O café é uma bebida produzida a partir dos grãos torrados do fruto do cafeeiro.
É servido tradicionalmente quente, mas também pode ser consumido
gelado. O café é um estimulante, por possuir cafeína
— geralmente 80 a 140 mg para cada 207 mL dependendo do método de
preparação.
Em alguns períodos da década de 1980, o café era a segunda commodity
mais negociada no mundo por valor monetário, atrás apenas do petróleo.
Este dado estatístico ainda é amplamente citado, mas tem sido impreciso
por cerca de duas décadas, devido à queda do preço do café durante a
crise do produto na 1990"">década de 1990, reduzindo o valor total de suas exportações.
Em 2003, o café foi o sétimo produto agrícola de exportação mais
importante em termos de valor, atrás de culturas como trigo, milho e soja
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A história do café começou no século IX. O café é originário das terras altas da Etiópia
(possivelmente com culturas no Sudão e
Quênia)
e difundiu-se para o mundo através do Egito e da Europa.[4]
Mas, ao contrário do que se acredita, a palavra "café" não é originária
de Kaffa — local de origem da planta —, e sim da palavra árabe qahwa,
que significa "vinho", devido à importância que a planta passou a ter
para o mundo árabe.
Uma lenda conta que um pastor chamado Kaldi observou que suas cabras ficavam mais espertas ao comer as folhas e
frutos do cafeeiro. Ele experimentou os frutos e sentiu maior
vivacidade. Um monge da região, informado sobre o fato, começou a
utilizar uma infusão de frutos para resistir ao sono enquanto orava.
O conhecimento dos efeitos da bebida disseminou-se e no século XVI o café era utilizado no oriente, sendo torrado pela primeira vez na Pérsia.
Na Arábia, a infusão do café recebeu o nome de kahwah ou cahue (ou
ainda qah'wa, do original em árabe"">árabe . Enquanto na língua turco otomana
era conhecido como kahve, cujo significado original também era
"vinho". A classificação arabica"">Coffea arabica foi dada pelo naturalista Lineu.
O café no entanto teve inimigos mesmo entre os árabes, que consideravam suas propriedades contrárias às leis do profeta Maomé.
No entanto, logo o café venceu essas resistências e até os doutores
maometanos aderiram à bebida para favorecer a digestão, alegrar o
espírito e afastar o sono, segundo os escritores da época.
Em 1475 surge em Constantinopla a primeira loja de café,
produto que para se espalhar pelo mundo se beneficiou, primeiro, da
expansão do Islamismo e, em uma segunda
fase, do desenvolvimento dos negócios proporcionado pelos descobrimentos.
Por volta de 1570, o café foi introduzido em Veneza, Itália,
mas a bebida, considerada maometana, era proibida aos cristãos e
somente foi liberada após o Clemente VIII"">papa Clemente VIII provar o café.
Na Inglaterra, em 1652, foi aberta a primeira casa de café do continente europeu, seguindo-se a
Itália dois anos depois. Em 1672 cabe a Paris
inaugurar a sua primeira casa de café. Foi precisamente na França
que, pela primeira vez, se adicionou açúcar
ao café, o que aconteceu durante o reinado de Luís XIV, a quem haviam oferecido um cafeeiro em
1713.
Na sua peregrinação pelo mundo o café chegou a Java, alcançando posteriormente os Países Baixos e, graças ao dinamismo do comércio marítimo
holandês executado pela Companhia
das Índias Ocidentais, o café foi introduzido no Novo Mundo,
espalhando-se nas Guianas, Martinica,
Domingos"">São Domingos, Porto
Rico e Cuba.
Gabriel
Mathien de Clieu, oficial francês, foi quem trouxe para a América
os primeiros grãos.
Ingleses e portugueses tentaram a sua sorte nas zonas tropicais da Ásia e da África.
Em 1727, o sargento-mor Francisco de Melo Palheta, a
pedido do governador do Estado do Grão-Pará,
lançou-se numa missão para conseguir mudas de café, produto que já
tinha grande valor comercial. Para isso, fez uma viagem à Francesa"">Guiana Francesa e lá se aproximou da esposa do governador
da capital Caiena.
Conquistada sua confiança, conseguiu dela uma muda de arabica"">café-arábico, que foi trazida clandestinamente para o
Brasil.
Das primeiras plantações na Região Norte, mais especificamente em Belém,
as mudas foram usadas para plantios no Maranhão
e na Bahia,
na Região Nordeste.
As condições climáticas não eram as melhores nessa primeira escolha e, entre 1800
e 1850,
tentou-se o cultivo noutras regiões: o desembargador João
Alberto Castelo Branco trouxe mudas do Pará para a Região Sudeste e as cultivou no Janeiro"">Rio de Janeiro, depois São
Paulo e Minas Gerais, locais onde o sucesso foi total.
Também como fator favorável é citado haver nesses locais e no Paraná
a terra roxa, considerada o melhor solo para o
plantio do café. Graças a isso o Paraná tornou-se o maior estado
produtor brasileiro em 1959. O negócio do café começou, assim, a
desenvolver-se de tal forma que se tornou a mais importante fonte de
receitas do Brasil durante muitas décadas.
O sucesso da lavoura cafeeira em São Paulo, durante a primeira parte do século XX, fez com que o Estado se tornasse
um dos mais ricos do país, permitindo que vários fazendeiros indicassem
ou se tornassem presidentes do Brasil (política conhecida como café-com-leite,
por se alternarem na presidência paulistas e mineiros), até que se
enfraqueceram politicamente com a Revolução de 1930.
O café era escoado das fazendas no interior do estado e enviado ao Porto de Santos através de ferrovias, principalmente pela inglesa São Paulo Railway.
Os estabelecimentos comerciais na Europa consolidaram o uso da bebida do café, e diversas casas de café ficaram
mundialmente conhecidas, como o Café Nicola, em Lisboa,
onde se encontravam políticos e escritores, sendo de realçar o poeta Bocage, o Virgínia Coffee
House, em Londres, e o Café de La Régence em Paris, onde
se reuniam nomes famosos como Rousseau, Voltaire,
Richelieu e Diderot.
O invento da cafeteira, já em finais do século XVIII, por parte do conde de Rumford, deu um
grande impulso à proliferação da bebida, ajudada ainda por uma outra
cafeteira de 1802,
esta da autoria do francês Descroisilles,
onde dois recipientes eram separados por um filtro.
Em 1822 uma outra invenção surge em França, a máquina de expresso"">café expresso, embora ainda não passasse de um protótipo.
Em 1855 é
apresentada em uma exposição, em Paris, uma máquina mais desenvolvida,
mas foi em Itália que a aperfeiçoaram.
Assim, coube aos italianos, apenas em 1905, comercializar a primeira máquina de expresso, precisamente no mesmo ano
em que foi inventado um processo que permitia descafeinar o café. Em 1945, logo
após o final da Segunda Guerra Mundial, a Itália
continua tendo a primazia sobre os expressos e Giovanni Gaggia
apresenta uma máquina onde a água
passa pelo café depois de pressionada por uma bomba de pistão. O sucesso
foi notório.
Com a "quebra" da Bolsa de Valores americana em 1929, o Brasil teve a primeira grande crise de superprodução do café, tendo que o governo brasileiro promover a queima
de estoques para tentar segurar os preços. Nos finais da 30"">década de 30, o Brasil tinha-se visto a braços com outro
excedente de produção que foi resolvido com ajuda da Nestlé,
quando esta inventou o café
instantâneo.[afirmativa precisa de uma referência para confirmá-la desde fevereiro de
2010.">carece de fontes?]
Superada mais essa crise, o Brasil continuou a ser o maior produtor mundial de café, embora nos últimos anos tenha de concorrer com outros países da América Latina.
O café é, atualmente, a bebida artificial mais consumida no mundo, sendo servidas cerca de 400 bilhões de xícaras por ano. O tipo de café mais comum é o
arábica, ocupando cerca de três quartos da produção mundial, seguido do
robusta, que tem o dobro da cafeína
contida no primeiro.
Maioria das pessoas que consomem café diariamente desconhece as substâncias saudáveis e os seus efeitos terapêuticos:
A cafeína chega às células do corpo em menos de 20 minutos após a ingestão do café. No cérebro, a cafeína aumenta a influência do neurotransmissor dopamina.
Entre os malefícios causados pelo consumo excessivo de café podemos listar:
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