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Queremos Miles

Exposição no Rio de Janeiro mostra as diversas fases de Miles Davis, um dos maiores nomes da história do Jazz

O Café História esteve recentemente no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, e conferiu a exposição “Queremos Miles”, que conta a trajetória de um dos maiores músicos do século XX: o norte-americano Miles Davis. A homenagem a Miles, cuja morte completa vinte anos em 2011, ocupa um andar inteiro do CCBB, começou no último dia 2 de agosto e até o seu encerramento, no dia 28 de setembro, promete emocionar tanto a fãs do músico quanto aqueles que não conhecem sua música. E não é nada difícil entender o porquê.

Concebida pela Cité de La Musique, em Paris, a exposição reúne cerca de 300 itens, dentre gravações, obras de arte (como pinturas de Jean Michel e Mati Klarwein, fotografias de Annie Leibovitz e Irving Penn), vídeos, documentários, roupas, instrumentos musicais e partituras cedidas pela família Miles, colecionadores particulares e parceiros. O nome “Queremos Miles” é uma referência explícita ao álbum de mesmo nome (We Want Miles), lançado em 1982. O lançamento foi um estrondoso sucesso depois de um período de inatividade de Miles e parecia ser uma firme resposta do músico aos críticos, muitos dos quais consideravam o artista acabado.

A exposição sobre o famoso trompetista divide-se em oito partes, indo de seu nascimento, em 1926, em uma família negra e burguesa, até a sua morte, em 1991.

Os primeiros passos no primeiro andar do CCBB mostram que a música sempre esteve muito presente em sua casa, em Santa Mônica, cidade bastante musical da California. Os pais incentivavam o ensino de música, sobretudo a clássica. Miles, no entanto, sempre preferiu o estilo consagrado pelos negros americanos da primeira metade do século XX: o Jazz. Dono de um talento singular, o jovem Miles não encontrou barreiras para desenvolver sua musicalidade. Estudou em Nova Iorque, onde conheceu grandes nomes do Jazz e do Blues. Rodou o país e a Europa. Em seus mais de cinco décadas de carreira, foi pauta de jornais e revistas em todo o mundo. Na exposição é possível conferir parte desta super exposição midiática, que atingiu o auge nos anos 1960 e 1970. Destaque para as publicações japonesas, que veneravam o músico.

Miles, no entanto, também encontrou muitas dificuldades em sua vida. Os primeiros percalços vieram ainda no início da década de 1950. O músico se tornou viciado em heroína, algo bastante comum entre os grandes artistas da época. Para músicos como Miles, a heroína era algo mágico, vista com um encanto ingênuo. Acreditava-se que o entorpecente poderia potencializar a arte ao liberar as mentes dos usuários. O efeito, claro, foi o contrário. Uma vez dependente químico, Miles perdeu concentração. Se tornou violento e não conseguia honrar seus compromissos. A solução foi sair de circulação durante meses, tempo que levou para se desintoxicar. Este período da vida do músico é retratado em fotografias que mostram um Miles sozinho, quase desaparecido em um forte filtro vermelho. A sensação é de espera, melancolia, solidão.

Passada a fase das drogas, o visitante do CCBB reencontra um Miles mais forte, mais virbante. O mundo parecia outro, no entanto. Os grandes músicos, antigos companheiros de Miles em suas turnês, haviam optado por carreiras solos. Miles, porém, continuava acreditando na força coletiva. Por isso, entregou-se a parcerias com novos músicos. Isso foi fundamental ao longo de sua carreira. As partituras, vídeos, cartas e revistas presentes na exposição mostram como Davis Miles se reinventou a cada década. Além de ser um músico experimental do Jazz - desenvolveu estilos como o jaza modal e o jaza fusion - Miles esteve sempre atento ao que acontecia ao seu redor. Flertou com a música eletrônica, com o rock, com o funk e, nos últimos anos de vida, com a música pop, como aquela produzida por outro ídolo da música contemporânea, por exemplo, Michael Jackson. Quis o destino que Jimin Hendrix morresse antes de realizar seu projeto em parceria com Miles. Fez participações no cinema. Gravou discos na Holanda e Alemanha. Apresentou-se para multidões. Fez participações no cinema. Casou-se duas vezes. Desfrutou de sua vida pomposa.

Em todos os oito espaços da exposição repetem-se as referências marcantes que o quinteto Red Garlan e que o produtor musical Teo Macero tiveram em sua vida. Em cada fase, o visitante escuta várias composições de Miles em parceria com outros nomes do Jazz, como Luis Armistrong, John Coltrane e George Coleman.

Além da música, presente de forma primorosa no CCBB, é possível encontrar as pinturas feitas por Miles na década de 1970, como uma forma de fisioterapia, e também as roupas usadas pelo músico nos anos 1980. Uma moda bem estranha, mas que fez a imagem do músico na mídia daquele tempo: jaquetas coloridas, adereços barulhentos e nem um pouco discretos. Miles - podemos concluir passado todo esse túnel do tempo - foi um artista único, jovem, múltiplo e inesperado. Uma pena que tenha deixado seus fás tão cedo. Morreu em 1991 após complicações de um AVC, aos 65 anos.

"Queremos Miles" tem a curadoria de Vicent Bessieres e fica em cartaz na cidade maravilhosa até o próximo dia 28 de setembro. O CCBB está localizado na Rua Primeiro de Março, 66, centro do Rio. A exposição é gratuita e pode ser conferida de terça a domingo, das 9h às 21h. Durante o período da exposição, a programação inclui, ainda, palestras e festival de jazz. Não perca. É uma chance maravilhosa para escutar o que a música tem a dizer sobre sua própria história.

Atenção: em outubro a exposição “Queremos Miles”chega a São Paulo, onde fica até janeiro de 2012.

Quer escutar um pouco de Miles? Confira os links abaixo:


Miles e seu quinteto (1967)

http://cafehistoria.ning.com/video/miles-davis-walkin-1967

Miles Dabis e John Coltrane (1959)

http://cafehistoria.ning.com/video/miles-davis-john-coltrane-so-wha...

Clipe de "Bitches Brew" (1969)

http://cafehistoria.ning.com/video/miles-davis-bitches-brew

Exibições: 587

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Comentário de Heleno Getúlio Paulo em 29 agosto 2011 às 13:53
Tem gente que pensa que apreciar jazz é só ouvir barulho e ritmo. Falar mal de jazz e de quem gosta do gênero, simplesmente é ignorar uma das artes musicais mais bem feita de todos os tempos, principalmente a música produzida por Miles, Coltrane e Parker. Gostei muito da exposição....excelente produção, parabéns a equipe.
Comentário de Brancaleone em 13 agosto 2011 às 22:59

Olha, gosto é gosto.  o tal do jazz e o tal  do blues  são chatos, sem graça e beiram a cacofonia. Eu não gosto. Só que muita gente diz que o  o jazz  é "lindo, poético e melódico" só para parecer  "intelequetual" e "intindido"...

Pode ser que o nosso samba tambem soe  mal aos ouvidos dos ianques, já que é uma questão de gosto...

Comentário de Márcia Milome em 12 agosto 2011 às 21:04
A Exposição tá linda, o acervo é vasto. Muito Boa Mesmo. Trabalho no centro e para minha total Felicidade perto do CCBB, minha segunda casa. Amo o CCBB. Amei esse exposição do Miles e todas as outra que tive o prazer de visitar. O teatro tb é de uma qualidade nota 10, por R$10,00 se tiver c/c paga meia entrada para qualquer evento. Confiram!!!!!
Comentário de Karen Garcia Pêgas em 11 agosto 2011 às 8:12
Uma exposição que com certeza verei!!!! Interessantíssima e com uma junção que amo HISTÓRIA + MÚSICA!!!!

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