Grande Estrategia: Irã ou Russia, Coreia do Norte ou China?

 Não, não, não senhores. Irã  e Coréia do Norte, são dois figurantes chinfrins que estão sendo usados - e se deixando usar - para viver os seus momentos de fama na História Universal. O primeiro país possui um Regime falido, anacrônico que tenta se equilibrar e se esquivar respectivamente com a religião e se envolvendo em questões polêmicas que atraem a atenção externa. O segundo país, a Coréia do Norte, possui graves problemas de inanição em massa em sua população, existe graças ao apoio de sua máquina militar materialmente obsoleta e à solidariedade obediente de sua sociedade. Tanto este quanto aquele não possuem em seus territórios, ou mesmo sob os seus domínios sociedades felizes, satisfeitas, produtivas, criativas, inovadoras, prósperas e empreendedora; tampouco os mesmos possuem corporações robustas, competitivas e tecnologicamente revolucionárias. Não possuem institutos de pesquisas de ponta, Universidades respeitáveis, sistemas educativos modelos ou qualquer Instituição humanista que realmente promova o bem-estar individual e social em seus países. Para dissolver crises de questionamento em seus regimes, ambos apelam respectivamente para demagogias de fé e patriotismo.
 Irã e Coréia são dois figurantes quem dentro do realismo geopolítico no máximo seriam coadjuvantes de alguma ameaça séria à liberdade, democracia e mercado que foram virtualmente elevados à aos papeis de protagonistas com o status de "ameaça" conferido ao novo "Eixo do Mal" apenas como pretexto para explicar e justificar a construção do cinturão de ataque geomilitar que tem por real objetivo não a defesa mediante interceptações, como publicamente se declara, mas a dissuasão, o ataque preventivo e a retaliação a aos dois grandes e verdadeiros inimigos: Rússia e China.
Por trás de todo escudo, sempre existe uma espada - Esta frase poderia definir bem a conjectura atual, mas não; no caso que analisamos, melhor é enunciar que o Escudo é uma espada e seu ideal não é "defender" e sim dissuadir, persuadir e atacar indiscriminadamente a qualquer um que ameace os interesses de seu portador.

4 de Maio de 2012 :

 “A preocupação da segurança dos EUA se concentra, sobretudo, nos planos do Irã e Coreia do Norte. Os dois países seguem trabalhando para a fabricação de mísseis intercontinentais diretamente ou às escondidas”, afirmou Madeleine Kridon, assessora do Pentágono americano.

Durante a conferência internacional sobre defesas antimísseis realizada nesta quinta em Moscou, Madeleine mostrou preocupação quanto aos planos de fabricação de armas nucleares nesses países e explicou que o desdobramento do escudo ocorrerá em quatro fases. A primeira consistirá na colocação de radares na Turquia e de navios com sistemas antimísseis no Mediterrâneo.

Está melhor agora de entender o sonso voo Do F-4 Phantom turco que foi "inocentemente" abatido no dia 22 de junho de 2012 pelas terríveis defesas sírias enquanto sobrevoava o espaço aéreo do mesmo País que coincidentemente abriga uma base naval russa em seu território, que presta apoio logístico e mantenedor a toda a os vasos de guerra russos para as suas operações que projetam o poder russo na região, no mesmo mar mediterrâneo em que vão operar os navios portadores de sistemas antimisseis táticos e estratégicos do Sistema Antimísseis Geral da Otan. Ah, e o mais engraçado ainda: O avião abatido, estranha e coincidentemente pertencia ao mesmo país (Turquia) que abrigará "radares" (e decerto mísseis) do "Escudo".

Na segunda etapa, Washington instalará foguetes interceptores na Romênia, nas margens do Mar Negro, e na terceira será feita a ampliação do campo de ação para a defesa lateral contra mísseis balísticos na Polônia. “A quarta fase, já em 2020, consistirá na acomodação de foguetes interceptores, um elemento de dissuasão dos mísseis iranianos”, informou Madeleine.

 Com a Romênia eu não sei, mas com a Polônia, decerto, assim que Questão síria for equacionada, um de seus Jastrzab (Falcão) novíssimos F-16 C/D Block 52 terá "uma crise em seu radar e sistemas de orientação  e sem querer querendo" invadirá  o espaço aéreo russo em Kalingrado e será abatido, tal como o seu aliado turco, F-4 Phantom fez recentemente e isso desencadeará uma grande crise internacional que angariará para a Polônia, o apoio da Geórgia, membro da Otan e armada à altura da Organização, sedenta por uma oportunidade de revanche com o Urso russo.

  Mesmo ciente de tudo isso e mais um pouco, alguns ainda cogitam os comportamentos e reações da China, dona do "socialismo de mercado" e do "capitalismo estatal" em escalas macros. Realmente, os dados que tomamos conhecimento acerca deste País são impressionantes, porém esse desenvolvimento não legítimo, independente, endógeno e fruto da liberdade, criatividade, associativismo, engenhosidade e pesquisa do cidadão e da cidadã da China, e sim da entrada, instalação, controle e inovação exógena de capitais estrangeiros que lá vão aproveitar a mão de obra baratíssima, o câmbio favorável às exportações e o mercado de consumo interno chinês. Isso e nada mais. As grandes corporações e grupos industriais chineses ainda são imaturos, precisam das batutas do Estado e não dispõe de condições legítimas para competir de igual para igual com as suas similares privadas do Ocidente. Investimentos esses que tal como na década de 1950, fazem parte de uma nova fase da transnacionalização do Capital. Lembremos no início da década de 1950, cinco países foram escolhidos para servirem de plataformas para receberem em suas economias investimentos pesados em seu segundo setor: Argentina, Brasil, México, Coréia do Sul e México. Os três primeiros, mais por conveniências geoeconômicas ( recursos naturais, mercados grandes, estabilidade monetária, de câmbio, política e social ) e os dois últimos pela sensatez geoestratégica da Guerra Fria. Investimentos massivos foram efetivados através do transplante de Capitais técnicos e tecnológicos industriais clássicos em segmentos como o automotivo, autopeças, máquinas clássicas, eletroeletrônico, ferramentas de construção civil, indústria naval, metalúrgica, siderúrgico farmacêutico, químico entre outros, e enquanto as sucursais dessas transnacionais se instalavam nos mercados desses países, controlavam os seus mercados, inibiam - e inibem - a organização de burguesias nacionais similares, além de explorar a mão de obra barata, as políticas creditícias, tarifárias e monetárias favoráveis aos seus interesses e a ausência de políticas fiscais e educativas convenientes à estruturação a curto, médio e longo prazo de uma iniciativa privada industrial nacional tão ou mais pujante do que a transnacional; as matrizes dessas mesmas filiais, em seus países de origem se concentravam em pesquisas, desenvolvimentos, inovações e aplicações de segmentos como o eletrônico, informática, aeroespacial, químico e mecânico fino, biotecnológico, entre outros. Ou seja: enquanto transplantava parte da  da 2ª Revolução Industrial para outras partes do mundo, faziam tranquilamente a sua terceira, sem se preocupar com potenciais surpresas de concorrentes. Não há muita diferença entre o que aconteceu com os Países da América Latina, África e Ásia que se "beneficiaram" da primeira onda de transnacionalização do Capital com o que se passa hoje na China. Enquanto a China e o mundo se impressionam por estarem recebendo "investimentos gigantes" de Capitais de todas as partes do mundo no segundo e terceiro setores de sua economia, o que poucos parecem entender ou não querem explicar, é que esses "investimentos" são de segmentos anacrônicos cujas importâncias primárias estão ligadas ao passado recente e médio de seus países de origem. Enquanto a China caminha ao no meio de sua 3ª Revolução Industrial, com participação ativa e decisiva do Estado e do Capital estrangeiro, em segredo e silêncio o Ocidente parece já ter fechado a sua 4ª Revolução Industrial e estar caminhando ou no decurso de sua 5ª, suas tecnologias militares são os melhores manequins desse progresso.

Irã e Coréia? Que nada! São meros pistoleiros vivendo os seus dias de fama na História Universal e preenchendo as matérias dos jornais.

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Tags: estrategia, grande

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Comentário de Carlos em 1 agosto 2012 às 11:16

Parece até brincadeira, né? Mas olha a matéria que publicaram hoje:

Força Aérea dos Estados Unidos avança para o Leste

Os EUA marcaram a data de instalação dos seus aviões de guerra na Polônia. O pessoal de voo da Força Aérea vai chegar à base na Polônia já neste outono.

Os peritos constatam que, formalmente, estas ações não contrariam os acordos entre a Rússia e a OTAN. Mas na realidade, trata-se do incremento da infraestrutura militar da aliança nas proximidades das fronteiras russas, tanto mais que a Polônia, – participante do sistema europeu de defesa antimíssil, – insiste na intensificação da sua colaboração com a OTAN neste setor.

Os EUA anunciaram no ano passado a sua intenção de transferir aviões de guerra da Itália para a Polônia. Trata-se de 16 aeronaves incluindo aviões de transporte C-130 e, o que é especialmente importante, os caças F-16. Agora o Pentágono aponta que, em conformidade com o acordo firmado com a parte polonesa, esta unidade será instalada numa das bases a partir de 2013 e que os militares americanos serão transferidos para a região da base já neste outono.

A OTAN declara que a transferência de aviões de guerra americanos não tem nada a ver com esta aliança, nem está relacionada aos seus planos estratégicos. Fala o vice-diretor do Instituto dos EUA e do Canadá, Pavel Zolotariov.

“Tudo isso faz parte da infraestrutura militar da OTAN e eles têm o direito de instalar o que acham necessário no lugar que lhes convém. Por outro lado, esta ação, relacionada ao incremento complementar dos componentes de força da OTAN, da mesma maneira que a instalação da infraestrutura desta aliança em geral, sempre provoca preocupação. A situação vem comprovar mais uma vez a justeza da posição da Rússia: sempre fomos contrários ao alargamento da OTAN considerando que isso não contribui para a consolidação da segurança européia.”

Varsóvia incrementa coerentemente a colaboração militar com Washington, especialmente na zona que confina com a Rússia. A Polônia é participante ativa do sistema de defesa antimíssil, atualmente em construção na Europa. De acordo com os planos dos EUA, neste país deviam ser instalados grandes complexos antimísseis. Mas em 2008 a administração de Barack Obama anunciou a revisão da sua estratégia. A atual transferência de aviões de guerra pode ser considerada como mais um passo de Washington ao encontro da parte polaca, – afirma Ruslan Pukhov, diretor do Centro de Análise de Estratégias e de Tecnologias.

“Os poloneses querem muito ter o aspeto de aliados seguros dos americanos não somente em palavras mas também na realidade. Por isso, a Polônia é o único país europeu cujo orçamento militar vem crescendo apesar de todos os desarranjos econômicos neste continente. Os poloneses ficaram muito ofendidos com a recusa dos americanos de instalar no seu território o sistema de defesa antimíssil e por pouco não tacharam este ato de traição. Por isso, os americanos não puderam indeferir um pedido insignificante dos poloneses – fornecer uma infraestrutura que a Polônia tinha solicitado.”

Moscou exigiu reiteradas vezes que Washington apresentasse garantias de que o sistema de defesa antimíssil na Europa não será orientado contra a Rússia. Mas os EUA recusam-se até hoje a fornecer semelhantes garantias. O primeiro-ministro Dmitri Medvedev declarou na véspera que até hoje “não existe compreensão ao nível mundial contra quem este sistema está sendo criado”.

Fonte: Voz da Rússia

Agora leia este pedaço do sexto paragrafo do meu artigo acima:

"Com a Romênia eu não sei, mas com a Polônia, decerto, assim que Questão síria for equacionada, um de seus Jastrzab (Falcão) novíssimos F-16 C/D Block 52 terá "uma crise em seu radar e sistemas de orientação  e sem querer querendo" invadirá  o espaço aéreo russo em Kalingrado e será abatido, tal como o seu aliado turco, F-4 Phantom fez recentemente e isso desencadeará uma grande crise internacional que angariará para a Polônia, o apoio da Geórgia, membro da Otan e armada à altura da Organização, sedenta por uma oportunidade de revanche com o Urso russo."
  

 

Esta é a década do ultimato americano-europeu à Rússia.

Comentário de Carlos em 31 julho 2012 às 7:10

Michel, leia em meu blog a matéria http://oantievangelico.blogspot.com.br/#!/2012/07/minha-previsao-es... e constate o que o estudo nos possibilita.

O fim da URSS serviu para exibir um novo tipo de derrota militar, que inibe os potenciais contendores de se digladiarem no campo de batalha: A Derrota técno-industrial militar.

Os soviéticos concentram seus esforços em pesquisa, desenvolvimento, inocação e construção em massa de foguetes e mísseis de todos os tipos, e conseguiram. No entanto, esqueceram de que um exército forte e poderoso não é feito apenas de músculos industriais ( mecanização) e alimentado tecnicamente ( eletrificação) por energia convencional ou diversificada. Um grande exército não se faz poderoso e invencível apenas por seus músculos e seu sistema sanquinio ( eletromecanização), ele precisa de mais; carece de comando, de controle e comunicação veloz, segura e eficiente que lhe ligue ao ceu cérebro Político, ou seja precisa de um bom sistema nervoso ( eletrônica e informática). Por não perceber isso, que os soviéticos sacrificaram suas sociedades e sua revolução na construção da maior “e mais oca” máquina da guerra da história. Perderam a Guerra Fria porque não conseguiram acompanhar os progressos do Ocidente nos segmentos industriais da eletroeletronica e informática, que são derivados do avanço da nanotecnologia e química fina.

As experiências colhidas em laboratórios de batalha por todo o mundo de forma indireta, são suficientes para conscientizar os Estados-Maiores dos potenciais contendores de suas possibilidades e assim os inibir de rumarem à derrota nos campos de batalha reais. As experiências em Cuba, Vietnan, Afeganistão e nas Guerras do Golfo contra o Iraque e pelo seu petróelo, no Afeganistão e pelos seus minérios; as Campanhas da Líbia pelo seu petróleo e pela sua posição geoestratégica, Síria pela posição estratégica de um real adversário;Irã pelo petróleo e não muito por sua ideologia e a cautela com o Paquistão,que é o verdadeiro complexo global da jehad e possui um arsenal nuclear, servem de vitrinas para exibir a sofisticação tecnológica e o tamanho de sua audácia guerreira e expancionista.

As guerras do pos-Guerra Fria são mais geoconomicas e geoestratégicas, do que político-ideológica e os russos ou teimam ou parecem não entender que status do Estado perdeu a primazia, e que os interesses das grandes corporações industriais – as que criaram a Guerra Fria para evitar um novo “1929”  e que derrotaram os Birôs de engenharia e  institutos científicos da URSS – e suas projeções.

 

A Rússia é a herdeira da armadura militar da URSS e de seus diversos arcabouços produtivos que formam o seu complexo industrial pesado e militar, porém em plena 4º Revolução Industrial ( Nanotecnologia e biotecnologia), os russos ainda sequer conseguiram concluir a sua 3º Revolução Industrial doméstica. Possuem graves problemas com a demografia decrescente de seu povo e ainda buscam manter o "status" de grande potência oriundo dos tempos de URSS, sendo ciente de estar incapaz de tanto enfrentar um embate com os EUA quanto com a OTAN, resta-lhe apenas apoiar-se em nos mecanismos de sua dissuasão nuclear. A prova da falência técno-militar russa vem nos acordos para usar em seus caças, bombardeiros e etc. tecnologias americanas, o Acordo Naval com a França por uma licença para produzir quatro unidades do navio porta-helicóptero da classe Mistral, o Acordo com a Itália, para a compra de jipes e mesmo a tecnologia de carros de combates sobre rodas; recentemente, generais russos admitiram que os tanques alemãs da família Leopard são melhores do que os seus T-72 e mesmo o T-90. Esses e outros fatos conhecidos e suspeitados, nos mostram o quão baixa é a dissuasão técnica russa e evidencia ser esta a década geopolítica do ultimato europeu para que os russos expressem uma nova posição nítida de seus interesses: Ou coopera com a OTAN e se integra à Europa (vide sua adesão à OMC há dias atrás), ou então aceita uma nova corrida armamentista, se lança - e perde -novamente e de quebra assiste sua população ir para o ralo e o Estado entrar em frangalhos enquanto no leste, seu vizinho chinês, demograficamente maior, progride economicamente e sua sociedade lentamente prospera, se liberaliza e moderniza sem nenhum alarde suas gigantes forças armadas.

O Escudo Antimísseis, a recente admissão russa na OMC e as últimas e as presentes guerras e crises  servem para os russos para dar a seguinte mensagem: "Renda-se,coopere e nos ajude a cercar a China, ou sepultaremos o seu cadáver e sua nostalgia (soviética), Ivan".

A ascensão chinesa tira da Rússia o papel de vilã, de inimiga temida. Já está cercada e é tanto tecnológica quanto econômica e socialmente incapaz de romper o grande fosso que a separa de seus vizinhos do Oeste. Agora é rendição seguida de cooperação política e econômica  e talvez mesmo integração militar, para compor o flanco norte da OTAN na China.

A Rússia tem problemas com sua demografia que não se limitam apenas à sua distribuição espacial e chegam ao cume da expectativa de vida do homem russo é de apenas 63 e seu crescimento demográfico no decênio 2002-2012 foi de -0,2 e a previsão para 2050, é de que a população russa decaia para cerca de 100.000.000 de habitantes dos seus atuais 141.000.000.

A única maneira de reverter essa perspectiva é tanto investindo em políticas sociais que estimulem a formação, ampliação e integração da família, que incentive a livre iniciativa local , regional e nacional e que incentive o homem russo a progredir por meios próprios e alcançar a prosperidade e abrir definitivamente a economia a investimentos internacionais para dinamizar, modernizar e adequar os segmentos russos carentes aos padrões do mercado global. Se aderir a uma nova corrida armamentista, tanto para competir com os EUA, Europa e China, lhe faltarão soldados e sobrar-lhe-ão armas e muito pouco irá sobrar da sociedade russa - já castigada pela corrida armamentista da Guerra Fria.

Os recentes acontecimentos com os seus parceiros geoestratégico Líbia e Síria fazem parte deste ultimato.

Agora é esperar pra vê.

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