FOLHA DE SÃO PAULO DEFENDE DITADURA MILITAR NO BRASIL. QUE VERGONHA!!!!

Jornal Folha São Paulo em editorial tenta suavizar os crimes cometidos pela ditadura militar brasileira e intelectuais, leitores, internautas, entre outros, reagem à esse retrocesso e revisionismo históricos. Vários/Várias assinantes dos produtos do grupo folha (uol, por exemplo), articulam abandonar aqueles que abrem mão da seriedade e do respeito às famílias e memória do nosso povo.
Divulguem esta matéria, por favor!!!

Os créditos são da Carta Capital.

'Ditabranda' para quem?
27/02/2009 16:57:49

Maria Victoria de Mesquita Benevides*


Quase ninguém lê editorial de jornais, mas quase todos leem a seção de cartas. E foi assim que tudo começou. Os fatos: a Folha de S.Paulo, em editorial de 17/2, aplica a expressão “ditabranda” ao regime militar que prendeu, torturou, estuprou e assassinou. O primeiro leitor que escreve protestando recebe uma resposta pífia; a partir daí, multiplicam-se as cartas: as dos indignados e as dos que ainda defendem a ditadura. Normal.

Mas eis que chegam a carta do professor Fábio Konder Comparato e a minha: “Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de ‘ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar ‘importâncias’ e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi ‘doce’ se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!” (esta escriba). “O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17/2, bem como o diretor que o aprovou, deveria ser condenado a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana” (Prof. Fábio).

As cartas são publicadas acompanhadas da seguinte Nota da Redação – “A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente ‘cínica e mentirosa’.”

Pronto. Como disseram vários comentaristas, a Folha mostrou a sua cara e acabou dando um tiro no pé. Choveram cartas para o ombudsman do jornal – que se limitou a escrever, quase clandestino, que a resposta pecara por falta de “cordialidade”. Um manifesto de repúdio ao jornal e de solidariedade, organizado pelo professor Caio Navarro de Toledo, da Unicamp – com a primeira adesão de Antonio Candido, Margarida Genevois e Goffredo da Silva Telles – passa imediatamente a circular na internet e, apesar do carnaval, conta com mais de 3 mil assinaturas. Neste, depoimentos veementes de acadêmicos, jornalistas (inclusive nota do sindicato paulista), artistas, estudantes, professores do ensino fundamental e médio, além de blogs. Vítimas da repressão escrevem relatos de suas experiências e até enviam fotos terríveis. A maioria lembra, também, o papel da empresa Folha da Manhã na colaboração com a famigerada Oban.

O que explica essa inacreditável estupidez da Folha?

A meu ver, três pontos devem ser levantados: 1. A combativa atuação do advogado Comparato para impedir que os torturadores permaneçam “anistiados” (atenção: o caso será julgado em breve no STF!). 2. O insidioso revisionismo histórico, com certos acadêmicos, políticos e jornalistas, a quem não interessa a campanha pelo “Direito à Memória e à Verdade”. 3. A possível derrota eleitoral do esquema PSDB-DEM, em 2010. (Um quarto ponto fica para “divã de analista”: os termos da nota – não assinada – revelam raiva e rancor, extrapolando a mais elementar ética jornalística.)

Dessa experiência, para mim inédita, ficou uma reflexão dolorosa, provocada pela jornalista Elaine Tavares, do blog cearense Bodega Cultural, que reclama: “Sempre me causou espécie ver a intelectualidade de esquerda render-se ao feitiço da Folha, que insistia em dizer que era o ‘mais democrático’ ou que ‘pelo menos abria um espaço para a diferença’. Ora, o jornal dos Frias pode ser comparado à velha historinha do lobo que estudou na França e voltou querendo ser amigo das ovelhas. Tanto insistiu que elas foram visitá-lo. Então, já dentro da casa do lobo ele as comeu. Uma delas, moribunda, lamentou: ‘Mas você disse que tinha mudado’... E ele, sincero: ‘Eu mudei, mas não há como mudar os hábitos alimentares’. E assim é com a Folha (...). São os hábitos alimentares”.

O que fazer? Muito. Há a imprensa independente, como esta CartaCapital. Há a internet. Há todo um movimento pela democratização da informação e da comunicação. Há a luta – que sabemos constante – pela justiça, pela verdade, pela república, pela democracia. Onde quer que estejamos.

*Maria Victoria Benevides é socióloga com especialização em Ciências Políticas e professora titular da Faculdade de Educação da USP

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Comentário de Luís Carlos da Silva Lins em 4 março 2009 às 19:10
Seja muito bem-vinda ao nordeste brasileiro!!! Aproveite ao máximo!
Quanto ao texto sobre a ditadura, gostaria que você detalha-se um pouco mais sua experiência pessoal e envie-me sua fotografia, por gentileza. Terei o maior prazer em publicar esta sua experiência.
Ah! Não esqueça de visitar nossas praias do litoral sul: gaibu, enseada dos corais, porto de galinhas, etc.



Abraços,
Luís Carlos
Cabo/PE/Brasil
Comentário de Juliane borges Gomide em 3 março 2009 às 23:07
Por favor faca isto...sempre temos que educar com nossas experiencias e vivencias...se quise pode publicar foto..eu envio caso queira...abracos..ja lhe considero um grande amigo....Eu conversei com meu marido e iremos para Natal em abril, e depois dou uma chegada por esta tua linda e amada, adorada terra...berco de cultura, historia e ideais nobres.
Comentário de Luís Carlos da Silva Lins em 2 março 2009 às 22:10
Muito obrigado Juliane, por este seu desabafo sincero. Se autorizasse, gostaria de postar em meu blog este seu depoimento que deve servir de exemplo para as gerações de hoje de como tantos e tantos sofreram para termos o País que temos. Cheio de contradições é verdade, mas pelos menos, sem repressão política de Estado.
Estou orgulhoso por você! Muito obrigado!!!

Luís Carlos
Cabo/PE/Brasil
Comentário de Juliane borges Gomide em 2 março 2009 às 19:59
Ola Luiz

MEU DEPOIMENTO -
1982 - final do governo General Joao Figueiredo - Estado de Sitio

As consequencias em minha vida fisica e emocional pelo horror da tortura ( a qual foi emocional e que durou "somente" 24 horas) deixou o triste legado de dor: uma ansiedade aguda ou sindrome do panico- quando os medicos ainda desconheciam a referida sindrome e muito menos o tratamento eficaz , o que me levou a sofrer os horriveis sintomas da doenca durante tres anos..depois um medico psiquiatra conseguiu diagnosticar e iniciar um longo tratamento ( mais de oito anos sob medicacao controlada) em conjunto com a psicoterapia.....
Tive horror da sala de aula, e dela sai....minha carreira docente, na epoca no ensino medio, era tudo e
muito mais de que eu amava. Amputaram meus ideais de igualdade e aleijaram meus sonhos.
O medo me acompanhou por varia ruas da minha vida...um medo do medo de sentir medo..loucura.
Quanto a sessao de tortura...coacao moral...repeencao fisica....lavagem cerebral....violencia ....lagrimas desciam e enormes solucos incontrolaveis ecoavam de mim.....ate o momento que nao me lembro de mais nada...exausta fui acometida por um bloqueio mental; somente quando "ELE" saiu da sala....amparada pela minha mae - professora no mesmo Colegio fui para casa...Nao voltei mais ao Colegio...fiquei sem trabalho...ate voltar um anos depois a trabalhar na antiga Fundacao Pedro Ludovico Teixeira - em servico burocratico-administrativo...e ai seguiu-se a vida...mas a inesquecivel experiencia de conviver com a violencia da ditadura, por uma pequena fracao de tempo em comparacao as interminaveis horas de dor de amigos torturados e ate mortos, sera uma sombra em minha vida..mas motivo de orgulho e vitoria de viver no pais, ainda desigual e corrupto...mas redemocratizando...ainda...democracia aqui? parece que ja nasceu mas ainda nao, tera longa gestacao..podera ocorrer que o parto seja a forceps - o que siguinifica: lutarmos pelo cumprimento dos direitos fundamentais previstos na Constituicao da Republica Federativa do Brasil.
abracos...desculpe se o depoimento teve cor de desabafo...sempre assim quando relembramos.
Comentário de Luís Carlos da Silva Lins em 1 março 2009 às 4:36
Obrigado Neide pela solidariedade! É muito importante que divulguemos esta matéria. Por favor, contamos com você!!!

Obrigado,
Luís Carlos.
Comentário de Neide Pessoa em 1 março 2009 às 0:07
Minha solidariedade.
Membros de minha família também foram atingidos
durante a ditadura.
Finalmente eles mesmo se "deduram" !
Ditadura, nunca mais
Neide Pessoa-Conselho de Defesa dos Direitos Humanos-MG

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Uma Longa Viagem

Acaba de chegar aos cinemas o novo filme de Lucia Murat, "Uma Longa Viagem", que conta com Caio Blat no papel principal.

O documentário revela a história de três irmãos, tendo como fio condutor a trajetória do mais novo, que viaja para Londres em 1969, enviado pela família para que não participasse da luta armada contra a ditadura no Brasil, seguindo os passos da irmã, que acabou tornando-se presa política. Misturando depoimentos e memórias dos irmãos com nove anos passados no exterior pelo caçula, o filme detalha cartas e também entrevistas com ele, que chegou a ser internado em instituições psiquiátricas. Um relato triste e ao mesmo tempo bem humorado de um núcleo familiar e suas convicções.

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