Historiadores
Empresa americana lança aplicativo que promete conquistar historiadores e pesquisadores de ciências humanas em geral. O que ele faz? Permite traçar tendências culturais e políticas nos últimos duzentos anos.
O Google Labs, inovadora seção de aplicativos protótipos do Google, lançou no último dia 16 de dezembro o "Google Books Ngram Viewer", uma ferramenta elegante e que pode em breve se tornar um verdadeiro aliado para pesquisadores, professores ou mesmo estudantes. O "Books Ngram Viewer" utiliza o banco de dados do "Google Books" (sistema de livros digitalizado online para consulta gratuita) para contar quantas vezes um mesmo nome, frase, termo, expressão ou conceito foi utilizado entre 1800 e 2000. Assim, com apenas alguns cliques é possível saber em menos de um segundo a trajetória de uma palavra ao longo de dois séculos de cultura escrita e descobrir um pouco mais sobre as tendências culturais, políticas e sociais de nosso tempo.
Em um primeiro momento, o Books Ngram Viewer (http://ngrams.googlelabs.com/) não chama muito a atenção dos internautas, hoje acostumados às dezenas cores, animações e outras pirotecnias que os grandes sites promovem para conquistar o público. Em sua tela, o internauta precisa preencher apenas três espaços: palavra(s), período e a língua a ser pesquisada. Depois, basta clicar em "Search lot of books". O sistema, então, irá consultar um banco de dados de mais de 500 bilhões de palavras, divididas entre 5 milhões de livros, publicados entre 1800 e 2008 e digitalizados pelo Google nos últimos anos. Essa consulta - que não leva mais do que dois segundos - gera um gráfico no qual é possível observar a evolução (ou involução) de uma palavra ao longo do tempo.
Essa simplicidade arrasadora é o suficiente para oferecer um mar de possibilidade de estudos. Atualmente, é possível consultar bancos de dados de livros em inglês, francês, espanhol, alemão, chinês e russo. Pode-se inserir uma ou mais palavras. Pode-se ainda comparar os resultados de uma palavra dentro do universo de livros em inglês e em chinês ou espanhol. Por exemplo: o grau de incidência da palavra "terrorism" dentro das publicações em inglês é muito diferente desta mesma palavra em outras línguas, mostrando o lugar que esta expressão tem na cultura americana.
Como tudo começou
O "Books Ngram Viewer" nasceu da necessidade de uma pesquisa acadêmica. Em 2004, Jean-Baptiste Michel e Lieberman Aiden, de Harvard, começaram uma pesquisa sobre verbos irregulares no inglês. Eles desejavam determinar quando formas verbais específicas deixaram de ser usadas em detrimento de outras, mais modernas. Na época, esse tipo de pesquisa implicava na leitura, página por página, de milhares de livros. O processo todo lhes custou longos 18 meses. Pouco mais de um ano depois, os acadêmicos de Harvard souberam dos planos do Google para digitalizar todos os livros do mundo, algo que foi parcialmente alcançado com o Google Books, que digitalizou 11% dos livros do mundo. Aquele parecia ser o tipo de tecnologia ideal para a pesquisa de Aiden e Michel e provavelmente para outros milhares de pesquisadores em todo o mundo. Assim, os dois entraram em contato com Peter Novig, diretor de pesquisa do Google. Novig logo percebeu a importância daquela ideia para a ciência e deu carta branca para os desenvolvedores. O Books Ngram Viewer é a versão mais acabada desta ideia e utiliza 4% do banco de dados do Google Books. A nova ferramenta foi lançada na última semana e descrita em um artigo intitulado "Quantitative Analysis of Culture Using Millions of Digitized Books", publicado na revista Science (tiny.cc/td0rd). O Google Books Ngram Viewer utiliza um método de modelagem chamado N-gram, que possibilita buscas em sequências de linguagem natural. Para os pesquisadores envolvidos na criação, a ferramenta significa a abertura de uma nova abordagem para os estudos culturais. Nos últimos dias, não se fala em outra coisa nos principais círculos das ciências humanas. A sensação é que algo revolucionário está sendo criado.
Historiadores
Para os historiadores, o programa desenvolvido pelo Google é uma ferramenta incrível de auxílio à pesquisa. Como bem se sabe, as palavras não são entidades estáticas, programadas para ter um começo, meio e fim. Mas pelo contrário: são vivas, políticas, sujeitas à ação dos homens em sociedade. E o Books Ngram Viewer mostra muito bem isso. Com ele torna-se possível identificar quais termos são mais sensíveis que outros, desvendar dimensões até então pouco abordadas da memória social e outros processos políticos e sociais de diversos períodos históricos.
O Café História testou várias combinações. No clássico Brazil x Argentina, na língua inglesa, por exemplo, nós continuamos dando de goleada. O Brasil sempre foi muito mais citado do que o vizinho. No entanto, é curioso observar que tanto o crescimento quanto a queda das referências a ambos seguem o mesmo padrão. A década de 1940 representa o período de maior menção aos dois países, o que pode ser explicado pelo auge da cultua do American Way of Life e sua influência na América do Sul. Confira no gráfico abaixo:

Curioso também notar a trajetória de palavras caras à historiografia. É o caso do termo "holocaust", utilizado para se referir ao extermínio de seis milhões de judeus durante o Terceiro Reich (1933-1945). Segundo o Books Ngram Viewer, a palavra conheceu um verdadeiro boom na década de 1980, o que reforça decisivamente teses acadêmicas já existentes e que apontavam aquela década como um período de consolidação da memória do genocídio nazista. Para os historiadores, a década de 1980 testemunhou uma proliferação de filmes, museus e outros eventos memorialísticos que tiveram um grande impacto na representação do extermínio dos judeus no século passado, sobretudo na produção de referências bibliográficas.
Esse processamento dos dados, que Lieberman chamou de "culturomics" ("cultorômica", em língua portuguesa), está ao alcance de todos. O site já está no ar, é gratuito e o melhor: pode ser baixado por qualquer usuário e explorado em detalhes, a partir de suas próprias ferramentas de busca. Além do Google e de Harvard, fazem parte da equipe de gerenciamento do Ngram pesquisadores da Enciclopédia Britânica e do Dicionário Americano Heritage. Confira o site sobre a recém-batizada "Culturômica": http://www.culturomics.org/]
Enquanto isso, mesmo para os não acadêmicos, o programa já diverte os meios de comunicação. O jornal OGLOBO fez um contraste entre "women" (mulher) e "man" (homem), descobrindo que o primeiro era raramente mencionado até o início dos anos 1970, momento em que o feminismo ganha força. A partir daquela década as duas linhas do gráfico movem em direções opostas até se encontrarem em 1986. Já o site Read Write Web fez uma série de 10 comparações, que você pode conferir clicando no seguinte link. Destaque para a comparação entre os meios de comunicação:
http://www.readwriteweb.com/archives/10_fascinating_word_graphs_fro....
Não perca tempo. Visite esta importante novidade na internet e faça uso dela para aprimorar suas pesquisas e estudos. A história vem passando por grandes transformações e você não precisa ser um mero espectador.
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Comentário de Gleciele Tenório de Holanda em 11 fevereiro 2011 às 13:59 è sempre bom terminar o dia com café e história!!!! e a cada dia que acessamos encontramos novidades e subsidios que nos encanta ainda mais pela história!!!!
Comentário de francisco carlos estumano ferrei em 10 janeiro 2011 às 17:06 Esta e uma provocacao-Vamos fazer uma proposta de pesquisa em Historia: Suponha-se que dispomos de um minimo de 1.000 livros-(ou quaisquer outras fontes de informacao) de Historia , incluindo Herodoto , Homero , Plutarco , ate os mais recentes historiadores; imagine-se que: a)-Historia-(com H maiusculo) , nao e necessariamente a Historia de Roma , da Grecia , do Egito , etc.-Historia e´a historia da humanidade longo do tempo passivel de documentar de uma ou outra forma-b)-as datas atribuidas ao fatos historicos sao inegaveis e sem duvida , a coluna vertebral da pesquisa historica -c)- os locais-(se constatados e comprovados) onde os fatos se deram tambem sao fundamentais d)-os personagens historicos-(de quem se tem noticia) e os personagens nao documentados-(povos , nacoes , grupos , tribos , etc. etc.) , embora nao citados , sao importantes na medida em se consegue estabelecer e/ou definir pontos de vista/acoes/perspectivas de vida etc. etc. e)-as relacoes sociais , politicas , economicas entre um grupo humano qualquer e outro sao importantes , para saber porque um ou outro grupo fez o que , quando ou onde. Voltando aos nossos 1.000 e tantos livros-(ou fontes de informacoes): Podemos ordena-los por alguma forma-1)- por referencia a um determinado povo ou nacao -2)-posteriormente pelas datas a que os mesmos se refiram. Pois bem , tempos um ponto de partida. Cada fonte de informacao , contem como e obvio , informacoes relativas aos personagens-(imagine-se que a Iliada de Homero cita cerca de 800 e poucos personagens , que variam de importancia historica dentro do objetivo da obra e por conseguinte do fato historico , outras referencias elevam o numero de topícos para n). Baseado nesta perspectiva , se aplicarmos o mesmo raciocionio as outras 1.000 fontes de informacoes , teremos algo proximo de milhoes de topicos-incluindo-se personagens , datas , fatos , locais etc. Pode ser que exista alguem com extrema disponibilidade cerebral e consiga ordernar mentalmente estes fatores e extrair alguma conclusao. Imagine-se que dispomos , nao de 1.000 fontes de informacoes , mas sim de um numero inimaginavel que aumenta diariamente. Como fazer? . Neste ponto e que a Informatica-(aplicacao dos computadores neste tipo de atividade) e fundamental , a menos que alguem me prove que consiga dispor de informacoes de um ou outro fato historico sem recorrer a sua fonte. Apesar de estar envolvido com TI a muito tempo desconheco a existencia de alguma ferramenta que proporcione esta funcionalidade. Outra provocacao : Historia e´ somente uma faceta minuscula de algo muito maior- o Conhecimento Humano. Se consiguirmos chegar a um acordo sobre como administrar , gerenciar e sistematizar o Conhecimento Humano , teremos dado um grande avanco , para a compreensao da Historia Humana. Por acaso-(?) , venho elaborando ha uns 10 anos , um projeto deste tipo-Sistematizacao do Conhecimento , que consegue facilitar em muito as minhas pesquisas em Historia e em outras areas. Estes resultados de pesquisa podem ser favorecidos e facilitados pela Internet , mas nada ira substituir o manusear-(ler diretamente e fazer anotacoes em uma fonte de informacao). Os resultados da pesquisa podem ate abastecer a Internet , mas a pesquisa , levantamento de dados etc. implica em ter diante de si , a propria fonte de informacao.
Comentário de Bruno Leal em 23 dezembro 2010 às 10:49 Mesmo se atribuo algum crédito ao Google Books Ngram Viewer, não vejo importância maior na apuração da intensidade do uso de palavras e expressões por certos períodos de tempo – exceto para o conhecimento de profissionais de marketing e publicidade. Aliás, essa serventia fica evidente na apresentação ao Café História deste novo serviço do Google. O autor do texto recorre ao nariz de cera para reafirmar sua crença na ocorrência do holocausto, a partir do boom de utilização do termo nos escritos e discursos da década de 1980. Segundo ele, isso “reforça decisivamente teses acadêmicas já existentes e que apontavam aquela década como um período de consolidação da memória do genocídio nazista”. Nos 15 anos seguintes ao final da 2ª Guerra em 1945, o termo holocausto se associava à ideia do ritual hebraico religioso de sacrifício, no qual as vítimas eram queimadas vivas. Havia ainda a acepção poético-literária de supressão da vontade individual para satisfação de uma outra pessoa (renunciar em holocausto). Com a instalação e as primeiras sentenças dos tribunais de Nurembergue, os sionistas começaram a apregoar a matança de seis milhões de judeus nos campos nazistas de concentração. À época e por muito tempo não se falou de câmaras de gás e o que o autor chama de “memória do genocídio nazista” traduzia a execução de prisioneiros por fuzilamento e posterior cremação dos corpos. Essa prática, inclusive, deu origem a anedotas de bom e mau gosto, muitas das quais marcadas pelo preconceito e o racismo. Uma em particular, forjada nos EUA e que até hoje se conta, fala da parada do ônibus de turismo num posto de gasolina de uma rodovia estadunidente; o guia desce, vai à pizzaria do local, diz que acompanha a 30 judeus em viagem bem atrasada pelo país, pergunta algo a respeito da capacidade e eficiência do forno do estabelecimento e ouve a seguinte resposta: tem dois metros de comprimento por um e vinte de largura e cabem dois de cada vez. Falta credibilidade a essa parceria do campo cultural entre o Google, a Universidade de Harvard, a Enciclopédia Britânica e o Dicionário Heritage. Acerca do Google, nada assinalo, além do bisonho de suas rapsódias. Harvard, por sua vez, ostenta o rótulo de centro universitário de pesquisas e ensino, porém não passa de um núcleo de difusão e propaganda dos planos e projetos sionistas; nunca foi academia no conceito de altos estudos e ensino superior, mas sim uma agência produtora e reguladora de marcos teóricos do sionismo; seus trabalhos de pesquisa não refletem a realidade concreta, apenas a distorcem, deliberadamente. E a Britânica, calhamaço anacrônico de conteúdo colonialista, deve seu único mérito (por tabela canhestra) aos estoicos vendedores domiciliares de enciclopédias, sempre compreensivos ante a paixão súbita de uma ou outra dona-de-casa presa da solidão. Quanto ao Heritage, só conheço sua fama de negócio bom e rendoso.
Comentário de Bruno Leal em 22 dezembro 2010 às 16:09 Francisco, você deve ter feito alguma coisa errada. Coloquei a palavra "Hitler" e o resultado foi imediato. Veja o gráfico abaixo e o link para o resultado:
Link: http://ngrams.googlelabs.com/graph?content=Hitler&year_start=18...
Comentário de eliz regina braga selau em 22 dezembro 2010 às 15:58
Comentário de Carlos D. Keppler em 22 dezembro 2010 às 15:50 Penso que não estou à altura de navegar neste site,,,, tentei buscar "Hitler" e fui informado que nada se achou.
Deve ser um site de certa importância para quem trabalha com linguística, e tudo no entorno desta.
Sendo honesto, e, apesar de filósofo, médico e mineiro... desculpem-me, mas é mais um site a se discutir o "sexo dos anjos"...
francisco de Assis Villela Filho
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Uma Longa Viagem
Acaba de chegar aos cinemas o novo filme de Lucia Murat, "Uma Longa Viagem", que conta com Caio Blat no papel principal.
O documentário revela a história de três irmãos, tendo como fio condutor a trajetória do mais novo, que viaja para Londres em 1969, enviado pela família para que não participasse da luta armada contra a ditadura no Brasil, seguindo os passos da irmã, que acabou tornando-se presa política. Misturando depoimentos e memórias dos irmãos com nove anos passados no exterior pelo caçula, o filme detalha cartas e também entrevistas com ele, que chegou a ser internado em instituições psiquiátricas. Um relato triste e ao mesmo tempo bem humorado de um núcleo familiar e suas convicções.
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