HERÓIS NEGROS

José do Patrocínio, André Rebouças e Teodoro Sampaio.

Esses nomes estão nas placas de ruas em muitas cidades brasileiras - mas pouca gente que passa por esses endereços faz ideia de que se trata de heróis negros.





1. José Carlos do Patrocínio.
José do Patrocínio nasceu em Campos, no estado do Rio de Janeiro, em 9 de outubro de 1853. Era filho natural do padre João Carlos Monteiro, orador sacro de grande fama na capela imperial, membro da maçonaria, vereador e deputado de sua cidade. Sua mãe era Justina Maria do Espírito Santo, uma dos 92 escravos do padre João Carlos. Aos 14 anos, depois de passar pela educação primária, foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como servente de pedreiro na Santa Casa de Misericórdia para pagar o próprio estudo. Formou-se em Farmácia. Mas sua verdadeira vocação estava no jornalismo. Em 1875 começou a escrever no jornal satírico Os Ferrões e trabalhou nas publicações mais importantes do país. Em 1881, com dinheiro emprestado de seu sogro, comprou o jornal Gazeta da Tarde, começando nele a batalha do abolicionismo. Em maio de 1883, fundou a Confederação Abolicionista e redigiu seu manifesto, assinado também por André Rebouças e Aristides Lobo. Por intermédio da Confederação, promovia debates públicos sobre o fim da escravidão, além de apoiar fugas de escravos. Casou-se com Maria Henriqueta de Sena, companheira de toda a vida. Teve um filho, também jornalista, José Carlos Patrocínio Filho. Zeca, como era conhecido, escreveu o primeiro roteiro de cinema do Brasil. José do Patrocínio morreu de tuberculose no dia 30 de janeiro de 1905, aos 51 anos de idade.

2. Teodoro Sampaio (1855-1937).
Teodoro Sampaio nasceu em 1855 na cidade de Santo Amaro, na Bahia. Filho de uma escrava do engenho Canabrava e, supostamente, do sacerdote Manoel Fernandes Sampaio, que o alforriou no batismo. Aos 2 anos de idade foi entregue a uma senhora da sociedade, Inês Leopodina, que o criou até os 9 anos. Um ano depois foi levado para o Rio de Janeiro pelo padre, que o internou no colégio São Salvador. Era tão brilhante que se tornou professor de lá em várias matérias. Logo depois de formado pela Escola Politécnica, em 1877, voltou à Bahia e negociou a alforria de sua mãe e dos irmãos, que ainda eram escravos. Foi um dos homens públicos de maior importância nos debates e projetos urbanísticos do país no final do século 19 e início do 20. Participou de obras de grande importância em várias regiões do país. Em 1927, entrou para a política elegendo-se deputado federal. Um dos maiores engenheiros do país, além de geógrafo e historiador, Teodoro foi o primeiro a mapear a região da Chapada Diamantina e fez uma extensa expedição pelo rio São Francisco. Suas anotações ajudaram Euclides da Cunha a escrever Os Sertões, assim como seus próprios livros. Escreveu três: O Tupy na Geografia Nacional, de 1901, O Rio São Francisco e a Chapada Diamantina, de 1905, e História da Fundação da Cidade da Bahia, publicado em 1949, após sua morte, em 15 de outubro de 1937, no Rio.

3. André Rebouças (1838-1898)
Um dos mais ativos militantes do movimento abolicionista brasileiro, além de um dos fundadores da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, André Pinto Rebouças nasceu na Bahia, em 1838, filho de um proeminente advogado, deputado e conselheiro de Pedro I. Seu pai era filho de uma escrava alforriada com um alfaiate português, e sua mãe era filha de um comerciante. Formou-se em engenharia pela Escola Central do Exército em 1860, no Rio. Na Europa, especializou-se em fundações e obras portuárias e foi uma das maiores autoridades brasileiras em engenharia ferroviária e hidráulica, tendo sido o criador das empresas Docas do Rio de Janeiro. Com seu irmão Antônio Rebouças, também engenheiro, foi o autor do projeto da estrada de ferro Antonina-Curitiba, que serviu de base para a difícil obra do trecho serrano da ferrovia Paranaguá-Curitiba, e também dos projetos da ponte de ferro sobre o rio Piracicaba e da avenida Beira-Mar, no Rio de Janeiro. O irmão caçula, José Rebouças, trabalhou na implantação das linhas ferroviárias que hoje ligam o interior paulista. Entre 1889 e 1891, Rebouças morou em Lisboa, trabalhando como correspondente do jornal The Times, de Londres. Em 1892, financeiramente arruinado, aceitou um emprego em Luanda, Angola. Em 1893, fixou-se na Ilha da Madeira, onde morreu no dia 9 de maio de 1898.

A história da vida dos três prova que a educação é o caminho mais eficiente e rápido para a igualdade.

FONTE: Revista Raça Brasil. Edição 97

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Comentário de MARIA CARVALHO em 10 outubro 2011 às 15:49

Olá Lurdinha! Agradeço as suas considerações. Vou preparar a publicação. Grande Abraço de Maria.

Comentário de Lurdinha Bezerra em 10 outubro 2011 às 14:56

Foram muito  os heróis  negros  e heroínas também. Seria muito razoável se tivesse registros de todas elas na historia  do Brasil, Aqualtune, Dandara, Tereza entre outras tantas  anonimas já esquecidas. Poderiam publicar algo sobre isso?

Grata

Lurdinha 

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