História da origem das histórias em quadrinhos

Quadrinhos do Coração
Quadrinhos do coração

 


Carla Knoplech

A criança ao esperar a mãe comprar o jornal na banca, avista uma revista pequena, quase do seu tamanho, entretido com o seu conteúdo, ela pede para a mãe comprar. A ação foi suficiente, eternamente, aquele pequeno ser estará marcado pela magia que envolve o mundo das histórias em quadrinhos. Um hábito iniciado na infância será o causador de tardes de entretenimento e diversão, risos e reflexões, e principalmente de muita aventura.

A origem remonta à pintura rupestre da Pré-história. Desenhos que mostram aventuras de caça são encontrados nas grutas de Lascaux, na França, e Altamira, na Espanha. Hieróglifos e desenhos contando a vida dos faraós aparecem em baixos-relevos egípcios. Narrativas figuradas são comuns à via-sacra, aos estandartes chineses, às tapeçarias medievais, aos vitrais góticos e aos livros ilustrados de diversas épocas. Os filactérios, faixas com palavras escritas junto à boca dos personagens, usadas em ilustrações européias desde o século XIV, são considerados a gênese dos balões. A partir do século XIX, o texto acompanha sistematicamente o desenho.

Os primeiros nomes dos quadrinhos são Rudolf Töpffer artista e escritor suíço considerado um dos mais importantes ilustradores do mundo, com O sr. Vieux-Bois (1827); Henrique Fleiuss, com Dr. Semana (1861); Wilhelm Busch, com os garotos travessos Max e Moritz (1865) Juca e Chico na tradução de Olavo Bilac e Christophe (pseudônimo de Georges Colomb), com A família Fenouillard (1895). Esses artistas aliam qualidades literárias ao desenho e, freqüentemente, mostram situações cômicas. As primeiras histórias apresentam desenhos divididos em quadros acompanhados de legendas, que dão continuidade às ações.

Os primeiros comics americanos fazem rir explorando cenas da vida cotidiana. Em 1895, Richard Fenton Outcault desenha, pela primeira vez para um jornal, as histórias bem-humoradas de Yellow Kid (1895), o menino que vive nos becos e ruas da cidade. O personagem de camisolão amarelo cor escolhida por oferecer menos problemas de secagem torna-se uma vedete lucrativa. Da cor também nasce o termo "jornalismo amarelo", para designar a imprensa sensacionalista. Outcault introduz os balõezinhos contendo as falas dos personagens e a ação fragmentada e seqüenciada, iniciando nova forma de expressão. Onomatopéias e novos sinais gráficos aparecem nas aventuras de Os sobrinhos do capitão (1897), de Rudolph Dirks, que já utiliza quadrinhos pretos em volta da ação.

 

No Brasil, os quadrinhos contemporâneos mais conhecidos são os da Turma da Mônica, X-Men, e Superman. Foi-se o tempo que gibi era coisa de criança, essas pequenas tirinhas evoluíram bastante e hoje fazem parte de muitos adultos que encontram nas histórias lições e representações do seu mundo.

 



Citações importantes sobre as histórias em quadrinhos


Will Eisner (criador de The Spirit)

"Esta antiga forma artística, ou método de expressão, desenvolveu-se até resultar nas tiras e revistas de quadrinhos, amplamente lidas, que conquistaram uma posição inegável na cultura popular deste século. É interessante notar que apenas recentemente a Arte Sequencial emergiu como disciplina discernível ao lado da criação cinematográfica, da qual é verdadeiramente uma precursora. Arte Sequencial tem sido geralmente ignorada como forma digna de discussão acadêmica. Embora cada um dos seus elementos mais importantes, tais como o design, o desenho, o cartum e a criação escrita, tenham merecido consideração acadêmica isoladamente, esta &uacutenica combinação tem recebido um espaço bem pequeno (se é que tem recebido algum) no currículo literário e artístico."

Alex Raymond (1909-1956, criador de Flash Gordon, Jim of the Jungle e Nick Holmes)

"Estou sinceramente convencido de que a arte dos quadrinhos é uma forma de arte autônoma. Reflete sua época e a vida em geral com maior realismo e, graças a sua natureza essencialmente criativa, é artisticamente mais válida do que a mera ilustração. O ilustrador trabalha com máquina fotográfica e modelos; o artista dos quadrinhos começa com uma folha de papel em branco e inventa sozinho uma história inteira - é escritor, diretor de cinema, editor e desenhista ao mesmo tempo"

Picasso

"A grande mágoa da minha vida é nunca ter feito quadrinhos"

Scott McCloud (autor de Zot e Desvendando os Quadrinhos)

"Compreender os quadrinhos é um negócio sério. Hoje eles são uma das poucas formas de comunicação de massa na qual vozes individuais ainda têm chance de ser ouvidas. Hoje, as possibilidades do quadrinhos são, como sempre foram, ilimitadas. Os quadrinhos oferecem recursos tremendos para todos os roteiristas e desenhistas: constância, controle, uma chance de ser ouvido em toda parte, sem medo de compromisso... Oferece uma gama de versatilidade com toda a fantasia potencial do cinema e da pintura, além da intimidade da palavra escrita. É só necessário o desejo de ser ouvido, a vontade de aprender, e a habilidade de ver."

Dave Sim (criador de Cerebus)

"Quadrinhos são o único meio onde é possível produzir algo realmente idiossincrático e tê-lo largamente difundido a um custo muito baixo."

Richard Corben (criador de Den)

"A história em quadrinhos é, primordialmente, um meio visual. São os desenhos, o plano das páginas, a harmonia gráfica das imagens, cenas e personagens, o que atraem o leitor em primeiro lugar. Logo, o desenho deve estar também disposto de modo convencional para que forme uma narração. Certos desenhistas colocam mais ênfase na primeira tarefa, atração visual, enquanto outros trabalham mais minuciosamente os elementos descritivos e narrativos. Creio pertencer à segunda categoria, assim como a maioria dos desenhistas que admiro."

Frederico Fellini

"Histórias em quadrinhos são a fantasmagórica fascinação daquelas pessoas de papel, paralisadas no tempo, marionetes sem cordões, imóveis, incapazes de serem transpostas para os filmes, cujo encanto está no ritmo e dinamismo. É um meio radicalmente diferente de agradar aos olhos, um modo único de expressão. O mundo dos quadrinhos pode, em sua generosidade, emprestar roteiros, personagens e histórias para o cinema, mas não seu inexprimível poder secreto de sugestão que reside na permanência e imobilidade de uma borboleta num alfinete."

 

 

Fonte:

http://www.dialogosuniversitarios.com.br/pagina.php?id=789

 

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Tags: Historias, em, quadrinhos

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