http://www.10pt.org/2011/08/cronica-poetica-urbana-porto/

©Susana_Neves
Há na praça um quadro móvel dinâmico e em formação
Que me chama a atenção!
Ora surgem figuras masculinas caminhando de quispo bem abotoado
Ora emergem outras que atravessam empinadas de guarda-chuva na mão aparando a miúda pioggia
Caminhando ninguém deixa de furar encolhido a hibernosa neblina
O quadro além de móvel é variado nas formas, nas figuras, nas roupas,no movimento e nas cores
Agrada à vista observar a forma de vestir das mulheres exigentes e de capricho
Mas há transeuntes variados
Tudo à mistura, jovens e velhos, mulheres e homens, pessoas de meia idade, raras crianças
Todos em ritmos e passos diferenciados
Todos mais ou menos protegidos
Alguns de cigarro na mão
Transeuntes da praça
Figuras casuais e circunstanciais
Como este senhor que é careca mas ousado e que tem a particularidade de cortar a monotonia do ambiente
Ao vestir um casacão vermelho chinês e calça beje
Num ambiente onde a maioria veste escuro
Esta dama vem de bota alta e gabardine esbelta de mãos cheias de sacolões de finas compras em butiques ou shoppings
Em contraste com o estado neblinoso e de chuva miúda peneirada em tecido fino
Atravessa a praça outra senhora e esta de aspecto rural veste simplessaia curta, perna à mostra, cabeça descoberta, guarda-chuva na mão mas recolhido
Um senhor doutor de cabelos brancos, protege-se com clássica gabardine clara e faz do guarda-chuva uma bengala para caminhar
Agora uma jovem mulher com guarda-chuva especial e refinado com todas as cores do arco-íris representadas
Agora passam grupos fazendo variar o mosaico das figuras humanas que compõem o cenário
Passa uma dama conduzindo seu bebê em carrinho
Defendido por proteção plástica
Por sua vez os pombos e as gaivotas buscam na praça
As migalhas e os grãos de sobrevivência
De quando em vez o Porto Tram City Tour
Passa por aqui
E também o autocarro e os taxis verdes
Os vultos passantes vestem roupas sombrias escuras no ritmo do tempo
A cidade está toda envolta em neblina Como se estivesse protegida numa redoma
Há figuras valentes de cabeça descoberta
Atravessando a praça
As folhas das poucas árvores da praça ondulam
Mas o tom dominante é o movimento a esmo dos cidadãos que têm de defender a vida e passam
Com suas sacolas e sobretudos e casacos e guarda-chuvas para chegar a seu destino
Duas moças de roupas modernas escolheram guarda-chuvas vermelhos
Os homens usam boinas ou chapéus
Os rapazes preferem carregar seus sacos escolares às costas ou suas bolsas à tiracolo
Pelo gosto e pela idade preferem vestir roupas mais claras com capuchos ou gorros
Também há quem caminhe de calça branca e samarra ou gabardine branca ou beje
Há jovens senhoras que optaram por calçar bota de cano e casacos de pelica preservando a elegância
Ao longe a Igreja de Santo Ildefonso de dupla torre e frontaria e azulejo barroco
Ambulantes todas estas figuras compõem
um quadro que vale pela movimentação pelos tons permanentes e pelos móveis
Pelas singularidades e pelos traços
Pelos tipos e pelas novidades e repetições
É um desenho de vida e de luta
De quotidiano e de circunstancialidade
Um flash sem máquina de filmar
Cenas para um quadro amplo de biodiversidade
Do quotidiano de pessoas que passam a caminho dos cartazes do Teatro S. João
Ou do cinema da Batalha
Ou para entrar na sala de Internet
Ou no café à busca de um longo ou de um curto
Ou a caminho dos escritórios das camionetes perto da Pastelaria Paulista
Há imensas demandas e em cada uma delas se registram
A intenção, os passos, a travessia
Pelos fios do tempo os transeuntes vão passando desenhando
E eu vou suspender aqui porque a vida continua na Praça da Batalha
E em todas as praças
E na rua de Santa Catarina e na rua de Santo Antônio
Na avenida dos Aliados
Em todas as ruas de qualquer cidade,
Em todos os cantos de qualquer país
De qualquer continente
Porque os homens são transeuntes em qualquer lugar
Passam e voltam a passar como passageiros permanentes
Sempre caminhando atrás de alguma coisa,
Mesmo que muitas vezes nem saibam porque caminham ou para onde caminham…
Permanecendo todavia como seres terrestres que vão a algures,
Mesmo que não lhes perguntemos nem saibamos para onde vão…
Seres a quem desejamos que pelo menos
Caminhem e vão com Deus
Dentro de um sentido
E que os caminhos a percorrer ou percorridos
Os levem até eles mesmos
Numa busca de realização pessoal
E de profunda felicidade.
Jan Muá
Porto, Praça da Batalha
23 de janeiro de 2009

©Susana_Neves
Bem-vindo (a) ao
Cafe Historia
Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
© 2013 Criado por Bruno Leal.
Ativado por


Você precisa ser um membro de Cafe Historia para adicionar comentários!
Entrar em Cafe Historia