Depoimentos de pracinhas de São José dos Campos

Depoimentos de pracinhas de São José dos Campos - SP

Artigo de José Moacir Marcondes Cabral

Para completar trabalho referente à participação de São José dos Campos na 2ª Guerra Mundial, foram entrevistados alguns ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira – FEB, para se colher alguns testemunhos dessa participação de viva voz.

O primeiro a ser abordado foi o ex-combatente: JARBAS DIAS FERREIRA – Nascido em 19 de dezembro de 1921, natural de Mogi das Cruzes, mas radicado em São José dos Campos, filho do Sr. Luiz Mendes Ferreira e de da. Aurora Dias Ferreira.

Disse o entrevistado que sua convocação ocorreu no dia 3 de dezembro de 1942 como reservista do Tiro de Guerra 545 (hoje 45). Nessa ocasião trabalhava na Tecelagem Paraíba S.A. e era solteiro.

Foi incorporado inicialmente na CPP2 (Companhia de Metralhadora). Indo depois para a 6° Companhia do II batalhão do 6° Regimento de Infantaria, comandada pelo Cap. Frederico Carlos Faria Nobre, enquanto que a CPP2 teve como comandante o Cap. Proença Gomes.

Seu número na FEB foi, inicialmente 3025 e depois 1334.

Embarcou no 1° Escalão no dia 29 de junho de 1944, desembarcando em Nápoles. Depois da permanência em Bagnoli, Tarquinia e Vada, esteve em San Martino in Fredana (depois de Pisa). O fato mais interessante desse período que muito apreciou foi a organização e pontualidade americana e o bom tratamento que os comandos e os soldados norte-americanos dispensavam aos brasileiros.

Seu batismo de fogo ocorreu nas proximidades da cidade de Fiano, no Vale do Sercchio, combate em que morreu o soldado Atílio Pífio, de São Paulo – Capital seu amigo.

Depois tomou parte na defensiva no front da Torre Di Nerone, onde o maior perigo eram os franco-atiradores alemães e também o frio, que chegava a 18 graus negativos. Terminando o inverno tomou parte na Ofensiva da Primavera, inclusive Fornovo di Taro, onde travou-se o último combate na Itália, quando 15.000 alemães se renderam às tropas do 6° Regimento de Infantaria.

Disse que um fato que muito o magoou foi a morte de seu amigo Romão Cocô de São Paulo.

Seu melhor comandante foi o Cap. Canguçu, lá na frente de combate, cujo nome completo não se lembra mais. Esse capitão foi ferido em combate, sendo substituído pelo Tenente Abaitaguara, que assumiu o comando interino da 6ª Companhia.

Disse que achou os italianos muitos hospitaleiros e que dos companheiros de guerra guardava gratas recordações pela união que sempre houve entre todos.

Dos companheiros mortos, o que mais o impressionou foi o soldado Ademar Fernando Ferrugem, morto por um franco atirador, no front da Torre di Nerone, no justo momento em que lhe fornecia a hora certa que o mesmo solicitara, isto é, 18,30 horas.

Sobre os soldados alemães, disse que eram muito valentes, quando em grupo, o que não ocorria quanto estavam sozinhos.

Disse que a FEB trouxe para o Brasil bons resultados políticos e econômicos e que gostou das festas de recepção, quando do Reno em 1945, no Rio. São Paulo e São José dos Campos. Disse que, entretanto, depois dessas festas, houve muito descaso para com os pracinhas brasileiros.

O 2° entrevistado foi o ex-combatente:

DORACIL GOMES, nascido a 9 de maio de 1920 em Monteiro Lobato, (na época Bairro do Buquira, pertencente a São José dos Campos) filho do sr. Manoel Gomes Prendas e de Dª Maria Izabel Vieira Gomes.

Jornal O Valeparaibano. Especial - Vale do Paraíba. 27 de julho de 1979: 47,48. 

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