Crítica do filme “A Fita Branca”, de Michael Haneke (2009)

A Incompreensão Requentada

Novo filme do diretor Michael Haneke marca por sua exuberante fotografia em preto e branco, mas argumento sobre questão histórica é ulrapassado


Por Bruno Leal

O novo filme do diretor austríaco Michael Haneke foi uma das sessões mais disputadas da última edição do Festival de Cinema do Rio de Janeiro. E o lugar na platéia justifica-se, a começar pela ousadia do projeto: “Das weiβe Band” (“A Fita Branca”) tenta explicar a origem histórica do nazismo e do holocausto. Para isso, Haneke volta a um discreto vilarejo na Alemanha às vésperas da Primeira Guerra Mundial, cuja paz rotineira é perturbada por uma série de crimes misteriosos. A cena de abertura coincide com o primeiro desses crimes. O médico do vilarejo está voltando para casa, montado em seu cavalo, quando um arame esticado entre duas cercas o derruba. Semanas depois, acontecem novos crimes: um celeiro inteiro é incendiado e o filho do barão local é seqüestrado e torturado. Em pouco tempo, o medo a desconfiança se apoderam do lugar.

O que Haneke oferece ao espectador é uma verdadeira anatomia moral e psicológica dos moradores do vilarejo alemão. Em "A Fita Branca", o diretor consegue um efeito parecido com outro filme seu, "Caché" (2005): enquanto o público se preocupa em desvendar os crimes, o filme passa por um deslocamento, indo do espaço público para o espaço privado, sempre com muita sensibilidade. Dentro das quatro paredes de diferentes famílias, tomamos conhecimento de uma estrutura patriarcal altamente autoritária, marcada pelo signo da punição e da disciplina. Em uma cena, por exemplo, vamos um pai bolinar a própria filha durante a madrugada. Enquanto isso, outro pai, o pastor da cidade, amarra as mãos do filho adolescente na cama para impedir que ele se masturbe (um pecado mortal). Por isso, não surpreende que o professor do vilarejo chegue à bizarra conclusão de que são aquelas crianças, em sua maioria submetida a uma educação fortemente repressora, as responsáveis pelos misteriosos crimes.

A tese de Haneke é que esta estrutura autoritária da sociedade alemã, sobretudo a patriarcal, gerou fortes sentimentos de indiferença, crueldade e desprezo entre a geração de jovens do início do século XX, a mesma geração que anos mais tarde abraçaria a causa do nazismo, tendo em Hitler muito mais do que um governante, mas um verdadeiro pai (sabemos, por exemplo, que o próprio Hitler tivera vários problemas com o seu pai durante a infância e adolescência). Logo no início do filme, o próprio narrador em off avisa: “os eventos que se passaram ali, naquele vilarejo, no início do século, são de extrema importância para se compreender os eventos dramáticos que aconteceriam na Alemanha, décadas depois”.

Essas relações de cunho causal aparecem em diversas marcas simbólicas ao longo do filme. A mais evidente é a tal fita branca do título, que o pastor força seus filhos a usarem. As crianças deveriam usar a fita para que pudessem sempre lembrar a sua condição de pecadores, uma antevisão da estrela de David usada pelos judeus durante parte do Terceiro Reich como elemento de uma estratégia de distinção social. Outra marca que merece destaque é o desprezo com que uma criança com deficiência mental (filho do médico) é tratada pelas demais crianças e adultos do vilarejo, ao ponto de ter seus olhos furados pelos autores dos demais crimes. O uso deste acontecimento, no filme, não tem nada de fortuito. Sabe-se que a Alemanha assassinou milhões de alemães deficientes mentais, sob a defesa de extirpar os “incapazes socialmente”. Esses crimes são considerados por diversos historiadores, inclusive, como um preâmbulo macabro para o que aconteceria com os judeus pouco tempo depois. Por fim, o mesmo tipo de alusão pode ser percebida quando um pai grita e espanca violentamente o filho (uma das cenas mais fortes do filme) ao saber que ele havia roubado a flauta do filho do barão. É praticamente impossível não reconhecer naquela cena o mesmo ímpeto de violência praticado pelos SS em campos de concentração.

Tudo isso é contado através da incrível técnica narrativa de Michael Haneke. A qualidade técnica é inegável. O filme é todo filmado em preto e branco impecável. O uso das câmeras é fascinante, não somente por conta da função do close-up para registrar as nuances dos personagens, mas também para seguir o ator em sua movimentação pelo cenário. Durante as filmagens à noite, o uso das penumbras e do som estalado provoca arrepios. Em nenhum momento, há falas exageradas nas bocas dos personagens. Não soubéssemos da magia do cinema, poderíamos dizer que as filmagens ocorreram sem que os filmados soubessem de absolutamente nada, tamanha é a naturalidade das atuações. Um filme tecnicamente impecável, um exemplo de como as imagens podem nos transportar para um universo totalmente diferente.

No entanto, apesar de todas as qualidades descritas anteriormente, o filme é uma tremenda tragédia. E o que explica esta tragédia é o argumento do filme de Haneke. Ao explicar o nazismo e o holocausto pela via do germanismo, em particular por sua estrutura patriarcal castradora, “A Fita Branca” é um enorme passo atrás na compreensão desses fenômenos.

Primeiramente, é preciso dizer que esta tese não é nova. O que Haneke faz é endossar uma idéia do intelectual alemão Theodor Adorno, o mesmo autor dos principais estudos sociológicos da “Indústria Cultural” (“A Personalidade Autoritária”, 1950). Baseado em pesquisas feitas com norte-americanos que viviam, em sua maioria, na costa leste dos Estados Unidos na década de 1950, Adorno e sua equipe estavam certos que havia uma relação íntima entre opiniões antissemitas pronunciadas, um etnocentrismo acentuado e opiniões de direita no plano político, com o fascismo potencial e com características autoritárias. Segundo o alemão, relações de severidade excessiva de um dos pais, em geral o pai, em relação ao filho (algo para Adorno muito típico entre as famílias alemães do início do século XX), fortalece uma série de sentimentos ambivalentes, como aqueles que variam do temor do castigo a transformação da hostilidade reprimida em sadismo em relação às pessoas que a vítima considera como o “outro grupo”. Um caso de transferência de repressão, uma relação de amor e ódio em relação ao pai autoritário (no filme de Haneke, essa transferência fica clara quando as crianças passam a violentar outras crianças, diferentes delas). No caso da Alemanha, esse ódio, nos anos trinta e quarenta, foi transferido para a imagem do judeu, convertido em corpo estranho dentro da sociedade ariana germânica.

A explicação de Adorno para o nazismo e para o holocausto, requentada mais de cinqüenta anos depois por Haneke, é extremamente problemática. Em primeiro lugar, a tese é frágil porque tenta levar para o plano coletivo (das massas) conceitos e justificativas que são usados pela psicologia e, sobretudo, pela psicanálise, no âmbito individual. Ao fazer isso, ela não só trata erroneamente a massa como um indivíduo unificado (psicologização excessiva da história), mas também ignora fatos políticos e econômicos do período histórico do qual se refere. Em segundo lugar, olhar para o passado alemão buscando uma origem retroativa do nazismo é extremamente conveniente. O problema está sempre lá, visível, encubado, pronto para se transformar naquilo que já conhecemos de antemão. Mas isso é apenas um mascaramento do universo marco. Segundo uma série de historiadores, dentre os quais se destaca o francês Michael R. Marrus, a Alemanha estava longe de ser o país mais antissemita da Europa na primeira metade do século XX. Se naquela época pudéssemos apostar em um país onde o holocausto iria acontecer, certamente França e Rússia seriam os mais cotados, tamanho era o grau de preconceito e perseguição sofriada pelos judeus (os famosos pogroms). Em terceiro lugar, do ponto de vista da pesquisa histórica, a história do autoritarismo alemão, do qual a estrutura familiar é o maior exemplo, é uma aposta no escuro. Como é possível explicar a morte de seis milhões de pessoas tendo em vista a justificativa de transferência psicológica? E mais: o que leva a crer (e como medir) que na Alemanha o autoritarismo patriarcal era mais intenso do que em outros países europeus? Não existe nenhuma evidência particular e incontestável que ligue uma coisa a outra. Muito mais correto, pelo contrário, parece ser compreender o antissemitismo como um sentimento existente em vários graus. Até mesmo para o Terceiro Reich, o assassinato em massa nem sempre foi algo planejado, mas ditado por uma série de circunstâncias históricas, ocorridas a partir, principalmente, de 1941.

A tese de Adorno, defendida de forma apaixonante por Haneke, foi duramente criticada e derrubada por dois trabalhos brilhantes no século XX. O primeiro desses trabalhos foi publicado em 1961, pelo maior especialista do holocausto: Raul Hilberg, com a sua obra monumental “The Destruction of the European Jews”. Hilberg chamava a atenção para o caráter industrial do Holocausto, para a natureza fria e burocrática dos crimes cometidos nos campos de concentração, tratados como um negócio qualquer do Estado, que pela primeira vez aplicava todo o conhecimento e técnicas industriais na destruição de todo um grupo social. Ou seja, não é o elemento germânico que está em jogo, mas sim a noção de mundo industrial.

O segundo grande trabalho ao qual me refiro, intitula-se “Modernidade e Holocausto”, escrito pelo cultuado sociólogo Zygmunt Bauman. O livro foi publicado em 1989 e não fortuitamente conquistou os méis importantes prêmios literários do mundo naquele ano. O livro de Bauman é uma espécie de revitalização das idéias de Hilberg, hoje aceita por praticamente todos os historiadores e sociólogos que se dedicam ao estudo do nazismo. Bauman rejeita todas as teses que germanizam e particularizam o Holocausto. Em suas palavras, “o Holocausto nasceu e foi executado na nossa sociedade moderna e racional, em nosso alto estágio de civilização e no auge do desenvolvimento cultural humano, e por essa razão é um problema dessa sociedade, dessa civilização e cultura”.

Nesse sentido, tratar do holocausto como uma questão de patologia psicológica e marcadamente alemã seria ignorar a incômoda verdade de que o holocausto é o símbolo do fracasso da modernidade. O holocausto é uma questão planetária e germanizá-lo pode ser uma cegueira perigosa. Bauman conclui acertadamente que os defensores da germanização do holocausto acreditam que uma vez estabelecida a responsabilidade moral e material da Alemanha, dos alemães e dos nazistas, a procura das causas está concluída. Em outras palavras, suas causas foram confinadas num espaço e num tempo limitados, para nossa sorte, o passado. Não raro, o nazismo foi durante um bom tempo classificado como uma “doença alemã”, um “desvio da civilização”, um “momento de cegueira”, quando, na verdade, trata-se de uma questão ligada a gênese do mundo moderno. O holocausto aconteceu na Alemanha dos anos quarenta, mas poderia ocorrer na França dos anos trinta. Poderia acontecer hoje, muito mais próximos do que podemos supor. E é isso o que apavora: não vivemos um mundo diferente daquele que produziu o holocausto. Para Bauman, a tese de Haneke não resulta apenas no conforto moral da auto-absolvição, mas também em um tempo de desarmamento moral e político. “Tudo aconteceu ‘lá’ – em outra época, em outro país Quanto mais culpáveis forem ‘eles’, mais seguros estaremos ‘nós’, e menos teremos que fazer para defender essa segurança. Uma vez que a atribuição de culpa for considerada equivalente à identificação das causas, a inocência e sanidade do modo de vida que tanto nos orgulhamos não precisam ser colocadas em dúvidas”.

Quem deseja conhecer este confronto de idéias, “Modernidade e Holocausto” trata-se de uma obra bastante minuciosa. Desmonta os mitos do filme de Haneke um a um. Sua abordagem identifica todos os pontos modernos e burocráticos da indústria da morte nazista, relacionando-os ao modos operandi da modernidade. Méritos para Bauman, que em um certo momento de sua argumentação, expõe como as duas coisas estão totalmente imbricadas: do gás usados nas câmaras da morte aos caminhos das linhas férreas que levavam os condenados para os campos. Elementos consagrados da indústria metalurgia e química do século XX. E tudo isso planejado de acordo com os preceitos básicos e modernos, típicos dos manuais consagrados de administração, até hoje usados.

Assim, se “A Fita Branca” pode ser primoroso do ponto de vista técnico-cinematográfico, do ponto de vista do argumento do roteiro, cuja vida é dada pela direção persuasiva e brilhante de Haneke, trata-se de uma tragédia completa. Para o diretor austríaco (vale lembrar que a Áustria recebeu com flores a anexação na Alemanha de Hitler) o nazismo é representado como um “problema de alemães”. E se a opinião pública compra essa idéia, ainda bem arraigada na mente de certos produtores de sentido sobre o passado, seria a comprovação de que não aprendemos ainda a maior lição deixada pelo holocausto.

Confira o trilher do filme:

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Comentário de Bruna Bora em 10 abril 2013 às 15:47

Baixar o Filme - A Fita Branca - http://mcaf.ee/4lsy3

Comentário de Regis Mendes Munhoz em 2 fevereiro 2013 às 22:33

Acho que além da sustentação de uma tese de Adorno (da qual compartilho) esse filme se parece um tanto com o livro "O queijo e os vermes" de Ginzburg. O trabalho de Ginzburg e um trabalho de pesquisa o de Haneke trata-se de um ficção. Ora, micro-história pura! Não acho que o Diretor tenha deixado de fora outras questões fundamentais do Nazismo/ Holocausto de fora: Qual a situação econômica das classes sociais expostas no filme, como vivem os que sobrevivem do trabalho próprio? Usar psicologia dentro da sociologia não é nenhuma monstruosidade, pelo contrário é importante! Não vejo tanta crítica ao filme!!!

Comentário de Pedro E. Freitas em 10 junho 2011 às 17:16

Oi Bruno, tudo bem?

Gostei muito de seus comentários, aprendi muito. Não sou historiador, sou cineasta e pedagogo, mas trabalho muito com filosofia e Adorno é objeto de minha analise para o mestrado, principalmente a coleção "A Personalidade Autoritária".

Justamente por esse meu estudo, apesar de apreciar muito sua analise, não posso concordar com a visão que expos da obra de Adorno, não totalmente. Ele, Adorno, busca, junto com Horkheimer, dentre outras coisas, entender o que levou as pessoas a apoiarem o Nazismo. Eles, com isso, fazem uma analise da formação psicológica, a partir do social, em uma teoria crítica, da população germânica, principalmente. Ora, apoiar movimentos autoritários e tomar atitudes autoritárias não proclama a criação do fascismo (se assim eles acreditassem, estariam partindo de uma analise tradicional, onde a + f seria sempre = k), mas se as pessoas não tiverem ideias e atitudes autoritárias como poderiam elas apoiar o fascismo? Podemos acreditar que pessoas que trabalham buscando a democracia, não a democracia no sentido Liberal, no sentido mais Habersiano, aceitariam um governo autoritário? Dentro da esquerda, por exemplo, muitos Comunistas foram contra a "União" Soviética por que eles acreditavam em democracia e, por isso, impor o “socialismo” não era aceitável para elas, mesmo que quisessem o socialismo.           

Outra idéia me intriga, pode ser só uma ignorância minha, se assim o for, por favor, me explique, mas como, Adorno, integrante da Escola de Frankfurt, marxista, poderia “ignora fatos políticos e econômicos do período histórico”? Desculpe-me, mas não consigo realmente entender essa informação, pois toda a teoria dele e de Horkheimer tem como base fatos politícos e, principalemtne, êconômicos, são de linha marxista. Isso não quer dizer que eles não possam ter deixado informações passarem, é por isso que pesso uma explicação, como disse não sou historiador.

Voltando a teoria crítica e tradicional, a afirmação: “a Alemanha estava longe de ser o país mais antissemita da Europa na primeira metade do século XX. Se naquela época pudéssemos apostar em um país onde o holocausto iria acontecer, certamente França e Rússia seriam os mais cotados, tamanho era o grau de preconceito e perseguição sofriada pelos judeus (os famosos pogroms)”. É justamente essa forma de pensar que Horkheimer chama de teoria tradicional, pois f + g = l, se acressentarmos p, daria u, como fazia Weber por exemplo. Não é o somatório de idéias que levá ao entendimento de um fato (tem mais preconceito = a mais possibilidade), seja ele histórico ou não, póis temos a sociedade produtora da quelas idéais. Não basta analisar antisemitismo, mas alguem que não acreditasse em verdades absolutas, ou seja, idéias autoritárias, poderia apoiar algo autoritário?

É por isso tudo que não posso concordar que seja totalmente inválida as contribuições dos dois autores, mesmo que tenham falhas. Se foi um processo da modernidade, o Holocausto, existiram PESSOAS, em determinado tempo histórico, que apoiaram e permitiram a existencia desse. A pura visão do determinismo social, resultado da modernidade, sem a ideia que o ser humano faz parte e compõe a sociedade, e que ele não pode acontecer em outra sociedade, é esquecer que eu e você estamos aqui conversando, estamos fazendo história e não somos a sociedade, somo pessoas.

Comentário de O Teatro da Vida em 7 maio 2011 às 11:17

Saudações, Bruno,

 

Somos de "O Teatro da Vida", um blog no qual comentamos filmes e, ao assistir A Fita Branca, fomos buscar mais dados para comentar e chegamos até aqui, nos deparando com seu belíssimo texto, muito bem embasado sobre a história e a ideia do filme de Heneke. Muito interessante mesmo... o que nos faz seguir este seu espaço e também linká-lo na lateral do nosso blog.

 

Em algumas semanas vamos postar nossa crítica de A Fita Branca... e se quiser passar por lá, conhecer-mos, ficaríamos muito honrados com a visita.

 

No mais... um abraço e até breve...

 

Kleber e Jonathan

Comentário de Rafael Mantovani em 1 maio 2011 às 23:04

Caro Bruno,

Parece-me que você foi muito pouco generoso com um filme genial. Parto de uma visão foucautiana e confesso ter que entrar em uma digressão para entender os motivos deste filme em um texto que escrevi recentemente. Caso lhe interesse: http://aguaprocafeemate.blogspot.com/ 

Abraço,

Rafael

Comentário de Marcia Conceição Carrinho Muniz em 20 abril 2010 às 21:04
Valeu Bruno, a sugestão de assistir o filme "A Fita Branca" e as leituras a respeito do que ocorre com a severidade das famílias em questão, e um ponto para reflexão: Ainda apesar de tudo somos e criamos preconceitos a partir de nossas famílias. Tive hoje a oportunidade de assistir ao filme, por isso meu comentário. Abraço.
Comentário de Fernando Kike Barbosa em 15 março 2010 às 20:03
Só para contribuir com as reflexões sobre o filme, posto a resposta dada pelo próprio Haneke sobre sua obra, que eu pessoalmente achei maravilhoso, na entrevista que o Bruno se referiu abaixo. Estou atrasado no debate, nas só agora descobri o café história e só ontem vi o filme. Abs.
“Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria. E este não é um problema só do fascismo da direita. Também vale para o fascismo da esquerda e para o fascismo religioso. Você poderia fazer o mesmo filme – de uma forma totalmente diferente, é claro – sobre os islâmicos de hoje. Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino.”
Comentário de Bruno Leal em 12 março 2010 às 19:19
Olá, Vera, conforme conversamos, ele diz mesmo isso. Mas é um paradoxo, tendo em vistas as referências que ele utiliza em seu filme. e você, já conseguiu ver o filme?
Comentário de vera guimaraes correa em 23 fevereiro 2010 às 15:42
bruno, adorei encontrar esta página e ler seus comentários sobre A FITA BRANCA. li também esta outra crítica http://colunistas.ig.com.br/mauriciostycer/2009/10/24/as-raizes-do-... , em cujo último parágrafo se transcreve parte de entrevista do diretor, onde ele mostra que as intenções de seu filme são mais amplas do que as sugeridas pelas sinopses, isto é, nao se trata apenas de um "problema de alemães". abraço
Comentário de RICARDO ROCHA AGUIEIRAS em 25 janeiro 2010 às 8:35
Excelente, Bruno! Que texto! Até onde vai o seu talento? Ontem eu até ia te mandar um email te cumprimentando mas por outra coisa totalmente diferente... risos...: é que o seu Flamengo foi Campeão, né? Não entendo nada de futebol, mas ouvi algo na televisão e imaginei que você deveria estar muito feliz.
bom, voltando ao assunto, já estou baixando o filme, pobre não tem jeito : ou recorre à pirataria ou fica sem cultura...
Nunca entendi mesmo o nazismo e o Holocausto como um fato isolado dentro da Alemanha. Afinal, o mundo compactou por que pouco se fez durante a II Guerra pelos judeus, para salvá-los. Alguns alegam que as notícias que conseguiam chegar eram tão horrendas que o espanto e o terror fazim silenciar... não sei...
Um médico uma vez me disse que, tristemente, algumas descobertas de Mengele e outros , extraídas da maneira mais horrenda possível de crianças e judeus presos em campos de concentração, foram posteriormente usadas por toda a medicina. O que eu não sei se é verdade... portanto, há um certo "relaxamento" ou "desculpa", quando os fins justificam os meios?
Podemos pensar , também, por que os grupos de neonazistas proliferam tanto,hoje, por estas bandas... aqui em Sampa, basta você subir a parte baixa, central da famosa Rua Augusta e você dá de cara com vários... Quem escapa, é por pura sorte, por que eles não te viram ou por que estavam distraídos...
Enfim, penso também que preconceitos não assumidos por causa do discurso atual do politicamente correto impede que sejam trabalhados e que se tornem menos prejudiciais, tanto para quem os carrega como para quem os sofre. Eu mesmo vivo me pegando em alguns que tento combater, nem sei se sou bem sucedido nessa. Há um monte de preconceitos "diluídos", hoje, nas pessoas. Como eu sou todo tatuado, por exemplo, toda vez que tenho que ir num banco é um problema, sempre fico preso na porta giratória, acionada por dentro pelos guardas, mesmo que eu não tenha nada de metal no corpo. E , eu mesmo, toda a vez que cruzo com um polícial, vem uma onda de temor, reflexo de repressões policiais no passado. E muitos são legais, mas só percebo depois...
O meio gay masculino é um dos mais preconceituosos que existe, se você visse o paradoxo, não acreditaria: odeiam gordos, odeiam velhos, odeiam feios, compraram totalmente a ideia flasa da ditadura da estética e da juventude eterna. Teve até um psicanalista famoso, gay também, que escreveu um artigo polêmico intitulado "gays nazistas". Como vê, nem o sofrimento como vítimas abriu os oslhos de muita gente.
Digo tudo isso por que penso que, juntando um preconceituzinho alí, mais outro alí, mais outro acolá, mais a fome e o desemprego, mais a falta de Educação, mais isso e aquilo, quem não aplaudiria um novo Fuhrer?

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Sinopse: Alemanha, 1912.  Um jovem diplomata (Richard Madden) ingressa no serviço administrativo de uma usina siderúrgica. Por conta do seu bom trabalho, seu patrão (Alan Rickman) o contrata para o posto de secretário particular. Conforme os dias passam, ele conhece e se aproxima da esposa (Rebecca Hall) do chefe, apaixonando-se perdidamente por ela. Ele recebe a missão de ir ao México repentinamente e, ao anunciar sua partida, a mulher entra em desespero, realizando que ambos se amam. Sendo assim, fazem uma promessa de amor: um dia ele irá retornar e os dois finalmente ficarão juntos.

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