Dando continuidade ao que expúnhamos em “Do nosso quintal ao mundo ou porque estudar história?” (I, II E III) discorremos a seguir sobre outros dois pontos que pontuam a estratégia até aqui exposta:
2. TRABALHO COM CONCEITOS
- Os conteúdos programáticos devem valorizar “os instrumentais de análise, ou seja, os conceitos e procedimentos próprios de uma dada disciplina que de fato serão a herança intelectual que a escola deixará para os educandos, juntamente com as competências e habilidades a serem desenvolvidas” (PCNs, grifo nosso) e não o conteúdo pelo conteúdo. Seria algo como primar por fornecer as ferramentas conceituais necessárias para o (“futuro”) cidadão.
- Que “a adoção de formas de organização programática… sejam flexíveis e… permitam fazer com que os conteúdos programáticos possam ser… meios para construção/reconstrução de conhecimentos por parte dos educandos, e não fins em si mesmos.” (PCNs).
Na prática, o que se coloca aqui é uma nova escala de prioridades na relação entre os Conceitos e o Conteúdo, um novo patamar de relações entre os dois. Não se trata, evidentemente, de uma relação estática de subordinação deste àqueles, mas de uma troca, que “dê vida”, significado, sentido aos conteúdos.
Isso importa numa mudança paradigmática no modo de ensinar história.
Fomos habituados, ao longo dos anos, com um ensino onde a História aparece como um “corpo estranho” à nossa realidade. Saber história era sinônimo de dominar um conjunto imenso de informações. Nosso referencial e modelo era aquele professor de cursinho com um “saber enciclopédico” (com dinastias, personagens, eventos, cronologias, fatos, curiosidades, etc., na ponta da língua).
Tudo bem. Isso é muito bom e bonito, prático e útil, prá uma minoria de intelectos movidos pela curiosidade em relação ao passado e que conseguem com relativa facilidade captar e sistematizar o panorama da saga humana.
Mas, e a grande massa, como é que fica? Prá que serve um saber prá ficar circunscrito a um grupo reduzidíssimo da sociedade? A velha pergunta: por que a maioria dos alunos não tem interesse? E o mais importante: qual a contribuição da disciplina para a formação de cidadãos, que, em última instância, são (ou deveriam ser) os agentes históricos que intervirão em medidas diversas no presente?
Liberdade em relação aos conteúdos tradicionais. Nós os controlamos, não eles a nós. Os conteúdos deveriam funcionar como a parte ilustrativa do corpo de conceitos e instrumentos necessários à formação:
Alguns exemplos:
Conceito: A questão agrária. Conteúdos: pode ser trabalhada em diversos contextos históricos, como: Roma Antiga (escravos e plebeus versus patrícios proprietários de terras), no Feudalismo (senhores feudais, revoltas camponesas, etc), no Império brasileiro (Lei te terras, etc), na República recente (reformas de base, Golpe Militar, etc)
Conceito: O papel dos “especialistas no trato com o sobrenatural” e das religiões. Conteúdos: há milhares deles, desde o neolítico/paleolítico, passando pelas teocracias orientais, pelo domínio da Igreja na Idade Média….
Conceito: O papel da escrita e do domínio do saber. Conteúdos: primeiras sociedades, Idade Média, etc….
Conceito: A democracia, o liberalismo e as revoluções sociais. Conteúdos: Grécia, séculos XVIII aos dias atuais, etc…..
Estamos bolando um BANCO DE IDÉIAS (Linkando História à vida real) que pretendemos debater (e aprender com as propostas) em breve.
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