Arquivo Café História | A Escola vai ao Café História

A Escola vai ao Café História

Projeto “Tecnologia do Conhecimento”, desenvolvido dentro do Café História por alunos e professora de uma escola rede pública do Espírito Santo, mostra como é possível utilizar a internet para dinamizar aulas e melhorar o processo de ensino-aprendizagem em gera.

Entre os profissionais da educação, parece amplamente aceito o fato de que as novas tecnologias da comunicação vieram para ficar e que elas podem ter um papel decisivo na melhoria do processo de ensino-aprendizagem. Computadores, internet, redes sociais, vídeo-chat, blogs, vídeos: todas essas palavras já estão sendo plenamente incorporadas ao vocabulário da escola. Muitos professores, no entanto, compartilham de uma mesma dúvida: “como utilizar todos esses novos recursos em minha prática docente?” Foi pensando nisso que Renata Araújo Machado, professora de historia da rede pública do Espírito santo, elaborou um interessante projeto envolvendo história e internet. E sabe o que é melhor? A professora Renata realizou esse projeto aqui mesmo, no nosso Café História.

Professora de História da Rede Estadual do Espírito Santo, na EEEFM "Profª Hosana Salles", em Cachoeiro de Itapemirim, Renata sempre viu o laboratório de informática de sua escola como um verdadeiro desafio. "A princípio as aulas se resumiam às pesquisas na Internet e algumas situações me frustravam muito. Os alunos que atendemos aqui não tinham nenhuma noção básica de pesquisa sendo comum durante a aula, me perguntarem quantos parágrafos deveriam copiar", explica Renata.

Certo dia, depois de muito pensar sobre a questão, Renata encontrou uma solução bem criativa. "Eu já fazia parte do Café História e tive a idéia de cadastrar alguns alunos para ver como interagiam. O resultado foi positivo e eu fiquei muito animada. Falei sobre o assunto com alguns professores e com o corpo pedagógico da escola. Tendo o apoio deles, escrevi o projeto e comecei a cadastrar os alunos". Foi assim que nasceu o projeto "Tecnologia do Conhecimento", integrando história e informática na escola Profª Hosana Salles.

Segundo Renata, o projeto propõe o desenvolvimento e a aplicação de uma nova prática pedagógica, que proporciona aos alunos não só a inclusão digital, mas também o contato com esta nova tecnologia. Além disso, a utilização das ferramentas interativas e multimídias do Café História visa dinamizar as aulas, inaugurar novos espaços de discussão para temas vistos em sala e, com isso, fazer com que os alunos sejam parte integrante de seu processo de aprendizagem.

O desenvolvimento do projeto é de fácil compreensão, interdisciplinar e flexível . Os alunos participam basicamente de duas formas. Primeiro, como qualquer participante da rede: aprendem a utilizar as ferramentas, a personalizar os espaços e também a participar de discussões que estão sendo travadas em fóruns, blogs e grupos de estudos. Na página pessoal de vários alunos, por exemplo, é possível ler relatos sobre a visitação a uma importante exposição sobre o cientista Albert Einstein. Um segundo espaço de participação ocorre dentro do Grupo "Escola "Profª Hosana Salles", composto basicamente pelos alunos que fazem parte do projeto. Dentro deste grupo, os alunos participam de tópicos de fóruns que dialogam com o conteúdo que é visto dentro de sala de aula. E a identidade do projeto está não apenas no tema dos fóruns, mas também nas respostas, nos comentários e na própria descrição da comunidade, que explica a história da escola. Quem não participa do projeto, mas quer fazer parte do Grupo também pode, o que torna a experiência didática ainda mais sofisticada e prazerosa, uma vez que os alunos têm a possibilidade de debater sobre um dado tema de sala de aula com pessoas de diferentes lugares, formações e opiniões. (Endereço do Grupo: http://cafehistoria.ning.com/group/escolaprofhosanasalles)

Os alunos

Participam do projeto alunos do Ensino Médio regular, seguido pelos estudantes EJA (Educação de Jovens e Adultos), segundo e terceiro segmento e, por último, os alunos do Ensino Fundamental, de 5ª à 8ª séries. E pelo visto, a experiência tem sido positiva para os alunos. Michele Mariano, do 3º ano do Ensino Médio Noturno, postou em um dos fóruns de atividade: “As aulas dadas no laboratório de informática utilizando o Café História estão sendo ótimas. A idéia de usar o espaço foi brilhante, pois assim desenvolvemos mais interesse pela a história, desenvolvemos e ampliamos mais nosso conhecimento. As aulas desenvolvidas já trouxeram grande conhecimento e curiosidade. Dá vontade de, cada vez mais, nos aprofundarmos e de aprender”.

Já Dalila de Fátima Oliveira Daltio, da 8ª série do Ensino Fundamental, Vespertino, postou: “As aulas são melhores agora, pois além de nos informarmos sobre a matéria, também nos divertimos com essa nova dinâmica de ensino. O Café História nos dá a oportunidade de conhecer novas pessoas de diferentes culturas e modos de pensar, também podemos compartilhar e receber novos conhecimentos sobre a matéria de história, que é tão apreciada e questionada no mundo todo”.

Bem focado, coerente e muito estimulante. Assim poderia ser definido o projeto da professora Renata. Um projeto que ao receber o voto de confiança da coordenação pedagógica e dos alunos mostrou ser capaz de se tornar um excelente exemplo de como as redes sociais não só apenas uma rede de amigos, de debates ou de informações, mas também uma ferramenta com possibilidades didáticas.

E então, você gostaria de fazer algo semelhante no Café História com os seus alunos? Então, mãos à obra! Elabore um projeto, convide os alunos e coordene ações didáticas em fóruns, blogs, vídeos e outras ferramentas. Você pode pedir conselhos, inclusive, para quem já está fazendo o mesmo, como é o caso da professora Renata (http://cafehistoria.ning.com/profile/RenataAraujoMachado). E contem também com a ajuda e incentivo da administração da rede, sempre disposta a promover esse tipo de uso do Café História. Aproveite o exemplo e materialize suas boas idéias!

Mas antes de ir, confira abaixo um rápido bate-bola com a professora Renata Araújo Machado, que conta com um pouco mais de detalhes o seu interessante projeto:



CAFÉ HISTÓRIA - CAFÉ HISTÓRIA - Professora, como surgiu a idéia do “Tecnologia do Conhecimento”?

RENATA ARAÚJO MACHADO -
Trabalho na Rede Pública Estadual como professora efetiva desde 2005. Há dois anos, na unidade de ensino em que o projeto está sendo desenvolvido. Utilizar o laboratório de informática nas aulas de história era um desafio para mim. A princípio as aulas se resumiam às pesquisas na Internet e algumas situações me frustravam muito. Os alunos que atendemos aqui não tinham nenhuma noção básica de pesquisa sendo comum durante a aula, me perguntarem “quantos parágrafos deveriam copiar”. Pode imaginar como eu me sentia diante dessas situações.

Tentei então fazer uma iniciação dos alunos em pesquisa, mas não obtive o resultado esperado. Eles não se interessavam pelas aulas e eu fiquei, ainda mais, frustrada. A partir daí, percebi que eu estava utilizando a internet apenas como fonte de informação, quando o seu grande potencial é a comunicação.
Eu já fazia parte do Café História e tive a idéia de cadastrar alguns alunos para ver como interagiam. O resultado foi positivo e eu fiquei muito animada. Falei sobre o assunto com alguns professores e com o corpo pedagógico da escola. Tendo o apoio deles, escrevi o projeto e comecei a cadastrar os alunos.

CAFÉ HISTÓRIA - Qual a sua escola e quantos alunos participam do projeto?

RENATA ARAÚJO MACHADO - O projeto está sendo desenvolvido na E.E.E.F.M. “Profª Hosana Salles”, em Cachoeiro de Itapemirim – ES.Inicialmente, foram cadastrados apenas os alunos do Ensino Médio regular, seguidos pelos estudantes da EJA (Educação de Jovens e Adultos), do segundo e terceiro segmento e, por último, os alunos do Ensino Fundamental, de 5ª à 8ª séries. A faixa etária dos alunos envolvidos varia entre doze anos para os da 5ª série e cinqüenta anos para os alunos da EJA.

Além dos alunos, os demais professores da unidade, tanto da disciplina de História, como de Língua Portuguesa, Geografia e Artes, entre outros, também fizeram o registro na rede para acompanhar as atividades dos alunos e já se preparam para utilizar o espaço do Café História em suas respectivas disciplinas.

CAFÉ HISTÓRIA - Qual o objetivo do projeto?

RENATA ARAÚJO MACHADO - 
O Projeto TECNOLOGIA DO CONHECIMENTO: integrando História e Informática, propõe o desenvolvimento e a aplicação de uma nova prática pedagógica, que proporcionará aos alunos não só a inclusão digital e o contato com esta nova tecnologia. Fará com que os alunos sejam parte integrante do seu processo de aprendizagem, da construção do seu próprio conhecimento e das transformações inevitáveis causadas pelo contato com o mundo digital. Visa dinamizar as aulas da disciplina de História no Laboratório de Informática, abrindo espaço para discussões sobre diversos temas relacionados à disciplina através da Rede Social – Café História. Valorizar a produção dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos (textos, fotos, relatos, vídeos, etc.), através da publicação dos mesmos nos espaços específicos do Café. Possibilitar a participação dos alunos nos debates interativos desenvolvidos através da rede, utilizando espaços como o do chat, dos grupos de estudo e dos fóruns de discussão, além de promover o desenvolvimento intelectual do aluno, por meio do contato com outros estudantes e profissionais da área de ciências humanas e demais áreas do conhecimento.

CAFÉ HISTÓRIA - Como o projeto está sendo desenvolvido?

RENATA ARAÚJO MACHADO -Alguns alunos ainda são leigos na utilização da informática e de espaços interativos como o do Café História, de modo que o projeto conta também com uma etapa de orientação para esses alunos (digitação, cadastro de e-mail, registro na Rede Social - Café História, interpretação do Guia de Navegação da rede, etc.). Enfim, o básico.Já outros são mais autônomos na utilização desses recursos e estão sendo aproveitados no processo de orientação dos demais. É fantástico! Eles interagem dentro e fora das telas do computador durante a aula. Uns ajudam os outros, fazem perguntas, tiram dúvidas, curtem a aula.

O projeto acontece, em cada turma, pelo menos uma vez por semana. Uma aula é agendada no Laboratório de Informática para que os alunos possam receber as orientações de como acessar o Café História, como utilizar o espaço, personalizá-lo, adicionar pessoas, grupos, participar das discussões no grupo criado para a escola, postar as fotos observando-se os conteúdos e as informações nas legendas das mesmas, postar textos no blog do Café. Estão aprendendo, para que servem e como devem ser utilizados os espaços da rede. Os que têm acesso à internet, também fora da escola interagem mais na rede social. Eles já desenvolveram as primeiras atividades no grupo da escola e em seus perfis como postagem de fotos e textos sobre a visita à Exposição Internacional de Einstein em Vitória – ES, por exemplo.

Posteriormente, serão orientados a participar de discussões mais específicas sobre os conteúdos trabalhados em sala de aula, não só na disciplina de História como nas demais. No entanto, não quero limitá-los a cumprir apenas aquilo que os professores orientam. Quero prepará-los para que sejam capazes de fazer suas próprias escolhas dentro da rede. Adicionar os grupos de sua preferência e participar das discussões que considerem mais relevantes por si mesmos. Seria muito bom ver isso acontecendo. Espero que seja em breve.

CAFÉ HISTÓRIA - Quanto tempo vai durar a experiência pedagógica? Outros professores sabem? Há apoio da coordenação pedagógica da escola?

RENATA ARAÚJO MACHADO - A equipe escolar, de maneira geral, recebeu com carinho o projeto. Aos poucos os professores estão se familiarizando com a proposta, fazendo o registro na rede, acompanhando o desenvolvimento das atividades e incentivando os alunos. Alguns já orientam atividades.

Quanto à duração do projeto, não existe uma previsão para finalizá-lo, já que a expectativa para essa experiência pedagógica é boa, mas imagino que ela se prolongue por um bom tempo. O que existe, na verdade, é um cronograma que pretendemos cumprir até o final desse segundo semestre e alguns planos para o próximo ano.

Esperamos alcançar todos os alunos envolvidos no projeto com o desenvolvimento das habilidades necessárias para o manuseio do computador no tocante à utilização do espaço da Rede Social do Café História, do usuário leigo ao mais avançado, até o fim do semestre. Para o próximo ano, estamos discutindo a possibilidade de cadastrar também os pais dos alunos na rede. O fato é que alguns pais procuraram a escola preocupados porque, na opinião deles, os alunos principalmente da 5ª e 6ª série, são muito novos para utilizarem redes sociais. Essa preocupação foi sanada com a apresentação do projeto aos pais, que passaram a apoiar a iniciativa. Sendo assim, já observamos o quanto pode ser interessantes unir no espaço do Café História, os três pilares que sustentam o funcionamento da nossa unidade de ensino: Escola – Alunos – Família.

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Tags: educação, escola

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Comentário de Breno Araujo em 17 setembro 2010 às 8:20
Muito bacana, o que incentiva os alunos a não ficarem presos aos conteudos resumidos dos livros didáticos.
Comentário de Eliane Alves em 16 setembro 2010 às 22:59
Muito especial o projeto da Escola´. Sou Professora do ensino fundamental e médio e sinto a necessidade de um incentivo maior para que o ensino realmente tenha significado. Porém, não vejo a tecnologia como uma solução para os problemas que enfrentamos nas salas aulas atualmente.
Comentário de geraldo sergio cemin em 16 setembro 2010 às 20:18
Muito bom é um primeiro passo. Não podemos ficar a margem da tecnologia que esta aí para ser utilizada com responsabilidade.Certamente o estudo da História vai ficar mais atrativo para muito dos alunos. Nota dez professora pela coragem de inovar.
Comentário de Assis Falcão em 16 setembro 2010 às 17:04
muito legal
Comentário de Cristiano em 16 setembro 2010 às 16:19
CAra, como professor...achei a atitude bem legal....parabéns

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