A diversificada vida dos cemitérios

Dos cinemas a pesquisa acadêmica: onde há arte há vida.

O ambiente por assustar muita gente: túmulos, flores, velas e silêncio. Para muitas pessoas, o cemitério não passa disso. Mas é verdade que ele também desperta certo fascínio na cultura popular. No cinema, por exemplo, o cemitério tornou-se cenário comum de contos de terror e assombrações. No final da década de 1980, o filme “O Cemitério Maldito” (“Pet Sematary”, 1989) se tornou famoso ao contar a história de um cemitério indígena que traz de volta à vida animais e pessoas ali enterradas. Baseado em um conto homônimo do mestre da literatura do terror, Stephen King, a trilha do filme eternizou os Ramones, com uma canção que dizia: “I don't wanna be buried In a pet sematary / I don't want to live my life again”. Em muitos países, túmulos de pessoas famosas também tem se tornado local de enorme peregrinação de fãs. É o caso do túmulo de Jim Morrison, vocalista da lendária banda "The Doors". Localizado no cemitério parisiense Pere Lachaise, cerca de 300 pessoas passam por lá todos os dias.

Nas últimas décadas, essa "vida além da morte" dos cemitérios tem atraído o interesse de pesquisadores acadêmicos. No Brasil, o nome de Maria Elizia Borges. Presidente da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais, Borges é professora da Universidade Federal de Goiás e uma das maiores especialistas no assunto, com tese de doutorado e artigos publicados na área, inclusive em periódicos internacionais. Além disso, aqui mesmo no Café História, já exploramos o assunto. Resenhamos o livro da historiadora pernambucana Vanessa de Castro Sial, "Das Igrejas ao Cemitério". Nesse trabalho, Sial explica como foi tenso o momento em que as práticas fúnebres no Brasil deixaram as Igrejas em direção aos novos cemitérios.

Enquanto isso, na blogosfera, merece destaque o blog do historiador Rogério Frigerio Piva, professor da rede pública de ensino do Espírito Santo e militante dos chamados "estudos cemiteriais". Seu blog "COEMETERIUM", existe desde setembro de 2009 e traz uma compilação de notícias e artigos sobre o tema. Sobre o porque de ter criado o blog, Piva disse com exclusividade ao Café História:

- O blog existe desde setembro de 2009, na época eu já participava de comunidades no orkut com temática voltada para estudos cemiteriais. Sempre pesquisava na rede atrás de alguma notícia ou pesquisa que estivesse em andamento e depois postava o link nas comunidades, mas os recursos eram muito limitados. A esse tempo já conhecia outros blogs como o TURISMO CEMITERIAL da Liliane Rosa e achava o máximo. Então, certo dia, pesquisando localizei o verbete sobre “cemitério” na Wikipédia e, ali estava a explicação etimológica para a palavra que é a versão latina do grego KIMITÍRION que, por sua vez, vem de KIMÁO, que significa, segundo o referido verbete, “por a jazer”, “fazer deitar”. É como se quem morresse estivesse “dormindo” aguardando o dia do Juízo Final. Por isso uma palavra grega utilizada inicialmente para “dormitório” foi apropriada pelos primeiros cristãos para se referir ao local onde descansam, ou melhor, dormem os mortos. Em latim virou COEMETERIUM e, por fim, em nossa língua CEMITÉRIO. Além de ser um nome original faz referência as origens. Mas o blog é na verdade um álbum de recortes onde colocamos as referências interessantes que encontramos em nossas buscas diárias, sempre relacionadas com notícias ou estudos cemiteriais. Acredito que quanto mais se divulgarem estas informações poderemos reduzir o preconceito com relação a temática cemiterial e, também, aglutinar todos aqueles que há muitos anos já atuam de maneira isolada neste campo. A idéia é que no futuro o blog se torne um portal e seja referência na difusão destas informações.

Se você se interessou pelo tema, discuta-o aqui no Café História. Há um grupo destinado para este campo de estudos. Chama-se "Arte e Arquitetura Cemiterial". Clique aqui para acessá-lo.

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Comentário de Rubinha Lemos em 23 janeiro 2010 às 22:01
Meu conceito sobre lugares desertos e silenciosos como os cemitérios mudou desde o momento que trabalhei com a disciplina de Arte e tive que abordar o tema gótico. Confesso que de certa forma, apesar de não visitar cemitérios, depois dessas aulas sinto-me meio gótica e se a necessidade de reflexão e desejo de isolamento temporário toma conta de nós esse é um lugar bastante sugestivo para se estar. Além disso, mesmo que paradoxal, é bom para refletir sobre a vida.

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