Sigmund Freud foi o criador da psicanálise. Jacques Lacan foi o seguidor que mais contribuiu e deu continuidade à sua obra. Lacan (1901-1980) nasceu na França em Orleans. Formou-se em medicina, atuando como neurologista e psiquiatra e se considerava um Psicanalista Freudiano. Lacan nasceu numa família na qual a religião católica não era apenas uma conveniência social, mas tinha um grande valor íntimo. Lacan perdeu a fé no final dos anos 20, esse foi o clímax de uma verdadeira interrogação.
Para Lacan a psicanálise não é uma ciência, uma visão de mundo ou uma filosofia que pretende dar a chave do universo. A psicanálise é uma prática, onde através do método da livre associação chegaremos ao núcleo do seu ser. Ela é comandada pela elaboração da noção do sujeito. Ela coloca esta noção de maneira nova, reconduzindo o sujeito à sua dependência significante.

A Psicanálise Lacaniana, não é uma simples corrente, mas uma verdadeira escola. Com efeito, constitui-se como um sistema de pensamento, a partir de um mestre que modificou inteiramente a doutrina e a clínica freudiana, não só forjando novos conceitos, mas também inventando uma técnica original de análise da qual decorreu um tipo de formação didática diferente da do freudismo clássico. Nesse sentido, é comparável ao kleinismo, nascido dez anos antes; na verdade, aparenta-se, sobretudo com o próprio freudismo, o qual reivindica em linha direta, à parte os outros comentários, leituras ou interpretações da doutrina vienense. O lacanismo acha-se, portanto, numa situação excepcional. Lacan foi, com efeito, o único dos grandes intérpretes da doutrina freudiana a efetuar sua leitura não para “ultrapassa-la” ou conserva-la, mas com o objetivo confesso de “retornar literalmente aos textos de Freud”. Por ter surgido desse retorno, o lacanismo é uma espécie de revolução às avessas, não um progresso em relação a um texto original, mas uma “substituição ortodoxa” deste texto.

Se para Freud utilizou conhecimentos da física e a biologia nos seus trabalhos e Lacan utilizou a lingüística, a lógica matemática e a topologia. Lacan mostrou que o inconsciente se estrutura como a linguagem. A verdade sempre teve a mesma estrutura de uma ficção, em que aquilo que aparece sob a forma de sonho ou devaneio é, por vezes, a verdade oculta sobre cuja repressão está a realidade social. Considerava que o desejo de um sonho, não é desculpar o sonhador, mas o grande “Outro” do sonhador. O desejo é o desejo do “Outro”, e a realidade é apenas para aqueles que não podem suportar o sonho. Lacan conduziu avidamente seus estudos de lógica e de topologia matemática que o levaram à formulação dos “matemas e nós barromeanos” e à doutrina do real, simbólico e imaginário. Lacan preferia a não interferência no discurso do paciente, ou seja, deixava fluir a conversa para que o próprio analisando descobrisse as suas questões, pois o risco da interpretação, é o analista passar os seus significantes para o paciente.

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Comentário de joaquim schieder da silva em 24 setembro 2012 às 16:27

Boa noite,Isa

Pela minha experiencia no CH vejo que os blogs nao sao muito concorridos ,por isso aconselho que abras um grupo sobre o tema que gostares e convida as pessoas que gostarias de ter no grupo ,temos aqui pessoas muito bem formadas em História e em religiao ,entre outras .

Os grupos ficam muito tempo no mesmo sítio ,mas os blogs vao ficando para trás quando um novo aparece.

Nao creio que precises de moderar os comentários ,porque pode ser um entrave á entrada de novos membros.

Os grupos com temas  polémicos sao os mais ativos ,á excepcao do meu que é o mais ativo ,mas eu sou o seu único ator (quase)

Espero corresponder ao que esperas para o teu blog,mas eu só tenho a aprender contigo nesta area .

Um abraco

Comentário de Isa Carvalho em 5 abril 2012 às 2:25

A obra

Jacques Lacan (1901-1981) é considerado um dos revolucionários do campo freudiano. Médico de formação, uniu a experiência em psiquiatria – forjada na Enfermaria Especial para alienados da Chefatura de Polícia de Paris, junto ao grande mestre Clérambault – à filosofia, à lingüística, à matemática. Leitor de pensadores como Alexandre Kojève, Georges Bataille, Hegel, Heidegger, Wittgenstein, Ferdinand de Saussure e Lévi-Strauss, entre outros, deu um sentido contemporâneo à teoria e à prática psicanalíticas, influenciando campos do conhecimento para além das fronteiras da psicanálise.

Era a década de 1950 e Lacan participava, juntamente com outros intelectuais e artistas, daquele que pode ser considerado um dos momentos de maior efervescência cultural em solo francês desde o caso Dreyfus no século XIX.

Seus famosos seminários anuais no Hospital Sainte-Anne e depois na École Normale Supérieure, que chegaram a reunir centenas de pessoas das mais variadas áreas, iniciaram-se com a proposta de uma releitura da obra freudiana, um resgate da palavra do pai da psicanálise à luz de outras estruturas, um projeto audacioso que levou adiante durante 26 anos.

De início, nos anos 30 e 40, encontramos um Lacan voltado para a fenomenologia, a filosofia hegeliana e o surrealismo. A década de 1950 marca seu engajamento ao movimento estruturalista, seu encontro com a obra de Lévi-Strauss, cujo resultado está expresso na famosa fórmula “o inconsciente estruturado como uma linguagem” – trata-se, seguramente, do Lacan mais conhecido. Por último, o pesquisador dos nós borromeanos, da topologia, da escrita sintomática de Joyce, o Lacan matemático, enfim.

Nos três tempos de sua obra, deixou contribuições inestimáveis para a psicanálise, principalmente no que diz respeito à clínica da psicose e à ética da psicanálise. Abraçou a questão da análise terminável ou interminável levantada por Freud, buscando identificar o ponto de passagem do analisante à analista, e com isso levantou (e ainda levanta) a poeira das instituições psicanalíticas. Preocupou-se com os laços sociais e seus discursos, com os objetos de consumo, com a constituição subjetiva e dos saberes, inclusive o próprio saber psicanalítico.

Em tom coloquial, esta obra de Alain Vanier apresenta, portanto, o personagem Lacan e alguns de seus mais importantes conceitos, como os registro do Real, Simbólico e Imaginário, objeto a , significante, Nome-do-Pai, entre outros, elementos que comprovam a vivacidade teórica do psicanalista que Lacan encarnou sem concessão.

 

Sobre Lacan

“Lacan viu e compreendeu a ruptura libertadora de Freud. Compreendeu-a no sentido pleno da palavra, tomando ao pé da letra seu rigor e forçando-a a produzir sem trégua nem concessões suas próprias conseqüências [...] devemos a ele o essencial.” (Louis Althusser)

“[No debate com as neurociências] Lacan é importante, como Foucault e Derrida. Há nele uma reflexão filosófica, uma teoria do sujeito, uma teoria da liberdade que mostra que não somos submetidos a comportamentos.” (Elisabeth Roudinesco)

“No retorno a Freud, o percurso de volta ao precursor se faz por uma radicalização do discurso analítico. É o que eu proponho chamar de ‘afreudisíaco' Lacan. O que outra coisa não é senão um exponenciar em princípio obsessivo de estilo, um elevar até a extrema potência de linguagem aquilo que, em Freud, era sobretudo um dispositivo de leitura analítica (ainda quando rastreável nos paradigmas dispersos de uma indubitável predisposição escritural).” (Haroldo de Campos)

 

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A Oeste do fim do mundo

Está em cartaz nos cinemas brasileiros a co-produção Brasil-Aregentina, "A Oeste do fim do fo mundo", de Paulo Nascimento.

Sinopse: Leon (César Troncoso) é um homem introspectivo que vive em um velho posto de gasolina, perdido na imensidão da estrada transcontinental entre a Argentina e o Chile. Seu único amigo é Silas (Nelson Diniz), um brasileiro que volta e meia o visita para trazer peças para consertar a moto dele. Um dia, a paz de Leon é abalada com a chegada de Ana (Fernanda Moro), uma mulher que escapou da tentativa de abuso sexual de um caminhoneiro com quem tinha pego carona. Sem ter para onde ir e no meio do deserto, Ana recebe abrigo de Leon inicialmente para apenas um dia. Só que o tempo passa e ela não consegue sair do local.

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Felipe II: confira na íntegra a tese de doutorado do historiador José Carlos Vilardaga: "São Paulo na órbita do Império dos Felipes: conexões castelhanas de uma vila da América Portuguesa durante a União Ibérica (1580-1640)". O trabalho foi defendido em 2011 na Universidade de São Paulo.

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