. Maria Bonita, por sua vez, teria sido fotografada ao lado de um cartaz do Cafiaspirina, produto da Bayer.

A Metralhadora Hotchkiss colocada em uma elevação a menos de 15 metros de onde o bando acabava de acordar,  fez a maior parte da matança

Conta-se que o soldado Abdon desobedeceu à ordem de João Bezerra e deu o primeiro tiro no cangaceiro Amoroso, que mesmo baleado conseguiu escapar do massacre que se daria logo a seguir. A metralhadora Hotchkiss, colocada em uma elevação a menos de 15 metros do acampamento, fez a maior parte do serviço. Lampião foi atingido no tórax e no baixo ventre, mal teve tempo de esboçar uma reação. Ainda baleada, Maria Bonita teria lembrado a Luiz Pedro, que já fugia, a sua promessa de permanecer ao lado do chefe. Depois, teria implorado para não ser morta, mas acabaria, sendo algumas versões, sendo degolada ainda viva. As cabeças dos cangaceiros ficaram expostas por trinta anos no Museu Nina Rodrigues em Salvador.

 

Raimundo Nina Rodrigues (Vargem Grande, MA. 1862 - Paris, 1906), foi médico, etnólogo, folclorista e sociólogo nascido no Estado Maranhão, iniciou estudos sobre os negros brasileiros. Dentre suas obras estão: O Animismo Fetichista dos Negros da Bahia (1900); Os Africanos no Brasil (1932) e o importante trabalho sobre o Quilombo dos Palmares. Para ele "o jagunço é um produto tão mestiço no físico, que reproduz os caracteres antropológicos combinados das raças de que provém [...] no jagunço [...] revelam-se inteiriços o caráter indomável do índio selvagem, o gosto pela vida errante e nômade, a resistência aos sofrimentos físicos, à fome, à sede, às intempéries [...]" - RODRIGUES, Nina. As Coletividades Anormais. Rio de janeiro; Civilização Brasileira; 1939

As cabeças dos cangaceiros foram examinadas para estudos sobre a teoria da predisposição genética à criminalidade


O médico-legista de Maceió, professor Lages Filho, efetuou exames antropométricos nas cabeças de Lampião e de Maria Bonita. Sobre a mulher do chefe dos cangaceiros, Lages Filho afirmava, em seu relatório, de que a degradação não lhe permitiu “apreciar os traços fisionômicos, os quais, aliás, não pareciam desmentir o apelido que lhe deram”. Sobre Lampião, que teve o crânio destruído por um projétil que lhe desfigurou parte do rosto, o especialista apontava que não havia elementos que o incluíssem na galeria dos tipos criminosos (investigações sobre se criminosos tinham um “nó da criminalidade”) especificados pelo médico e criminologista italiano de descendência judaica Cesare Lombroso a partir de estudos de crânios.

 

Antonio dos Santos, "Volta Seca" submetido a exame sobre o "nó da criminalidade"


 


A TOCAIA PELAS TROPAS DA POLÍCIA MILITAR DO PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS TEVE COMO AS PERSONAGENS PRINCIPAIS O CORONEL LUCENA E O TENENTE JOÃO BEZERRA

O coronel PM José Lucena de Albuquerque Maranhão, 1° Comandante do antigo 2° BPM (criado em 23 de julho de 1936), atual 3° Batalhão foi o homem que matou José Ferreira da Silva, o pai de Virgolino Ferreira da silva – mais tarde Lampião, e anos mais tarde, também matou o cangaceiro Lampião. O coronel Lucena entrou para a história alagoana como benfeitor público. Elegeu-se deputado estadual em 1951 com grande votação, e dois anos depois foi o primeiro prefeito eleito de Maceió.
O Tenente João Bezerra da Silva liderou a caçada como o comandante da volante alagoana que exterminou Lampião, Maria Bonita e mais 9 cangaceiros na a Grota do Angico, em Poço Redondo, Sergipe, no raiar do dia 28 de julho de 1938.

FONTE: histórico da Polícia Militar de Alagoas:
http://www.pm.al.gov.br/3bpm/historico.html



LAMPIÃO POR ELE MESMO: ENTREVISTA NO SITE OFICIAL - MANTIDO POR VERA FERREIRA, NETA DE LAMPIÃO E MARIA BONITA

Lampião, durante sua visita a Juazeiro do Norte onde se dirigira a convite do padre Cícero Romão para integrar o Batalhão Patriótico no combate à coluna Prestes foi entrevistado pelo médico de Crato, Dr. Octacílio Macêdo.
ACESSE AQUI A ENTREVISTA> http://www.infonet.com.br/lampiao/




"Bento Milagroso": Bento José da Veiga Pessoa (1866 - 1930).

Curandeiro e rezador que por volta de 1913 atraia grande massa popular a Recife, para suas rezas e curas milagrosas. Conta-se que uma mãezinha muito pobre e que morava muito longe, ia por várias vezes a pé para que o Bento Milagroso tirasse o mau olhado de sua filhinha. Então, para que a pobre mãe não precisasse caminhar tanto com a criança doente no sol, o rezador disse que agora o pai da criança poderia tirar o quebranto, passando em cruz 3 vezes por cima da menina  e dizendo essas palavras:

 

REZA DE QUEBRANTE

"Ou quebrante ou mau olhado, se tu foste botado com 2 olhos eu te tiro é com o rabo".

(Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém)

 

Desde então, a reza se espalhou e todo pai era esperado pela própria sua mulher, para tirar "o quebrante". Também dizem que foi Bento Milagroso quem ensinou a Virgulino a oração da Pedra Cristalina, quando este se preparava para entrar para o cangaço.

 

Há também a reza que cura qualquer dor, é só adaptá-la ao local que dói. O bando de cangaceiros que gostava muito de rezar e tinha muita fé e nenhum outro recurso, recorria no meio da caatinga e sol inclemente, às rezas ensinadas e liberadas ao público leigo de Bento Milagroso. É uma narração e diálogo entre Jesús e seu pai José. Tem que seguir direito a execução conforme o que é pronunciado, e,  assim, se a dor é no dente o sofredor (doente) abarca a boca com a própria mão e anda atrás do rezador até acabar as palavras.

Já se a dor é na cabeça é colocada sobre a cabeça da vítima (doente) um caneco cheio de água (que vai acabar fervendo e borbulhando) e o doente deve do mesmo modo caminhar direitinho atrás do rezador:

 

 REZA DE JESÚS E JOSÉ

 

"Andava Jésus e José uma longa viagem, Jesús andava José ficava.

 

Pergunta Jesús a José: ''O que é que tens José?'',

 

Responde José a Jesús: ''ai! Senhor! É uma dor de cabeça, uma dor de pontada, uma dor de ventrusidade que chega a me fugir as carnes''!

 

Responde Jesús a José: ''Pois anda José, e pisa nas minhas pisadas que tú ficarás livre e salvo da tua dor de cabeça, da tua dor de pontada, da tua dor de ventrusidade que chega a te fugir as carnes, assim como eu fiquei livre e salvo das minhas 5 chagas''. 

'' Em nome do Pai +, do Filho + e do Espírito Santo +  -- fulano -- tú estás curado. Amém''

 

E se deve no final da reza jogar a água do caneco para trás. É tiro e queda!



O CANGAÇO NÃO MORRE COM O TEMPO. SÓ OS SEUS REPRESENTANTES VÃO INDO EMBORA POUCO A POUCO E DEIXAM MAIS LENDAS E HISTÓRIAS

Haverá sempre mais cangaceiros do nordeste do Brasil por aí. Raça forte que morre de saudade, de velhice e de ‘indigestão’. Quem mais será descoberto pela mídia ainda como “o último cangaceiro” vivo espalhado nas localidades brasileiras?


MORENO

Em 2010 morre Moreno aos 100 anos de idade em Minas Gerais. Antes em 2008 sua companheira Durvinha havia falecido aos 93 anos. O corpo de Moreno, como ele era conhecido no cangaço, foi enterrado no Cemitério da Saudade, na capital mineira, em meio a fogos de artifício a seu pedido em comemoração por ter uma cova para ser sepultado.

SAIBA MAIS: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,morre-em-mg-ultimo-homem-d...


ARISTÉIA

Em 2012 Aristéia morre em Paulo Afonso, Bahia, aos 98 anos, de complicações estomacais. A cangaceira foi componente do bando de Moreno. Ela vivia em Delmiro Gouveia (Alagoas) com os filhos. O corpo é sepultado no Capiá da Igrejinha, em Canapi, em Alagoas.

SAIBA MAIS: http://g1.globo.com/bahia/noticia/2012/01/aos-98-anos-morre-aristei...


CANDEEIRO (1916, Buíque, Pernambuco – 2013, Arcoverde, Pernambuco)

Na madrugada de 24 de agosto de 2013 morre de Acidente Vascular Cerebral (derrame) Manuel Dantas Loyola aos 97 anos no Hospital Memorial de Arcoverde, em Pernambuco. O sepultamento de Seu Né como era conhecido acontece no cemitério de Buíque, município pernambucano a 258 quilometros de Recife e sua terra natal. Manuel ingressou no bando de Lampião em 1936 e, segundo conta trabalhava em uma fazenda cujo fazendeiro era “coiteiro”, dava acolhida aos bandos de cangaceiros. Certa ocasião o bando de Jararaca chegou à fazenda e foi delatado por alguém, logo a fazenda ficou cercada pelas ‘volantes’ (polícia) e foi assim que Manuel Dantas preferiu fugir com o bando a ser preso pelos ‘macacos’. No bando passa a se chamar Candeeiro e durante os 2 anos que passou no cangaço tinha a função de entregar as cartas escritas por Lampião cobrando remunerações a fazendeiros e comerciantes “e sempre voltava com o pedido atendido”. Refere que no primeiro combate com as volantes foi ferido por bala na coxa e o buraco foi curado com farinha peneirada e pimenta.
No amanhecer do dia 27 de julho de 1938 quando Lampião e 11 componentes incluindo a lendária Maria Bonita foi dizimado na Grota de Angicos, em Poço Redondo no sertão de Sergipe, Candeeiro conta que “já estava acordado e se preparava para urinar quando começou o tiroteio” e, “desci atirando, foi bala como o diabo!”. Levou bala no braço direito “que ficou esfrangalhado”, mas conseguiu escapar do cerco. Dias depois, com a promessa de não ser morto, ele e mais 16 cangaceiros entregaram-se em Geremoabo, na Bahia. Cumpriu 2 anos de prisão. Tempos depois, já na velhice, passou a ser o Seu Né, comerciante aposentado. Conta ainda que 3 dias antes da chacina que acabou o bando de Lampião, (além da cisma de Maria Bonita há tempos e do cansaço e preocupação de Lampião pensando em reunir os bandos e comunicar que deixaria o cangaço) Candeeiro também teria dito: “Capitão, esse não é um lugar seguro para a gente”.
Fonte: jornal AQUI CEARÁ – Nº 318 - 25 de julho de 2013


 

 

Ouça " MULHER RENDEIRA" na voz de Volta Seca -Clique e assista o vídeo e outros do cangaço

http://www.youtube.com/watch?v=CFmTzwBYHv8 

O ex-cangaceiro Antonio dos Santos (Volta Seca) gravou em 1957 no disco de 33 RPM (rotações por minuto), de 10 polegadas, com o título de "Cantigas de Lampeão"

 

Leia: http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Benjamim%20Abrah%C3%A3o

 

  * Fonte: CAMPOS, Flávio de. & MIRANDA, Renan Garcia. A Escrita da História. 1ª Edição; São Paulo: Escala Educacional, 2005 - (cap:18)


Saiba Mais


http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/lampiao/lampiao-2.php

¹ - http://www.cchla.ufpb.br/rbse/MairaArt.pdf

http://revistamuito.atarde.com.br/?p=4464

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/cangaco/cangaco-1.php

 

Leia Mais

 

Wikipédia: Jagunço

 

¹ - QUEIROZ, Claudionor de Oliveira. O Sertão Que Eu Conheci. 2ª edição; Salvador; Alba; 1998

 

 

ORAÇÃO DA PEDRA CRISTALINA

 

"Minha Pedra Cristalina que no mar foste achada, entre o Cálice e a Hóstia consagrada treme a terra, mas não

 treme Nosso Senhor Jesus Cristo no altar;

Assim como treme os corações dos meus inimigos quando olharem para mim.

Eu te benzo em cruz e não tu a mim, entre o sol e a lua e as estrelas,

As três pessoas da Santíssima Trindade.

Meu Deus! Na travessia avistei meus inimigos.

Meu Deus, o que faço com eles?

Com o manto da Virgem Maria sou coberto; 

E com o sangue de meu senhor Jesus Cristo sou valido;

 Com o leite da Virgem Maria borrifado,

 Na arca de Noé arrecadado,

 onde meus inimigos não me possam nem ver, nem  prender, nem ferir, nem matar, nem sangue do meu corpo tirar.

 Se tiverem olhos não me verão;

 Se tiverem ouvidos não me escutarão;

 Se tiverem boca não me falarão;

 Se tiverem mãos não me baterão;

 Se tiverem pés não me alcançarão

Tens vontade de atirar, porém não atira.

Se me atirar, água pelo cano da espingarda correrá.

Se tiver vontade de me furar a faca, da mão cairá.

Se me amarrar, os nós desatarão 

E se me trancar, as portas se abrirão.

Salvo fui +, salvo sou +, salvo serei +

Com a chave do Santíssimo Sacrário, eu me fecharei

 Anjo Custódio! Anjo Custódio pendente da cruz, chagas abertas +, coração ferido +, o sangue do meu Senhor Jesús

 Cristo + derramado entre nós, os nossos inimigos e os perigos".

 

( Pesquisa do trabalho realizada na Internet, pescada com landuá e sob experiências de escutas e de narrativas )

 

 CRONOLOGIA DA HISTÓRIA DO BRASIL

- Antes de 1500: pré - Cabraliana

- Colônia de Portugal: 1500 - 1822

- Império: 1822 - 1889

- República: 1889 - 2001,...., .....,....

 

HINO DO ESTADO DO CEARÁ

LETRA: THOMAZ LOPES

MÚSICA: ALBERTO NEPOMUCENO

http://www.youtube.com/watch?v=uUQuCfJfK6k&feature=related

 

 

HINO DA CIDADE DE FORTALEZA

LETRA: GUSTAVO BARROSO

MÚSICA: ANTONIO GONDIM

http://www.youtube.com/watch?v=-r8Lzh-tN8w

 

No Meu Ceará É Assim:

As primeiras tentativas para colonizar o Ceará se deram a partir de 1603 com Pero Coelho de Sousa, que não obteve êxito e nem interesse da Coroa Portuguesa,  outra investida ocorreu em 1607, e,  por volta de 1610 a região já era ocupada com o propósito de ser protegida do ataque de franceses, holandeses, espanhois  e inglêses, mas foi somente em 1612 que Martins Soares Moreno chegou à barra do Ceará. Tempos depois Soares Moreno recebe da Metrópole o cargo de Capitão-Mor da capitania do Siará Grande, sendo esta, subordinada à capitania de Pernambuco. O Ceará teve o antigo nome Siará Grande, há várias versões sobre o seu significado, dentre eles: "canto da jandaia", "papagaio pequeno", "caranguejo branco" e "água verde". Cresceu de dentro para fora do sertão, tornou-se caminho do gado e terra das charqueadas, do couro e dos vaqueiros "cabras-da-peste", porque mestiços, (negros, escravos, europeus, holandeses,judeus,e etc.,)destemidos, andarilhos, e "dá um boi prá não entrar numa briga e uma boiada prá não sair". Dos holandeses herdou-se a platibasia - cabeça plana e redonda, daí sendo pejorativamente chamados "cabeça-chata".A população atual, como no resto do Brasil, é de maioria crioula, "nascidos da casa-do-senhor". O Forte de Schoonenborch foi construído por iniciativa do capitão Matias Beck em 1649, era tosco e coberto de palhas, (o atual foi construido pelo engenheiro Silva Paulet). Em 1654, expulsos os holandeses, os portugueses retomaram o Forte e rebatizaram com o nome de Forte da Nossa Senhora de Assunção e que deu origem ao povoado que tornou-se vila em 1699 e  depois cidade e capital provincial em 1823. No local do Forte, começa o centro histórico de Fortaleza, é onde está  o Quartel da 10ª  Região Militar, do Exército Brasileiro.

A fundação oficial  da cidade da Vila de Fortaleza de Nossa Senhora d' Assunção é 13 de Abril de 1726, data comemorada com festividades.

O Ceará está na região Nordeste do Brasil, a região Nordeste é constituida de 9 Estados e 1 Território, a saber: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, e o Território de Fernando de Noronha.  Fortaleza está  localizada no litoral atlântico. Se limita ao Norte com o Oceano Atlântico, ao Sul com Pernambuco, ao Leste com o Rio Grande do Norte e Paraíba e ao Oeste com o Piauí. Fortaleza tem clima tropical atlântico, esparsa vegetação de Mata Atlântica, e tem como principais atividades econômicas: Turismo, Comércio, Indústria (de produtos da região, sendo o algodão o de maior índice), e Serviços. É um dos principais centros culturais do Nordeste brasileiro. O clima é tropical atlântico no litoral e semi-árido no sertão.
O relevo cearense consiste de extensas planuras (serras e chapadas), a pluviosidade apresenta baixo índice, com estações chuvosas muito curtas e irregulares, falhando em alguns anos, o que ocasiona o fenômeno da "seca".
A vegetação do clima semi-árido brasileiro apresenta mais de 90 por cento de caatingas, (plantas de pouca folhagem, e quase completamente formadas por espinheiros): cactus (xique-xique, mandacaru) e gravatás. Nas áreas mais favorecidas a caatinga é arbórea, nas menos favorecidas é arbustiva. As plantas são caducifóleas - apresentam adaptações ao longo período das estiagens, tais como a queda das folhas, espinhos e acúleos, cobertura das folhas por cera, como acontece com a carnaúba, afim de evitar a perda de água. As plantas mais comuns são: caroá; macambira; jurema-preta; umbuzeiro; juazeiro; maniçoba; marmeleiro; caatingueira; baraúna; pau-ferro; oiticica e a carnaúba. Com excessão do baixo curso do rio Jaguaribe, todos os rios secam durante o fenômeno da seca. Aproveitando a umidade dos leitos dos rios acontece a "cultura de vazante". O algodão arbóreo é a principal cultura do Ceará. São comuns as culturas do caju; mamona; cana-de-açúcar; arroz; milho; feijão; café; banana; coco-da-baía; mandioca e sisal. O gado é criado solto nas caatingas e é levado para as serras e chapadas nas estações secas, para arrebanhá-los existe o vaqueiro e o seu cavalo, que se embrenham a galope no denso emaranhado de galhos secos e mandacarus da sequidão das caatingas, não é raro vaqueiros e cavalos terem as vistas furadas pelos galhos, mas, isso não impede de continuar a perseguição ao gado fugido. Para fazer o jabá, é preferida a carne da vaca, porque tem muito sebo, a carne de vaca cortada em mantas, salgada e secada ao sol, é chamada de carne-seca; jabá; charque, carne do sol. A rota das charqueadas e a fabricação manual das carnes do Ceará do século XVIII - "civilização do couro", deu formação aos sertões cearenses. Historiadores e pesquisadores referem que a jornada começou no Icó, ribeira do rio Jaguaribe, indo para Aracati.

GRUPOS INDÍGENAS NO CEARÁ: Calabaça; Cariri (Ce./Al.); Jenipapo-canindé; Paiacu; Pitaguari; Reriiú; Tabajara (Ce./Ma.); e Tremembé.

. FONTE: Aurélio, 2002
A HISTÓRIA DE FORTALEZA TEM TRAÇOS FORTES COM A HISTÓRIA DO CEARÁ
terra de índios dos troncos Tupi (Tabajara, Parangaba, Parnamirin, Paupina, Caucaia, Potiguara, Paiacu, Tapeba) e dos troncos Jê (Tremembé, Guanacés, Jaguaruana, Canindé, Genipapo, Baturité, Icó, Chocó, Quiripau, Cariri, Jucá, Quixelô, Inhamum), os quais, embora dizimados em grande parte, fazem sua cultura estar presente até a atualidade, em hábitos, crenças, comidas, medicina, arte popular, nomes, vocabulário e na etnia.



LENDA DA FUNDAÇÃO DO CEARÁ: entre na cabana de Araquém e veja a “Iracema Guardiã”

A estátua da personagem do romance de nome Iracema do escritor cearense José de Alencar é considerada um dos ícones culturais de Fortaleza pela Lei nº 884/2011, sancionada pela prefeita Luizianne Lins, e inaugurada em 1996, em comemoração aos 25 anos do bairro Praia de Iracema, área pertencente à Secretaria Executiva Regional II. Essa escultura do artista cearense Zenon Barreto pode ser vista na orla da Praia de Iracema entre as ruas Ildefonso Albano e Antonio Augusto onde recebe nome Iracema guardiã. Há outras Iracemas, de vários artistas na cidade, o significado desse ícone histórico tem origem no livro homônimo, ou seja, com título “Iracema”, do escritor José de Alencar.

O romance indianista escrito em 1865 em prosa poética trás no seu enredo a lenda da fundação do Ceará, como cenário para o amor de uma índia e um guerreiro branco. Mistura romance, lenda e documentação histórica, nele o autor não se importa com os elementos espaciais, ou seja, as personagens passam de uma localidade a outra. Iracema, que em guarani significa “lábios de mel”, passeava na praia do Mocoripe, atual Mucuripe e tomava banho na lagoa de Mocejana, atual Messejana. Segundo Aurélio (2000, “Grupos Indígenas do Brasil”), e notas do autor no romance, os índios Tabajara (grupo étnico não se pluraliza) habitavam o interior da província do Ceará, especialmente a serra de Ibiapaba e o Maranhão.

A LENDA DA FUNDAÇÃO DO CEARÁ

O livro narra que Martins Soares Moreno estava vivendo com os índios da tribo Pitiguara inimigos da tribo Tabajara. Um dia, se perde no litoral das terras “dos verdes mares bravios” e acontece o encontro com a índia que “guarda o segredo da jurema e o mistério do sonho. Sua mão fabrica para o pajé a bebida de Tupã”. Nesse instante, Martim recorda que a mãe havia lhe ensinado que uma mulher deve sempre ser protegida e respeitada e, portanto, não pensou em atacar a índia. Iracema, no entanto, atira a flecha e fere o guerreiro que “Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas”, mas, no mesmo instante se arrepende. “A Virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que o talhe de palmeira”, joga ao longe o arco e a uiraçaba, corre para estancar-lhe o sangue da fronte branca e leva o moço para a cabana de Araquém, seu pai. Soares Moreno fica vivendo entre os índios da tribo Tabajara. Tempos depois numa solenidade é batizado com o nome indígena de Coatiabo, “o guerreiro pintado”. Um dia, ao voltar de uma longa batalha, “o guerreiro da esposa Iracema e do amigo irmão Poti, chefe dos pitiguara” a encontra com seu filho, chamado Moacir, “o filho do sofrimento”. Doente de saudades do amado a índia moribunda entrega-lhe a criança para que ele a crie e pede-lhe: “Enterra o corpo de tua esposa ao pé do coqueiro que tu amaste, quando o vento do mar soprar nas folhas, Iracema pensará que é tua voz que fala entre seus cabelos”. “O camucim recebeu o corpo de Iracema, embebido de resinas odoríferas; e foi enterrado ao pé do coqueiro, à borda do rio”.
A graciosa ave “ará” em guarani “mel”, a espécie de arara pequenina, também chamada jandaia ou periquito, sua companheira e amiga, que brincava com ela, não quis deixar sua dona e senhora. Fica a cantar nas palhas do coqueiro. Talvez, relembre que “subia aos ramos das árvores e de lá chamava seu nome, outras vezes remexia o urú de palha matizada onde a selvagem trazia seus perfumes, os alvos fios do croatá, as agulhas da juçara com as quais tecia a renda, e as tintas com que matizava o algodão”.
Martim Soares Moreno voltou às terras onde foi feliz, chegou junto com os padres da catequese. Vai sempre visitar o local onde está a dormir a formosa Tabajara, índia do tronco Tupi: nas brancas areias da praia dos verdes mares bravios, junto da palmeira onde canta a jandaia.

“Tudo Passa Sobre a Terra”.
“E foi assim, que um dia veio a chamar-se Ceará o rio onde cresce o coqueiro, e os campos onde serpeia o rio” – José de Alencar.

Leia: Iracema: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000014.pdf

Nos anos 60 o artista Zenon da Cunha Mendes Barreto (Sobral, Ce. – 1918 - 2002) estava idealizado a escultura da índia para as comemorações dos 100 anos da obra do escritor.

Leia mais em: http://www.fortaleza.ce.gov.br/index.php?option=com_content&tas...


SAIBA MAIS HISTÓRIA: http://www.ceara.com.br/cepg/historia.htm

No ceará tudo se faz com enorme significado. Venha conhecer:

EVENTOS E FESTAS RELIGIOSAS: http://www.ceara.com.br/cepg/festas.htm

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Tags: Cangaço

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Comentário de Altair Andrade Cruz em 5 junho 2011 às 12:02
Lampião e Maria Bonita eram leitores assíduos das revistas O Cruzeiro, FonFon, Noite Ilustrada e apreciavam 'os retratos' dos astros e estrelas de Hollywood, quando posaram para o libanês imitavam Greta Garbo e Roodolfo Valentino
Comentário de Altair Andrade Cruz em 21 maio 2011 às 17:39
Os cangaceiros que sobreviveram muitos ficaram mutilados. A midia os procurava para entrevistas, conta-se que o cangaceiro Volta Seca ao ser convidado a assistir a cenas de um filme sobre o cangaço, não gostou de uma cena em que "o polícia" bateu na cara do cangaceiro, e Volta Seca então falou indignado: "Home num se bate na cara, se mata!"

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