Caos Capital: A Empregabilidade que nos segrega

“Brasileiro é o povo mais inteligente do mundo pra ganhar dinheiro, começa a trabalhar cedo, sustenta família com salário mínimo, e quando é demitido de um emprego “certo” não cruza os braços, olha pra frente e diz que não trabalha mais pra filho da mãe nenhum. E ai vai vender picolé, chocolate, pipoca ou compra uma churrasqueira móvel e vai vender espetinho, lucra muito mais trabalhando pra si do que para os outros e ainda é o próprio patrão”. Esta declaração foi feita por Hilton Santana da Silva de 58 anos e taxista, isto é, um profissional autônomo. Assim como meu pai, muitos pensam identicamente a ele quando o assunto é trabalho e meios de conseguir dinheiro para pagar as contas de uma maneira honesta, no entanto esta forma de concluir ao quais muitos também já devem ter ouvido não só provém de pessoas que mesmo sem ter um embasamento conceitual deste fenômeno social que acontece, mas também vêm de muitos considerados graduados conceitualmente, como sociólogos que chegaram a altos cargos do poder político ou empresarial. Vejamos melhor com uma pequena história fictícia obviamente e que se torna clichê nos dias atuais, onde, por exemplo, os PIG’s da comunicação gostam de ancorar suas idéias: Pablo era um menino pobre, filho de catadora de papelão e pai desconhecido, mais velho de uma família de sete irmãos, começou batalhar aos 13 anos de idade para ajudar nas despesas de casa e alimentar seus pequenos parentes, graças ao Seu Manoel da Quitanda que um dia decidiu ajudá-lo dando lhe o emprego em troca de um pequeno salário e financiamento dos seus estudos, hoje em dia Pablo é Engenheiro Naval, trabalha no estaleiro em Suape, casou, tem três filhos, seus irmãos e sua mãe têm uma vida melhor, saíram da comunidade pobre e não precisam mais trabalhar catando papelão, Pablo acreditou no seu potencial e futuro e como um autêntico brasileiro ele desiste nunca.
 
O que vocês acham? É uma história comovente de superação ou simplesmente Pablo é um de poucos que observou de forma quase instintiva de sobrevivência, a falha do sistema e alcançou o “rabo de seu cometa” e decolou socialmente? Será que se fosse por vontade do sistema, Pablo que era pobre e é negro seria visto como mais um trabalhador produtivo de alto escalão como um Engenheiro Naval ou ele seria um estivador que ganha por dia trabalhado? Nossa! Quanto pessimismo e indutiva essa forma de indagar! Deve ser a resposta de alguns que estão lendo até agora. Pois bem, queremos esclarecer que não estamos tentamos induzir a ninguém nossa forma de enxergar o problema aqui inserido e sim de despertar o que acontece com a sociedade quando o assunto é TRABALHO. 
A filosofia nos diz que o trabalho é o primeiro ato em que o homem nos primórdios de sua existência estabelece uma relação entre o ambiente em que vive e desta parte para as primeiras relações sociais, sendo esta a verdadeira razão da sobrevivência humana ao longo da história, pois o homem é o único ser da Terra que nasce sem saber de nada e tudo lhe é passado através dos ensinamentos dos mais velhos que através do empirismo e da observação, passa para as gerações mais novas. Entenderam agora porque a escrita é o grande divisor de águas da história humana? 
Agora que já sabemos qual a verdadeira intenção do trabalho podemos destrinchar mais alguns termos como Meios e Modos de Produção, então vamos lá! 

Meios de Produção: É tudo aquilo utilizado pelo homem como ferramenta de trabalho e que garantam sua sobrevivência através deste 

Modos de Produção: São modelos e maneiras que através do trabalho o homem, utiliza seus meios de produção, suprindo as necessidades coletivas ou individuais de sobrevivência. São eles: 

1. Comunal ou Tribal – Utilizado no início da civilização, onde toda produção era repartida de acordo com a necessidade dos indivíduos. 

2. Escravista – Utilizado nas Sociedades da Antiguidade Clássica (Grécia e Roma), que mantinha a sustentação das classes mais elevadas na escravidão do mundo clássico 

3. Feudal – Utilizado durante a Idade Média na Europa, com base na servidão em que o servo era o homem preso a terra em troca de abrigo e alimentação, porém sendo livre. (Colonato) 

4. Capitalista – Surgiu no século XV e mantém-se até hoje que ao longo da história passou por três fases, hoje se encontrando na quarta (Capitalismo Globalizado), sua definição resume-se em separar os homens dos seus meios de produção e aglomerá-los em um só Modo de Produção, tornando-os dependentes, ou seja, é a exploração do homem pelo próprio homem. (melhor definição no texto Caos Capital: A Era do Caos

Depois de todas essas definições porque o trabalho nos segrega como afirma o subtítulo? Respondendo essa questão vamos explanar agora! 

 

A divisão de atividades e serviços entre os inúmeros países do mundo recebe o nome deDivisão Internacional do Trabalho (DIT). 

Há países que são exportadores de matéria-prima e de mão-de-obra barata. Caracterizados por uma industrialização tardia, eles têm, quase sempre, economias frágeis e sofrem grande número de crises econômicas. E há países de economia mais forte, industrializados, cujas crises econômicas ocorrem de maneira esporádica. 
Os países de economia frágil necessitam receber investimentos dos países mais ricos. Então, para atrair esses investimentos e melhorar suas economias fragilizadas, oferecem amplas isenções de impostos, leis ambientais frágeis, entre outras facilidades. 
Ao longo do tempo, diferentes combinações das atividades produtivas entre os países implicaram em diversas formas de Divisão Internacional do Trabalho. A DIT expressa, portanto, essas diferentes fases da evolução histórica do capitalismo: começando pela relação entre metrópoles e colônias - e chegando às relações em que países desenvolvidos se agregam a países subdesenvolvidos ou não industrializados 
A Origem da DIT se dá no final do século 15, o ciclo de reprodução do capital estava assentado, principalmente, na circulação e na distribuição de mercadorias entre metrópoles e colônias. As regiões do mundo passaram a desenvolver funções diferenciadas, uma vez que cada uma se especializou em fornecer produtos manufaturados, matérias-primas, metais preciosos, etc.
Os diferentes papéis assumidos pelos países inauguraram a divisão internacional do trabalho, inicialmente caracterizada pela exportação de manufaturas pelas metrópoles e pela produção de matérias-primas pelas colônias.

A necessidade européia de expandir seu capital mercantil resultou na conquista de novas terras. A partir desse momento, várias partes do mundo foram submetidas a uma dinâmica de produção e circulação comandada pelos europeus, ou seja, a Europa impunha funções econômicas a vários outros países. Foi o início de um domínio que se estende até os nossos dias. 

Neste ponto de nosso estudo já podemos ter a noção de que desde seu surgimento o sistema capitalista, buscou uma integração de mercados e consumismo ao mesmo tempo, tanto que as origens ao que se referem como Divisão Internacional do Trabalho (DIT) nos mostram que em puro estado natural já deixava claro quem seria explorado e quem seria explorador, no entanto essa co-relação torna-se mais expoente a partir do século XVIII com Revolução Industrial, substituindo as manufaturas, por uma produção mais rápida através de máquinas e as oficinas coorporativas substituídas pelas fábricas, essa transformação na produção e conseqüentemente na economia e que daí tem seus efeitos colaterais nos demasiados setores da sociedade configurou-se em 3 etapas como as da Revolução Industrial, então podemos afirmar que a cada mudança ou evolução na Industrialização e novas tecnologias uma nova divisão internacional do trabalho será imposta pelo capitalismo para que mantenham o equilíbrio de mercado através da mão invisível da economia (Lei da Procura e Oferta), no entanto essa mão que equilibra a estabilidade da elite capitalista é a mesma mão que tira dos pobres através da exploração da sua mão-de-obra, obtendo o lucro, a esta prática é o que os socialistas chamam de Mais-Valia. Ok! Fiquem calmos, muitos já pesquisaram outros nem nunca entraram em conhecimento deste termo, então para simplificar vamos afirmar que sim! Todos nós sofremos a mais-valia, sem a mais-valia o capitalismo não existe, pois é dela que se extrai o lucro para o patrão e a exploração para o empregado. Imaginemos a seguinte situação: Um determinado trabalhador é contratado para trabalhar 8 horas em uma linha de produção de uma suposta indústria, no entanto às 6 horas de trabalho, este trabalhador já ganhou ao equivalente ao seu dia de trabalho, porém ainda faltam 2 horas para que ele complete sua carga horária conforme ele foi contratado, pois bem essas duas horas trabalhadas de “graça” são onde o patrão tira seu lucro na exploração da mão-de-obra. 
Vamos compreender como se dá a atual DIT, que abrange diretamente ao Mercado de Trabalho e principalmente na mais-valia, já que os avanços tecnológicos, como a robotização vem gerando uma extinção de profissões e desestruturação do emprego e compreenderemos de fato o Caos da empregabilidade, nos dias de hoje nos encontramos na 3ª Etapa da Revolução Industrial, logo concluímos que estamos na 3ª Divisão Internacional do Trabalho. 
Superada a destruição provocada pela Segunda Guerra Mundial, a economia mundial voltou a crescer num ritmo mais acelerado do que antes. As empresas dos países industrializados assumiram proporções gigantescas, tornaram-se grandes conglomerados e se expandiram cada vez mais pelo mundo, encarregando-se de globalizar não apenas a produção, mas também o consumo.
Assim, desde a década de 1970 assiste-se uma modificação substancial na Divisão Internacional do Trabalho, ocasionada por dois vetores principais: o processo de reestruturação empresarial, acompanhado da uma nova Revolução Tecnológica, e a expansão de investimentos de grandes empresas no exterior. 

Gradativamente, grandes empresas construíram filiais em vários países (inclusive subdesenvolvidos e recém-independentes, na Ásia e na África). Esse processo, intensificado pela globalização, transformou muitos países subdesenvolvidos - que, no passado, eram meros produtores primários - em exportadores de produtos industrializados, alterando as relações comerciais que predominavam no mundo. 

Essas empresas tornaram-se, assim, multinacionais ou transnacionais. É o que explica, fundamentalmente, o fato de alguns países subdesenvolvidos terem se industrializado nesse período. No entanto, esse processo de industrialização é desigual, uma vez que os tipos de indústria e tecnologia empregados não são os mesmos das matrizes. Cada vez mais indústrias poluidoras tendem a se instalar nos países subdesenvolvidos, pois elas consomem grandes quantidades de matéria-prima e de energia, além de necessitarem de muita mão-de-obra. Em outras palavras, as empresas transnacionais têm buscado seus próprios interesses, sem considerar as conseqüências sociais, econômicas e ambientais que ocorrem nos países onde suas filiais estão instaladas. 

Este atual modelo de empregabilidade vem nos trazendo uma cultura ao qual é mais vantajoso trabalhar na linha tênue entre o legal e o ilegal, entre o permitido e o proibido, entre o que é visto e aquilo que não se fez parecer visto. Pois bem o que estamos falando aqui meus amigos é o que o Caos do desemprego em que vivemos hoje é atenuante aos países pobres, devido a um processo de industrialização tardia ou de tecnologias de segunda linha, o Brasil fez essa abertura para o financiamento internacional em nossa industrialização desde os tempos de Vargas, mas foi durante o governo de JK e na Ditadura Militar que a abertura deste financiamento através de isenções fiscais foi mais voraz, no entanto transformou nossa nação em uma nação industrializada a custo de muitos anos de exploração e lucros elevados, onde na atualidade grandes empreses não possuem nenhuma mais de suas fábricas em seus países sedes e sim em países pertencentes aos quintais de exploração (África, Ásia e América Latina), a exemplo disso é a Nike que paga a cada criança que trabalha em sua fábrica na China 0,30 centavos de Dólar, por um tênis que vai ao mercado com o preço de $120,00 Dólares Estadunidenses ou mais caro. Por exemplo: A Ford possuía uma fábrica no Texas em que lá pagava todos os impostos, água, energia elétrica, fora os funcionários que recebiam um salário mensal de $ 2.500,00. Com a Nova DIT a Ford agora oferece seus serviços de tecnologia industrial de segunda mão ao governo vizinho do México, alegando que além de levar a industrialização, levará desenvolvimento econômico e dará empregos aos nativos, sem a necessidade de arriscarem suas vidas na travessia para os EUA. Com o negócio fechado a Ford no México, ficará isenta de impostos por 15 anos, não terá problemas pra pagar água e eletricidade e os salários mensais dos operários serão não mais de 2.500, mas sim de $250,00, isto é, correspondente somente a 10% ao que se pagava da folha salarial do operariado, onde sembarreiras alfandegárias esse massa de lucro é passada para os Estados Unidos sem a necessidade de declaração já que ambos os países pertencem a uma área de livre comércio (NAFTA), por isso que grandes empresas tornaram-se transnacionais, pois mantém todo corpo executivo em seu país de sede, porém seus pólos industriais estão sendo instalados em países subdesenvolvidos ou emergentes. No entanto por ter a mão-de-obra barata e a exploração aumentada, sem falar com a terceirização de serviços ou a extinção de profissões, gera o problema do subemprego, aumento da violência, crescimento urbano desordenado (favelização), sem condições sanitárias geram o desequilíbrios ambientais e assim tornando uma grande globalização de desvantagens nos levando ao caos, em que cada vez mais somos dependentes de empregos temporários, ou contratos, em que aqueles de carteira registrada são cada vez mais inexistentes, em que o aumento de pipoqueiros, espetinhos, vendedores de picolé, de CD’s e DVD’s são seus próprios patrões, mas não entram nas estatísticas da empregabilidade e conseqüentemente são os segregados

O Brasileiro de fato é inteligente para ganhar dinheiro, no entanto a maioria das vezes é pelo mercado e mercado de emprego paralelo, e fazendo vista grossa é implantado cada vez mais em nossa sociedade como um fator bom e de crescimento das classes mais baixas, afinal de contas o mercado de trabalho é exigente, o consumismo é essencial, já que tudo que é legal é caro, só me resta levar a cópia como se fosse o original e neste ciclo, a empregabilidade digna e o mercado de trabalho que lhe auxilia com oportunidades são cada vez mais raros, ou enveredamos para a sábia ignorância, conforme a declaração do meu pai no início do texto ou esperamos os nossos salvadores como Seu Manoel da Quitanda foi para Pablo que venceu na vida e tornou-se Engenheiro Naval. Ambas serão difíceis, para não afirmar quase impossível, e quando o ocorre é como o Arquiteto no segundo filme da trilogia de Matrix falou para Neo e que em meias palavras sempre escutamos: “Você é uma falha do sistema, todas as outras que vieram antes, nós a destruímos, tanto que a Oráculo desacreditou você como o escolhido” 

Enfim! Ambas as situações são discursos capitalistas e que nos levam a uma alienação de não questionar e somente de concordar ou aceitar acreditando que se está encontrando novos caminhos que vão nos levar sempre para o mesmo lugar, ao Caos Capital, que ao ficar sem saída devemos nos integrar e porque não nos entregar a este grande supermercado que nos rege chamado de Terra, onde nós humanos somos subprodutos de uma massa de elite e que nossos serviços são cada vez mais Descartáveis 

 

 Só atualizando a história um pouco, este momento é aquele que deveríamos dizer: Proletário acorde-vos!

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Tags: Caos, Capital, Empregabilidade

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