A Playboy de Clio

Bem perto de completar sessenta anos, a revista masculina mais conhecida do mundo é dona de uma história que vai muito além do erotismo. Documentários, entrevistas e a recente abertura do arquivo da Playboy desnudam parte desse passado. Confira!

Primeiro, preste atenção ao título desta matéria. Nós não vamos comentar o ensaio de Cléo Pires na edição comemorativa dos 35 anos da Playboy brasileira. Nós vamos falar sim é da nossa Clio na Playboy, a sensual musa dos historiadores. Ao chegar próximo dos seus sessenta anos, a serem completados em 2013, a Playboy teve até agora uma trajetória rica em interlocuções com importantes questões históricas do século XX. Pode não parecer, mas a revista Playboy não é apenas uma revista de nudez. É também uma revista também repleta de boas histórias para contar.

Esse lado pouco conhecido da Playboy confunde-se com a biografia de Hugh Hefner, fundador da revista e que até hoje participa das decisões da revista. Hefner fundou a Playboy em 1953. E a primeira coelhinha - animal símbolo da revista - a estampar a capa da revista foi nada mais nada menos que uma das atrizes mais famosas da década de 1950 em todo o mundo: Marilyn Monroe (imagem). Naquela época, muito mais do que hoje, a sociedade americana era extremamente conservadora em praticamente tudo o que se referia a sexo. Relações homossexuais, entre pessoas de cores diferentes, de classes diferentes, de idades diferentes, tudo era vista com um viés de preconceito e de forma reacionária. Poucos estudavam o tema seriamente. Mesmo o famoso Alfred Charles Kinsey ainda estava no início de suas pesquisas sobre o sexo, pesquisas que anos mais tarde provocariam uma verdadeira revolução na maneira de se pensar o assunto.

Assim, quando a Playboy foi lançada, a sociedade americana entrou em polvorosa. Hefner ganhou de imediato a antipatia tanto da ala feminista quanto da ala conservadora da sociedade, esta pretensiosamente defensora dos bons valores familiares. Uma revista que expunha a nudez daquela forma não podia ser tolerada, pensava tanto um grupo quanto o outro. Tudo piorou quando Hefner passou a se envolver com dezenas de mulheres e a realizar diversas grandes festas, o que nunca foi visto com bons olhos pelos mais puritanos. Parte destas críticas sobrevive ainda hoje. Alguns estados americanos continuam, inclusive, proibindo a venda da revista.

No entanto, a imagem pública de Hefner parece estar mudando.Hoje com 84 anos, o dono da Playboy ganhou um documentário de três horas chamado "Hugh Hefner: Playboy, Ativista e Rebelde", dirigido pela canadense Brigitte Berman, vencedora de um Oscar em 1985. Neste documentário, Hefner é visto como um homem que rompeu paradigmas, que ousou fazer mais em uma época extremamente acomodada e até mesmo perigosa do ponto de vista político. No filme de Berman, são lembradas as lutas sociais de Hefner, como aquela contra o puritanismo americano, pela liberdade de expressão, pelos direitos civis dos negros e contra a Guerra do Vietnã. O documentário discute também as suas complicadas lutas contra a direita religiosa, contra as militantes feministas e até mesmo contra o governo americano.

Em termos editoriais, lembra, por fim, Berman, a Playboy inovou não só ao fotografar mulheres nuas, mas também na publicação de matérias e entrevistas importantes, onde se contestou o macartismo e onde se defendeu a causa gay e também a legalização da maconha".

Hugh Hefner: Playboy, Ativista e Rebelde" poderá ser conferido em breve nos cinemas brasileiros. Mas, enquanto ele não chega, você pode matar a curiosidade com o seu bom e animado trilher: http://www.youtube.com/watch?v=6kjNupDYiuU.

A Playboy no Brasil

No Brasil, a revista foi lançada em agosto 1975, no auge da Ditadura Militar. E o início não foi nada fácil. Tendo sido o vetado nome "Playboy”, a revista foi lançada por aqui com o nome careta "A Revista do Homem". E nada de nu frontal na capa. O destaque daquela primeira edição foi para Livia Mund com as costas descobertas. Apenas em 1978, a revista pôde estampar seu verdadeiro título nas capas.

Na última edição brasileira, que traz a atriz e modelo Cléo Pires para comemorar os 35 anos da revista por aqui, a Playboy revelou histórias curiosas que sofreu da censura do regime militar. Durante a vigência do Decreto-Lei N.1077, de 1970, que instituiu a censura a revistas e livros considerados imorais, a Playboy teve diversos cortes e modificações pedidos pelo regime militar. Em um balanço feito pela redação em outubro de 1976, por exemplo, o conteúdo havia sido censurado em 13 edições, incluindo artigos e cartuns. Naquela época, os jornalistas fizeram a seguinte contabilidade: 606 linhas de texto vetadas + 30 fotos com corte + 59 fotos retocadas + 9 cartoons vetados e outros 3 retocados. Em um corte de texto, a censura havia vetado um trecho do artigo do Senador Teônito Vilela, no qual propunha a revogação do AI-5.

A censura, que durou até 1980, tendo muitas justificativas. Uma delas, fora dado pelo então Ministro da Justiça, Alfredo Buzaid (1969-1974), para quem as revistas de mulheres peladas poderiam "estimular a licenciosidade, insinuariam o amor livre e ameaçaria destruir os valores morais da sociedade brasileira". Conforme conta ainda a mais recente edição brasileira, na visão do ministro daquela época, essas fotos obedeceriam a um "plano subversivo comunista que colocaria em risco a segurança nacional".

Coelinhas históricas livre para consultas

Apesar de todos os percalços, políticos e sociais, no Brasil e no mundo, o modelo de publicação da Playboy vem sendo um grande sucesso. Apenas nos Estados Unidos, a revista possui uma tiragem mensal de 3,2 milhões de exemplares. No mundo, ela atinge um total de 15 milhões de eleitores, sendo publicada em 17 países e detentora do título de maior publicação masculina do muno, um carro-chefe de um conglomerado de 280 milhões de dólares em 2009.

E para quem pesquisa temas como sexo, gênero, comportamento ou sociedade contemporânea de um modo geral, a revista também está sabendo como agradar. Em 2009, a Playboy americana liberou - gratuitamente - todo o conteúdo de suas revistas editadas entre 1954 a 2007 na internet. A digitalização do acervo, que pode ser conferido no endereço www.playboyarchive.com, foi concretizado graças a uma parceria com a Bondi Digital Publishing.

Além de, claro, disponibilizar as fotos de inúmeras beldades, o internauta também tem acesso liberado a artigos e publicidades de vários momentos da revista. Ao todo, o trabalho levou cinco anos.

Quer saber mais sobre a Playboy, sobre sua história e o seu fundador? O Café História sugere alguns itinerários. Entrevista de Hugh Hefner concedida a Revista Veja em janeiro de 2004: http://veja.abril.com.br/140104/entrevista.html; Entrevista de Hugh Hefner concedida ao jornal OGlobo em julho de 2010 por ocasião do lançamento sobre seu documentário: http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2010/07/30/hugh-hefner-rebelde-...; Série de vídeos no Café HIstória que mostram uma entrevista de 1966 com Hugh Hefner em um programa na TV americana: http://cafehistoria.ning.com/video/entrevista-com-hugh-hefner-5

Depois de ver isso tudo, você certamente vai perceber que - de um jeito bastante particular - a nossa musa Clio também tem seus dias de coelhinha nas páginas da Playboy.

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Tags: playboyn, sexo, sexualidade

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Comentário de Breno Araujo em 9 outubro 2010 às 16:46
O acervo de arquivos da Playboy americana é ótimo.
Comentário de Breno Araujo em 9 outubro 2010 às 12:05
Na edição de Outubro eu li uma interessante entrevista de Laurentino Gomes, o escritor do livro 1808, onde fez algumas comparações entre as figuras de Dom Pedro I com Lula.
Comentário de Breno Araujo em 28 setembro 2010 às 14:35
As melhores capas de cada década foram:
Década de 1970:
LIVIA MUND-AGOSTO DE 1975.
TAMARA TAXMAN-AGOSTO DE 1976
SUSAN KIGIS-OUTUBRO DE 1979.
BETTY FARIA-AGOSTO DE 1978.
RAQUEL WELCH-DEZEMBRO DE 1979.
DÉCADA DE 1980.
LUCÉLIA SANTOS-ABRIL DE 1980
DENISE DUMONT-JANEIRO DE 1981
ANGELINA MUNIZ-MARÇO DE 1982
ALDINE MÜLLER E ZAIRA BUENO-JUNHO DE 1983
SONIA BRAGA-SETEMBRO DE 1984
CLAUDIA RAIA-SETEMBRO DE 1985
RENÉE DE VIELMOND-AGOSTO DE 1986
MARCELLA PRADO-JULHO DE 1987
CIDA COSTA-DEZEMBRO DE 1988
GISELE FRAGA-SETEMBRO DE 1989
MONICA FRAGA-SETEMBRO DE 1990
ISADORA RIBEIRO-JUNHO DE 1991
DULCE NEVES-MARÇO DE 1992
MONICA CARVALHO-MAIO DE 1993
LIZ VARGAS-JUNHO DE 1994
NILZA MONTEIRO-SETEMBRO DE 1995
MAITÉ PROENÇA-AGOSTO DE 1996
MYLA CHRISTIE-NOVEMBRO DE 1997
TATIANA ISSA-MARÇO DE 1998
TIAZINHA-MARÇO DE 1999.
DÉCADA DE 2000:
ALESSANDRA NEGRINI-ABRIL DE 2000
ELEN ROCHE-NOVEMBRO DE 2001
FRANCIELY FREDUZESKI-JULHO DE 2002
REGIANE ALVES-AGOSTO DE 2003
MEL LISBOA-AGOSTO DE 2004
BARBARA BORGES-FEVEREIRO DE 2005
RITA GUEDES-MARÇO DE 2006
MONICA VELOSO-OUTUBRO DE 2007
CAROL CASTRO-AGOSTO DE 2008
FLÁVIA ALESSANDRA-DEZEMBRO DE 2009
LARISSA RIQUELME-SETEMBRO DE 2010.
Comentário de Breno Araujo em 27 setembro 2010 às 20:49
Vocês já compraram a edição de Setembro de Larissa Riquelme?
Eu já.
Comentário de sergio eduardo de carvalho em 13 setembro 2010 às 21:24
Quem nunca folheou uma playboy ?
Comentário de Breno Araujo em 2 setembro 2010 às 19:16
A PLAYBOY é simplesmente única.
Comentário de Breno Araujo em 26 agosto 2010 às 14:00
Entre essas outras coisas bacanas está a Hqs, do Mauro A. mostrando o cõmico dialogo entre os dois maiores maestros alemães, Beenthoven e Wagner.
Comentário de Deisiane Magalhães em 24 agosto 2010 às 17:31
Aloizio, meu e-mail é: dgonms@gmail.com
Comentário de Deisiane Magalhães em 24 agosto 2010 às 17:31
Legal demais a entrevista Aloisio. Valeu demais! Se você puder me enviar a introdução da entrevista ficarei muitíssimo agradecida. Eu, como vejo que você tbm, sou fã dos Beatles1 Abraços.
Comentário de Breno Araujo em 23 agosto 2010 às 17:12
Um revista como a Playboy, não tem quem copie, nem a SEXY.

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