Segundo o dicionário Aurélio o termo “diversidade” diz respeito à variedade e convivência de idéias,
características ou elementos diferentes entre si, em determinado assunto,
situação ou ambiente, nessa perspectiva, quero iniciar com a fala de Lúcio Flávio Pinto no Almanaque Brasil Socioambiental/2008:



Ícone mundial da biodiversidade, onde está a maior bacia hidrográfica e a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia possui ainda uma fantástica diversidade cultural. É a região brasileira relativamente mais preservada de todas. (São Paulo: ISA, 2007, p. 83).



Tendo em vista essa diversidade cultural tão acentuada em nossa região, Amazonas, percebemos a importância da valorização dessa diversidade para alcançarmos o que poderíamos chamar de harmonia, equilíbrio. Nesse sentido, verificamos a importância da criação e de uma real aplicação de políticas públicas que valorizem essa diversidade, trazendo à população um maior conhecimento da mesma, já que o preconceito e a discriminação se originam principalmente pela falta de informação e conhecimento.


Enfrentamos um problema no Brasil no que se refere às políticas públicas, porque infelizmente no referente a isso toda essa diversidade cai por terra, já que ainda hoje temos políticas públicas totalmente monolíticas, ou seja, que generaliza e homogeneíza a população. Gersem Luciano, no livro Diversidade Cultural, Da proteção à promoção 2008, afirma que a racionalidade da nossa administração pública é um dos principais responsáveis pela negação dessa diversidade ou também pelo desrespeito aos direitos do que é diferente, sendo necessário, dessa forma, que ocorra uma mudança de consciência, de mentalidade e da cultura da sociedade, começando pelo próprio Estado.


A idéia de diversidade está ligada aos conceitos de pluralidade, multiplicidade, diferentes ângulos de visão ou de abordagem, heterogeneidade e variedade. Sendo que muitas vezes, também, pode ser encontrada na comunhão de contrários, na intersecção de diferenças, ou ainda, na tolerância mútua. A diversidade pode ser vista através de diversos prismas. E essa pluralidade de tratamentos varia entre alguns extremos, principalmente no que se relaciona com as políticas desenvolvidas pelos Estados para tratar da questão indígena. Muitas das formas escolhidas para tratar dessa questão podem se transformar em verdadeiras manifestações de um neocolonialismo.


Ainda hoje podemos encontrar no Portal do MEC os chamados Cadernos Secad, que foram concebidos para cumprir a função de documentar as políticas públicas da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação, compreendem as questões da diversidade – étnico-raciais,de gênero e diversidade sexual, geracionais, regionais e culturais, bem como os direitos humanos e a educação ambiental.




Nesses cadernos, são analisados o ponto de vista da sustentabilidade e da inclusão social por meio de uma educação que seja efetivamente para todos, de qualidade e ao longo de toda a vida. Para isso, pressupõe-se que a qualidade só é possível se houver eqüidade, isto é, se a escola atender a todos na medida em que cada um precisa, e segundo Gersem Luciano ainda no livro Diversidade Cultural, nem sempre o que o indígena precisa é o mesmo que o não-índio pensa ser de primeira necessidade.



Segundo Rosa Helena, no texto Identidade e Diversidade Cultural:


...a Constituição Federal do Brasil (1988) reconhece o direito dos povos indígenas a uma educação escolar específica e diferenciada, intercultural e bilíngüe, que respeite seus processos próprios de ensino e aprendizagem (artigo 210). No artigo 231 da referida Constituição podemos ler que são reconhecidos aos índios sua
organização social, costumes, línguas e tradições, e os direitos originários sobre as Terras que tradicionalmente ocupam
... Fica assim explicitado o direito ao reconhecimento e proteção também de seus bens culturais, o que inclui o direito uma educação escolar própria, ou seja, organizada como um sistema específico, com todas as suas regras, modelos e definições. Em síntese, o direito dos índios construírem suas propostas de escola, segundo seus próprios princípios, processos e práticas educativas.



Sabemos que infelizmente isso ainda é uma realidade inexistentes no Brasil, e nesse sentido nos fica os seguintes questionamentos: Quando começaremos a levar em consideração as diversidades existentes na nossa Nação no que diz respeito a democratização do ensino? Será que os povos indígenas não têm condições de, eles próprios, fazerem um currículo educacional que atenda verdadeiramente as suas necessidades no viés do desenvolvimento humano e sociológico individual de cada tribo/povo?

Para os povos indígenas a educação é um processo continuo, que dura toda a vida e que diz respeito não somente a um individuo, mas a toda a comunidade, sendo responsábilidade de todos, a educaçãos das novas gerações, em uma sociedade onde cada indivíduo tem seu papel social muito bem definido, o homem como o supridor, protetor e chefe da família, e a mulher como a mãe e a esposa que aprende logo depois da primeiro mestruação lições a respeito do comportamento sexual aceitavel a ela, questões de maternidade entre outras coisas.

Uma educação ideal, seria aquela baseada na premissa das necessidades individualis de cada tribo e de cada indivíduo dentro dessa tribo, afinal, apesar de terem seus papeis sociais previamente estabelecidos pelo fator sexo, dentro das escolhas possiveis e aceitáveis na comunidade nesse quesito, ainda há uma variedade de funções que esse individuo pode exercer, e para isso, a educação indígena tem um papel fundamental no que diz respeito a valorização da individualidade e da diversidade.





REFERENCIAL TEÓRICO





SILVA, Rosa Helena Dias, Identidade e Diversidade Cultural: Algumas questoões para pensar a educação e a formação de professores na Amazônia.I



LUCIANO, Gersem, Diversidade Cultural, Educação e a questão indígena in Diversidade Cultural – Da proteção à promoção



http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/educacaoindigena.pdf


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Tags: Diversidade, Indigena

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