“Neo seus olhos ardem? Isto é porque você nunca enxergou a realidade.”
Esta frase é dita por Morpheus, logo após quando Neo escolhe sair da Matrix e dali ele “enxergar” o mundo real. Além dos efeitos visuais e das cenas demasiadas de ação e tiroteios, a trilogia do filme Matrix, nos traz um contexto interessante em que podemos estar comparando alguns de seus enredos ou passagens na compreensão do mundo atual, mesmo sendo uma história cibernética, ela nos leva a um ponto de reflexão e questionamentos para este caos em que vivemos, mas calma, não estamos afirmando que um dia o mundo será devastado e que viveremos em segredo devido à evolução de uma inteligência artificial (Máquinas) que irá superar a hegemonia humana na Terra, seria muita “viagem” nossa afirmar isto, porém a Trilogia serve de ponto conceitual para filosofia, sociologia, política, teologia, história, economia e dentre outras ciências sociais ou humanas para essa compreensão. Pois bem iniciamos esta nova série para que o entendimento do mundo atual, fique mais claro através das demasiadas vertentes em que o dinamismo da sociedade humana nos leva, o eixo central para estes estudos é obvio que é o sistema político-econômico ao qual estamos inseridos e suas desavenças, falhas e crueldades com a grande massa.
O Capitalismo na sua crua essência é aquele que tem por objetivo separar o homem dos seus meios de produção, isto é, o capitalista tem por função torna-se fornecedor das ferramentas de trabalho, da matéria-prima e do produto final, mesmo sem conhecer profundamente a função a qual se adéqua no mercado o seu produto ou sua linha de confecção, sua função é somente a de administrar e angariar os lucros, tornando essa sua intenção, logo podemos afirmar que sim, o Capitalismo é a exploração do homem pelo próprio homem.
Ok! Tudo bem! Não queremos estar afirmando idéias bastante conceituadas e propagadas, até porque as definições dadas para o Capitalismo no século XIX apesar de servirem para os dias atuais, por não mudar em sua essência, devemos ter a consciência de que a conjuntura sócio-política do mundo é outra, portanto fica a seguinte afirmação que Marx foi importante para construção do pensamento contrário ao capital, no entanto segui-lo religiosamente em seus conceitos e teses é tão ultrapassado quanto o tempo em que ele viveu, e com toda a certeza também é obvio que não podemos renegá-lo como um grande pensador das idéias socialistas, mas novas idéias devem surgir, novos teóricos têm que propor e propagar as idéias de um pós-marxismo, mas sem esquecê-lo como base, todavia as idéias têm que ter o intuito de acúmulo, de agregar todos os militantes do proletário e não com essa criar vertentes, como o fundamentalismo islâmico, como o próprio cristianismo e como a esquerda brasileira que em nome de um pluripartidarismo democrático, enfraquece o pensamento “esquerdista”, nos tornando cada vez mais vítimas de um sistema avassalador chegando até por várias vezes a ditadura midiática promover o fim destes pensamentos, mas é ressalvando Hobsbawm que devemos pensar da seguinte forma: “O socialismo não morreu, foi mal aplicado”.
Mas e daí? Alguns devem estar se perguntando. O que isso tem de interessante com o mundo que vivemos hoje? Outros também indagam!
Pois bem! Meus amigos, daí que começamos a explicar tudo àquilo que denominamos de CAOS CAPITAL.
Caos Capital é tudo que podemos olhar, tocar, imaginar, conviver, combater, não ver. Para podermos entender melhor faremos um breve histórico sobre o Capitalismo.
Em nossa história ocidental foi a partir do fim da Idade Média e início da Moderna que tivemos contato com esse sistema que ao longo dos tempos tornou-se este dragão de sete cabeças, pior do que o Leviatã de Thomas Hobbes com qual convivemos hoje. Ao longo dos anos ele teve suas faces e pra resumir e ficar mais fácil fá-la-emos:
Capitalismo Mercantil (Século XIII – XVIII): Renascimento monetário e urbano, surgimento dos burgos (entrepostos comerciais), crescimento populacional, unificação da política (Formação dos Estados Modernos Absolutistas), segundo cisma do cristianismo com Martinho Lutero e Luís Calvino, avanço tecnológico das navegações (caravelas) e de localização com a bússola (a ancestral do satélite) e por fim a descoberta da América, transformada em Quintal de Exploração, com a balança comercial favorável do mercantilismo metalista.
Capitalismo Industrial (Século XVIII – XIX) Maquinofatura na substituição do trabalho humano, urbanização desordenada, trabalho infantil, separação do homem e seu meio de produção, novas idéias filosóficas e políticas, surgimento do republicanismo em decadência a monarquia absoluta (fim da aliança burguesia e nobreza), surgimento da economia liberal, neocolonialismo na África, Ásia e Oceania e expansão de mercados caros em troca de mão-de-obra e matéria-prima barata.
Capitalismo Financeiro (Século XIX – meados do XX): Guerras em busca da hegemonia capitalista (1ª e 2ª Guerra Mundial), EUA potencia capitalista, reconstrução da Europa, Ditaduras militares na América do Sul, bipolarização (EUA x URSS), Conflitos Sino-islâmicos (Crise do Petróleo), flexibilização da economia e da produção, corrida espacial e fim da Guerra Fria
Capitalismo Globalizado (fim do século XX – XXI): Transição da União Soviética para Federação Russa (capitalista), aglomeração dos países em blocos econômicos para enfrentar o mercado global, velocidade da informação com a Internet, a nanotecnologia, robotização na indústria, crises econômicas periódicas e abertura dos mercados e derrubada alfandegárias.
Consideramos o atual estagio do capital como aquele mais devastador do momento é disso para pior e a melhora não virá, pois com o sistema do capital globalizado e que causa o atual caos, é baseado em três grandes pilastras de sustentação
1. Avanço Tecnológico com a Internet (transições mais rápidas, na velocidade de um “click”)
2. Robotização da Indústria
3. Neoliberalismo (queda de barreiras alfandegárias, Estado-mínimo sem intervir na economia, privatizações e terceirizações do serviço).
Em clichês, uma é a Inteligência Artificial (nanotecnologia); outra é o trabalho braçal do homem, que substituído pelo robô, ficou desempregado e vai para criminalidade ou subemprego a outra é supremo controle da burguesia tanto no campo político quanto no campo econômico (neoliberalismo). Agora perguntamos, será que não é uma semelhança com a matrix, será que este mundo que vivemos é de fato o paraíso que se fala? Ao menos será que a possibilidade de realizar sonhos é real ou nossos sonhos de felicidade é poder consumir cada vez mais? Eles nos mostram o que queremos enxergar e tapam nossa visão para que não olhemos pela brecha a verdadeira devassidão social e cultural que nos acarretam. O Caos Capital dos dias de hoje é causado pela graça da junção dos dois anteriores, o industrial e o financeiro, sendo o financeiro superior ao industrial, por conta disso a briga no final não é pela hegemonia do poderio capitalista e sim de quem como a bolsa de quem, a restrita obrigação, as vidas tão iguais, os atalhos para o mesmo lugar e por fim tudo se mantém em uma grande inércia. Imaginemos que o mundo atual é uma longa estrada asfaltada, em que estamos de olho para partir, mas o mundo bancado de estopim e seguindo as placas do caminho nos dado, a nossa sorte fica para trás, pouco tempo para admitir nossa partida, mas no meio do caminho encontramos um pedágio que de repente ficou mais caro e temos que dar meia - volta ou pagar sendo essa a nossa única escolha.
Mas essa estrada sofre desgaste e está cheia de buracos e dentro deles é que nós os mais afetados é que vivemos, esquecidos, no fundo e vistos como imperfeições e falhas do próprio sistema e quando nos perguntamos que combustível é esse que nos leva ao incerto, com certeza devemos ter a obrigação de gritar dizendo que o Capitalismo, mesmo correndo o risco de ser enterrados quando ele for tapar os buracos na estrada asfaltada, no entanto se estes buracos cederem,venceremos o concreto do asfalto aumentaremos os buracos que se juntarão criando o precipício para que o caminhão explorador e todas as suas carrocerias atracadas caiam e conquistemos de fato algo para todos nós os mais iguais proletários. Então refletimos o seguinte, se toda idéia contrária, por mais que se mostre e comprove quais as verdadeiras falhas do mundo atual e ao se sentir ameaçado tapam os buracos da estrada repletos de vozes que incomodam, é porque o capital é contrário a democracia que tanto prega. Por mais que nosso olhos tenham ardor, devemos abri-los para que possamos enxergar a realidade, tal como foi a escolha de Neo, tal qual deve ser nossa escolha para que possamos transformar o mundo em um lugar mais justo e isto ainda é possível,pensemos e levantemos idéias coletivas, assim manteremos a paz, assim manteremos o meio-ambiente, assim manteremos a empregabilidade, assim manteremos a ausência de doenças e da violência, assim manteremos igualdade e assim chegaremos a verdadeira felicidade a de poder viver livre e não ser alimentadores de uma grande máquina que nos torna escravos da própria sobrevivência. Isto meus amigos é o Caos Capital.
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