Do nosso quintal ao mundo ou por que estudar história? (IV)

Dando continuidade ao que expúnhamos em “Do nosso quintal ao mundo ou porque estudar história?” (I, II E III) discorremos a seguir sobre outros dois pontos que pontuam a estratégia até aqui exposta:

2. TRABALHO COM CONCEITOS

- Os conteúdos programáticos devem valorizar “os instrumentais de análise, ou seja, os conceitos e procedimentos próprios de uma dada disciplina que de fato serão a herança intelectual que a escola deixará para os educandos, juntamente com as competências e habilidades a serem desenvolvidas” (PCNs, grifo nosso) e não o conteúdo pelo conteúdo. Seria algo como primar por fornecer as ferramentas conceituais necessárias para o (“futuro”) cidadão.
- Que “a adoção de formas de organização programática… sejam flexíveis e… permitam fazer com que os conteúdos programáticos possam ser… meios para construção/reconstrução de conhecimentos por parte dos educandos, e não fins em si mesmos.” (PCNs).

Na prática, o que se coloca aqui é uma nova escala de prioridades na relação entre os Conceitos e o Conteúdo, um novo patamar de relações entre os dois. Não se trata, evidentemente, de uma relação estática de subordinação deste àqueles, mas de uma troca, que “dê vida”, significado, sentido aos conteúdos.

Isso importa numa mudança paradigmática no modo de ensinar história.

Fomos habituados, ao longo dos anos, com um ensino onde a História aparece como um “corpo estranho” à nossa realidade. Saber história era sinônimo de dominar um conjunto imenso de informações. Nosso referencial e modelo era aquele professor de cursinho com um “saber enciclopédico” (com dinastias, personagens, eventos, cronologias, fatos, curiosidades, etc., na ponta da língua).

Tudo bem. Isso é muito bom e bonito, prático e útil, prá uma minoria de intelectos movidos pela curiosidade em relação ao passado e que conseguem com relativa facilidade captar e sistematizar o panorama da saga humana.

Mas, e a grande massa, como é que fica? Prá que serve um saber prá ficar circunscrito a um grupo reduzidíssimo da sociedade? A velha pergunta: por que a maioria dos alunos não tem interesse? E o mais importante: qual a contribuição da disciplina para a formação de cidadãos, que, em última instância, são (ou deveriam ser) os agentes históricos que intervirão em medidas diversas no presente?

Liberdade em relação aos conteúdos tradicionais. Nós os controlamos, não eles a nós. Os conteúdos deveriam funcionar como a parte ilustrativa do corpo de conceitos e instrumentos necessários à formação:

Alguns exemplos:

Conceito: A questão agrária. Conteúdos: pode ser trabalhada em diversos contextos históricos, como: Roma Antiga (escravos e plebeus versus patrícios proprietários de terras), no Feudalismo (senhores feudais, revoltas camponesas, etc), no Império brasileiro (Lei te terras, etc), na República recente (reformas de base, Golpe Militar, etc)

Conceito: O papel dos “especialistas no trato com o sobrenatural” e das religiões. Conteúdos: há milhares deles, desde o neolítico/paleolítico, passando pelas teocracias orientais, pelo domínio da Igreja na Idade Média….

Conceito: O papel da escrita e do domínio do saber. Conteúdos: primeiras sociedades, Idade Média, etc….

Conceito: A democracia, o liberalismo e as revoluções sociais. Conteúdos: Grécia, séculos XVIII aos dias atuais, etc…..

Estamos bolando um BANCO DE IDÉIAS (Linkando História à vida real) que pretendemos debater (e aprender com as propostas) em breve.

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Comentário de Editora Base em 17 janeiro 2013 às 6:28

Olá, Wanderley.

Nós da Editora Base estamos realizando novo projeto de livro didático de História para o Ensino Médio. Neste livro o autor solicitou a sua charge do Panorama Geopolítico do Mundo Árabe (link abaixo). Gostaria de solicitar autorização para reproduzir a charge em nosso material didático, bem como solicitar o envio da mesma em alta resolução, caso concorde em autorizar o uso. Agradecemos desde já e aguardamos a sua resposta. Belquís R. Drabik, historiadora. Editora Base. https://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:2NNULeE4C3kJ:api.nin...

Comentário de Valquíria Carvalho em 3 abril 2010 às 17:15
Interessante. O que você está propondo é um revisionismo historiográfico se baseando nos PCN's.
Eu comecei essa trabalho c/ meus alunos e foi interessante pq ele começaram a gostar da aula de história, especificamente pq aboli coma ideia de que história são textos enormes na lousa.

Esse link vc tirou de qual documento? É do PCN de história e geografia?
bjuss

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Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

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