Arquivo Café História - O Dia Internacional da Recordação do Holocausto

O Dia Internacional da Recordação do Holocausto

Data foi criada pela Organização das Nações Unidas em 2005 em memória das vítimas da barbárie nazista e como alerta para se evitar novos genocídios

Para muitas pessoas, dia 27 de janeiro é dia de lembrar. Nesta data, sobreviventes, instituições e autoridades políticas de diversos países participam de solenidades do Dia Internacional de Recordação do Holocausto. A data foi instituída pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 2005, aprovada mediante a resolução 60/7, que designa a data de 27 de janeiro para a comemoração anual em memória das vítimas do holocausto. A escolha desse dia não foi fortuita: foi em 27 de janeiro de 1945 que o exército soviético liberou o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, responsável por grande parte das mortes de judeus e outros grupos sociais e políticos pelas nazistas. Segundo o historiador austríaco naturalizado americano, Raul Hilberg, referência nos estudos do holocausto, mais de cinco milhões de judeus foram assassinados durante o Terceiro Reich.

A data criada pela ONU é apenas uma dentre os vários “lugares de memória” envolvendo o Holocausto. Antes de 2005, por exemplo, a comunidade judaica já dedicava um dia do ano para relembrar o genocídio nazista: o Yom Ha-Shoah (Dia do holocausto, em português), celebrado no 27º dia do mês do Nissan, de acordo com o calendário judaico (em meados de abril, no calendário cristão). O momento mais marcante desse dia é quando uma sirene toca às 10h e pode ser ouvida em Israel inteira, fazendo com que as pessoas parem durante um minuto. Além de datas de recordação, destacam-se museus em todo o mundo, como o Yad Vashem, o museu do Holocausto em Israel, e o United States Holocaust Memorial Museum, localizado em Washington (EUA).

No Brasil, o holocausto vem sendo tema de diversos estudos e projetos acadêmicos. O mais recente projeto é o Arqushoah, o Arquivo Virtual do Holocausto e Antissemitismo do Laboratório de Estudos de Etnicidade, Racismo e Discriminação (LEER). Seu objeto é a história e a memória dos sobreviventes de campos de concentração e refugiados do nazi-fascismo radicados no Brasil (1933-1948).

A proliferação de discursos de memória do holocausto (que inclui filmes, arquivos, peças de teatro, livros e documentários), no entanto, é relativamente recente. Nos primeiros quinze anos do pós-guerra, o holocausto foi pouco discutido, pouco estudado e, sobretudo, pouco lembrado. O próprio Raul Hiberg enfrentou muitos obstáculos quando começou suas pesquisas. Ainda durante a definição de sua tese, na Universidade de Columbia, seu orientador o havia desencorajado a escrever sobre o tema: It’s your funeral. O silêncio naqueles anos se dava a diversos motivos: a lógica da guerra fria, o processo europeu de desnazificação, o colaboracionismo e ainda os resquícios de antissemitismo em algumas comunidades européias. Esse cenário só começa a mudar na década de 1960, após a criação de instituições como o Yad Vashem, a incorporação do holocausto pela história, o julgamento de nazistas (como de Adolf Eichmann, em Jerusalém) e diversos outros acontecimentos, como debates públicos na Alemanha e nos Estados Unidos. Hoje, o Holocausto é plenamente discutido, e sua memória tomada para se pensar e discutir outros casos de genocídio. Para o alemão estudioso da memória, Andreas Huyssen, no entanto, se por um lado isso essa comparação é positiva, pois deixa a todos atentos para novos casos de crime contra a humanidade, por outro, pode obscurecer a especificidade de alguns casos.

Se você deseja conhecer mais sobre a data internacional de recordação do holocausto ou aprofundar seus conhecimentos e informações sobre esse que é um dos episódios mais traumáticos e complexos da história moderna, o Café História preparou para você algumas sugestões de sites. Confira abaixo:

Arqushoah – Enorme arquivo digital, em quatro línguas, na internet, destinado a preservar e disponibilizar a história e a memória dos sobreviventes de campos de concentração e refugiados do nazi-fascismo radicados no Brasil.
www.arqshoah.com.br/

United States Holocaust Memorial Museum – Localizado na capital americana, trata-se do maior do gênero nos Estados Unidos, contanto com diversas exposições temáticas e documentos importantes.
http://www.ushmm.org/research/library/

Yad Vashem – museu israelense criado em 1953 com o objetivo de estudar a perseguição, o preconceito e os crimes cometidos contra judeus.
http://www.yadvashem.org/

Memorial dos Judes Mortos na Europa – Confira algumas fotos do maior memorial construído em homenagem aos judeus mortos pelo nazismo. Situado no centro de Berlim, são 2.711 lápides de concreto cinza espalhadas por um quarteirão inteiro no endereço mais nobre da cidade.
http://www.dw-world.de/popups/popup_imagegallery/0,,1579572_page_1_...

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