Carnaval: religião e tradição, o Sagrado e o Profano

 

A Primavera (Botticelli, cerca de 1482) têmpera sobre madeira

O Carnaval teve início como festa popular agradecendo aos deuses as safras e as colheitas. As pessoas se pintavam, dançavam e bebiam muito vinho o que lhes despertavam os instintos mais primitivos de acasalamento, brigas, nudismo, e se tornavam orgias.
Nas Saturnais de Roma, Saturno era seguido por cortejo de sátiros e sacerdotisas ou bacantes, em meio aos ditirambos ou hinos, aclamações exageradas ou poesias dramatizadas que os desfilantes gritavam pelas ruas ou de cima dos grandes barcos de alegorias.

“(...) A farra toda vem do inconsciente dos povos, desde os rituais da fertilidade e as festas pagãs nas colheitas. Remonta às celebrações à deusa Ísis e o touro Ápis, no Egito, e à deusa Hera, dos teutônicos, passando pelos rituais dionísiacos gregos e pelos licenciosos Bacanais, Saturnais e Lupercais, as suntuosas orgias romanas.
No século VI, a Igreja adotou essas festas libertárias que invertiam a ordem do cotidiano, para domesticá-las. Juntou todas na véspera da Quaresma como uma compensação para a abstinência que antecede a Páscoa. O Carnaval, então, espalhou-se pelo mundo. Desembarcou no Brasil no século XVII. Aqui, virou um dos maiores espetáculos do mundo. Você vai conhecer um pouco mais da origem da grande folia, desde a mais remota antigüidade até a invenção da serpentina.
Em Roma, comemoravam-se as Saturnais de 16 a 18 de dezembro, (há relatos de que a festa se estendia por 7 dias) para a glória do deus Saturno. Tribunais e escolas fechavam as portas, escravos eram alforriados, dançava-se pelas ruas em grande e igualitária algazarra. A abertura era um cortejo de carros imitando navios, com homens e mulheres nus dançando frenética e obscenamente os carrum navalis. Para muitos, deriva daí a expressão carnevale.
No dia 15 de fevereiro, comemoravam-se as Lupercais, dedicados à fecundidade. Os lupercos, sacerdotes de Pã, saíam pelados, banhados em sangue de cabra, e perseguiam os transeuntes, batendo-lhes com uma correia. Em março, os Bacanais homenageavam Baco (o deus grego Dionísio em versão romana), celebrando a primavera inspirados por Como e Momo, entre outros deuses.
Assumindo o controle da coisa, a Igreja fez o que pode para depurar a permissividade igualitária dos carnavais. Na Idade Média, a festa virou encenação litúrgica, corrida de corcundas, disputa de cavaleiros e batalha urbana de ovos, água e farinha. Depois, o carnaval se espalhou pelo mundo.
Na Rússia, a Maslenitsa dá adeus ao inverno, com corridas de esqui, patinação, danças com acordeão, balalaika, blinky masleye (panquecas amantegadas) e, é claro, muita vodka. No carnaval de Colônia, na Alemanha, as mulheres armam-se com tesouras e saem pelas ruas para cortar as gravatas dos homens.
Em Veneza, a tradição consagrou os fogos de artifício e foliões mascarados, inspirados na velha Commedia dell' Arte. Na Bolívia, os mineiros de Oruro veneram a mãe-terra, Pachamama, dançando fantasiados de demônios. Em New Orleans, nos Estados Unidos, uma torrente humana invade as ruas do French Quarter, na terça-feira do Mardi Gras, atrás de músicos que tocam toda a noite.
(por Ricardo Arnt)
FONTE: http://super.abril.com.br/superarquivo/1995/conteudo_114538.shtml

... Mas outros cultos existiam também, como é o caso do deus Apolo, considerado como "Sol invicto", ou ainda de Mitra, adorado como Deus-Sol. Este último, muito popular entre o exército romano, era celebrado nos dias 24 e 25 de Dezembro data que, segundo a lenda, correspondia ao nascimento da divindade. Em 273 o Imperador Aureliano estabeleceu o dia do nascimento do Sol em 25 de Dezembro: Natalis Solis Invicti (nascimento do Sol invencível).
É somente durante o século IV que o nascimento de Cristo começa a ser celebrado pelos cristãos (até aí a sua principal festa era a Páscoa) mas no dia 6 de Janeiro, com a Epifania. Quando, em 313, Constantino se converte e oficializa o Cristianismo, a Igreja Romana procura uma base de apoio ampla, procurando confundir diversos cultos pagãos com os seus. Desistindo de competir com a Saturnália, deslocou um pouco a sua festa e absorveu o festejo pagão do nascimento do Sol transformando-o na celebração do nascimento de Cristo.
FONTE: http://obviousmag.org/archives/2007/12/saturnalia.html

... Na Idade Média, predominavam nos festejos de Carnaval os jogos e disfarces. Em Roma havia corridas de cavalos, desfiles de carros alegóricos e divertimentos como a briga de confetes pelas ruas.
Com o advento da Era Cristã, a Igreja começou a tentar conter os excessos do povo nestas festas pagãs. Uma solução foi a inclusão do período momesco no calendário religioso. Antecedendo a Quaresma, o Carnaval ficou sendo uma festa que termina em penitência na quarta feira de cinzas. Os cristãos costumavam iniciar as comemorações do Carnaval na época de Natal, Ano Novo e festa de Reis. Mas estas se acentuavam no período que antecedia a Terça-feira Gorda, chamada assim porque era o último dia em que os cristãos comiam carne antes do jejum da quaresma, no qual também havia, tradicionalmente, a abstinência de sexo e até mesmo das diversões, como circo, teatro ou festas. Em 1091 a data da Quaresma foi definitivamente estabelecida pela Igreja Católica.

O Carnaval é uma festa móvel porque é indicado pelo domingo de Páscoa, também uma data comemorativa móvel para que não coincida com a páscoa dos judeus. Para saber em que dia cairão as duas festas, determina-se primeiro o equinócio da Primavera (no Brasil é Outono). Não se pode esquecer que o calendário segue as estações do ano de acordo com o hemisfério norte, onde foi criado. O primeiro domingo após a lua cheia posterior ao equinócio da primavera é o domingo de Páscoa. Face a essa regra, o domingo de carnaval cairá sempre no 7º domingo que antecede à Páscoa. A quaresma tem início na quarta feira de cinzas e como o próprio nome diz, tem duração de 40 dias.

Na Idade Média, predominavam nos festejos de Carnaval os jogos e disfarces. Em Roma havia corridas de cavalos, desfiles de carros alegóricos e divertimentos como a briga de confetes pelas ruas.

O baile de máscaras foi introduzido pelo papa Paulo II, no século XV. Os bailes de mascarados ficam famosos por causa do sucesso da Commedia dell'Arte que, após o século XVII, passou por quase toda a Europa. As mais famosas máscaras são as confeccionadas em Veneza e Florença, muito utilizadas pelas damas da nobreza no século XVIII como símbolo máximo da sedução.

A Colombina, o Pierrô e o Arlequim, os quais têm origem na Comédia Italiana, companhia de atores viajantes que difundiam a Commedia dell'Arte, após o século XVII e se tornaram conhecidos no mundo todo e apareciam nos bailes de Carnaval.

Na Europa um dos principais rituais de Carnaval foi o Entrudo. A palavra vem do latim e significa início, começo, a abertura da Quaresma. Existe desde 590 d.C., quando o carnaval cristão foi oficializado. O povo comemorava comendo e bebendo para compensar o jejum. Mas, aos poucos, o ritual foi se tornando bruto e grosseiro e o máximo de sua violência e falta de respeito aconteceu em Portugal, nos séculos XVII e XVIII. Homens e mulheres atiravam água suja e ovos das janelas dos velhos sobrados e balcões. Nas ruas havia guerra de laranjas podres e restos de comida e se cometia todo tipo de abusos e atrocidades.

O carnaval brasileiro se origina no entrudo português e aqui chegou com as primeiras caravelas da colonização. Recebeu também muitas influências das mascaradas italianas e somente no século XX é que recebeu elementos africanos. O lança-perfume, bisnaga ou vidro de éter perfumado de origem francesa, criado em 1885, chegou ao Brasil nos primeiros anos do século XX.

O entrudo desembarcou no Brasil em 1641, na cidade do Rio de Janeiro. Assim como em Portugal, era uma festa cheia de inconveniências da qual participavam tanto os escravos quanto as famílias brancas. Após insistentes intervenções e advertências da Igreja Católica, os banhos de água suja foram sendo substituídos por limões de cheiro, esferas de cera com água perfumada ou água de rosas e bisnagas cheias de vinho, vinagre ou groselha. Esses frascos deram origem ao lança-perfume, bisnaga ou vidro de éter perfumado de origem francesa. Criado em 1885, chegou ao Brasil nos primeiros anos do século XX. Também substituindo as grosserias, vieram então as batalhas de flores...
Depois vieram as batalhas de confetes e as brincadeiras com serpentinas.
FONTE: http://www.areliquia.com.br/Artigos%20Anteriores/57HistCarn.htm

SATURNAIS

(...) festa romana de Saturnália, um festival realizado em honra do deus Saturno. Originalmente comemorado em 17 de dezembro, revelou-se tão popular que acabou por ser estendido para uma semana inteira de festividades que duram de 17 a 23 de dezembro. Saturnália começou com um sacrifício (não tão divertido) e banquete público e, em seguida, continuou com as duas festas públicas e privadas e uma atmosfera carnavalesca. Foi um momento para o tombamento provisório de normas sociais, a partir do uso de roupas menos formais e o licenciamento de jogos de azar, para a liberdade concedida aos escravos que estavam a ser servidos por seus senhores durante a festa Saturnália (embora eles prepararam a refeição de claro) e foram autorizados licença maior para a semana. No dia 23, os presentes foram trocados privadas para marcar o fim do festival longo da semana. Sob o Império Romano, o festival passou a incluir um princeps saturnalicius ou Prince of Saturnalia, (...)”
FONTE: http://1066andallthat.livejournal.com/3264.html

 

TRADIÇÃO SÃO AS TRANSMISSÕES DAS LENDAS, COSTUMES, DOUTRINAS E DEMAIS CERIMONIAIS, DE GERAÇÃO A GERAÇÃO

É o elo do passado com o presente. São muitas as teorias sobre a origem do fenômeno religioso. As teorias psicológicas tentam explicar a religião tomando por base os sentimentos. O homem teria assim, para gerar a crença, observado a beleza e a grandeza dos fenômenos da natureza os quais teriam lhe despertado os sentimentos de medo do sobrenatural. Já para as teorias sociológicas a religião é um fenômeno social. A principal teoria sociológica se refere ao sagrado e ao profano, sobre esse enfoque a religião consiste na solidariedade de expressão e na crença coletiva: para Smith e Durkhein a religião começou a partir dos ritos e cerimoniais (cantos e danças) intensificando as emoções e levando os participantes ao êxtase e fazendo com que acreditassem estar tomados por poderes (manas) sobrenaturais. (Marconi, 160:162)

 

AO SE AGLOMERAREM, OS HOMENS INCONSCIENTEMENTE, ESTABELECIAM AS NORMAS SOCIAIS PARA IMPEDIR O CAOS

Dotado da capacidade física, anatômica e fisiológica para se expressar por meio do sistema de sinais e signos, o homem começa a ser o narrador do seu mundo de símbolos, ritos e mitos. Ao se aglomerarem, os homens primitivos se instituíram nas primeiras civilizações, assentadas nos instintos básicos do medo e da preservação. Buscavam encontrar a origem das coisas e do mundo em que viviam e, inconscientemente, estabeleciam as normas sociais para impedir o caos. Com o tempo se estabeleceram em tribos, clãs familiares e chegaram aos impérios. Tudo isso foi possível por intermédio dos escolhidos pelos deuses. A estes eram reveladas as “ver-idades” (a idade das coisas) divinas e eles narravam aos outros aquilo que sabiam e assim criavam os mitos.
O mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa. Quem narra o mito é o poeta-rapsodo. Ele narra como as coisas eram no passado longínquo e fabuloso, “voltando-se para o que era antes que tudo existisse tal como existe no presente”. O poeta cantor tem autoridade porque o que ele conta é vindo de uma revelação divina, sua palavra é inquestionável e contém a idade das coisas. Organizando o mundo o narrador encontrava: uma rivalidade ou uma aliança entre as forças sobrenaturais; descobria as recompensas ou os castigos para serem aplicados a quem obedece ou desobedece. (Chauí,43:46)

 

A origem dos males no mundo

A domesticação do fogo pelos homens, (acredita-se que pelo Homem de Pequim), se espalhou pelos continentes e trouxe todos os benefícios da primeira alta tecnologia. Mas, a minuciosa observação do narrador foi além, e explica o contrário do bem: a origem dos males no mundo. O nome da narrativa através dos tempos chegou até o presente como:

A CAIXA DE PANDORA

O fogo era possuído apenas pelos deuses, mas, um dos titãs (filhos de Urano (céus) e de Géia (Terra) chamado Prometeu, mais amigo dos homens do que dos deuses, roubou uma centelha do fogo de Zeus e a trouxe para os humanos. O castigo de Prometeu foi ser amarrado a um rochedo para as aves de rapina devorar eternamente o seu fígado e lhe furarem os olhos. O castigo dos homens foi o os deuses fazerem uma mulher, Pandora, a quem foi entregue uma caixa que não deveria nunca ser aberta. Mas, quando chegou ao meio dos homens, Pandora não suportou a curiosidade e abriu a caixa, querendo dar aos humanos as maravilhas que deveriam estar na caixa. No entanto, da caixa de Pandora saíram todas as desgraças, como as doenças, as pestes, as guerras e a morte. (Chauí: 45)

 

DIVINDADES

DEUCALIÃO na mitologia grega era filho de Prometeu e marido de Pirra. Foram os únicos sobreviventes do dilúvio desencadeado por Zeus. Refugiaram-se numa barca que os levou ao monte Parnaso. Repovoaram o mundo arremessando pedras para trás: as pedras que Deucalião atirava se transformavam em homens, as que Pirra atirava se transformavam em mulheres.

ZEUS, deus do raio, era o deus supremo dos gregos, deus dos céus e da Terra. Filho de Cronos e de Réia. Destronou seu pai Cronos e se instalou no Olimpo. Os romanos o associavam a Júpiter.

CRONOS, deus grego filho de Urano e Gaia. Pai de Zeus. Identificado pelos romanos como Saturno.

SATURNO, divindade na Itália e Roma antigas comparável ao deus Cronos, dos gregos. Foi expulso dos céus por Júpiter e se refugiou no Lácio (região da Itália central no litoral do mar Tirreno), onde ensinou aos homens o cultivo da agricultura. Nas orgias Saturno era seguido por cortejo de sátiros e sacerdotisas ou bacantes, em meio aos ditirambos ou hinos, aclamações exageradas ou poesias dramatizadas que os desfilantes gritavam pelas ruas ou de cima dos grandes barcos de alegorias (carros navais).

DIONÍSIO, deus grego do vinho e da fertilidade, filho de Zeus e de Sêmela, era identificado como um bode ou um touro.

SÁTIRO, divindade secundária, companheiro de Baco. Representado com cabelos desgrenhados, orelhas pontudas, dois pequenos chifres e pernas de bode, tendo numa das mãos uma taça e com a outra tocando um pífaro ou flauta.

BACANTE, sacerdotisa de Baco também chamada de Mênade ou Tíade. Mulher consagrada aos mistérios dos deuses.

MISTÉRIOS. Eram as representações teatrais na Idade Média que duravam vários dias e eram privilegio de algumas irmandades. Inspiradas em assuntos religiosos nos quais havia a interseção de Deus, dos santos, dos anjos e do diabo.

 

SAIBA MAIS

Há incertezas quanto ao termo Carnaval. Relatos dizem que é proveniente das festas gregas ao deus Dionísio no século VII a. C., quando os desfiles se faziam acompanhar por grandiosos barcos com alegorias e participantes, os "Carrum Navallis", mas, outros referem ser modificações ou abreviações, do título dado à transferência do início da Quaresma para a quarta-feira de Cinzas: "Dominica ad Carne Levandas" ou "tirar a carne",  antes do 6º domingo e antes da Páscoa, pelo Papa Gregório I em 590 depois de Cristo.

 

Os confetes chegaram ao Brasil em 1892, jogados em batalhas entre os cordões. As serpentinas substituíram as flores atiradas aos carros alegóricos.

 

Sob fantasias, o folião tem muito mais liberdade. Elas são usadas no Brasil desde o século XIX. Em 1937, houve o primeiro desfile, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

 

O lança-perfume, inventado² em 1885, é uma combinação de éter, clorofórmio, cloreto de etila e perfume.  Foi trazido da França e no Brasil chegou a partir de 1906. O seu uso foi proibido em 1960 pelo então Presidente da República Jânio Quadros. É industrializado ainda em países da América do Sul. O lança perfume como uma substância volátil alucinógena causa também parada cardíaca. No Brasil o lança perfume Rodouro era industrializado pela fábrica em Santo André, pela Companhia Química Rhodia Brasileira. Essa multinacional não tem históricos na internet. Consta na Wikipédia o verbete inacabado sobre o Lança Perfume (wikipedista faleceu) e a melhor contribuição está em:

http://www.dgabc.com.br/Columnists/Posts/15/2298/nesta-revista-a-hi...

 

Os primeiros blocos foram licenciados pela polícia em 1889, no Rio. Os integrantes percorriam as ruas fantasiados, ao som de instrumentos de percussão.

 

O Rei Momo foi instituído pelo jornal carioca A Noite, em 1933, como símbolo do Carnaval. O primeiro Rei Momo foi o compositor e cantor Silvio Caldas.

 

O primeiro baile aconteceu em 1840, no Hotel Itália, no Rio, ao som de valsas, quadrilhas e habaneras. Em 1845, os ricos aderiam à polca tcheca e os negros dançavam jongo.

 

Em 1848, o sapateiro português José Nogueira de Azevedo Prates, o Zé Pereira, saiu por aí tocando bumbo. Deu origem aos primeiros blocos de rua.

 

Os cordões começaram com as sociedades carnavalescas, em 1866. Na Bahia, em 1895, nascia o primeiro afoxé: estava inventada a batucada. Depois da Guerra dos Canudos, em 1897, uma gentarada foi morar no Morro da Saúde, criando a primeira favela do Rio. Ali, na casa da Tia Ciata, foi composto o primeiro samba, em 1917: Pelo Telefone, de Donga.

 

Era só o começo. Vieram o Rei Momo, os corsos de automóveis das boas famílias (1907-1930), as escolas de samba (1928) e os concursos de fantasia (1936). Em 1935, o desfile das escolas de samba foi legalizado pela Prefeitura do Distrito Federal. Com o rádio, a festa difundiu-se e profissionalizou-se. Com a televisão, virou indústria.

 

O antropólogo Roberto DaMatta, autor de Carnavais, Malandros e Heróis (Rio, Ed. Zahar, 1979) define a folia como um rito de inversão, que subverte as hierarquias cotidianas: transforma pobres em faraós, ricos em mascarados, homens em mulheres, recato em luxúria. É uma compensação da realidade.

 

O frevo, os afoxés e os trios elétricos, o negócio é ir para a rua se embolar

O frevo frenético
A palavra vem de fervura e lembra os movimentos acelerados dos foliões. É uma dança de rua e de salão, criada em Recife, nos fins do século XIX. A música, tocada principalmente por metais, é essencialmente rítmica, com compasso binário (de dois tempos) e andamento rápido. Os dançarinos executam coreografias individuais, improvisadas e frenéticas, que exigem animação de sobra e preparo físico mais de sobra ainda.

Tradição da África
Os afoxés são sociedades carnavalescas fundadas por negros, na Bahia, inspiradas nas tradições africanas. O primeiro afoxé nasceu em 1885: era o Embaixada Africana, que desfilou com roupas e adornos importados na África. O segundo, Pândegos da África, surgiu no ano seguinte. Hoje, os principais afoxés da Bahia são Filhos de Gandhi, Ilê Aiyê e Olodum.

Eletricidade musical
Os trios elétricos são palcos motorizados. Montados na carroceria de caminhões e equipados com potentes alto-falantes de até 100 000 watts, desfilam pelas ruas, levando grupos musicais e seguidos pela população. O precursor foi o Trio Elétrico de Dodô e Osmar, na Bahia. Hoje, essa folia eletrificada marca presença em quase todas as ruas do país.

Samba na avenida
As escolas de samba estrearam no Rio de Janeiro, em 1928 e, com o tempo, adquiriram estrutura e orientação empresariais, reunindo até 15 000 integrantes. Hoje, elas comercializam apresentações, direitos autorais e de imagem, sob o patrocínio do Estado e de banqueiros do jogo do bicho. O termo escola de samba surgiu no século XIX, mas foi definitivamente adotado nos anos 30, desde que o bloco Deixa Falar (a primeira de todas) passou a fazer ensaios à porta da antiga Escola Normal.
Fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/1995/conteudo_114538.shtml

 

 

FONTES

http://super.abril.com.br/superarquivo/1995/conteudo_114538.shtml
¹- http://consultoriodepsicologia.blogs.sapo.pt/25923.html
http://obviousmag.org/archives/2007/12/saturnalia.html
http://www.areliquia.com.br/Artigos%20Anteriores/57HistCarn.htm
http://1066andallthat.livejournal.com/3264.html
² - http://www.brasilcultura.com.br/cultura/origem-do-carnaval/
http://super.abril.com.br/superarquivo/1995/conteudo_114538.shtml

http://www.dgabc.com.br/Columnists/Posts/15/2298/nesta-revista-a-hi...

A Primavera – Botticelli http://www.klepsidra.net/klepsidra18/renascimento.htm

 

 

REFERÊNCIAS

CHAUÍ, Marilena. Convite á filosofia. 14ª Edição; São Paulo: Ática, 2010

MARCONI, Marina de Andrade. & PRESOTTO, Zélia Maria Neves. Antropologia: uma introdução. 7ª Edição; São Paulo: Atlas; 2008

 

Re-ligare é alcançar o alto. É possível porque existe a semelhança, e tudo o que está no alto é igual ao que está no mundo. (in. Hermes Trimegistro)

O mito é uma narrativa passada de geração a geração e aceita como uma verdade

 

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