Vestígios do Poder

Deputados, Vereadores, Juristas. Muito do que foi produzido no passado do Brasil está agora disponível para historiadores como fonte histórica. É a tecnologia auxiliando a pesquisa e a docência

Não há como negar: ser historiador é lidar com toda a sorte de documentos. Para o professor, a fonte histórica é uma oportunidade de empreender trabalhos originais com seus alunos, de se atualizar, de levar a pesquisa para a sala de aula, é uma oportunidade de conquistar ainda a atenção do estudante diante daquilo que foi o registro gerado em um outro mundo que não o dele. Já para o pesquisador, o motivo é mais do que óbvio: o documento histórico é o início de tudo. Ele é a matéria-prima dos arquivos, das bibliotecas. É onde tudo começa e recomeça.

O problema é quando as fontes estão longe. Porém, nos últimos anos, a tecnologia vem sendo uma parceira valiosa dos historiadores, levando as fontes onde quer que eles estejam. Nesta matéria sobre fontes históricas, o Café Historia traz duas dicas que certamente poderá acrescentar muito ao seu trabalho de pesquisa ou mesmo pedagógico. São fontes que mostram sobretudo como a política e poder no Brasil.

A primeira dica do Café História diz respeito ao site Jusbrasil. Neste site, o pesquisador tem acesso, na íntegra, ao conteúdo digitalizado de Diários Oficiais: Diários Oficiais dos Estados, da União, da Justiça, do Supremo Tribunal Federal, do Supremo Superior de Justiça e de todos os tribunais regionais da federação. São milhares de edições, que cobrem praticamente todo o século XX. São espaços oficiais do poder brasileiro no qual foram discutidas centenas de fatos, pessoas e leis que fazem parte da história do Brasil.

O JusBrasil auxilia no cumprimento da determinação constitucional de publicidade dos atos oficiais e jurídicos a partir do momento em que permite, com uma simples busca, que qualquer página de sua base de mais de 50 milhões de documentos seja facilmente encontrada, por qualquer cidadão brasileiro. Para isso, o site aplica tecnologia de ponta para auxiliar nesta tarefa de disponibilizar ao público milhões de documentos que fazem parte da maquina do estado. Quer acessar? Então, clique: http://www.jusbrasil.com.br/

A segunda dica do Café História refere-se a edições antigas e novas de publicações do Governo Federal: Diário do Congresso Nacional, Diário da Câmara dos Deputados, Assembléias Nacionais Constituintes e Anais da Câmara dos Deputados. A temporalidade encontra-se disponível da seguinte forma:

1) Diários da Câmara dos Deputados: a partir de 16 de novembro de 1890.

Histórico dos nomes da Coleção de Diários da Câmara dos Deputados:

1.1) De 1890 a 1917, Diário do Congresso Nacional - Estados Unidos do Brazil;
1.2) De 1917 a 1930, Diário do Congresso Nacional - Estados Unidos do Brasil;
1.3) Em 1934, Diário da Câmara dos Deputados - Estados Unidos do Brasil;
1.4) De 1934 a 1937, Diário do Poder Legislativo - Estados Unidos do Brasil;
1.5) De 1946 a 1953, Diário do Congresso Nacional - Estados Unidos do Brasil;
1.6) De 1953 a 1995, Diário do Congresso Nacional - Seção I;
1.7) De 1995 até hoje, Diário da Câmara dos Deputados.

2) Diários do Congresso Nacional: a partir de 1º de agosto de 1953.

3) Anais da Câmara dos Deputados: 29 de abril de 1826 a 17 de junho de 1974.

4) Anais e Diários das Assembléias Constituintes: 17 de abril de 1823 a 01 de junho de 1994.


Quer acessar? Então, clique e pesquise: http://imagem.camara.gov.br/diarios.asp

Aproveite as dicas e aprimore as suas pesquisas. Explora toda a potencialidade destas ferramentas. Elas foram construídas justamente para permitir um melhor conhecimento do país e de seu passado.

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Comentário de Nairillene Alvarenga em 1 novembro 2010 às 11:12
É uma ótima ferramenta para nós historiadores que precisamos realizar nossas pesquisas e que às vezes estamos longe fisicamente mas através das novas tecnológias conseguimos ter acesso à tais fontes.
Comentário de Jefferson Ramos da Silva em 27 outubro 2010 às 18:03
Acesso ao material do início da república, período varguista dos anos 50 e da época da ditadura militar - e anais e diários das assembleias constituintes de 1823 até 1994. Dando um mergulho incrível no cotidiano político e as inquietações das elites brasileiras. Traça um verdadeiro panorama das relações entre as leis feitas e os interesses dos políticos por vezes sua aversão ao povo. Neste sentido é importante perceber como estabelece a dependência do legislativo frente ao executivo. As pautas devem ser como as de hoje, completamente voltadas aos meandros das ações do poder do presidente. Neste sentido as costuras políticas fazem perceber quais os valores sociais, os medos e coragem dos grupos políticos. Por que discutiam. Qual era a visão de futuro. O que pensavam da educação, transportes, saúde e como os problemas internacionais repercutiam no parlamento. Quando chegou a primeira mulher. Qual foi o discurso mais liberal e o mais conservador. De que modo elaboravam suas atitudes frente as dificuldades de suas bases nos estados de que modo era realizada a barganha entre os ministros e os deputados e senadores. Que grandes projetos mobilizam as elites. Como a rotina e o código de conduta era rompido e por quê. Quais eram os países que visitam nosso parlamento em que momento dava-se está visita. Como no estado novo - os discursos eram feitos quem reagia e qual era seu espaço permitido pelo o varguismo. As torturas e as mortes na polícia central haviam questionadores? A tecnologia disponibiliza o que antes era em grossos livros sequenciados - numa condição diferente. Hoje o toque dos dedos tudo está digitalizado. Podendo ver até as emoções dos textos do império e república que eram manuscritados e pela letra segundo a grafologia podemos entender um pouco das situações passadas naqueles instantes de transcrição dos documentos. As possibilidades de análises são das mais variadas podendo dar farto material para elaboração de teses e novas concepções da política brasileira. Não sei mas caso o programa permitir cruzar dados, isto pode nos permitir um olhar instigante sobre a política instituicional brasileira. As decisões polêmicas do STF, que situações exigiam um olhar da mais alta magistratura. Que mudanças nos costumes levaram alterações. Como eram construidos os argumentos pró e contra. Entender o voto de um jurista é compreender suas verdades e interesses. Dependendo dos recursos que advogados eram figuras conhecidas na arte de protelar um processo por anos a fio. Quem recebia as maiores indenizações. Quais casos levaram a imprensa para ter curiosidade. O discurso e suas técnicas que impediam a compreensão da maioria mesmo letrada. Um documento vai além do texto precisando a compreensão das entrelinhas do gesto para entender os liames do passado vindo responder inquietações do presente.

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