Eu sou aquele cara de bem com a vida,
De satisfação garantida.
Um homem com alegria de viver
Ou sem medo de morrer

Aquele que está sempre na lista,
Dos dez mais, não sei de que !
Compro a capa de revista
Sou aquele que sonha com o Guiness
Um grande artista e malabarista
Sou um maldito capitalista

Sou aquele ardente pastor
De almas perdidas, o redentor
De corpos sofridos, combalidos.
Uso o nome de um salvador
Para carregar multidões
Para mutirões de caridade,
Na minha cidade,
Prego a castidade,

Sou um maldito capitalista
Da obra divina, um executor
Do grande arquiteto. um procurador
No templo da esquina, prego paz e amor
Empunhando a bíblia, como a espada
De um guerreiro sarraceno
Reconhecidamente obsceno
Demagogicamente pacificador

Escroto, mercenário,
Atras do dinheiro do otário
Aleluia, aleluia, irmão
Do meu coração,
Salve o estelionatário
Com dízimos do calvário
Do calvário da minha vida,
Da minha vida sofrida

Uso o poder das palavras afiadas
Preparadas e ditas sagradas
Uso o poder da censura
Invocando a lisura
Sou amante da linha dura

Uso o terror das expressões
Complicadas, sofisticadas,
Que vem do além
Ou de Jerusalém, ou de Belém
Que constam na bíblia sagrada,
Repetitivas, coercitivas.
Imperativas, nocivas
Sutilmente restritivas
Convenientemente punitivas

Falo de exorcismo
Com o maior cinismo
Falo de Barrabás
E não dou trégua aos orixás
Não julgo para não ser julgado e
Defendo o livre arbítrio
Porque assim, todos se regozijarão.
Injustos, não serão chamados jamais
E livres todos ficarão.

Sou Amigo do Vento,
Que corre contra o tempo
Vilão, sanguinolento
E vou reescrever com sangue
O terceiro testamento

Faço a guerra em nome da paz
Sou o Imperador Nero de Roma
Sou Hitler, Sou um pouco Mussolini
Sou o imbatível George Bush
Rei da nova ordem ocidental
O embaixador moderno do Mal
Que mata como um “sacana”
Esmaga, humilha e acha bacana

Sou cordeiro na pele de Satanás
E no espelho que se desfaz
Sou o Paulo Clone da paz
E o pouco não me satisfaz
Desde que eu seja o capataz


Sei que todos estão ali,
Por necessidades materiais
Ou por crenças banais
Mas eu, todo poderoso,
Um mentiroso asqueroso
Com a habilidade de um gato felino
Aos deuses canto um hino
E realizo todos os seus desejos,
Não consigo explicar direito a quem salvar
E nem salvar do que.
Prego em um templo moderno
Todos os meus seguranças com terno
Ou faço um trabalho no terreiro
Para o freguês em desespero
Tudo, tudo, por causa do maldito dinheiro
E não sou chamado de muambeiro
E detesto macumbeiro
Não orou, é baderneiro

Sou sinônimo de político
Que tem horário na TV
Uso laranja
Que meu dinheiro não esbanja
Sou aquele que faz caridade
Nas periferias da cidade
Que compra amizade

Sou um burguês estilista
Um grande malabarista
Que não senta em "buteco",
Não anda de treco
Que rema nas ondas bravas da vida
Como um surfista alquimista
Ou um falsário altruísta
Nasci Flamenguista, masoquista
Que anda de cabeça erguida
Para não admitir ser mais uma alma sofrida
Com coisas mal resolvidas.

Sou aquele comerciante
Que um dia foi ambulante
Sob um maldito sol escaldante,
Mesmo não tendo sido estudante,
De saldo bancário abundante
Vida social estafante

Empreendedor e sonegador
Corrupto e corruptor
Sou também chamado de patrocinador
E se houver um complicador
Dou o tombo no fornecedor
Com cheque voador
Visado por um gerente safado
Que trabalha num Banco respeitado
Que o transforma em cheque sustado
Sem ocorrência que justifique
Aquele maldito trambique
E sempre volto à ativa
Comprando certidão negativa

Uso mão de obra de terceiro
E o chamo de parceiro
E o deixo morrer no passivo
De um plano de contas nocivo

Sou um maldito capitalista
Um ser humano egoísta
E agora figuro em uma lista
Que pra me ver só com “revista”

Autor:
Luiz Bento Pereira
Natural de Ponte Nova MG
Residindo em Goiânia.Go

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Tags: Capitalismo

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