Os Penetras na
Formação do Brasil
França e Holanda protagonizaram episódios de invasões e debates inflamados na tentativa de conquistar o seu pedaço do Novo Mundo
De tão usada, a metáfora “caldeirão cultural” já se tornou um lugar-comum para se referir a formação da sociedade brasileira. Gilberto Freire deu literalmente cores para esse caldeirão. Para o famoso antropólogo, a gênese do povo brasileiro explica-se pela combinação do negro africano com o branco europeu (quase sempre português) e com os nativos indígenas. Mas é bem verdade quando se diz que há muitos outros ingredientes nesse caldeirão. E alguns desses ingredientes entraram no Brasil como verdadeiros penetras.
Em 2009, com as comemorações do ano da França no Brasil, livros, jornais, revistas e historiadores especialistas lembraram a presença dos franceses nos tempos do Brasil Colônia. Mas ao invés de charmosas idéias de liberdade ou tendências da moda, a França daquela época protagonizou episódios violentos, que quase deram outro futuro aos brasileiros.
O interesse francês no Brasil começou com o questionamento de Francisco I (1594-1547), rei da França, do Tratado de Tordesilhas, firmado por Portugal e Espanha para assegurar o domínio ibérico sobre as terras do Novo Mundo. No século XVI, navios comerciais franceses criaram bases ao longo da costa brasileira. Uma delas deu origem à colônia “França Antártica”, em 1555, localizada na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Anos depois de serem expulsos do Rio de Janeiro, os franceses investiram no Maranhão, a chamada “França Equinocial”. As ações dos franceses incluíam também debates jurídicos e acordos com lideranças indígenas inimigas dos portugueses. Atualmente, a presença do Maranhão ainda é bastante viva, lembrada praticamente em todas as comemorações de aniversário da cidade de São Luis.
Os holandeses também deixaram a sua marca de penetras na festa do Novo Mundo. Por meio da Companhia das Índias Ocidentais, conquistaram quase todo o nordeste açucareiro no Brasil, no século XVII. O primeiro ataque holandês ocorreu na Bahia, em 1624. Bastaram pouco mais de 24 horas para o domínio da região então governada por Diogo de Mendonça Furtado. O domínio na região durou até 1625. As investidas dos holandeses, inimigos de portugueses e espanhóis, unidos sob o absolutismo de Felipe II, porém, continuou. Em 1630, os holandeses tomaram de assalta Pernambuco, dominando, sem muitos problemas, Olinda e Recife. A “Nova Holanda” era para a Companhia das Índias Ocidentais um empreendimento do qual se esperava altos lucros. Maurício de Nassau (imagem) foi um ícone desse período. O domínio holandês acabou logo após o fim da União Ibérica (1580-1640). No entanto, memórias, costumes e tradições holandesas permaneceram vivas no nordeste e no imaginário de boa parte dos nordestinos. Pernambuco sabe bem disso e transformou-se em um dos maiores destinos turísticos do nordeste brasileiro, conservando, por exemplo, construções da época dos holandeses. Hoje, inclusive, Pernambuco é o segundo estado brasileiro que mais recebe investimentos holandeses, perdendo apenas para São Paulo.
Para relembrar essas outras “presenças” no Brasil e fazer valer, ainda mais, a expressão “caldeirão cultural”, o Café Historia traz algumas sugestões de conteúdos, nos domínios da internet. O primeiro é o artigo "Imaginária França Antártica", de Monique Augras. O artigo analisa as narrativas de dois autores franceses, o franciscano André Thevet e o calvinista Jean de Léry, sobre suas estadas na França Antártica, pouco após ela ter sido fundada. Clique
aqui para ler ou baixar esse artigo. O outro destaque do Café História é o vídeo "Invasões Holandesas", do programa humanidades, que você pode ver clicando
aqui.
Gostou do tema? Quer aprofundá-lo? Aproveite o espaço que possui no Café História: publique textos em seu blog, abra fóruns e grupos. Adicione fotos e vídeos sobre esse tema.
Bem-vindo (a) ao
Cafe Historia
Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
© 2013 Criado por Bruno Leal.
Ativado por


Você precisa ser um membro de Cafe Historia para adicionar comentários!
Entrar em Cafe Historia