Arquivo Café História | O Desafio da Indisciplina Escolar

O Desafio da 
Indisciplina Escolar



Indisciplina é considerada por educadores como um dos problemas mais recorrentes dentro de sala de aula. Mas será que a escola está lidando corretamente com esta questão?



Era uma aula como outra qualquer, mas com uma única e importante diferença: a aula sobre grandes navegações deu lugar a conversas paralelas, alunos dormindo, celulares tocando e jornais abertos sobre a mesa no lugar do livro didático, deixado em casa por algum motivo. Se você é professor, certamente já se viu em uma situação parecida com essa. Mas não se sinta sozinho (a), a indisciplina em sala de aula é um problema mais comum do que você imagina.

Uma pesquisa realizada pela revista Nova Escola (editora Abril) e pelo Ibope em 2007 com 500 professores país mostrou que 69% deles apontavam a indisciplina e a falta de atenção como os principais problemas enfrentados dentro de sala de aula. Por muito tempo na história da educação, essas dificuldades foram atribuídas exclusivamente aos estudantes, o que ajudou a construir a famosa imagem do “aluno-problema”, ou seja, aquele aluno que não reconhece limite, que não respeita autoridade e que na gosta de aprender. Mas é preciso reavaliar essa realidade.

Segundo especialistas em pedagogia, a indisciplina pode ser vista como a transgressão de dois tipos de regras. Primeiro, as morais, construídas socialmente para alcançar equilíbrio social, baseadas em princípios éticos universais: na xingar, não bater, não roubar, não agredir, etc. Geralmente, quando uma dessas regras é violada, o professor deve procurar a ajuda de outros profissionais, como o gestor pedagógico, a assistente social ou o psicólogo. São as mais graves e exigem uma avaliação conjunto com esses outros profissionais. Em segundo lugar, estão as violações das regras chamadas de “convencionais”. Elas são responsáveis por grande parte dos atos de indisciplina. Trata-se de regras criadas com fins específicos e que, por esse motivo, podem variar de uma instituição para outra: uso do celular, conversas, atrasos, saídas indevidas etc. Nesse caso, o professor deve procurar mais do que nunca compreender e não julgar. É preciso avaliar se as regras fazem sentido para os alunos, se há excesso de regras e se as punições não criam situações constrangedoras ou criam ainda mais insatisfação.Muitos professores acreditam ainda que esse tipo de respeito, de conhecimento moral e ético, deve ser aprendido em casa. Mas as questões ligadas à moral, à ética e a vida em geral também devem ser tratadas como conteúdos de ensino, tal como as grandes navegações ou o iluminismo. Em suma, a indisciplina pode e deve ser vista com um tópico relacionado ao processo de ensino aprendizagem.

Segundo Ana Aragão, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), “as crianças não enxergam a utilidade de um regimento ou dos famosos combinados que não se sustentam. Elas não sentem a necessidade de respeitá-los e acabam até se voltando contra essas normas”.

Se você deseja aprofundar seus conhecimentos sobre essa questão, o Café História sugere o artigo
“A Indisciplina e a Escola Atual”, de Júlio Groppa Aquino (professor da Faculdade de Educação da USP) e o vídeo da professora Ana Aragão, anteriormente citada, intitulado
“A confusão das regras no combate à indisciplinas”, produzida pela equipe da Revista Nova Escola. E aproveite também o novo fórum do Café História:
“Quais as melhores práticas pedagógicas para solucionar a indisciplina escolar?”

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Comentário de Benair Scarletelli Storck em 29 abril 2010 às 14:59
Antes do fim do regime militar, havia um consenso entre escola e pais, de que o aluno deveria aprender para ser aprovado. Com a ascensão dos civis ao poder, a preocupação inicial foi a de prover a propaganda estatal de índices que demonstrassem que o Brasil estava avançando na educação e na erradicação do analfabetismo no país. Para que recebessem repasse de verbas de organizações internacionais interessadas em ajudar o País neste projeto, era necessário mostrar índices favoráveis. Sendo assim, a pressão do Governo Federal aos Governos Estaduais e estes para os Municipais foi aumentando na medida em que exigiam melhores resultados em troca de repasse de verbas. A unica alternativa foi exigir que os professores aprovassem os alunos de qualquer jeito. Com a implementação das políticas sociais que vinculavam filhos matriculados e aprovação ao recebimento de ajuda financeira estatal, as famílias se tornaram outra fonte de pressão sobre a educação. A maioria dos pais não querem saber se os filhos aprenderam alguma coisa, querem apenas que sejam aprovados para continuarem a receber assistência do governo. Se vão aprender algo ou não isto não é problema deles, será dos filhos no futuro quando não servirem mais como fonte de renda complementar.
No que diz respeito à violência, com a entrada em vigor do ECriad, crianças e adolescentes receberam de mãos beijadas uma arma contra quem se insurgir contra suas vontades. Não são raros os em que alunos indisciplinados após serem repreendidos e sofrerem alguma sanção administrativa, se auto-lesionam e através de um telefone público dentro da escola acionam a polícia e os pais se passando por vítimas de agressões. Da mesma forma agem em casa quando os país lhes contrariam as vontades como: não ter hora para sair e retornar ao lar, sexo precoce, indisciplina e falta de respeito com os demais membros da família, drogas, etc. Acabam se auto-lesionando e acionando a polícia e a imprensa para se passarem por vítimas.
Com receio das repercussões e punições muitas vezes injustas, escolas e pais, reféns desta nova geração preferem se omitir do que enfrentar. Por conta disto, não vejo, pelo menos no presente momento, alguma solução para este problema que a cada dia se agrava mais.

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