Coronelismo e Mandonismo:concepções teóricas.

A estrutura politica social, em que o poder de mando é o principal agente de legitimação de identidades, pode ser avaliada a partir do estudo do conceito de “coronelismo”.

            Segundo José Murilo de Carvalho há uma problemática muito extensa sobre o conceito de coronelismo. Para este, a tarefa dos historiadores referente às problemáticas do conceito seriam apenas resolvidos por uma pesquisa de campo. Mas, de antemão, penso ser necessário dialogarmos sobre que conceito de “coronel” está presente neste trabalho.

            Carvalho (1997) atribui a confusão referente ao conceito, por a compararmos ao clientelismo e ao mandonismo, para este o clientelismo e o mandonismo seriam características da política brasileira e o coronelismo um contexto histórico datado. Mas de forma geral, datado historicamente, o coronelismo foi fruto das relações de poder entre o poder público fortalecido após a Proclamação da República, e o colapso social dos latifundiários, que para escaparem de uma crise estruturante, tiveram que utilizar da máquina estatal para continuar no poder.

            Assim, a República Velha, período que vai de 1889 à 1930 caracteriza-se como um período de troca de favores entre as diversas camadas sociais e administrativas do Estado. Segundo Carvalho (1997) este sistema estaria organizado da seguinte forma:

 

O governo estadual garante, para baixo, o poder dos coronéis sobre os seus dependentes e seus rivais, sobretudo cedendo-lhe o controle dos cargos públicos, desde o delegado à professora primária. O coronel hipoteca seu apoio ao governo, sobretudo na forma de votos. Para cima, os governadores dão seu apoio ao presidente da República em troca de reconhecimento deste e de seu domínio no Estado.

 

Inserido neste contexto, o clientelismo e o mandonismo seriam fatores preponderantes da estrutura política da República Velha, mas que não surgiram dela, pois são estruturas de longa duração.

            O mandonismo na concepção de Maria Isaura Pereira de Queiroz (1976, p.33) foi uma forma de poder existente no Brasil desde sua colonização, do qual os principais agentes que o consolidaram foram o grande latifúndio e a “família grande”. O poder de mando era liderado pelo chefe da família e donos de propriedades. Assim, a nossa estrutura política teria a base na terra e na família. Durante o Império, quando a centralização política passou a ser o centro do debate político, o mandonismo se readaptou, pois “a terra” aos poucos perdeu importância para as cidades. Com a crise do valor social dos grandes latifundiários e com a autonomia econômica do país sobre o café, o coronelismo da República Velha como vimos em Carvalho, foi um período particular do mandonismo. Para Queiroz (2004, p.156), “o coronelismo seria uma forma de adaptação entre o poder privado e um regime político de extensa base representativa”. Para ela, o poder do coronel é medido pelo número de votos que este detém, assim, o clientelismo entra em cena como um mecanismo de garantia de sucesso para o coronel. 

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