Dando nome aos porcos. Um pesadelo ou pura realidade?

Essa noite eu tive um pesadelo. Sonhei que estava na fazenda de um amigo chamado Justiça observando o movimento em seu chiqueiro. Meu amigo Justiça era uma pessoa tão decepcionada com a inversão de valores da vida que começou a dar nomes de cargos políticos aos seus porcos e a tudo que existia em sua fazenda.

A fazenda chamava-se “Estado”, a filha dele chamava-se “Campanha”, ao cocho de lavagem ele denominou “Eleição” e a lavagem ele chamou de “Dinheiro”.

Estava eu a meditar quando ouvi o meu amigo Justiça gritar para a sua filha Campanha que pegasse a lavagem (dinheiro) e jogasse dentro do cocho (eleição) para que os porcos (políticos) comessem.

Prontamente “Campanha” pegou o balde sujo e mal-cheiroso de lavagem, se dirigiu ao chiqueiro (também chamado de partido) e derramou tudo lá dentro do cocho (eleição). Foi aquela farra. Como é gostoso ver os porcos comerem as suas respectivas porções.

Só que os porcos maiores chamados de Governador, secretário e estadual não deixavam um porquinho miúdo de nome “Funcionário” comer a sua porção. Os porcos maiores formavam um cordão de proteção entre o porquinho funcionário e a lavagem.

Ao se retorcer de fome e desespero o porquinho funcionário começou a gritar com todas as forças que ainda lhe sobravam. Ao ouvir a gritaria, meu amigo Justiça dirigiu-se ao partido (chiqueiro) com uma vara de bambu bem grossa e começou a golpear os porcos maiores com tanta força que o porco governador começou a querer cair, foi quando os porcos secretário e estadual partiram em sua defesa com toda ferocidade possível.

Nesse momento, quase que do nada, surgiu o maior dos porcos dentre eles; Um porcão chamado “Povo”, que andava meio adormecido por se achar incapaz de resolver tamanha baderna no partido (chiqueiro).

Camarada, esse porcão de nome “povo” deu tanta mordida nos porcos políticos que nem meu amigo Justiça conseguiu detê-lo.

Aí, depois de colocar os porcos políticos em seus devidos lugares, o porcão “povo” convidou o porquinho “funcionário”, para que, juntos, comessem as suas porções devidas da lavagem. Com essas mordidas, os porcos políticos aprenderam a comer só a parte da lavagem que lhes cabiam. Foi aí que acordei e fiquei imaginando então, como seria uma fazenda chamada “Brasil”, com um cocho chamado “Brasília”, um chiqueiro de nome “poder” e que abrigasse alguns porcos chamados de “presidente”, “ministro”, “empresário”. E se entre eles convivesse uma porquinha de nome “honestidade”? Coitadinha.

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