A diversificada vida dos cemitérios
Dos cinemas aos pesquisadores universitários: o cemitério é um lugar de interesses variados, mostrando que onde há arte há vida
O ambiente assusta muita gente: túmulos, flores, velas e marchas fúnebres. Os cemitérios geralmente estão associados à dor e a tristeza, símbolo da perda e da mortalidade de todos os homens. Na universo da cultura popular, o cemitério tornou-se o cenário comum de contos de terror e assombrações. No final da década de 1980, o filme “O Cemitério Maldito” (“Pet Sematary”, 1989) rendeu pesadelos a muitas pessoas, ao contar a história de um cemitério indígena que traz de volta à vida animais e pessoas enterradas nele. Baseado em um conto homônimo do mestre da literatura do terror, Stephen King, a trilha do filme eternizaria a música dos Ramones, que dizia: “I don't wanna be buried In a pet sematary / I don't want to live my life again”. (Eu não quero ser enterrado em um Cemitério de Animais / Eu não quero viver minha vida novamente).
Engana-se, porém, quem pensa que o cemitério é apenas um lugar da memória dos mortos e das almas perdidas. Desde o início do século XX, o espaço cemiterial no ocidente vem se tornando um espaço de interesses diversificados, pleno de vida e interesses.
Em muitos países, por exemplo, o túmulo de famosos é local de peregrinação. É o caso do túmulo de Jim Morrison, vocalista da lendária banda The Doors. Localizado no cemitério parisiense Pere Lachaise, cerca de 300 pessoas passam por lá todos os dias. (Clique aqui para vê-lo) Na cidade de São Paulo, os cemitérios ajudam a contar a história do país. Quer ver? Então clique aqui para ver onde estão enterradas vários nomes famosos de nossa história.
Dentre os interessados no tema, também estão diversos pesquisadores. No Brasil, o nome de Maria Elizia Borges, presidente da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais se destaca. Borges é professora da Universidade Federal de Goiás e uma das maiores especialistas no assunto, tendo feito trabalho de doutorado no tema e publicado artigos em periódicos internacionais.
Recentemente, ainda na historiografia, o Café História resenhou o livro da historiadora pernambucana Vanessa de Castro Sial, que escreveu o livro "Das Igrejas ao Cemitério". Para ler, clique aqui. Nele, Vanessa explica como foi tenso o momento em que as práticas fúnebres no Brasil deixaram as Igrejas em direção aos novos cemitérios.
Enquanto isso, na internet, merece destaque o blog do historiador Rogério Frigerio Piva, professor da rede pública de ensino do Espírito Santo e militante dos chamados "estudos cemiteriais". Seu blog "COEMETERIUM", existe desde setembro de 2009 e traz uma compilação de notícias e artigos sobre o tema. Em entrevista exclusiva ao Café História, Piva (que é membro de nossa rede) respondeu algumas perguntas do Café:
Rogério, desde quando existe o blog COEMETERIUM ? Por que você o criou? O que quer dizer o nome?
O blog existe desde setembro de 2009, na época eu já participava de comunidades no orkut com temática voltada para estudos cemiteriais. Sempre pesquisava na rede atrás de alguma notícia ou pesquisa que estivesse em andamento e depois postava o link nas comunidades, mas os recursos eram muito limitados. A esse tempo já conhecia outros blogs como o TURISMO CEMITERIAL da Liliane Rosa e achava o máximo. Então, certo dia, pesquisando localizei o verbete sobre “cemitério” na Wikipédia e, ali estava a explicação etimológica para a palavra que é a versão latina do grego KIMITÍRION que, por sua vez, vem de KIMÁO, que significa, segundo o referido verbete, “por a jazer”, “fazer deitar”. É como se quem morresse estivesse “dormindo” aguardando o dia do Juízo Final. Por isso uma palavra grega utilizada inicialmente para “dormitório” foi apropriada pelos primeiros cristãos para se referir ao local onde descansam, ou melhor, dormem os mortos. Em latim virou COEMETERIUM e, por fim, em nossa língua CEMITÉRIO. Além de ser um nome original faz referência as origens. Mas o blog é na verdade um álbum de recortes onde colocamos as referências interessantes que encontramos em nossas buscas diárias, sempre relacionadas com notícias ou estudos cemiteriais. Acredito que quanto mais se divulgarem estas informações poderemos reduzir o preconceito com relação a temática cemiterial e, também, aglutinar todos aqueles que há muitos anos já atuam de maneira isolada neste campo. A idéia é que no futuro o blog se torne um portal e seja referência na difusão destas informações.
Algumas pessoas acham que é um tema pra lá de desagradável. Você concorda?
Não. Mas entendo esse estranhamento. Numa sociedade profundamente consumista e materialista como a nossa, onde o culto ao corpo e a imagem jovial é uma realidade, falar em morte, ou sobre qualquer coisa relacionada a esta, gera repulsa. Por outro lado, acho que quanto mais nos aproximamos dessa única certeza de nossas vidas, podemos tentar compreender melhor o que somos. Não é necessariamente “aceitar” a morte mas, “compreender”. Ao contrário do senso comum, acho que é um tema fascinante e muito interessante para se conhecer a fundo, afinal, diz respeito ao futuro de todos nós.
Se você se interessou pelo tema, discuta-o aqui no Café História. Há um grupo destinado para este campo de estudos. Chama-se "Arte e Arquitetura Cemiterial". Clique aqui para acessá-lo e começar a discutir.
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Comentário de Rubinha Lemos em 23 janeiro 2010 às 22:01 Bem-vindo (a) ao
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Somos tão jovens
Está em cartaz nos cinemas brasileiras o tão aguardado filme sobre Renato Russo e o começo da Legião Urbana. "Somos tão jovens" é dirigido por Antonio Carlos Fontoura.
Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã do punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.
© 2013 Criado por Bruno Leal.
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