Arquivo Café com Prosa | Paz em Berlim | Charles L. Mee, Jr.

“Paz em Berlim – A Conferência de Potsdam em 1945 e seu Mister de Encerrar a Segunda Guerra Mundial”

de Charles L. Mee, Jr.

Atualmente, grande parte dos livros didáticos de História é unânime ao afirmar que a Guerra Fria começou com a detonação das bombas atômicas de Hiroxima e Nagasaki pelos Estados Unidos, em agosto de 1945. O livro “Paz em Berlim”, do historiador americano Charles L. Mee, entretanto, sugere um outro marco. Para Mee, a Guerra Fria, que duraria até o final da URSS em 1991, começara com a reunião de três chefes de Estado e não com a explosão atômica de duas cidades japonesas. A esta reunião, ocorrida entre 17 de julho a 2 de agosto de 1945, deu-se o nome de “Conferência de Potsdam”.

Ao longo destas duas semanas, a cidade de Potsdam, capital do estado federal de Brandemburgo, ao leste da Alemanha, recebeu o terceiro encontro entre os chamados “três grandes”: Harry Truman, Winston Churchill e Iosef Satalin. O motivo da conferência era a necessidade de se planejar questões políticas, econômicas e militares que estavam surgindo ao final da Segunda Guerra Mundial.

Antes do encontro, estes mesmos estadistas já haviam se reunido duas vezes. A primeira em 1943, em Teerã. A segunda, em fevereiro de 1945, em Yalta. A pauta destes dois encontros fora discutida sem desentendimentos entre os participantes, fazendo jus a alcova de “aliados”. O clima de coerência e coesão fez, naturalmente, o mundo crer que o pós-guerra seria marcado pela harmonia e paz entre os centros de poder. Tudo isso caiu por terra na Conferência do Potsdam.

As duvidas e as divergências entre EUA, Reino Unido e URSS voltaram com toda a força naquele verão. Os três diferiam em questões como a divisão da Alemanha, o leste da Europa e outras disputas territoriais. E isto fez com que as historiografias tradicionais batizassem a Conferência de Potsdam como “um grande fracasso”, não lhe rendendo maiores estudos.

O livro de Mee vem justamente recuperar a importância daquele encontro, que pode ser considerado como o de início da Guerra Fria. Com uma narrativa ágil e arejada – vale lembrar que Charles Mee também é dramaturgo – o autor recupera não só parte significativa do contexto histórico em que se deu a conferência de Potsdam, como também o universo informal e não-oficial da reunião, este sim decisivo para os rumos do mundo. Para isso, Mee traça um perfil psicológico dos três estadistas com que trabalha, se preocupando também com a investigação de diários pessoais e conversas “off” entre os “três grandes”. Mas isso não é feito de maneira a estereotipar os personagens históricos. Mee possui com estas “fontes históricas pouco convencionais” o mesmo rigor profissional com que lida com documentos como atas e outros registros oficiais.

Foto: da esquerda para direita: Churchill, Truman e Stalin

Ao longo do livro, publicado no Brasil em 2007 pela editora Nova Fronteira, fica claro que Mee refuta as historiografias que colocam a Conferência de Potsdam como uma reunião em que os lideres das potências vencedoras da guerra se viram “ultrapassados por forças que iam além de seu controle”. O autor, ao contrário, defende que tanto Stalin, quanto Truman e Churchill estavam o tempo todo se movimento em um tabuleiro político.

Leitura rápida, agradável e elucidativa, “Paz em Berlim” conta com mapas, fotos, um índice remissivo muito prático e dois ótimos apêndices, que trazem a “proclamação de Potsdam” e a “declaração de Potsdam”. Ao final da leitura, o leitor fica com a forte impressão de que o poder incorre por meios geralmente subestimados. Indo além, “Paz em Berlim” revela que a frieza e banalidade dos atos de poder são características emprestadas juntas aos sujeitos que os personificam. Daí, pode concluir: poucos verões foram tão decisivos quanto aquele de 1945 na Alemanha.

Preço encontrado: R$ 35,92

Editora: Nova Fronteira (2007)

Páginas: 344

Exibições: 947

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