O sonho de uma nação limpa de corrupção e desenvolvida é que nos pregam e prometem a cada quatro anos em tempos que as promessas são cada vez mais banalizadas pela falta de execução das próprias, causando uma incredulidade de toda uma população.
Por vezes somos surpreendidos por questões que nos levam a reflexão daquilo que deveria ser de interesse a todos os cidadãos, isto mesmo, falamos da vida política que cada um tem, no entanto a maioria das pessoas toma decisões sobre estes pensamentos que misturados em liquidificador com sentimentos de revolta e descrença, chegam a conclusões que de forma geral levam estas pessoas a dois caminhos, o de se abster a propagar suas próprias conclusões ou de simplesmente não ter nenhuma. Ainda há aqueles que dizem que nunca haverá mudanças, porque agir em inovações provoca simplesmente numa alternância de poder onde aquele que é o discriminado de hoje será o discriminador do amanhã e que nada nem ninguém nos levará a passos à frente.
O que acontece de fato é que o brasileiro conserva um forte sentimento de aversão a política e toda sua dinâmica, mas quando as conseqüências são contrárias aos seus desejos e o ataca diretamente sua opinião transforma-se em um conjunto de verbalizações de acusação em que no mesmo tempo não sabem o que acusam ou porque acusam, mas que movidos por sentimentos em que ele mesmo desconhece sua própria revolta ele propaga em nome de milhões como um verdadeiro profeta bíblico ou revolucionário social, tendo assim a tentativa de ser o próximo salvador da pátria. Com toda certeza nós já tivemos ou conhecemos alguém que tomaram atitudes assim e que nos leva a pensar que se fala em nome de uma democracia mais pura e concreta em nome da perfeição ideal.
Calma! Espera só um pouco. Democracia? Pura? Concreta em nome da perfeição ideal? Isto mesmo! Devemos estar nos perguntando ou simplesmente em um condicionamento de obter respostas instantâneas estar pulando assuntos em que devemos analisar e salientar, não na tentativa de promover uma mentalidade ou inserir palavras tiradas de um belo vocabulário e transformá-las em um belo discurso é com toda exatidão estar buscando respostas e criar nossas concepções e ainda não finalizar e sempre melhorá-las, dessa forma nossa análise social fica mais saborosa e saliente em um grande leque armado de várias formas de pensamentos que interdisciplinados criarão a degustação destes assuntos mais propícios e interessantes para uma compreensão completa, indiferente de bandeiras ou ideologias e sim de sua visão de mundo. Então salientemos as seguintes indagações. O que é democracia? Quando ela é pura e concreta? Por último Qual é a perfeição ideal de democracia? Ok! Vamos desenvolver um pensamento único em que as três questões possam ser respondidas de uma forma simples. Já vimos que democracia não é algo que possa ser instaurado como uma ciência em moldes previamente vistos e analisados por cientistas políticos, democracia é um processo dinâmico e evolutivo ao longo da história a partir de quando utilizado em um determinado local, ou seja, democracia é um processo social em que o cidadão irá configurá-lo em sua vida e critérios de convivência com o ambiente em que habita. No entanto democracia pura e concreta não existe como já foi dito ela é dinâmica, logo não é concreta por estar em constantes variações, então nos sobra o que seria a perfeição ideal dela, enfim esta é mais absurda que a segunda indagação, porque se toma como referencia a democracia estadunidense como referencia de uma democracia suprema e que já atingiu seu auge, lembrando que já foi dito que esta é um processo dinâmico então como ela pode ter chegado ao auge se ela não é concretizada e que este modelo ao qual tenta se aplicar no mundo moderno, como recentemente com o levante do mundo árabe, será mais uma imposição do capitalismo do que a própria necessidade de uma liberdade que é direito universal independente de raça, cor ou credo. Com isso chegamos à conclusão que a democracia é um processo tão utópico como o próprio socialismo ao quais os capitalistas pregam, então pode chegar à conclusão de que essa democracia exemplificada pelos EUA e as outras potencias do globo é uma imposição e não uma perfeição ideal. Agora que encaminhamos nosso pensamento para o que de fato seria democracia então o que nos leva a um processo de redemocratização? Será que a redemocratização brasileira e uma tentativa tardia de democratizar um país extenso e grande produtor de riquezas naturais e industriais? Mas se já somos democráticos porque a voz do povo, principalmente do povo pobre ainda não tem vez? Estas são questões que já foram respondidas e continuam sendo cada dia e tempos que se passa, no entanto são encobertas por falsas pretensões e estratégia de manutenção política.
Para ampliar o entendimento puxamos na história do Brasil republicano sua desenvoltura. Este ano comemoramos 122 anos da proclamação da república e que logo que foram instaurados os governantes se encontravam na alta esfera social e política, o próprio Marechal Deodoro era amigo de D.Pedro II e foi o primeiro presidente dos Estados Unidos do Brasil, engraçado não? Perceberam alguma influência? Lembrando que ainda neste período o Brasil tinha uma forte influência da Europa precisamente da Inglaterra, mas os Estados Unidos da América em sua industrialização desenvolvida neste período da 2ª etapa da Revolução Industrial mostrava-se interessada nos seus vizinhos continentais, no entanto após os militares da República da Espada vieram os grandes aristocratas, lembrando que o Brasil até então se encontrava como um grande exportador agrário e que tinha como carro-chefe o café, portanto a elite agrária permanecia no Sudeste do país em nome dos grandes produtores de café, que após o Convênio de Taubaté e da política de encilhamento, desencadeou uma rede política tendenciosa, caracterizando um jogo de cartas marcadas, em uma oligarquia conhecida na história por Café-com-leite, devido à permuta a cada quatro anos entre o
PRP (Partido Republicano Paulista – Oligárquicos do Café) e do
PRM (Partido Republicano Mineiro – Oligárquicos dos produtores de Leite), sendo estes os dois partidos mais ricos do país por conta de seus filiados, eram os que direcionavam com as oligarquias estaduais o direcionamento central da política brasileira, garantindo assim a sobrevivência do enriquecimento próprio com a venda de seus produtos para exportação, após isso veio a Era Vargas, que após uma crise mundial em 1929 que aqui afetou a produção do café, enfraqueceu e desestabilizou o acordo entre mineiros e paulistas na antiga oligarquia, favorecendo assim a chegada do Estadista Totalitário do Brasil que governou em três fases, sendo a primeira com um governo provisório (1930 – 1934), um constitucionalista (1934 – 1937) e por fim um ditatorial (1937 – 1945), só um pequeno detalhe em nenhum dos três governos Vargas foi eleito pelo voto, nem mesmo por aqueles que se mantinham viciados desde os tempos dos Coronéis que sustentaram a antiga oligarquia, após a contrariedade de um nazi-fascista estar na Segunda Guerra Mundial ao lado dos aliados lutando justamente contra os ícones dos Sistemas Totalitários (Alemanha e Itália) gerou uma pressão popular ao qual ele foi retirado do governo antes que houvesse uma verdadeira revolução, muito diferente daquela que por muito tempo pregou-se ter sido em 1930 feita pelo próprio Getúlio. Após um pequeno período chamado de período democrático em que Vargas volta a governar pelo voto popular, que Juscelino promove o avanço do Brasil em 50 anos no espaço de 5 anos de governo e aumenta a dívida externa somente com a construção de Brasília atrasando o Estado em sua verdade e que Jânio Quadros renuncia por não agüentar pressões políticas vindas dos EUA e internam em sua própria nação, seu vice-presidente que estava na China(Comunista diga-se de passagem) é impedido de assumir, voltando somente na condição de uma política parlamentarista, mas que após um plebiscito reassume o presidencialismo, porém seu comício promovendo as reformas de base acarreta no estopim do Golpe Militar em 1964 e ai vem o período mais obscuro da história presidencialista brasileira, com repressões, assassinatos,torturas e desaparecimentos promovidos pelo governo federal e assim ficamos até 1985.
Em 1885 o sonho por liberdade voltou e o povo louco foi às ruas gritando por Diretas Já! Já era tempo, pois aqueles tempos de repressão dos militares haviam sido obscuros demais, toda esperança vinha das ruas e não havia como perder, mas houve o colégio eleitoral em que iria garantir a transição fria e
lenta e os pró-militares da ditadura até hoje continuam no poder, foi quando veio o ano de 1988 e foi determinado com a nova constituição que agora a população poderia lutar, mas um ano depois em 1989 não havíamos percebido como estávamos enfraquecidos, pois corações e mentes foram guiados por uma tela de TV, onde o debate foi manipulado garantindo a vitória de Fernando Collor, em 1990 ele assume, engana o povo, mexe na poupança e descarado rouba mais que todos os ladrões o povo vai às ruas e no movimento dos caras pintadas ele é retirado do poder em 1992, em 1994 é eleito FHC, que sendo ministro da Fazenda até 1993 cria o plano Real em uma manipulação política, com o fim do fantasma da inflação ele é eleito de forma grandiosa, mas não sabíamos o que estava por vir, foi quando sofremos as maiores perdas estatais e daquilo que poderia vir a ser na atualidade as “minas de ouro” do Brasil, os anos 90 foi quando conhecemos o
Caos Capital, onde salvadores de pátria não eram mais necessários, pois em 1998 FHC foi reeleito ficando até 2002.
O Engraçado além da configuração histórica do Brasil é a configuração da história mundial neste período, o período após a Era Vargas, conhecido democrático é nada mais e nada menos do que o período de abertura do Brasil para o investimento estrangeiro principalmente dos Estados Unidos que saíra da segunda Guerra Mundial como potencia econômica, grande herói da história do século XX propagado em filmes e pela mídia tendenciosa. Lembremos que no pós-Guerra nasce a ONU, mas o globo vive a tensão da 3ª Guerra Mundial devido as armas nucleares produzidas por Capitalistas liderados pelos EUA e Socialistas pela antiga União Soviética caracterizando assim a Guerra Fria e a bipolarização mundial, no entanto no auge dessa disputa mundial em que Jânio Quadros presenteia
Ernesto “Che” Guevara com a maior congratulação brasileira que é o Cruzeiro do Sul e logo após seu vice vai a China, é obvio que o golpe de 1964 também estava sendo arquitetado e supervisionado pelos EUA que não queria uma outra Cuba na América, sendo esta maior e capaz de ser auto-suficiente. Nessa linha de raciocínio concluímos que a de Pinochet no Chile e as outras Ditaduras Militares na América Latina também tiveram a obvia supervisão dos EUA na manutenção de uma “América para os Americanos”, com o enfraquecimento da União Soviética no investimento da corrida armamentista contra os Capitalistas e as políticas da Glasnot e Perestroika o grande bloco vermelho começa a cair em 1985, ano de abertura política no Brasil em 1989 o mundo assiste a derrubada do Muro de Berlim, que se tornou referencia da divisão mundial entre socialista e capitalista, conhecido por
Cortina de Ferro este também é o ano das eleições diretas com
Fernando Collor eleito, que teve um forte apoio da Rede Globo de Televisão que tinha laços estreitos com os militares da ditadura, Estados Unidos e setores conservadores da sociedade burguesa brasileira.
O que há de coincidência é que vem em 1991 quando Collor inicia as privatizações após o chamado
Consenso de Washington, que muitos estudiosos afirmam que foi uma cartilha redigida pelo governo estadunidense para implantar o sistema Neoliberal, onde o Estado não deve ter mais custos e que naturalmente fazer a transição de suas estatais para mão do serviço privado ou terceirizá-lo sendo assim a forte influencia da burguesia agora também no poder político, esta tendência vinha desde o inicio do século XX, mas que devido ao acontecimento de duas guerras e um tensionamento mundial com a bipolarização e a Guerra Fria, foi pausado sendo retomado na década de 70 com a flexibilização da Economia e o inicio da 3ª Revolução Industrial a qual sofremos na atualidade, por isso que afirmamos logo antes que a década de 90 foi quando entramos no Caos Capital, pois houve a aceleração destes sistemas que segrega e que a visibilidade maior é o lucro daquele de quem explora, pois quem pensa menos compra mais barato e quem compra demais nunca vai levar dinheiro pra financiar a dialética de quem vende ou compra mais, e assim configurou o mundo atual onde nações juntaram-se em grande blocos regionais e que o uso da internet aproximou as pessoas de uma cultura única criando vários caminhos para o mesmo lugar e fronteiras de um único ponto chamado Terra, em que a hegemonia dos países pobres e explorados são inexistentes, em que a hegemonia dos exploradores ou potenciais é que são vistos como progressivos, mas para quem? Com toda certeza para a humanidade que não é, pois vivemos e fomos criados em meio a uma garra que a qualquer momento poderá nos arrancar tudo material e imaterial, inclusive a própria dignidade daquilo eu nos faz dizer que somos humanos. Então vos pergunto-lhes se em tempos atuais a democratização de um Estado em que tudo esta a venda nos faz lutadores ou descartáveis? Infelizmente o governo que assumiu o país após FHC, encontrou um país com as estruturas inseridas em um molde neoliberal e promove tal governo em sua continuidade capitalista globalizada, mas pelo menos há a preocupação de investir no social e em infra-estrutura, caracterizando uma re-leitura das teorias de Keynes, que salvou o mundo da crise de 1929, por isso que a crise atual não é tão latente em nosso território, mas mesmo assim ainda falta muito, para de fato democratizar o nosso país e em tempos do Caos Capital essa é uma possibilidade bastante remota, mas não impossível, pois Gandhi o grande líder da independência Indiana falou que a mudança esta dentro de nós mesmos, e se o voto é um direito que me assiste porque não usá-lo como arma de uma verdadeira revolução popular em prol de uma democracia ideal a nossa identidade, se reclamamos a obrigatoriedade do voto por julgarmos a nossa política inferior ou nosso povo como eles querem que nos vejamos, então ainda somos fracos e não tivemos a consciência do poder que temos de votar e ter nossa voz ativa e contínua após eleições a cada quatro anos, mas se ficarmos esperando neste mesmo período de tempo os candidatos nos encher de falsas promessas é porque ainda somos inertes e o comodismo tomou conta de nossas capacidades de reflexão política,social e coletiva. Pensante e atuante pode ser qualquer um, porém aquele que questiona suas próprias atitudes e pensamentos tem como válido o verdadeiro uso da razão individual e coletiva, pois devemos sim, nos preparar para nossa igualdade ou sempre seremos o subproduto de uma elite que se alimenta os nossos esforços laborais que nos garantem mais uma sobrevivência do que uma convivência com nossos semelhantes.
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