
Certamente você já ouviu falar de Maximilian Carl Emil Weber, mais conhecido como Max Weber (
1864 —
1920). Esse alemão é considerado um dos pais da sociologia. Sem tirar seu mérito, Max Weber fez grandes contribuições ao campo teórico sociológico, e sua obra máxima é: “A ética protestante e o espírito do capitalismo”.
Nesse livro o autor analisa o nascimento do capitalismo na Europa, e sua investigação se dá a partir da vida de protestantes que foram estereotipados em um conceito chamado
Puritanismo. Weber vai fazer algumas afirmações um tanto complexas como: É a partir da vida religiosa dos protestantes puritanos que nasce o capitalismo. Weber foi um tanto infeliz ao fazer essas afirmações, pois em primeiro lugar: nem toda Europa era protestante. Segundo: o capitalismo está muito mais ligado ao mercantilismo, do que a vida religiosa de protestantes da Alemanha. E terceiro: tal afirmação faz uma supervalorização da superestrutura em detrimento da base (economia). Logo, não conseguimos enxergar o nascimento do
capetalismo aliado a “ética protestante”.
Mas, mais infeliz ainda que o próprio Weber, são os interpretes do próprio. É comum lermos comentários sobre Weber e encontramos esse tipo de afirmação. E em um livro didático de filosofia que lecionei no primeiro ano do ensino médio este ano, dizia o seguinte:
“No Calvinismo, houve uma associação entre o acúmulo de riquezas e a salvação religiosa. Para os calvinistas, o sucesso financeiro era sinônimo de redenção. Governo e religião incitavam as pessoas a ser economicamente bem sucedidas”. (BARBOSA, Josane. & JULK, Joelson. – 2010, p. 16-17 – Dom Bosco).
Absolutamente, Calvino nunca disse isso! Ou seja, a doutrina calvinista diz que: “...o homem foi tão afetado pela queda que é totalmente incapaz de fazer qualquer bem espiritual e é, portanto, impossível que ele faça algo de si mesmo que contribua para a sua salvação. O homem não regenerado está espiritual e pactualmente morto e não pode entender a verdade espiritual. Ele, portanto, não tem capacidade de escolher a Deus”. A questão financeira nunca esteve aliada ao conceito de salvação, pelo menos em Calvino.
Essa deturpação histórica e doutrinaria tem trazido algumas heresias para a Igreja Cristã, a partir da idéia de que ao eu ser ”salvo”, certamente ficarei rico. E o que dizer do próprio Cristo: “E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc. 9.58), bom, se a interpretação dos interpretes de Weber estivesse correta, o que diríamos do filho de Deus, ao mencionar o versículo acima? É por essas e outras, que o sincretismo religioso tem adentrado os templos evangélicos, e adulterado a legitima mensagem do evangelho de Cristo, tornando-o um simples modo de ascensão material.
O Apóstolo Paulo vai concluir dizendo: “Se esperamos em Cristo somente nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1. Co. 15.19)
OBRIGADO!
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