Arquivos inéditos do DEOPS são abertos ao público
Acervo foi descoberto em Santos no ano passado e desde então está sob a guarda do Arquivo Público
O Arquivo Público do Estado de São Paulo acaba de colocar a disposição do público documentos do DEOPS nunca abertos para pesquisa. Após um ano e cinco meses da descoberta dos arquivos em Santos, é possível consultar cerca de 45 mil fichas remissivas — nominais ou temáticas — através das quais se tem acesso a 11.600 prontuários produzidos pelo DEOPS na região.
O Departamento Estadual de Ordem Política e Social funcionou entre os anos de 1924 e 1983 e tinha como objetivo prevenir e reprimir delitos considerados de ordem política e social contra a segurança do Estado. Os documentos encontrados em Santos revelam a atuação deste órgão na Baixada Santista, especialmente durante a ditadura militar. Entre as pessoas "fichadas" pelo DEOPS na cidade estão Carlos Lamarca, Frei Betto, Carlos Marighella e até o ex-presidente Lula, além de personagens da política local, sindicatos e movimentos estudantis.
Empoeirados, infestados por cupins e outros insetos e com suas páginas desordenadas, os documentos foram descobertos em uma Delegacia de Polícia na cidade de Santos em fevereiro do ano passado e logo foram recolhidos para o Arquivo Público do Estado de São Paulo. Imediatamente teve início o tratamento técnico do acervo, com a desinfecção, higienização, desmetalização, re-acondicionamento e organização arquivística do material. Um convênio entre a Associação de Amigos do Arquivo e a Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania destinou um financiamento de quase R$ 90 mil para o tratamento deste acervo, o que permitiu a abertura dos arquivos em tão pouco tempo. A próxima etapa do trabalho será o diagnóstico de cerca de 150 caixas com documentos diversos que precisam ser identificados pela equipe do Arquivo Público para serem também disponibilizados ao público.
A consulta aos documentos respeita os mesmos procedimentos já adotados para a pesquisa aos demais documentos do DEOPS, abertos ao público desde 1994. Os pesquisadores têm acesso ao acervo no salão de consultas do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Para isso, é preciso assinar um termo próprio, através do qual o pesquisador assume toda a responsabilidade pelo uso que fará das informações adquiridas nos documentos. Para os cidadãos mencionados nestes arquivos, o Arquivo Público oferece a reprodução autenticada dos documentos.
Serviço
A consulta aos arquivos do DEOPS acontece de terça a sexta das 9 às 17 horas, sendo 16 horas o horário-limite para solicitação de material.
Localização: Arquivo Público do Estado de São Paulo
Endereço: Avenida Cruzeiro do Sul, 1.777 – Santana – São Paulo/SP
Ao lado da estação Tietê de Metrô
Informações pelo telefone: (11) 2089-8100
Fonte: Assessoria de Comunicação do Arquivo Público do Estado de São Paulo
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Comentário de Rafael Telles de Mello em 8 maio 2012 às 16:52 Oportunidade, quase que ímpar, de rever e re-ler os estudos já feitos sobre o assunto e comprovar a necessidade de aprovação de Lei PLC41. Bem, historiadores de plantão: MÃOS A OBRA!!!
Enquanto os nossos vizinhos argentinos e uruguaios identificam, demitem, punem e prendem os delinquentes enfardados daquela época, aqui no Brasil nos contentamos com a disponibilização de documentos fajutos da lavra de órgãos repressivos de então. Êeeeeeta, Brazilzim danado!!!!!
Eu não vejo que a colega Flávia Ferreira tenha se expressado mal,ela usou esse "passado Negro" para dizer que a temática em que a ditadura se encontra até os dias de hoje é repleta de lacunas que faltam ser exclarecidas,pontos que faltam vir a superficie para serem debatidos e questionados, enfim, a época da ditadura ainda têm muito que explicar.
A nossa colega não está ministrando um seminário e ainda que estivesse.
Comentário de Zuleide Teixeira Pereira em 31 agosto 2011 às 15:46 Passado tão negro????
acredito que para uma historiadora este tipo de colocação é um tanto quanto estranha...
Comentário de Rosale de Mattos Souza em 28 agosto 2011 às 10:09 A descoberta, o tratamento técnico, e a disponibilização da documentação do antigo DEOPS, encontrada em Santos, demonstra que estamos avançando no que tange ao acesso dos documentos ditos sigilosos de arquivo. É preciso avançar agora na aprovação do Projeto de lei PLC41 pelo Senado Federal. Desta forma, esperemos que este seja mais um passo para o avanço do exercício do direito à cidadania, à informação e à memória. Somente com ações deste gênero, poderemos um dia chegar próximos de fato ao que chamam de democracia.
Comentário de Brancaleone em 26 agosto 2011 às 22:28 Acontecu uma anistia lembram né...
Anistia não é esquecimento nem perdão mas é uma anistia.
Que os arquivos sirvam para esclarecer fatos e preencher lacunas mas que não os utilizem para vingancinhas.
Lembrem que muitos dos anistiados - Zé Dirceu, Genoino "et caterva" assim que puderam se comportaram exatamente como aqueles que um dia eles queriam tirar do poder...
E convenhamos que os exemplos de "socialismo e comunismo" que existiam pelo mundo afora nas décadas de 60 e 70 eram assustadores. ( URSS, Vietnam, Albânia, Tchecoeslováquia, Laos...)De certa maneira até se entende porque parte da população brasileira não queria saber de "comunistagens" por aqui...
Trocando tudo em miúdos:
O passado é passado. Que siva de lição e não de motivos...
Comentário de Simone Oliveira em 26 agosto 2011 às 21:10
Comentário de Jeanne Cardoso Nunes em 26 agosto 2011 às 20:59 Bem-vindo (a) ao
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
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